Durante o perigo
1 Capítulo único
Notas iniciais
+16. Bissexualismo
This is NOT original.
Nada pertence a mim.
"Fúria! Corram!", Amberle gritou para os nômades que já se agitavam com a visão daquele demônio alado vindo em direção a eles com uivos e silvos ensurdecedores.
A mobilização começou conforme seu urro; as pessoas corriam para longe, passando uma por cima das outras, derrubando as refeições de cima da mesa; gritos e mais gritos cortavam o ar e se mesclavam aos guinchos da fúria. O som fosco daquelas asas acinzentadas batendo para manter o voo até mesmo foi ofuscado pela multidão em retirada. A própria princesa élfica estava a um passo de se virar e correr para longe, e o faria, não fosse um vislumbre de Eretria que mudou seus planos. A nômade aparentava estar em estado de choque e não movia um músculo para fugir; seus olhos estavam vidrados na figura da fúria que a escolhera como vítima assim que a mirou. O demônio mergulhou em direção a ela em um rasante que até mesmo recolheu suas asas.Seu instinto falou mais alto, e, apesar de ela odiar a nômade por tudo que ela era e representava, correu até ela e a derrubou ao chão com violência. A fúria passou em falso, errando sua vítima, seu alvo, e já decidindo escolher seu próximo em nômades que corriam para as árvores. Eretria sequer viu o que a atingiu; quando se deu por si estava caída ao chão, com um corpo ao seu lado e um braço enlaçado por sua cintura. Ergueu o rosto e viu a imagem do demônio voando na direção oposta dela. Então era isso, alguém a salvara. Quando virou o rosto assustado para o lado, deparou-se com a imagem de Amberle ofegante e também aterrorizada.Porém, quando seus olhos escuros encontraram os claros dela, foi como se uma faísca palpável explodisse dentro de ambas, e o contato visual não pode ser quebrado pelos próximos segundos. Amberle, naquele momento tão exaltado, jogou o corpo por cima do de Eretria e segurou os pulsos dela com força acima da cabeça, contra a grama úmida. A nômade não estranhou o movimento; sempre que as duas se juntavam a situação acabava com uma adaga na garganta, socos, cabeçadas e lutas. Todavia, olhou para o rosto de Amberle, analisando todas as suas feições, e fez aquela expressão de desdém que sempre usava diante de um elfo. "Você deveria ter deixado a besta me matar, princesa; teria te poupado o esforço", ela disse erguendo o queixo e movendo bem os lábios para proferir essas palavras com o tom completamente ofensivo. "Eu acabei de salvar a sua vida, você deveria estar grata", retrucou Amberle franzindo as sobrancelhas e empurrando mais ainda os pulsos de Eretria contra o solo. Enquanto isso, Wil ali perto via as pedras élficas brilharem na palma da sua mão. De repente, ele sabia o que fazer. Ergueu os olhos e viu Eretria e Amberle e correu até elas, porque notou que a fúria tinha dado meia volta e retornava a elas para um segundo ataque. "Eu NUNCA vou dever a um elfo!", a nômade respondeu irritadiça e se debatendo em baixo do corpo de Amberle. Em vão, pois as pernas da princesa a apertavam cada uma de um lado da sua cintura."Por que você nos odeia tanto? O que nós fizemos para você?", Amberle insistiu, alheia ao fato de que Wil corria em sua direção para tentar usar as pedras contra o demônio. "Saia de cima de mim, princesa!", Eretria tentou dar um solavanco com o quadril que fez a princesa quase pular. "Amberle!", Wil gritou e se prostrou diante das duas, olhando-as com desespero. A princesa élfica levantou o rosto para vê-lo, mas não saiu de cima da nômade. Viu que o meio-elfo loiro erguia as pedras apontadas para o demônio, fechadas em seu punho, e uma intensa luz azul era emitida por elas e chegava até o demônio.Amberle sorriu. Era um sorriso... Distorcido."Esse perigo todo não te excita?", ela perguntou e abaixou o olhar para Eretria.Fez isso somente para encontrar um olhar confuso da nômade. Suas sobrancelhas se curvavam para baixo e a sua boca estava entreaberta. Aqueles lábios grossos separados, aqueles lábios..."O quê?!", Eretria perguntou desentendida e deslocada, porém foi imediatamente impedida de prosseguir porque Amberle se abaixou sobre ela e a beijou.Pegou os lábios carnudos dela com os seus e os puxou; depois tentou aprofundar o beijo deslizando a língua por entre seus dentes. Ela sentiu o corpo de Eretria relutar e estranhar isso tudo em baixo do seu, mas depois ela relaxou, e abriu a boca para corresponder com intensidade ao beijo tão fogoso e cálido de Amberle. A elfa até mesmo afrouxou o aperto nos pulsos da nômade e isso permitiu que esta se livrasse da imobilidade; assim, agarrou Amberle pelos cabelos para puxá-la mais para si, para o beijo, tornando-o mais quente e desejável ainda.Entretanto, todo esse momento acabou quando um grito ecoante inundou todo o ambiente. Era Wil.Ele tinha usado as pedras e destruiu a fúria com a magia delas, só que caiu desacordado ao chão, com uma terrível marca de queimadura na palma da mão em que ele as segurava.Amberle e Eretria se separaram instantaneamente, jogando-se uma para um lado e outra para o outro. Parece que perceberam só naquele momento o quão... Deslocada tinha sido a conduta delas, e quem eram. Ambas correram até Wil para ver o que tinha acontecido com ele e acudi-lo, mas, quando chegaram ao seu corpo, trocaram um olhar que significava que deixariam para falar sobre o beijo em uma situação menos emergencial, ou talvez nunca.
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