Dupla de Três
17 Local de onde eu não senti saudades
Notas iniciais
– Você é genial – eu sussurro no ouvido de Tom.
Nós estamos no banco de trás do carro de polícia, quase chegando em Columbus. Eu estou sentada no meio, com a cabeça deitada no ombro de Tom, e Dustin está do meu outro lado. Estar no meio faz com que eu tenha que permanecer com a expressão de pobre menina desesperada durante o caminho inteiro, pois os policiais podem me ver pelo espelho.
– E você chora bem – ele responde, quase sem voz, enquanto enrola o dedo no meu cabelo.
– Chegamos na cidade – diz o policial que está dirigindo, nos olhando pelo espelho. Eu melhoro um pouco minha expressão de pobre menina machucada. – Qual é o endereço?
Eu pego minha mochila, encontro o papel de Quíron com o endereço de Tamsin e leiopara o policial.
Depois de somente dez minutos, nós chegamos ao endereço (finalmente, já cansei de fingir que eu estou sentindo dor).
– Chegamos – diz o policial.
Eu levanto a cabeça, pois já estava quase dormindo no ombro de Tom, e olho pela janela. Por um segundo, esqueço do meu momento "atuação" e arregalo os olhos em choque. O endereço não é a casa de Tamsin, como eu esperava. É o internato onde estudamos juntas, antes da guerra contra Cronos. Pra variar, minha mão vai direto para o local da concussão, o que eu sempre faço quando começo a lembrar de coisas demais. Maldita memória afetada. Estar em lugares onde essas memórias ocorreram pode ser pior ainda.
Antes de sair do carro, nós três temos que inventar falsos nomes e endereços, pois eles vão nos chamar para prestar depoimento. Eu resisto à tentação de dizer "Empire State Building, 600º andar, New York" quando eles pedem o endereço dos meus pais, mas eu digo o endereço em que morava com meu pai aqui em Columbus antes de eu vir para esse internato e ele se mudar para Seattle. Já Tom e Dustin (também conhecidos como Lucas e Peter, para os policiais) dizem que não têm endereço aqui, moram no internato e seus pais moram em Nova York (o que não deixa de ser, em parte, verdade).
Nós saímos e andamos até a entrada do internato. Ao ver a viatura ir embora, nós paramos.
– Você está bem? – pergunta Tom para mim.
– Não – respondo. – Foi aqui que eu estudei com Tamsin antes de ir para o acampamento. Se alguém daqui me reconhecer, o que eu vou dizer? "Ah eu cansei dessa vida perigosa de mortal, fui para um acampamento só de meios-sangues".
Dustin ri.
– Nós devíamos ter trazido algo para "apagar" quem te reconhecesse ou sei lá... – ele comenta.
– Ótima ideia, Dustin! – digo, abrindo minha mochila.
– ... mas a gente não trouxe – ele completa.
– Você não trouxe – corrijo, tirando uma zarabatana da mochila e vários dardos, acho que uns 20.
– O que é isso? – pergunta Tom. – Uma zarabatana? Não sabia que semideuses usavam armas de índios.
– E quem garante que não eram os índios usando armas de semideus? Será que eles eram todos mortais? – pergunto, com o único motivo de deixá-los confusos. – Pense nisso.
Eu posiciono um dardo no tubo da zarabatana.
– O que você pretende fazer com isso? – pergunta Dustin. – Esses dardos não são letais, né? Por favor, vira esse troço pra lá.
– Não, são tranquilizantes... – começo a explicar.
– Então só vai acalmar quem você atirar ou...? – pergunta Tom.
– ... de cavalo – termino. – Vai apagá-los por uma hora ou mais, depende do peso da pessoa.
– Ah, ótimo – diz Tom. – Mas como vamos entrar?
– Vocês fazem muitas perguntas – resmungo. – Só venham.
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