Durante o Tédio

1 Capítulo Único


Era uma linda manhã. Não havia nuvens e o sol brilhava forte no céu, os pássaros cantavam alegremente, a grama e as folhas das árvores estavam mais esverdeadas que nunca. As pessoas, entretanto, não pareciam muito felizes.

Quase todas as pessoas presentes naquela localidade, especificamente, não estavam ao ar livre, por isso não aproveitavam a maravilhosa manhã de outubro que avançava lentamente. Quanto ao tempo, este parecia estar parado. Nos relógios de pulso, os ponteiros pareciam se arrastar com dificuldade.

Falando brevemente sobre aquele lugar, pode-se mencionar que era uma localidade grande dentro de uma das maiores cidades do país. Era formado por um conjunto de prédios de diferentes tipos arquitetônicos. Quando se chega naquele lugar, a princípio, parece que está viajando no tempo e voltando ao passado, mas podemos perceber alguns prédios mais modernos caminhando um pouco.

Era um lugar arborizado. Não fosse pelo clima intensamente pesado ali, até seria possível pensar que aquela era uma praça ou um local de diversão. Mas, como dito anteriormente, o clima era pesado demais, as pessoas tinham uma expressão carregada de preocupação ou ansiedade.

Quando se adentra nos prédios, percebe-se o porquê. A maior parte dos que freqüentavam o lugar eram jovens ou adultos, que estavam enfileirados em pequenas mesas desconfortáveis e pequenas. Olhavam atentamente alguém que falava sem parar à frente. Ou dormiam ou faziam qualquer coisa que não fosse prestar atenção. De fato, isso se repetia em quase todos os cômodos dos prédios, modernos ou antigos.

Falemos especificamente de um cômodo em um prédio antigo. Era um prédio daqueles com grandes janelas e poucos andares. O cômodo supracitado estava localizado no segundo andar, próximo da escada. Era um cômodo grande, mas havia poucas pessoas nele. Um grupo de, no máximo, dez jovens e um adulto sentados em círculo. O adulto falava sem parar, parecia muito empolgado e não notava as expressões entediadas e pouco interessadas dos dez jovens que o escutavam.

Por vezes, a pessoa adulta, um homem de meia-idade, fazia uma pergunta e um dos jovens se prontificava em respondê-la, apenas para ele afirmar enfaticamente que a pessoa havia se equivocado e começasse a falar novamente, corrigindo a pobre alma.

Isso se estende por longas uma hora e meia. Ao longo desse período, alguns se cansam do falatório e se retiram timidamente, rezando para que o homem não perceba tamanha falta de interesse e para que sofresse algo que o impedisse de voltar àquele lugar.

Quando, finalmente, passam-se essas uma hora e meia sofridas, há apenas metade do número de pessoas que havia anteriormente, no início daquele período. Por vezes, menos da metade.

Todos se levantam lentamente, como se sentissem cada parte do corpo dolorida – principalmente a cabeça, que não parece agüentar mais tamanho falatório. Quando se põe de pé, as pessoas se retiram rapidamente do cômodo, com medo que o homem pudesse resolver por estender mais aquele período de tortura mental.

Alguns, educadamente, se despediam do homem desejando que ele tivesse um bom dia, rezando para que o dia fosse tão bom que ele percebesse que não valia à pena ficar trancado por uma hora e meia em uma sala falando com algumas, poucas, pessoas tão desinteressadas.

Mas é hora de almoçar e a esperança de que ele não voltaria mais reina no coração dos jovens. Aquele clima pesado pareceu suavizar, finalmente.

Notas finais
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Esta história foi escrita durante uma aula particularmente chata. Por isso o nome "Durante o Tédio".

É apenas algo curto que escrevi para me distrair um pouco. Espero que gostem.

Peço que deixem reviews com críticas ou elogios, à sua preferência.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!