Notas iniciais
Estou empolgada pra voltar a escrever aqui porém nervosa porque é a primeira vez que escrevo algo original, desligado de fandons. Contudo, se gostarem por favor comentem essa jovem agradece muito.
Boa Leitura....

Passar por aquela estrada esburacada era quase que um pagamento de pecados. Definitivamente odiava Alabama mais precisava fazer o sacrifício de vim até aqui duas vezes ao mês só para ter certeza que ainda tenho o que me resta de família.

Alabama era antiquada demais para quem respira poluição e desperta com barulho de carros. O carro chacoalhava como se estivesse no meio de um terremoto, o cheiro de planta recém molhada sob o sol era forte e o barulho de cachorros perdidos meio as fazendas espalhadas pelos dois lados da estrada era quase como um cenário de filme de terror, faltaria apenas um espantalho possuído pular no vidro do meu carro.

Estacionei o carro na frente da casa branca cor gelo, com janelas marrons com aparência de molhadas, um quintal estava terrivelmente feio, o que havia de flores ali que conseguia lembrar tinha dado lugar a buracos e arbustos cortados no pé. Olhei para aquele quintal surpresa. Tinha crescido com aquele projeto mal feito, porém sentimental de quintal. Era tudo que mantinha em minha mente, aquele quintal pobre e murcho, mais era o quintal que amava contemplar. Pelo menos agora tinha um assunto a tratar com a minha mãe quando me sentisse deslocada e sem assunto para conversarmos. Andei até a porta precisando bater apenas duas vezes na porta morfada para encontrar um sorriso recém clareado guiado pelos olhos verdes brilhantes e cabelos loiros presos de mal jeito. Fui cercada em um abraço apertado até demais, um abraço que só minha mãe sabia dar.

- Como pude pensar que você não viria hã? — Falou em meio a apertos e beijos na nuca. — Não sei o aconteceu nos últimos dois meses, e nem quero saber meu anjo, sei da sua rotina desregrada. Só quero aproveitar sua vinda e deixá-la entrar porque me parece bem cansada. Alabama é longe, não? — Concordei com um sorriso tímido. Era tão comum me sentir uma adolescente inexperiente toda a vez que pisava em casa. Fui arrastada para dentro da casa, entrei com receio. Eu sei, é estupido sentir receio ao entrar na casa que você cresceu mas fazia dois meses que não entrava nessa casa, muitas coisas podem ser mudadas em dois meses, estava apenas com medo de me sentir deslocada.

- O que aconteceu com o quintal? — Não estava sabendo controlar meu autocontrole ultimamente. Poderia afirmar que vi aqueles olhos verdes brilhantes escurecerem com à minha pergunta. Limpei a garganta com receio mais estava curiosa demais para ligar.

- Patrick faleceu a um mês. — Meus olhos se esbugalharam com o seu relato. Patrick era o nosso vizinho desde sempre, o nosso melhor vizinho. Sempre que podia me trazia doces para me ver feliz, dizia que meu sorriso valia qualquer sacrifício porque era um sorriso iluminado. Um dia ele pediu permissão à minha mãe para melhorar nossa fachada, minha mãe não entendeu sua intensão mais não proibiu que ele fizesse o que pretendia. No dia seguinte quando acordamos encontramos o nosso quintal com flores espalhadas em buracos cavados e tampados, uma arvore "filhote" e um arbusto desajeitado. Era a coisa mais bonita que tinha visto em toda a minha vida. Poderia trazer Alabama inteiro para ver aquele quintal que era meu. Perguntei a Patrick no mesmo dia o porque do quintal que ele tinha feito, o mesmo me disse que fez aquilo para que toda a vez que minha família acordasse pudesse abrir as cortinas e encontrar uma vista mais colorida. E que quando eu e meus irmãos um dia fossemos para a faculdade e resolvêssemos visitar nossa vida antiga pudesse encontrar aquele quintal e sentirmos que absolutamente nada mudou. Patrick se esforçava todos os dias para provas que nada de mágico na minha infância iria mudar, agora tudo sumiu. — Todos fizeram uma homenagem linda para ele com flores, vídeo e música. Era como ele queria. Achei que ele merecia levar o que tanto cuido. Patrick gastava horas com o nosso quintal sem pedir nada em troca, apenas por amar cada flor plantada ali. Ele nos presenteou com paz e vamos o presentear de volta com ela. — Ainda estava atônica. Como puderam se livrar do presente tão lindo que um dia recebemos? — Não fique triste meu anjo. Em todos os quartos existe um vaso com um pouco das flores de Patrick. Assim ele sempre estará aqui. Conosco. — Fez um carinho em meu rosto o que me fez suspirar cansada. — Vamos pro seu quarto.

Seguimos pela escada lentamente até adentrarmos em um dos cômodos. O quarto não estava mudado, a cama com as cochas coloridas, janela com cortinas azuis, armário rosa combinando com a cômoda e tapete da cor das cortinas. Nada havia mudado, a não ser o quintal lógico.

- Vou deixar você se instalar e vou preparar algo para você comer. — Sorriu. — Só seremos nós duas agora. Sabe como é né meu anjo, esses jovens são impossíveis, pedir para que fiquem em casa nesse horário chega a ser até pecado não? — Gargalhou mais para si mesmo do que para mim. Não poderia confirmar sua pergunta. Bom, era consideravelmente jovem tinha apenas 23 anos, mais minha vida não condizia a minha rotina. Nada de jovem fazia parte dos meus dias, um dia de sexta como esse era só mais um dia de trabalho na agencia. Concordei fracamente. Bem vinda ao Alabama Charlotte, bem vinda ao seu passado estupido.

Notas finais
Capítulo pequeno porque é só o começo mais se gostarem mesmo que só do começo comentem meus amores.. Até o próximo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.