Duplo Prelúdio
12 Casa do Vice...
Casa do Vice...
Chega do nada e já se torna importante...
Seu sorriso é o que há de mais confortante...
Seja para sempre meu porto seguro...
Duplo Prelúdio...
...
Bom... Aqueles dias estavam mesmo agitados... Impressiona-me o fato de eu, o vice representante, receber trabalho tão brevemente... Mas o que mais me deixa em dúvida é: Por que diabos a Emanuella está indo comigo para a minha casa!?
_O evento vai ser depois de amanhã, então temos que terminar tudo hoje para entregarmos para o conselho amanhã, entendido Vice?
Disse ela com aquela voz que já me irritava faz tempo e com sua arrogância de sempre... Pergunto-me como agüento ainda ser vice representante...
_Claro, Representante... Mas tinha que ser mesmo em minha casa?
Ela fechou os olhos com uma expressão séria e disse:
_Mas é claro! Não tinha nenhum outro lugar disponível!
“A sua casa, ora!” Eu poderia dizer, mas preferi ficar de boca calada... Não sei que tipo de veneno ainda pode sair dessa cobra... Sem falar que ela acharia que eu era algum pervertido...
_Bom... Ah, vejo que não tenho escolha...
Ela me olhou e disse:
_É claro que não tem, afinal você está aqui para me obedecer.
Acho que ela esqueceu que eu sou Vice-Representante e não escravo dela...
Eu fiz uma cara cansada e apenas disse:
_Acho que sim...
Eu quase podia ouvir a alma dela rindo de mim naquele momento... O fato de ela vir para minha casa não me é frustrante... O que me deixa apreensivo é como ela será recebida pela minha mãe e minha irmã... Pois eu nunca levei nenhuma garota para casa... Acho que até consigo imaginar o que elas vão primeiramente pensar... Mas por que diabos logo nós temos que fazer aquelas preparações? Imagino também quem fez isso...
...
Ontem de manhã, escola...
_Bom, eu posso fazer isso sim Annelise, mas por que quer deixar o trabalho de organização para a sala 2C?
Annelise, que conversava com um integrante do conselho estudantil, deu um pequeno sorriso e disse:
_Ora, nada demais, só acho que eles são mais aptos a fazer isso...
_Então está bem...
Annelise não podia conter sua felicidade por aquele momento, ela tinha várias expectativas naquele plano...
...
Seja o que for, espero que termine o mais rápido possível... Não quero minha mãe e minha irmã na minha cola o dia inteiro... Olhei para Emanuella e ela não parecia nem um pouco nervosa... Talvez ela já tenha ido à casa de amigos... Perai... Pensando melhor, não tem como uma garota como ela arranjar amigos... Ela é um mistério até para mim... Nunca a vi andando com ninguém, ela é outra renegada pela sociedade escolar... Mas eu nem sei por que estou pensando isso... Estamos quase chegando em casa, quero ter minha mente livre para conseguir ler os pensamentos de minha mãe e irmã...
...
Aaah, não tem nada legal passando na tevê... Eu queria ver algum gibi do Ramon, mas tem que ter cuidado para ele não ver... Só para garantir, irei perguntar:
_Mãe! Ramon ainda não chegou?
Minha mãe estava na cozinha, preparando o almoço, ela respondeu em voz alta:
_Não, Ana! Ele já está chegando da escola!
Ótimo! Vou dar uma olhada no quarto dele antes dele chegar... Sempre achei estranho o fato de nunca ter encontrado nenhuma revista pornográfica no quarto dele... Disseram-me que era normal nessa idade, mas é impressionante como Ramon não tem pensamentos pervertidos... Seria tão divertido ver ele assim... Mas enfim, tenho que achar os gibis da Turma da Mônica... Acho que estão na prateleira de baixo do armário dele...
Cheguei a seu quarto e abri o armário ao lado da cama... Todas aquelas sete prateleiras estavam reluzindo em livretos coloridos. As revistas mais antigas estão localizadas nas prateleiras de cima. Ao tirar um gibi do lugar, uma grande parcela dos gibis caiu e me derrubaram no chão do quarto.
_Aiai! Droga
_Aconteceu alguma coisa, Ana?
Perguntou minha mãe da cozinha. Eu apenas disse depois de me levantar:
_Nada não mãe!
Aquele monte de gibis no chão só mostrava que aquilo não era nada, era um pequeno problema... Mas tudo bem, depois o Ramon arruma isso, ele sempre disse para eu não mexer nos gibis deles, não é mesmo?
Naquele momento, que eu estava vendo aquele mar de gibis, a campanhia de casa tocou. Rapidamente me retirei do quarto para não vir nada contra mim! Quando descia a escada, minha mãe me disse:
_Atende aí filha! Estou com as mãos ocupadas!
“Ah mas que droga... Mas tudo bem, deve ser algum vendedor, é só eu atender e dizer que não temos dinheiro... É isso mesmo...” Pensei eu enquanto me dirigia para a porta.
Quando abri, era Ramon com uma cara um pouco perturbada... Eu olhei para ele e falei:
_Ramon! Por que demorou, a mamãe já estava preocupada!
Por um momento, eu não tinha percebido alguém que estava atrás dele... Quando vi essa pessoa, fiquei um tanto chocada... “Meu deus, o corpo dela nesse uniforme escolar está perfeito! Ela é linda, ainda mais com esse prendedor de cabelo! Quem é ela? Por que ela está com o Ramon? Namorada dele? Impossível!” Eu pensava enquanto olhava para ela de boca aberta. Naquele mesmo momento minha mãe chegou à porta, já falando:
_Ei, o que está acontecendo aí? Ramon, já chegou? Por que você de...
Sua fala foi interrompida com a visão que eu ainda contemplava...
...
Bom... Pelo que eu vejo, elas esqueceram que eu estava ali... Elas estavam olhando fixamente para Emanuella, e pelo olhar delas, eu até poderia imaginar o que elas estão pensando... É melhor eu falar alguma coisa antes que o clima desande um pouco...
_Ahn... Bom... Mãe, Irmã... Essa é... Ahn...
Ela me cutucou e disse:
_Deixe que eu me apresente, idiota...
Bom momento para ela falar aquilo na frente das duas! Eu podia ver os olhos delas brilhando enquanto pensavam: “Ela até fala mal dele!” Não estou gostando da situação...
_Meu nome é Emanuella Oliveira, eu sou representante de classe na turma de seu filho, é um prazer!
Então ela se curvou.
Nesse tempo, minha irmã deu um sinal positivo para mim com um sorriso malicioso... Retribui o gesto dela com um olhar irado.
_Eu sou a mãe dele e essa aqui é a irmã dele. É um prazer conhecer você Emanuella! Vamos, entre, esta casa é sua também!
Emanuella tirou os sapatos e se virou, me olhando com um tipo de olhar vitorioso que me irritou profundamente, eu apenas disse:
_Não diga nada, não diga nada...
Ela apenas entrou como se fosse de casa, mas é claro...
Minutos se passaram, e eu me via em nossa mesa de jantar... Eu, minha irmã, minha mãe e a Emanuella... Como isso aconteceu mesmo? Queria muito saber...
_Mas então... Senhorita Emanuella... Como conheceu meu filho?
Ela manejava os talheres com uma suavidade que deixava minha casa em níveis abaixo da pobreza... Mas não reparei muito naquilo para não ficar deprimido mais do que estava com a pergunta que minha mãe acabava de fazer...
_Bom, seu filho foi eleito o Vice-Representante... Desde então estamos trabalhando juntos!
Disse ela, ao ouvir isso minha irmã perguntou:
_Ah, então você foi obrigada a conhecer esse traste?
Ei, que tipo de pergunta é essa?
_Pois é! Fazer o que?
E por que você concordou!?
De repente, minha mãe e minha irmã riram. Por que estão achando engraçado? Estão falando mal de mim! Achei que não poderia ser pior... Grande erro... Irei me apressar para terminar logo essa comida.
_Obrigada por cuidar do meu filho todo esse tempo, Emanuella!
Naquele momento eu engasguei com a comida com o seguinte pensamento: “O que diabos você pensa que a gente é mãe!?” Depois disso, Emanuella apenas disse:
_De nada, senhora Salles!
Pelo olhar de satisfação da minha mãe, ela estava pouco se importando para o quanto minha imagem estava baixa naquela discussão... Mas fazer o que? Sempre foram assim...
_Representante, vamos logo lá para cima terminar o trabalho.
Eu não havia percebido o que tinha falado... Logo após, dei uma leve olhada para a cara de espanto de minha mãe e minha irmã. Para não causar más impressões, eu disse:
_É um trabalho de escola! Apenas um trabalho de escola!
Emanuella ficou olhando para elas e depois se levantou e disse:
_Ok, quanto antes terminarmos melhor... Senhora Salles, obrigada pela refeição, eu fico extremamente agradecida!
Minha mãe ficou um pouco sem graça então apenas ficou rindo sem responder... A lavagem cerebral que Emanuella estava fazendo pelo visto estava dando certo... Naquele momento senti pena de minha própria família por aquele monstro estar entre nós...
Quando estávamos em frente a porta de meu quarto, eu até parei um segundo em frente a maçaneta e disse para mim mesmo em um tom inaudível: “Por favor, que tudo ocorra bem e acabe logo!” Mas minhas frustrações acabaram no momento em que entrei em meu quarto... Meus gibis estavam todos caídos no chão. Aaah, aquela Ana! Ela mexeu novamente em meus gibis!
Emanuella observou aquilo e já proferiu:
_Além de preguiçoso é bagunceiro! Ah meu deus, como pode?
Olhei para ela com desgosto e perguntei:
_Cadê a representante que estava ali embaixo? A educada?
Ela deu um sorriso de leve e disse:
_Está junto com quem merece.
Minha raiva parecia um tanto visível no fundo de meus olhos... Eu tenho certeza disso, certeza!
_Hum... Então tente resgatar um pouco dela em meu cantinho... Por favor!
Ela não me respondeu, apenas entrou em meu quarto e se pôs a observar tudo enquanto eu guardava meus gibis novamente em meu armário... Quando eu coloquei o ultimo gibi, ela perguntou:
_Você coleciona gibis desde quando?
_Não me lembro bem... Acho que desde quando eu tinha cinco ou seis anos...
_Hum...
Provavelmente ela pensou que eu sou algum doente compulsivo... Pois ela estava olhando para um armário repleto de mais de duzentos gibis colocados lado a lado... Tomara que ela não comente com ninguém que não deva...
Quando nos sentamos em minha cama e ela ficou a procurar papéis em sua mochila, eu me toquei de uma coisa: Eu nunca havia trago nenhuma menina para minha casa e naquele momento... Naquele momento eu estava com uma garota em meu quarto... E naquele momento eu percebi bem que Emanuella tinha um corpo bem desenvolvido... Aquilo me deixava um pouco nervoso... Nunca tinha pensado nisso até agora...
_O que foi hein?
Ela perguntou... Eu ainda estava nervoso, então eu tentei controlar minha voz, mas ela ainda saiu um pouco trêmula...
_Ah... N-Nada não...
Então ela sentou-se no chão e disse:
_Vamos terminar logo isso, não quero ficar sozinha em um quarto com um pervertido que nem você.
Bom... Foi bom ela ter sido direta, pois aquilo lavou a minha alma nervosa com o amargo aroma de meu desgosto por aquela pessoa que estava em meu quarto naquele momento...
_Está bem... Está bem...
Apenas respondi...
Depois de sentarmos no chão forrado com um tapete roxo... Eu me vi em um clima de silêncio em meu quarto... Eu nunca levei ninguém para meu quarto... Emanuella foi a primeira pessoa a ver meu quarto e ela nem é minha amiga... Isso é um pouco estranho... Preciso quebrar esse clima, mas não sei com que tipo de papo começar... Ela vai desconfiar de alguma coisa se eu deixar transparecer...
...
Realmente, eu ainda era escrava de alguns de meus pensamentos mais escondidos... Acabei por parar para pensar em minha vida e nunca antes havia ficado no quarto de um garoto antes... Até me deixava um pouco nervosa... Mas contanto que seja o quarto do idiota do Ramon, isso me deixa mais tranqüila...
_Mas então... Você disse antes que mora com sua mãe, certo?
Ele perguntou de repente, até me assustei um pouco, tomara que não seja perceptível pelos meus olhos...
_Sim...
Não esperava que ele se lembrasse de algo assim... Será que ele lembrou isso pelo fato de morar apenas com a mãe dentre seus parentes? Ele olhou para mim com uma cara curiosa e perguntou:
_O que aconteceu com o seu pai?
Aaah... Meu pai...
Eu pensei que havia me curado disso...
Uma breve lembrança veio em minha mente no momento que aquela pergunta foi feita... Isso me deixou surpresa... Mas não devo me mostrar carente da situação, apenas responderei alguma coisa... Apenas alguma coisa...
_Ele... Faleceu quando eu era criança...
Idiota! O que está dizendo? Eu não posso expor minha intimidade aqui! De qualquer jeito, a cara de Ramon parecia um tanto arrependida da pergunta e ele abriu a boca para falar aquela frase de sempre que todos falavam depois de eu dizer isso que é:
_Desculpe-me...
Eu não conseguia ver os olhos do Ramon para ver sua expressão por causa daqueles óculos, mas mesmo assim, eu acho que ele está com pena de mim...
_Está com pena de mim?
“Calada! Por que pergunta isso? O que eu estou perguntando? Por que me sinto tão livre de falar essas coisas? Algo está estranho aqui!” Pensei enquanto não tentava demonstrar minhas emoções através de meu rosto... Já Ramon ergueu o rosto, virou a cabeça um pouco e disse:
_Mas é claro que não... Ora! Isso não é um sentimento bom para contra alguém...
O que ele disse é verdade... Desde minha adolescência eu só tenho visto olhos negativos contra mim... Ora olhos com pena dos adultos que descobriam sobre meu pai, ora olhos pervertidos contra mim na pré-adolescência... O ser humano é algo patético...
O que aconteceu foi quando eu tinha sete anos de idade... Até antes, eu era uma criança muito alegre... Brincava muito, era animada... Foi em uma viagem para o parque de diversões... Eu e minha mãe iríamos ao parque, ela iria dirigir... Eu insisti que meu pai fosse junto, ele negou várias vezes, pois estava um pouco cansado... Eu reclamei e então ele cedeu... Talvez por que pensasse que devesse curtir mais tempo com sua filha, algo comum para pais preocupados... Foi aí que tudo aconteceu... Meu pai estava dirigindo o carro dessa vez e ocorreu um acidente... Eu apenas desmaiei brevemente durante o acidente, mas acordei para ver uma cena horrível... Meu pai estava sangrando e ele estava inconsciente... O carro havia batido de frente ao outro e as engrenagens perfuraram o corpo de meu pai... Só fomos saber de sua morte após sermos tiradas do carro e socorridas ali mesmo... Após o acidente, pela falta do apoio financeiro de meu pai, minha mãe vendeu nossa casa e se mudou para cá, para uma casa menor a ponto de tentar mudar a nossa situação... Desde aquele dia eu venho me culpando por que fui que insisti que ele fosse com a gente... Quem sabe a situação não ficaria tão grave assim se eu ficasse quieta... Eu fiquei fria e deprimida por anos e isso me ajudou a afastar as pessoas más que eu conhecia... Mas por algum motivo eu acho que preciso me re-socializar...
Não é algo que eu deva contar para Ramon... Acho que ele não entenderia...
_Eu também perdi o meu pai... E foi algo não tão recente...
Aquilo havia me deixado atônita... Achei que o pai dele tinha viajado ou coisa do tipo... Não esperava que ele me entendesse...
_Mas sabe... Acho que eu nunca me importei muito com isso...
O que ele está dizendo? Por que está tão seguro com um assunto tão sério?
_Tem muita gente que me ama muito... Não posso me esquecer disso...
Eu olhei para a mão dele e estava um pouco trêmula... Eu sorri para mim mesmo e pensei: “Idiota... Está deixando transparecer...”
Ele rapidamente levantou a voz e disse:
_Ah, me desculpe! Eu disse sem querer!
Eu sorri e disse:
_Você está parecendo um idiota!
Ele fez uma cara zangada e disse:
_ Ora! Não diga isso enquanto sorri!
Então nós ouvimos um pequeno barulho vindo da porta... Ele parou um pouco, olhou para a porta e colocou a mão na cabeça... Eu conheço esse gesto! A mãe e a irmã dele estão tentando ouvir o que se passa nesse quarto! Ah, isso é tão previsível!
_ Vice, você é tão bajulado!
Ele olhou para mim com a mesma expressão e disse:
_ Calada, por favor! Lembre-se que está no meu quarto!
_ Ah claro!
Eu disse enquanto me segurava para não rir.
...
_Então! O que está acontecendo?
Eu perguntava baixinho para minha mãe que estava encostada na porta tentando ouvir pelo lado de dentro do quarto do Ramon.
_Nada ainda, está silencioso...
Disse ela, eu perguntei em voz baixa já impaciente:
_Aaah, o que será que eles estão fazendo lá dentro!?
Minha mãe colocou as mãos nas bochechas e ficou a imaginar:
_Qualquer coisa que seja, deixaria o coração de uma mãe pulando de orgulho! Aaaah!
Sabendo o que a minha mãe poderia estar pensando, a única frase que saiu pela minha boca foi:
_Mãe... Você é estranha...
...
Já era começo de noite e nós já havíamos terminado as preparações para o evento... Saber que eu tenho amanhã inteiro de dia livre me deixa um tanto aliviado! Pensar sobre tudo que o conselho queria que fizéssemos me deixava extremamente cansado! Nunca pensei que ser Vice-Representante fosse tão cansativo!
Eu estava indo com a representante até o ponto de ônibus e eu não me lembro bem por que eu estava a acompanhando... Não sei se isso importa, não é mesmo?
_Amanhã irei entregar tudo para o conselho e eles farão parte de toda a organização!
Automaticamente respondi, cansado:
_Sim!
_Então, teremos um dia de folga amanhã, pois não faremos parte da organização!
_Sim!
_Mas, iremos averiguar como as coisas irão correr durante o evento, então, o senhor não ira participar de nenhum deles!
Coisa que eu sinceramente não pretendia... Literalmente dizendo, correr era cansativo demais...
_Sim!
_Alguma pergunta?
Mesmo ela sendo representante, acho que isso não fazia muita diferença quando trabalhamos juntos... Então por que ela parece estar tão cheia de si?
Uma pergunta que não tinha nada a ver com o assunto veio de relance em minha mente, mas eu não vou...
_Representante... Nós somos amigos?
Bom... O que exatamente eu não iria fazer?
...
Aquela pergunta tinha me pegado de surpresa... Ao pensar melhor na situação, qualquer pessoa em sua sã consciência diria que nós somos amigos... Por que ele não me considera então? Qualquer garoto que passasse o dia junto de mim diria que somos amigos ou ele até tentaria ser algo mais... Por que eu não vejo essa atitude no Ramon?
_M-Mas é claro que não! Não se aproveite da situação! Apenas fazemos parte do mesmo conselho de classe! Ora!
Ele não mudou de expressão... Parecia aceitar a idéia... Então ele disse:
_Ah, me desculpe! Haha! Foi sem querer! Até mais!
Então ele caminhou rapidamente de volta para casa, pois já havíamos chegado ao ponto de ônibus... Por que será que ele perguntou aquilo? Ninguém nunca me perguntou isso, é um tanto estranho... Será que seria estranho eu dizer que sim? O que eu sei é que... Minhas mãos estão tremendo... Será o frio?
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Entre pesadelos obscuros e sonhos perdidos...
O sonho doce do oásis é seu único refúgio,
O mundo reserva dores, e dores revelam um novo caminho...
Caminho que terá introdução em um...
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