Duplo Prelúdio
5 Deveres, a via temporal...
Deveres, a via temporal...
...
O que o frio me mostrava em sentimentos...
Era o que reservaram pra mim em forma de lamentos...
Duplo Prelúdio...
Destino... Uma palavra e vários problemas, eu pensei naquele dia... Era difícil para eu imaginar os trabalhos que alguém iria ter como Vice-Representante de uma sala, afinal eu nunca fui um e nunca tive vontade de ser... Aquilo parecia cada vez mais difícil à medida que eu pensava que fosse... Tinha chegado o intervalo e eu fui direto para a cantina, pensar... Ou apenas ter os meus minutos de silêncio, como qualquer um... Sentei-me em uma mesa e me pus a pensar...
Enquanto pensava, com a boca em um canudo, com o canudo em uma caixinha de suco de abacaxi, eu percebi de leve uma coisa... Minha cadeira estava impressionantemente vazia e todas as outras mesas do salão da cantina estavam impressionantemente cheias... Qual o problema dessas pessoas? Por um acaso eu tenho algum tipo de aura repelente maligna que impede de me aproximar de pessoas e vice-versa? Argh... Quem sabe, afinal meu minuto de silêncio estava sendo muito favorável...
Depois de alguns minutos, quem eu menos esperava chegar, chegou naquele momento... Emanuella Oliveira... Eu suguei o suco de uma vez e a caixinha deformou no mesmo instante...
Ela olhou para a mesa e depois olhou para mim, estava segurando uma bandeja com um prato de comida, eu não conseguia ver a comida, mas mesmo assim estava pensando demais para perceber essas coisas... O olhar dela estava assustador como sempre, eu podia sentir meus pés tremerem... “Por que ela tá aqui? Por que tá olhando para mim? Isso é assustador cara...”
Ela deu uma leve virada no rosto e olhou para o salão... Percebi que ela procurava uma mesa, mas não tinha nenhuma disponível... Eu percebi que ela era a certo momento igual a mim... Então ela não iria achar uma cadeira com alguém, ela é anti-social... Por um momento, minha alma caridosa deu espaço em meio ao vazio cheio de teias de aranha e palavras saíram da minha boca:
_Eer... P-Pode sentar aí, representante... E-Está livre...
Bom... Saíram forçadas, mas saíram...
Ela me olhou com aquele olhar assustador, eu apenas virei a cara e não disse mais nada... Então eu ouvi um som na mesa e o som de uma cadeira arrastando... Olhei para frente e a vi sentada na minha frente, olhando para o prato dela... “Ora, quem ela acha que é? Nem moveu um músculo da boca para me falar obrigado... puff... Tudo bem, tudo bem... Se acalme Ramon... Você não quer problemas com ninguém aqui...”
_Obrigada...
Aquilo me levantou a cabeça e eu a vi olhando para mim... Seus olhos não eram mais assustadores, de alguma forma...
_Não gosto das pessoas daqui... São todas... Iguais...
Por que ela estava dizendo aquilo para mim? Por que? Eu não sou igual a todas? Eu então olhou para mim com um olhar sério, eu apenas disse:
_Ahn... Acho que eu te entendo...
_Percebi que é novo aqui...
Pelo que ela diz, ela deve conhecer muitas pessoas daqui para perceber que sou novo...
_Ah. Sim... Minha mãe se mudou para cá...
Então eu suguei novamente o suco na minha caixinha, que já estava fazendo barulho de vazio...
_Hm...
Ela apenas disse isso e ficou em silêncio... Um silêncio que fazia a minha barriga doer e minha mente explodir...
Eu então disse:
_Eer... O que um Vice-Representante faz?
Ela então olhou para mim, com um tipo de espanto.
_Aaaahn? Você nunca foi um representante?
Deve ela achar estranho o porquê de eu ter notas boas e nunca ter sido um representante... Talvez, qualquer um pensaria isso...
_Ah sabe... Eu nunca quis pagar de responsável quando eu não sou...
Disse isso olhando para o lado, com medo de seu olhar, logo após eu olhei novamente, e vi-a ainda me fitando... Mas não estava mais assustadora...
_Você vai me ajudar com alguns deveres e eu separarei tarefas para você... Para não ficar tudo para o representante...
_Aaah, resumindo, para o trabalho não ficar todo para você...
Ela largou o garfo, suas sobrancelhas se contraíram.
_Ora não é isso! O Vice-Representante deve ajudar sim o Representante!
De certa forma, a voz dela suave daquele jeito me trazia um tipo de paz incomum... Digamos... Eu apenas ri um pouco e falei:
_Ok! Ok! Sem problema! Mas não me atole de trabalho! Representante é mais importante!
Ela deixou suas pálpebras caírem e disse:
_Que coisa ruim... Meu Vice é preguiçoso...
_Ahn?
Ela pegou o garfo e deu um sorriso de lado, ainda com a mesma expressão no rosto.
_É... Acho que você tem razão... Eu sou melhor mesmo, então devo ter a maioria do trabalho...
Eu coloquei as mãos na mesa e disse para ela, já com a paciência esgotada:
_Ei! Não me desafie!
Acostei-me na cadeira e disse:
_Me dê todo o trabalho que sobrepor... Irei fazer sem preguiça!
Ela então disse com maior facilidade:
_Se você quer... Eu não te obrigo, acho que me enganei sobre você!
Então eu me senti vitorioso... Mas segundos depois me senti ruim... Não sei por que...
...
Antes que eu pudesse esquecer, enquanto degustava de minha comida, expliquei coisas para ele como:
_Os Representantes e Vice são responsáveis pela nossa sala e todas as atividades nela ligadas diretamente à escola... Como atividades extracurriculares... Então nós precisamos cuidar junto com os outros representantes de todo o corpo discente...
Ele olhou com um pouco de duvida e perguntou:
_Corpo discente?
Eu me enchi de alegria por dentro e disse:
_O corpo de alunos, ora! Nós somos parte dos responsáveis por todos os alunos!
Ele me olhou com um tipo de cara de desprezo e disse:
_Ah...
Provavelmente ele estava com raiva de eu saber uma coisa que ele não sabe... Frustração... Faz tempo que eu não provo disso... Aaah que alívio...
_Mas então, quando começamos nossas atividades.
Ele perguntou, querendo prolongar o assunto.
_Talvez amanhã, não sei... Teremos uma reunião em breve com os outros representantes...
_Ah bom...
Ele se levantou para se retirar... Eu reclamei, não queria ficar sozinho naquele mar de gente chata... Não que ele não fosse diferente...
_Ei, aonde você vai?
_Onde? Eu vou para a sala oras...
_Mas o intervalo nem acabou.
_Ah, aqui tem muito barulho...
_Ok.
Eu apontei o garfo para ele e disse:
_Não fuja de suas responsabilidades ein!
...
Depois dela dizer aquilo, percebi que seu olhar era igual o da minha irmã... Raiva e fofura... Que estranho...
Eu disse para ela com ironia:
_Ta bom, senhorita responsável...
Ela colocou o garfo na boca, se virou e disse:
_Não zombe de mim, Vice!
Bom... Acho que finalmente encontrei alguém mais irritante que minha irmã... Alem de achar que era impossível, eu achei... Engraçado não?
...
Eu fui cedo para casa naquele dia... Não queria ir com ninguém, queria ir sozinha para casa, como eu sempre fui... Às vezes, o silêncio é melhor que qualquer companhia... As atividades do conselho estudantil ainda não foram entregues aos representantes, então eu não teria trabalho naquele dia... Nem o inútil do Ramon... Me enraivece o fato dele não saber o que é trabalho, mesmo naquela idade... Deprimente...
Cheguei a minha casa, e estava àquela escuridão de sempre... Apenas tinha uma lâmpada na sala, e ela era fraca, fazia tempo que minha mãe a comprou... Aquela lâmpada dava um ar sombrio àquela casa... Nada de tão estranho, minha mãe sempre teve dificuldades com dinheiro...
Eu a vi sentada em uma almofada no meio da sala assistindo tevê... Era só isso que ela fazia, pois ela não tinha dinheiro para pagar assinatura de algum jornal, tudo de novidade que ela via era pela tevê... Eu não gosto desse instrumento... Informações são passadas em velocidades luz para que o telespectador não tenha tempo de refletir consigo mesmo... As rápidas mudanças de humor na tevê fazem as rápidas mudanças de humor nos telespectadores... Em outras palavras, a tevê controla suas emoções... Sem falar que ela pode manipular qualquer tipo de informação... Como podemos confiar em um tipo de emissora que só pensa em dinheiro quando se trata de passar informações para nós com sinceridade? Eu sinceramente odeio televisores...
_Boa noite, mãe... Cheguei.
Ela deu uma leve olhada para mim, deu um sorriso e disse:
_Bem vinda de volta filha!
Eu não sei por que, aquele sorriso nunca me foi convincente... O sorriso dela escondia coisas que os olhos não enganavam... Ela ainda sofria pela nossa situação... Dava para perceber... Desde a morte do meu pai, ela nunca foi a mesma... Sinto falta daqueles sorrisos...
...
Olhares por olhares...
Sorrisos por lágrimas...
Oposição age contra o coração...
Não... Não... Não desista agora...
Há um novo caminho aparecendo...
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Entre pesadelos obscuros e sonhos perdidos...
O sonho doce do oásis é seu único refúgio,
O mundo reserva dores, e dores revelam um novo caminho...
Caminho que terá introdução em um...
... Duplo Prelúdio.
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Próximo Capítulo: Outro caminho se junta...
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