Duo Reality

2 Capítulo 1 - O dia em que comprei o jogo.


Notas iniciais
minha primeira fic, por favor não me matem!
Boa leitura :3

PARTE 1

Capítulo 1

O dia que comprei o jogo


Lá estava o dragão: grande e imponente. Cuspia fogo em todas as direções e rugia alto, muito alto.

–Vou te destruir!- ouço a voz de Victor no pufe ao meu lado.

Dei um sorrisinho discreto. Ele não iria.

A bestante foi se aproximando cada vez mais, estava apenas com um punhal. A esta hora, Victor já estava dando aquela típica gargalhada de Serial Killer.

Estava a alguns metros de mim. Era a hora.

Apertei X cinco vezes e depois Y. Me transformei em um feiticeiro, e, depois de dois segundos, o dragão estava reduzido a pó.

Eu havia vencido.

– Dan!- Victor exclamou – você prometeu não hackear dessa vez!

– Eu não mudei o código- sorri – apenas... — escolhi bem as palavras – evoluí.

Ele me empurrou, rindo.

–Você trapaceou – disse gargalhando – imagina se o governo sabe de alguma coisa dessas. Iriam ver potencial em você.

–O governo nunca vai saber. — apesar de não ter certeza alguma em minhas palavras- estamos na minha casa.

–Eles estão sempre te observando... — Victor tentou parecer um fantasma – buuuu...

Fomos interrompido por minha mãe. Ela chamava do andar de baixo, disse que iríamos gostar da notícia.

Retirei o card de Dragon Quest do meu velho console de videogames e descemos.

Minha mãe estava na sala, em frente a televisão.

E por um bom motivo. Marcelo, o repórter de nossa divisão, estava narrando uma notícia incrível, de acordo com minha mãe.

E realmente era.

O governo havia lançado um novo jogo. E não era um jogo qualquer.

Era um jogo no qual poderíamos entrar sem controle remoto. Gráficos perfeitos. Jogabilidade excelente.

Era o meu sonho.

Era Duo Reality.

Precisava comprar. Claro, precisava. Minha mãe viu meus olhos brilhando e desejando aquele console com todo o coração, como nunca quisera algo na vida. A vi sorrindo para mim, e jogou-me sua carteira.

–Pegue. Eu sei o quanto você quer.

Abri o maior sorriso do mundo.

–Você sabe que eu te amo né? — brinquei com ela.

– Só as vezes. — me respondeu com falso rancor.

Rimos mais. Depois da morte de meu pai, tudo era motivo para esquecer, ser feliz e rir um pouco.

–Vamos Vic? — chamei Victor. Ele odiava o apelido, mas eu estava tão feliz que não me importava.

Ele caminhou até a porta.

–Não posso – falou um pouco decepcionado – tenho software hoje, lembra?

Ah, é. Aquele dia era feriado para pessoas a partir da minha idade, porém ele era um ano mais novo. Mas eu precisava tanto daquele jogo que não podia simplesmente esperar mais um pouco.

Dei um beijo de leve na bochecha de minha mãe e saí com Victor pela porta. Ele abriu sua casa e entrou.

Victor era meu vizinho. Nós não éramos exatamente amigos mas na verdade, só tínhamos um ao outro. Ele era o único no quarteirão que gostava de videogames além de mim, então, nossa relação era praticamente simbiótica. Uma boa pessoa, de qualquer jeito. Mas nunca tive vontade de me abrir com ele.

Havia uma loja na praça central, mas devia estar cheia e eu não estava com paciência de esperar o próximo transporte público. Decidi que iria andando até uma lojinha de eletrônicos provenientes do norte, que era a umas duas quadras de minha casa.

Resolvi não correr, queria guardar minhas energias para o jogo.

Era o fim da tarde, o sol brilhava enquanto se punha no horizonte. Via naves que carregavam a produção diária da nossa divisão, funcionários do governo andando calmamente pelas ruas, tudo dentro da normalidade.

Cheguei a lojinha. Até ela estava cheia.

Dei a volta e entrei pela porta dos fundos. Lá estava Seb, o dono. Seb era meio velho, proveniente da divisão norte, e era bastante rabugento. Mas era uma boa pessoa, se você soubesse como conversar. Além disso, tinha ótimas histórias para contar sobre sua terra natal.

“Ah, o norte... Sinto falta de lá! Toda aquela tecnologia...” Ele sempre dizia. Seb não era muito fã do sul, mas algo o fez ir para lá. Ele dizia que o sul só tinha tecidos, plantações e fábricas de meios de transporte. Não podíamos discordar, essa era realmente a função do sul.

Cheguei perto de Seb.

–E aí? Muito difícil?

Ele me encarou.

–Já sei o que quer – e desapareceu em um enorme corredor repleto de caixas.

Voltou pouco tempo depois com um caixote de tamanho médio.

– Vem com só um capacete. — disse ele.

–Sem problemas – falei – Quanto custa?

–500. — disse rápido.

–500? Você deve estar brincando!- disse eu indignado.

–500 ou nada. — falou- e é o último.

O último... não podia perder isso. Abri a carteira de minha mãe e tirei um pequeno paralelepípedo com um botão no meio e apertei.

O holograma apareceu e reconheceu minha íris. Rapidamente, 500 denarius estavam em minhas mãos.

Paguei Seb, me despedi, e saí pela porta dos fundos, do mesmo jeito que entrei.

O trajeto de volta a minha casa foi o mesmo que o da ida, com a diferença que, desta vez, consegui atrair olhares invejosos que ainda não haviam conseguido o jogo.

Cheguei em casa. Cogitei a possibilidade de chamar Victor, mas desisti. Ele tinha dificuldades com os exercícios e além disso, só havia um capacete.

Abri a porta, joguei a carteira em cima do sofá e subi as escadas até o meu quarto. Pluguei o console em meu televisor.

“Escolha um nome de usuário.” a frase apareceu na tela e no painel holográfico ao mesmo tempo.

Pensei durante uns dois minutos. Que usuário seria melhor que hacker_daniel? Escrevi-o no painel.

“Levante-se” piscava. Levantei-me hesitante e vi um faixo de laser vermelho percorrer o meu corpo. Uma foto minha apareceu na tela.

“ Coloque seu capacete” Coloquei-o sobre minha cabeça cuidadosamente. E, de repente, comecei a ouvir instruções. “Não perca seu capacete ou ficará preso.” e várias outras nas quais não prestei muita atenção. Apenas ouvi bem a última: “aperte play.”

–Bem vindo hacker_daniel – a voz metálica me dizia – bem vindo a Duo Reality.