Durante a Guerra

1 Capítulo 1 - Durante a Guerra


Notas iniciais
Bem vindos a essa One

Resultado de um amigo secreto, eu espero que tenha ficado legal

Eu adorei participar, mesmo tendo ficado bem apreensiva se essa Fic tenha ficado digna de um presente

Enfim... Espero que goste Nah Camargo

Todos aqueles corpos no meio do grande salão davam uma sensação maior ainda de perda, de todas aquelas mortes. Agora sim entenderam que era uma guerra de verdade. Muitas vezes não nos damos conta das coisas que acontecem ao nosso redor, e sempre achamos que está longe de nós, mas quando nos damos conta, já está tudo acabado. Coisas boas e ruins, a diferença é que a boa se vai e a ruim deixa os estragos. Acontece muito mais, nós que não percebemos.

Hermione olhou aquela família de ruivos envolta de um dos corpos estirados no chão, e chorou junto. Vê-los sofrendo a fazia sofrer também, amava-os, amava Fred e era sufocante toda aquela sensação de perda. Queria se aproximar de um em especial, Rony, mas deixou que ele chorasse no ombro dos outros irmãos, e esperou que viesse até ela, e ele veio. Chegou ao seu lado derramando lágrimas mais finas e era como se ele engolisse constantemente o choro. Rony olhou o salão.

— Onde está o Harry? Acha que ele foi para a floresta?

Ela enxugou as lágrimas antes de responder.

— Não sei, ele estava aqui agora mesmo.

— Vem, quero sair daqui.- Ele segurou sua mão e a puxou em direção a saída.

Molly olhou para o filho saindo com Hermione e mesmo com toda angústia e sofrimento uma faísca se ascendeu em seu peito.

— Onde vamos?- Perguntou Hermione baixinho.

— Não sei, onde acha que Harry está?

— Talvez levou as lágrimas até o escritório do Professor Dumbledore.

— Por que não o esperamos aqui? Acho melhor.

Eles estavam ao pé de uma das muitas escadas destruídas, mas sabiam que era o caminho para o gabinete do diretor, então se Harry estava ali provavelmente não o perderiam de vista quando voltasse.

Rony sentou-se e Hermione o acompanhou.

— Ron… Eu sinto muito.- Hermione arrumara coragem para tocar no delicado assunto.

— Todos sentimos Mione, só espero que Harry fique bem e não se entregue.

Hermione começou a chorar baixinho. Rony a abraçou pelos ombros procurou seu rosto e enxugou as lágrimas. Ela lhe sorriu tristemente.

— Obrigado por estar comigo.- Ele disse.

Hermione levantou o corpo, separando-se do rapaz para olhar melhor seus olhos azuis e acariciar sua face.

— Estamos juntos Rony.- Respondeu simplesmente.

Logo segurou suas mãos e aproximou o rosto para lhe aplicar um leve e demorado beijo no canto dos lábios.

Instantaneamente Rony sentiu seu peito esquentar-se e a esperança lhe encher. Hermione felizmente partilhou da mesma sensação.

Continuaram assim, sentados com as mãos entrelaçadas e as testas coladas. Vez ou outra uma lágrima teimosa insistia em molhar-lhes a face.

Passaram um bom tempo ali até ouvirem um pequeno ruído vindo de cima da grande escadaria.

Assuntada, Hermione olhou para trás e viu Harry. O garoto que parecia estar parado começou a descer sem dizer uma palavra sequer.

— Onde você estava?- Perguntou Hermione

— Pensei que tivesse ido para a floresta.- Disse Rony.

— Estou indo pra lá agora.- respondeu sem olhar os amigos.

— O que? Ficou louco? Não pode se sacrificar por nós.- Rony deu dois passou para frente e sentiu Hermione segurar-lhe o pulso.

— Harry, o que está acontecendo?- O garoto não respondeu apenas virou-se para eles.- O que você descobriu?

— Existe uma razão para que eu possa ouvi-las. As Horcruxes.- Hermione parecia juntar os pontos.- Acho que eu sabia faz um tempo. E acho que você também sabe.

Hermione recomeçou a chorar.

— Eu vou com você.

— Não. Mate a cobra. Mate a cobra e só ele vai sobrar.

Hermione se apressou e se jogou nos braços do amigo. Rony permaneceu parado. Ele e Harry trocaram um olhar onde palavras não foram necessárias. Rony já não tinha lágrimas para derramar e ele sabia que teria que ficar com Hermione, ser forte por ela. E se entregar é o que tinha de ser feito, o amigo faria.

Harry se separou da amiga e a deixou ali, parada e chorosa. Rony aproximou-se e eles viram Harry partir.

— Acha que ele vai conseguir?

— Acho que…- As palavras não saiam, suas constatações eram duram demais.- Eu não aguento mais.

Hermione virou-se para Rony e o abraçou, ele a envolveu em seus braços e ela chorou pelo amigo.

— Vem vamos procurar os outros.

Caminharam devagar pelos corredores. Ambos tentavam não pensar no que aconteceria com Harry, mas era impossível. A dor das perdas os corroia.

Muitos corpos ainda eram carregados para dentro do grande salão, outros já haviam sido cobertos por panos improvisados.

Rony e Hermione desviaram de muitas pessoas e foram ao encontro do resto da família do rapaz.

— Já é quase manhã.- Arthur disse abraçado à Molly que tinha os olhos muito vermelhos, vidrados em algum ponto do chão.

Ao ver o irmão chegar, Gina veio ao seu encontro e claro, perguntou por Harry.

— Onde… Onde ele está?- Ela perguntou querendo negar a resposta que gritava em sua cabeça.

— Gina…- Começou Hermione com a voz já denunciando o que acontecia.

— Não! Harry não podia.- Disse baixinho por mais que sua vontade fosse de gritar para todos.

— Não havia o que fazer.- Foi Rony quem falou

— Como diz uma coisa dessas? E se fosse Hermione?

Rony engoliu seco e olhou rapidamente para a amiga.

— Gina, vamos esperar. Temos que ter esperança.- Hermione se manifestou.

— Ele… Me deixou… De novo.

A ruiva tinha a voz fraca e voltou para os braços de Jorge ficando em silêncio total.

— O que faremos agora?- Perguntou Rony perdido.

— Sentamos… Esperamos.- Falou Hermione.

Ela se aproximou de um dos bancos e Rony a acompanhou. Ele logo repousou sua mão sobre a dela um pouco escondidas devido a proximidade de ambos. Ela o olhou e ele pôde ver um ferimento na testa da menina. Levou a outra mão até o local e tocou em volta.

— Acho melhor limpar isso aqui.

— Madame Pomfrey deve estar muito ocupada.- Respondeu olhando para baixo e logo voltando a olhá-lo.

Rony percebeu como estavam muito próximos, ele segurando o rosto dela e fitando os olhos castanhos muito profundamente. Voltou a sentar-se normalmente, mas manteve a mãos unidas.

Hermione estava com sono, tinha fome, mas sabia que nada passaria em sua garganta naquele momento. Sua mente somente concentrava-se em um pensamento: Harry.

— Tá com fome?- Ron perguntou e ela o olhou. Demorou um instante para entender o que ele queria e assim lhe responder.

— Não, obrigada. — Recusou-lhe o pão que ele lhe estendia.

Logo eles puderam ver o sol nascendo tímido diante tanta destruição.

Contudo junto àquela claridade confortante eles viram uma grande movimentação em direção ao castelo. Não souberam quem viu primeiro, mas todos caminharam para a saída. Logo que seguiram a multidão puderam ver que eram comensais, uma imensidão deles, e Hagrid vinha à frente.

Todos pararam ao ver a figura mais bizarra ali presente pronta para falar-lhes.

— Harry Potter, está morto!- Exclamou Voldemort.

Hermione soluçou ao ouvir tais palavras, suas pernas amoleceram e ela quase não as sustentou. Tudo ao seu redor embaçou e ela ouvia o eco do que acontecia, parecia tão distante, Gina correndo e gritando, ou todos aqueles comensais rindo. Seus olhos estavam marejados e duas grossas lágrimas caíram com eles ainda abertos. Olhou para o lado e sustentou o olhar de Rony que estava tão abatido quanto ela. Ouviram aquele discurso ordinário do Lord das Trevas e viram Draco ser obrigado a se juntar aos outros seguidores. Viram Neville se aproximar e abriram a boca. Hermione aproximou-se e tocou de leve na mão de Rony. Ele passou um braço ao redor dos ombros da menina e quando Neville começou a falar ela virou o rosto e o escondeu no peito do ruivo.

Felizmente não por muito tempo. Ela levantou o rosto assim que ouviu o som da espada sendo retirada do chapéu e o baque de um corpo se jogando no chão. Sorriu incrédula diante a cena e segurou forte a mão de Rony enquanto assistia Harry fugir e aproximar-se mais deles. Puxou o ruivo para a entrada do castelo onde muitos já se refugiavam.

— Para dentro do castelo.- Harry gritou ao chegar ao lado dos amigos na entrada.- Temos que matar a cobra.

Hermione se desesperou ao ver Neville entrar na frente de todos empunhando a espada de Griffindor e ser atingido por um feitiço de Voldemort. O garoto foi lançado violentamente para dentro do castelo. Todos se abaixaram e ela foi puxada pela cintura. E ao olhar novamente para fora o Bruxo das trevas já havia aparatado.

Harry também sumiu pelo castelo e mais uma vez os amigos se viram sem saber o que fazer. Olharam um para o outro.

— Vamos atrás da cobra.- Hermione exclamou.

Saíram correndo pelo castelo tropeçando e desviando das ruínas. Não faziam ideia do que acontecia com o amigo, porém sabiam que não era nada fácil.

— Ali!- Gritou Hermione, eles viam de longe Harry perder um dente de basilisco e logo Voldemort avançar sobre o garoto.

A garota fez menção de correr para ele, Mas Rony puxou Hermione para baixo fazendo-a ficar escondida.

Rony viu Harry fugir de Voldemort e perdeu o amigo de vista. Mas aquela era a hora.

— Agora, vem!- Ele puxou Hermione e foram atrás da Horcrux.

— Ali.- Sussurrou Hermione.- Eu atraio ela, e você a mata.- Entregou-lhe a presa do basilisco. Pegou uma pedra e jogou contra a cobra. Esperou a mesma virar e tacou-lhe outra.

Como o esperado a cobra começou a se mover na direção da garota a deixando encurralada, assim Rony surgiu atrás do bicho com a presa levantada. Mas assim que sentiu a ameaça, a cobra virou-se para o rapaz dando um bote e fazendo com que ele derrubasse o dente.

Rony desceu as escadas e Hermione do topo começou a disparar feitiços. Ela somente queria chegar até o amigo. Desviou da besta e chegou até ele. Rony logo a puxou pela mão e ao mesmo tempo em que disparava feitiços corriam o mais rápido que podiam.

— Hermione…

— Sim.

— Tem algo que eu queria te dizer.

— Rony, não diga nada que não diria se não estivéssemos a ponto de sermos mortos por uma cobra gigante.

O garoto apenas balançou a cabeça e concordou olhando para trás e vendo que não adiantava mais, a cobra se aproximava a cada instante e eles estavam chegando a uma parede. Ele ainda lançou-lhe um último feitiço antes de cair sobre os escombros do castelo e Hermione que estava agarrada a ele foi junto. Ele a abraçou segurando a menina firme em seus braços e ambos fecharam os olhos prontos para o possível ataque.

Puderam ouvir um grito forte e um vento sobre seus corpos. Ainda estavam inteiros, e quase não acreditaram quando perceberam que a cobra se fora e Neville encontrava-se na frente deles empunhando a espada e Griffindor. Por isso apenas fecharam novamente os olhos e tentaram controlar a respiração e os corações.

O tempo passou rápido e logo Neville quebrou o silencio.

— Ele conseguiu gente.- Disse cansado sentando-se sobre uma pedra.

— O que?- Perguntou Hermione ainda nos braços de Rony.

— Voldemort. Liquidado.- O moreno levantou-se e saiu dirigindo-se ao que restou do grande salão.

— Eu amo você Hermione.

— Co… Como?

— Não estamos mais a ponto de sermos mortos por uma cobra gigante.- Ele tocou no corte que ela tinha no lábio inferior e pressionou os lábios nos delas com cuidado.

Notas finais
É isso aê...

Beijos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!