Durante A Lua
2 Separadas
Ate que sinto meu corpo tremer, era como se algo quisesse tomar conta de mim, algo que parecia como o meu outro lado querendo sair, sinto não poder mais controlar, mas eu não podia me transformar, não podia machucar ninguém.
– Nicholas me promete uma coisa? — Olho assustada para ele.
– Claro Holly. – Ele sorri.
– Va embora daqui, e amanha conversamos. – Abro um sorriso.
– Não quero te deixar sozinha. – Ele continuava sorrindo.
Chego mais perto dele e tento não deixar meu outro lado se mostrar para ele.
– Confie em mim, saia daqui. – Abro um sorriso.
Ele vai embora correndo e então começo a escutar um barulho de galhos se quebrando.
– Oi pai. – Tento não demostrar medo.
Ele estava em seu lado natural, o lado que eu tanto temia, antes eu conseguia escutar seus pensamentos, mas agora mal nos falamos.
– Eu vou me transformar, mas não por você, não porque gosto e sim pela Sophie.
Então quando olho no fundo daqueles olhos de predador, sinto como se ele tivesse feliz com minha decisão, mas eu no fundo estava me sentindo mal com isso.
Fecho os olhos e deixo meu outro lado tomar conta, começo a sentir meu vestido rasgar, começo a sentir a dor de estar se transformando naquilo que eu tanto repudiava, e então quando abro os olhos eu estava como ele, era o que tanto temia.
Fazia anos que eu não caçava, não sabia mais me comportar e então meu pai some entre as arvores e a escuridão e eu deixo um uivo escapar, um uivo que podia ser escutado a quilômetros dali e então o silencio da noite é quebrado por outro uivo.
Começo a andar entre as arvores e sentir a terra húmida me fazia sentir uma completa estranha ali e então começo a sentir uma dor que tomava conta do meu corpo, a mesma dor que senti da ultima vez que me transformei, a dor de uma noite de sangue.
Acordo de volta no meu quarto, não conseguia lembrar como tinha ido parar lá, só me lembrava de sentir uma dor, e tudo o que vinha a minha cabeça era Sophie, era se ela estava bem e então quando olho para o lado a vejo dormindo na minha cama.
– Sophie? – A cutuco na intenção de acorda-la.
– Holly... – Ela abre um sorriso.
– O que houve? – Tento sorrir de volta.
– Você se transformou, e por mim. – Ela me abraça com força e logo se afasta. – Eu não sei te explicar, estava indo te procurar na festa e algo me atacou.
– Como assim? – Olho espantada para ela.
– Laminas de prata Holly, alguém esta nos caçando. – Ela deixa uma lagrima cair, mas logo se transforma em raiva.
– Quem seria louco de nos caçar?
– Não sei, mas papai vai te mandar para Nieby e eu para Harz.– Ela parecia ainda furiosa, mas ao mesmo tempo triste.
– Como assim? Separar-nos?
– Ele quer que você fique com o filho dos Brooks e eu com os dos Meech. – Ela ria.
– Tipo casamento arranjado? — Começo a rir.
– Eles vêm nos buscar. – Ela continuava rindo.
– Não acredito nisso. – Deixo um suspiro escapar.
– Ele só quer nos proteger, a coisa aqui esta mais feia que imaginávamos. – Ela revira os olhos.
– Agora vou ajudar você arrumar sua mala.
Ela levanta da cama e começa a tirar todas as roupas do meu armário e jogar na cama, fico somente olhando e rindo e então ela para e começa a ficar me olhando de uma forma estranha.
– Você vai me ligar todos os dias? – Ela abre um sorriso.
– Bom desde que eu saiba você é minha gêmea e então eu amo você do jeito louco que você tem e eu nunca deixaria de falar com você. – Abro um sorriso.
– Nossa Holly, você adora a palavra “Você”. – Ela começa a rir.
– Vai arrumar minha mala mordoma. – Jogo um travesseiro contra ela.
Passamos o resto da manha tentando arrumar a minha mala e então escutamos um barulho de carro parando e meu coração se aperta, não sabíamos quem ia embora primeiro, estávamos prontas e então meu pai aparece e fica me olhando.
– Holly esta na hora. – Ele falava de um modo frio.
Abraço Sophie com força e sinto meu coração apertar e então quando nos afastamos, percebo que tinha um cara que devia ter uns dezenoves anos parado perto de meu pai conversando.
– Que marido você arranjou em Holly. – Ela sorria.
– Fale mais baixo Sophie. – Dou um cutucão nela.
– Me liga assim que você chegar. – Ela me da um beijo na testa e some levando uma das minhas malas ate o lado de fora.
Fico parada olhando para meu pai conversando com o menino alto, loiro e bonito e então percebo que ele estava olhando para mim e fico sem graça.
– Holly venha cá. – Meu pai falava com tom te autoridade.
– O que foi? – Tento sorrir.
– Este é Oscar Brooks, seu futuro marido. – Ele continuava com aquele tom de voz autoritário.
Saio da sala enquanto eles continuavam conversando e então encontro Sophie encostada num carro e conversando com um cara moreno enquanto fumava um cigarro.
– Sophie. – Dou um grito para ver se ela se tocava que eu estava ali.
Ela corre ate mim e me abraça com força e quando se afasta percebo que ela estava muito feliz.
– Quem é esse? – Olho espantada para ela.
– Meu futuro marido Josh. – Ela deixa um sorriso malicioso escapar. – Ele é perfeito para mim.
Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa Oscar aparece e passa direto por nos indo em direção ao carro dele e então percebo que estava na hora de dar um ate logo.
– Eu juro que te ligo quando chegar. – A Abraço com força, mas logo me afasto.
Desde que sai de casa não disse uma palavra a Oscar e nem ele a mim e então percebo que aquilo seria um inferno, mas como filha de um líder, eu tinha que me casar com filho de alguém dos quinze e era o líder que escolhia, eu já odiava essa ideia de casar com alguém que não conhecia, mas tinha que admitir que ele era um gato.
– Sabe Holly eu espero que você se acostume com sua nova vida. – Ele deixa um sorriso escapar. – Na minha cidade somos respeitados e temidos, e então todos iram saber quem você é.
Eu não sabia o que responder a ele e então preferi ficar em silencio, Oscar me lembrava meu pai, falava em um tom autoritário, e algo me dizia que essa vida nova ao lado dele não ia dar muito certo.
Depois de quase seis horas na estrada finalmente avisto uma placa com o nome da cidade e então começo a avistar casas, e algumas lojas e percebo que a cidade não era tão grande quanto a minha, mas depois as casas sumiram e o comercio também e então só via arvores e arvores e uma estrada vazia e solitária.
Ele para o carro enfrente a uma casa grande e que parecia estar vazia e então saltamos do carro e fico sem entender nada.
– Bem vinda a sua nova casa. – Ele abre um pequeno sorriso.
Então a porta se abre e uma senhora aparece e, ela vai ate ele e o abraça com força e depois fica me olhando, mas passa direto e pega uma das malas.
– Venha Holly, vamos entrar. – Ele abre um sorriso.
Oscar vai andando em direção a casa e eu vou lhe seguindo e então quando entramos percebo que ela era bem grande, e tinha algumas fotos minhas e algumas dele, a casa estava bem mobilhada e a sala era linda.
Oscar começa andar por um longo corredor e eu vou atrás dele e então ele abre uma porta que dava em um quarto enorme com uma cama de casal e duas portas.
– Esse é nosso quarto. – Ele solta um sorriso malicioso. – Mas se você não se sentir a vontade, eu posso dormir no quarto ao lado.
– Se é para termos uma vida de casados vamos fazer isso direito. – Sorrio de volta.
Ficamos em silencio ate que escuto barulho de carro e então ele sai do quarto me deixando sozinha e eu fico meio perdida ali, sento na cama e fico lembrando-me de Sophie e então a senhora aparece segurando as malas, ela deixa as malas perto da cama e fica me olhando.
– Ooi sou Holly Van Der Dux. – Abro um sorriso.
A senhora somente me olha e sai do quarto e fico sem entender, então pego uma das malas e coloco na cama, mas quando abro percebo que Sophie tinha deixado um presentinho para mim, como ela era gentil, começo a tirar as roupas novas que Sophie tinha colocado para mim e então escuto alguns passos e quando olho para trás lá estava Oscar e seu jeito misterioso de ser.
– Oi... – Abro um sorriso.
– Que tal darmos uma volta? – Ele me olhava de um jeito estranho.
– Esta bem.
Deixo a bagunça das minhas roupas de lado e vou com ele ate os jardins da casa e então começo a sentir um frio tomar conta de mim, mas eu não queria demonstrar isso para ele, não queria parecer frágil e fresca.
– Esta com frio não esta? – Ele sorria enquanto me olhava.
– Estou. – Suspiro.
– Venha cá. – Ele me puxa para perto dele e me abraça.
– Agora esta bem melhor. – Sorrio.
Passamos algum tempo abraçados ate que, alguns caras que deviam ter a idade dele aparecem e então ficam olhando espantados e eu começo a sentir um pouco de medo e então Oscar me da um beijo na testa e se afasta para conversar com os homens estranhos.
Fico olhando Oscar de longe rir e conversar com o que se parecia ser seus amigos, e fico pensando como aquilo daria certo, e então ele volta e me abraça novamente.
– Eles são só meus amigos, fazem parte do Clã e vão te proteger. – Ele volta a sorrir.
– Eu vou entrar, estou um pouco cansada. – Me afasto.
– Eu já vou, só vou resolver algumas coisas.
– Ok.
Entro em casa e então fico um pouco perdida, começo a andar pelos corredores e finalmente acho meu quarto, mas então percebo que minha bagunça não estava mais lá, minhas roupas tinham sumido da cama, minha mala não estava mais no chão, mas então lembro que tinha que ligar para Sophie e quando pego meu celular no bolso percebo que estava cheio de mensagens de texto dela, ligo para ela, mas ela não atende, jogo o celular longe e deito na cama e então Oscar aparece, estava sem blusa e tinha uma barriga tanquinho perfeita.
– Seu pai acabou de me ligar. – A voz dele era de preocupação.
– O que ele disse? – Fico sentada na cama e então fico fascinada pela barriga dele.
– Disse que os quinze se reuniram e já acharam um culpado e que ele será julgado e condenado. – Ele se aproxima de mim e sorri.
– Menos um pesadelo em minha vida. – Sorrio de volta.
– Quando vi você ali parada com sua irmã achei que você era uma fresca metida, mas você é simplesmente incrível. – Ele sorria.
– Você mal me conhece ainda, quem sabe eu não sou uma fresca metida. –Começo a rir.
– Meu outro lado diz que você é perfeita, dócil e gentil, e que será uma esposa impecável. – Ele se aproxima de mim.
– Me de um motivo para eu não me entregar a você aqui e agora, me da um motivo para não dizer que talvez esse casamento seja a melhor coisa do mundo, me da um motivo para não te beijar agora. – Deixo um sorriso malicioso escapar.
– Eu que lhe pergunto, você esta esperando o que para fazer o papel de esposa, agora senhorita Van Der Dux você é minha. – Ele me beija, mas era um beijo diferente, um beijo único, quente.
À noite com Oscar tinha sido perfeita, acordo antes dele e então pego meu celular no chão e abro uma das mensagens de Sophie, que era nada mais nada menos que uma foto dela na cama com Josh e isso era algo que eu não queria ver às seis horas da manha.
Abro uma das portas e dou de cara um closet enorme e algumas roupas que com certeza eu não tinha comprado e então pego uma calça jeans rasgada, um casaco e uma blusa e minhas botas preferidas e quando saio do closet dou de cara com Oscar e seus lindos olhos azuis.
– A onde você vai a essa hora? — Ele me olhava um pouco espantado.
– Bom eu ainda não sou maior de idade e então eu tenho que ir a escola. – Abro um sorriso.
Ele me puxa para perto dele e me da um beijo e então quando nos afastamos tenho vontade de largar tudo e passar o dia ao lado dele.
– Eu te levo ate a escola, e te busco. – Ele sorria.
Tomo um banho rápido e me visto e então quando olho pela janela eu percebo que estava nevando e então antes que eu saísse para a aula pego um cachecol e guardo na bolsa, o caminho ate a escola foi cheio de risadas e brincadeiras e então quando ele parou o carro na porta percebi que todos nos olhavam.
– Tem certeza que quer fazer isso? Não é melhor esperar mais um pouco? – Ele me abraça e sussurra no meu ouvido.
– Tenho, agora vai embora e me deixe ter uma vida. – Começo a rir.
Fico meio perdida entre os corredores da escola nova e então me deparo com uma multidão me olhando e cochichando, aquilo era estranho, não era do meu gosto, mas eu tinha que aprender a lidar com isso.
Vou direto para a aula de historia da arte e então sento na ultima cadeira na intenção de passar despercebida, mas parecia impossível, o resto das aulas foram um saco, todos me olhavam e então quando o sinal tocou, senti uma paz em ver ele me esperando no estacionamento.
– Oi. – Tento sorrir.
– O que foi? Esta tudo bem? – Ele me olha preocupado.
– É difícil estudar com tanta gente falando e olhando para você.
– Imaginei. – Ele começa a rir.
– Estou com fome. – Deixo um suspiro escapar.
– Vou te levar para caçar. – Ele sorri.
Entramos no carro e então ele para enfrente de casa e eu volto a ver aquele caras do dia anterior, com a fome que eu sentia não me importava em caçar, não me importava em transformar, ele estava me fazendo ser uma pessoa nova.
Depois de quase duas horas me acostumando a caçar, a me transformar e aceitar a quem eu era, volto para casa e vou direto tomar um banho e quando saio lá estava Oscar deitado na cama e me olhando e sorrindo.
– Você esta deitando na minha cama sujo? — Olho debochadamente para ele.
– Não, por quê? – Ele começa a rir.
– Levanta dai e vai tomar banho. – O puxo para fora da cama.
Acabo deitando para descansar e então fico ali ate que....
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