Dungeoneer - Interativa
24 Sátiros não deveriam ser diretores
Notas iniciais
Na entrada de uma caverna gigantesca, dois guardas gigantes e azuis com um chifre cada um tomavam conta do acesso, armados com enormes clavas feita de um tipo de madeira muito dura. Repentinamente, eles viram alguém se aproximando e ficaram em prontidão.
– Quem se aproxima? – perguntou um dos guardas, com uma voz rouca e ameaçadora.
– Já se esqueceram de mim? Sou a Biske.
Os sentinelas olharam um para o outro e depois deram um sorriso.
– Ah sim senhora Biska, não estamos acostumados em te ver nessa forma de menininha.
– Senhora é a sua avó, e vocês sabem muito bem que odeio minha verdadeira forma, ela afasta os gatinhos.
– Não estamos entendendo, mas entre, afinal, esse reino também é seu,
Ela adentou à caverna, que era inexplicavelmente bem iluminada por dentro e tinha quilômetros de extensão. Passou por vários monstros que se divertiam lutando entre si, enquanto outros comiam ou dormiam, então nossa mulher-hulk deu um grito.
– Oh cambada de desocupado, ninguém percebeu que eu cheguei?
Todos pararam o que estavam fazendo e ficaram olhando para ela com cara de paisagem e em silêncio.
– Ah...você tinha saído? – perguntou um minotauro.
– Porra, não acredito que ninguém percebeu que eu saí, fiquei noventa anos fora sabiam? – brigou a “garota”.
– Nossa, como o tempo voa – comentou um dos monstros, com a maior naturalidade.
– Bando de inúteis, alguém tem alguma notícia sobre a rainha? – ela perguntou.
– Ela já deveria ter voltado né? – disse um ciclope.
– Não consigo entender como vocês estão tão tranquilos, a rainha desapareceu há mais de cem anos! – ela gritava, nervosa.
– Nossa, como o tempo voa – comentou o mesmo monstro de antes.
– Ah, quer saber, não vou ficar perdendo tempo com vocês!
Ela continuou andando até que, algumas horas depois, chegou ao fim da caverna. O local parecia uma enorme cúpula toda feita de pedra, com uma pilha de moedas e pedras preciosas no chão. No topo desse enorme tesouro, um trono vazio.
– Parece que ela ainda não voltou...
– Procurando pela rainha?
Biske virou-se e viu um garoto branco de cabelos lisos, aparentando uns quinze anos de idade.
– Oi...te conheço?
– Você não deve lembrar, eu era muito pequeno quando você partiu.
– A rainha ainda não apareceu?
– Ainda não, mas o que sei é que ela foi à Floresta Amazônica a convite da rainha da Energia.
– Estranho...sabe mais alguma coisa a respeito?
– Eu era quase um bebê na época, mas minha mãe contou que uma rainha fada pediu ajuda militar para nosso reino, nossa rainha forneceu e como diplomacia, a fada a convidou para algum evento na floresta dela e depois disso, nunca mais a vimos.
– Ah, agora está tudo explicado, nossa rainha foi emboscada e deve estar presa nessa tal floresta.
– Que coisa terrível, o que pretende fazer?
– Em uma crise como essa, não devemos nos precipitar. Vou até essa floresta, encho aquela rainha de araque de porrada e resgato a NOSSA rainha.
– Posso ir com você? – pediu o garoto.
– Você sabe como chegar lá?
– Já ouvi falar que devemos seguir o sol poente.
– Então vamos nessa! – Biske e o garoto cujo nome eu ainda não inventei saíram da caverna apressados, a fim de reaver sua rainha desaparecida.
****
Para quem não lembra, Kon e Uroro se separaram do resto do grupo e partiram em busca do homem que forjaria suas zampakutous. Eles já estavam caminhando por mais de uma semana, e naquela manhã, acordaram com uma chuva torrencial caindo sobre eles.
– Tem que estar perto desse cara que vai fazer nossas armas, não aguento mais ficar andando o dia todo e acordando olhando pra sua cara, saudade da Loren, da Beatrice e da Braquistócrona, aquilo sim é companhia agradável – reclamava Kon.
– E você acha que eu gosto de acordar e a primeira visão do dia ser a sua cara? Felizmente estamos perto segundo informações que nos deram, se andarmos rápido chegaremos ainda hoje.
– Então vamos correr, e tomara que nenhum daqueles ratos gigantes nos ataquem de novo.
– Menos papo e mais velocidade, vamos logo!
Os dois partiram apressados e molhados. Subiram e desceram morros, a chuva passou e deu lugar a um tempo de sol entre nuvens, e finalmente encontraram uma placa de madeira que indicava “Camelot a dez esquinas”. Animados com a proximidade, começaram a correr e finalmente chegaram no tal reino.
Eles pararam e olharam para o lugar. Não havia muros ou portões, eram apenas muitas bancas de madeira dispostas em fileiras paralelas, e em cada uma delas os mais variados tipos de mercadorias eram oferecidas às pessoas que passavam.
– Tem certeza que é aqui, isso parece mais um mercadão ou coisa assim – estranhou Kon.
– Claro que é aqui, afinal é o reino de Camelot, a maior aglomeração de camelôs do mundo – explicou Uroro.
– Não é bem o que eu imaginava, mas o importante é que chegamos né. Vamos procurar o tal...qual era o nome do artesão?
– Urahara e ele não é um simples artesão, pelo que a Braquistócrona falou ele é um shinigami, embora algo me soa estranho. Eu conheço a maioria dos shinigamis pessoalmente e outros que não viviam no castelo eu conheço de nome, mas nunca ouvi falar nesse.
– Vai ver que aquela bichona de cabelo azul deu um jeito de apagar o nome desse tal Urahara da história – supôs Kon, com uma inacreditável sabedoria.
– É possível, mas isso não importa, o que interessa é que ele pode forjar nossas zampakutous.
Perguntando aos vendedores, nossos amigos conseguiram informações de como encontrar a banca do Urahara. Andaram quase o dia inteiro, tendo parado apenas para comer um pastel de feira, e lá pelo meio da tarde chegaram ao local onde, segundo disseram, ficava o homem que procuravam.
– Será que é essa? – perguntou Kon, olhando para uma banca bem maior do que as outras e repleta de estranhas mercadorias em exposição.
– Vamos perguntar.
A dupla chegou em frente à banca, onde um homem com um chapéu listrado que praticamente ocultava seus olhos estava sentado atrás dela, e ao seu lado, um molequinho ruivo com cara de encapetado.
– Olá forasteiros – ele se levantou e apontou uma bengala para os produtos – tenho poção de cura, poção de força, armadura de dez e de quinze, capa de invisibilidade, cabo usb um é três, três é dez e quatro é vinte!
– Vou querer capa de invisibilidade – Kon falou empolgado.
– Nada disso – Uroro deu um cascudo no companheiro – gostaríamos de falar com Urahara.
– Depende, se vocês estiverem a mando daquele agiota, Urahara é o cara da barraca ao lado.
– Não, é que nós somos shinigamis e recebemos informação de que o grande Urahara poderia forjar poderosas zampakutos – disse Uroro.
– Ah sim, então sou eu mesmo – confirmou o homem sorrindo.
– Quanto é a capa da invisibilidade? – perguntou Kon.
– Kon seu idiota, não temos tempo para isso, senhor Urahara, pode forjar zampakutous para nós dois? – solicitou Uroro.
– Eu até poderia, mas infelizmente eu não possuo nenhum metal apropriado no meu estoque para fazê-las.
– Isso não é problema – Uroro retirou o pedaço de cristal de prata que estava na sua bolsa.
– Hum, cristal de prata, quer dizer que vocês são milionários ou venceram o Dragão Vermelho Cabeçudo – exclamou Urahara.
– Vencemos o dragão, e não foi nada fácil – disse Kon.
– E então, vai fazer nossas armas? – Uroro estava impaciente.
– Quero que venham comigo, aqui não é um bom lugar para tratarmos um assunto tão sério. Jinta, tome conta da banca e se aparecer algum ladrão, use a vara de bambu que está em baixo do baixo do balcão.
– Tudo bem Urahara, eu racho o crânio de quem arrumar encrenca!
O homem do chapéu chamou a dupla e foi andando vagarosamente até sair do camelot. Finalmente eles chegaram a uma casa de madeira com uma faixa escrito “Esconderijo do Urahara”, e então entraram.
– Aqui está o metal, em quanto tempo nossas zampakutous ficarão prontas? – perguntou Uroro, entregando o cristal de prata.
– Calminha aí moleque da calçola, não posso fazer uma arma tão poderosa quanto uma zampakutou de cristal de prata para qualquer um. Tem certeza de que vocês realmente são shinigamis? – perguntou Urahara.
– Mas que insulto, sou um shinigami de alto nível, tenente da guarda da perfeita e magnífica Rainha da Matéria! – indignou-se Uroro.
– Eu já não tenho certeza, foi ele que falou que eu sou esse troço aí – Kon apontou para o seu companheiro.
– Sou um shinigami altamente treinado e sei que o cabeça de abóbora também tem o nosso sangue porque na primeira vez que o vi ele estava segurando uma zampakutou, todos nós sabemos que pessoas comuns não conseguem segurar uma – falou Uroro.
– Ora ora, e o que aconteceu com as suas zampakutous? – perguntou Urahara.
– A minha eu esqueci no castelo – informou Kon.
– E a minha se perdeu em um portal dimensional criado por um hollow – disse Uroro.
– Está bem, eu farei as zampakutous com uma condição, um de vocês deverá tirar o meu chapéu em uma luta mano a mano. Podem escolher sua melhor arma.
– Essa é minha, vou tirar seu chapéu e acabar com essa sua cara de besta – disse Uroro, empunhando sua espada.
– Ótimo, vamos para o quintal então.
Urahara conduziu os visitantes até um grande quintal que ficava nos fundos da casa.
– Preparado? Vou arrancar seu chapéu e seu sorriso – ameaço Uroro, com sua espada em levantada.
– Pode vir – Urahara pegou um palito de dente no bolso e começou a cutucar a própria gengiva.
– Um palito de dente? Só pode ser brincadeira.
Uroro correu na direção do oponente, que continuava tranquilamente palitando os dentes. O loiro deu um golpe na aba do chapéu com a intensão de arrancá-lo, porém Urahara se esquivou tranquilamente. Irritado, ele continuou suas investidas, dando vários golpes não apenas no chapéu, como no corpo do adversário, que conseguiu desviar de todos.
– Acho que te subestimei – disse Uroro, ofegante – mas ainda te vencerei AAAAhhhh.
Uroro deu um grande salto, girou no ar pegando grande velocidade e deu uma poderosa espadada que seria capaz de quebrar uma rocha, então Urahara esquivou-se espetou a mão do rapaz com o palito. O shinigami sem zampakutou gritou com a dor e deixou sua espada cair.
– Xeque-mate – falou Urahara.
– Não é possível – Uroro caiu de ajoelhou – nunca conseguirei minha zampakutou de volta, não serei capaz salvar a rainha...por favor senhor Urahara, me mate por que não posso mais viver!
– Calma rapaz, eu não aguento ver alguém choramingando desse jeito!
– Ele tá certo Uroro, tenho certeza que o camelô do chapéu engraçado é um cara legal e vai fazer nossas zampakukous mesmo assim – Kon tentava acalmá-lo.
– Não quero esmolas, sou indigno e não tenho o direito de ser um shinigami – lamentava Uroro.
– Não seja tão dramático, desde o começo eu sabia que você não seria capaz de tocar em mim ou no meu chapéu, fiz isso apenas para te dar uma lição.
– Lição? – estranhou o loiro.
– Você chegou aqui achando que era o maioral e que faltava apenas uma zampakutou para conseguir vencer qualquer inimigo, mas você ainda é jovem e inexperiente e não sabe o quanto os shinigamis de hoje não são nem um décimo do que já fomos um dia. O que você precisava era de um pequeno choque de realidade.
Uroro não conseguia acreditar no que estava ouvindo, mas a razão tinha que superar o seu orgulho. Inúmeras lembranças passaram por sua cabeça naquele curto intervalo de tempo, de como se tornou shinigami, quando entrou para a guarda real, dos anos que foi enganado por Zerus e de quando o mesmo traiu a rainha e a plantificou. Também não podia deixar de lembrar que foi salvo por pessoas que ele mesmo desprezava.
– Uroro, você tá bem, tu tá parado com cara de panaca há um tempão – Kon chamou sua atenção.
– Ah, sim...bom senhor, desculpe tomar o seu tempo, acho que vou para o interior comprar um sítio, plantar uns pés de cachimbo e esperar a morte chegar. Kon, você nunca será um verdadeiro shinigami, volte para os amigos do seu mundo e para aquela garota que gosta de você.
– Quem, a Loren? – perguntou Kon.
– Não seja tão dramático, eu farei as espadas com uma condição: eu os treinarei do zero e só depois de serem aprovados os presentearei com modernas zampakutous de cristal de prata.
– Obrigado senhor, prometo que não o decepcionarei, serei o seu melhor discípulo – disse Uroro, empolgado.
– Vai demorar muito? Eu passo mal quando fico longe de mulheres bonitas por muito tempo – reclamou Kon.
– Não se preocupem, o método Urahara de treinamento pode transformar geleias flácidas em exímios combatentes em poucos dias, vocês apenas deverão suportar uma dor alucinante.
– Posso desistir? – pediu Kon.
– Não pode – cortou Uroro – ficaremos honrados em treinar convosco.
– Ótimo. Vamos entrar e começar as aulas teóricas.
A convite do Urahara, a dupla de aventureiros entrou em sua casa e foram até um cômodo grande e com alguns móveis de madeira, onde um gato preto dormia preguiçosamente.
– Pois bem, irei explicar algumas coisas sobre as zampakutous a vocês. Algum de vocês sabe me dizer o que elas são? – perguntou o anfitrião.
– São espadas especiais que apenas shinigamis são capazes de empunhar. Quando usadas com maestria podem acabar com um hollow ou mesmo outro monstro com apenas um golpe. Além disso, toda zampakutou possui uma espécie de espírito que se for invocado pelo seu dono através do seu nome, pode liberar o poder total da espada que é único para aquela em questão, a primeira liberação é chamada de shikai e a segunda, bankai – palestrou Uroro.
– Muito bem, vejo que você possui muito conhecimento sobre as espadas, e como você capturou o espírito da sua antiga zampakutou?
– Capturar espírito, como assim? – o loiro estava confuso.
– Quem forjou sua antiga zampakutou?
– Eu não sei, eu a recebi ganhei quando passei no teste e recebi meu diploma de shinigami.
– Eis um motivo para a decadência dos shinigamis, você sequer sabe o que tinha dentro da sua própria espada.
– Com todo respeito senhor, eu sei sim, toda espada é como uma entidade que representa seu próprio possuidor, sua personalidade, sonhos e aspirações – disse Uroro, suspirando.
– Quem inventou essa asneira? Não importa, chega de teoria, a primeira tarefa de vocês será capturar os espíritos que colocarei nas suas futuras zampakutous, isso se passarem pelo treinamento é claro, e Cabeça de Cenoura, o que você está tentando fazer com o meu gato?
– Essa gata? – Kon estava acariciando o gato preto, que parecia não gostar do carinho – eu tinha um jogo que você encontrava uma gata na rua, se você cuidasse bem dele e mantivesse seu nível de paixão alto, ele virava uma anjo mulé e dava pro carinha do jogo.
– Você é muito estranho, mas devo avisar que é um gato macho.
Kon segurou o gato pelo cangote e o examinou melhor.
– Vixe, tem duas bolinhas mesmo!
O gato, extremamente irritado, o atacou ferozmente com suas garras, deixando seu rosto todo arranhado. Depois de praticamente nocautear o inconveniente convidado, ele deitou novamente e ficou se lambendo.
– Continuando, vocês devem capturar os espíritos. Felizmente temos uma casa mal assombrada bem pertinho daqui, vamos pra lá agora mesmo!
– E como se captura espírito? – perguntou Kon, arranhado e confuso.
– Com essas modernas Spirit-Bolas – Urahara tirou duas poke-bolas do seu roupão – caíram da carroça ontem então vou vender a vocês por apenas cinco merréus.
– Isso tá muito estranho, mas vale tudo para ter uma zampakutou novamente – Uroro entregou algumas moedas.
– Merréu é a moeda dourada ou a prateada? – perguntou Kon.
– É a prateada, viu como sou um vendedor honesto? – Urahara pegou as moedas e entregou as duas esferas – vamos à casa mal assombrada, vocês deram sorte que hoje é noite de lua cheia e por isso aparecem muito mais espíritos, mas por outro lado, eles ficam mais violentos.
– E isso é sorte? – espantou-se Kon.
– Mais a frente vocês verão que é. Yoruichi, vou passar a noite fora com meus pupilos, se algum ladrão tentar roubar a casa, arranha a cara dele!
O gato olhou para o seu dono e depois continuou se lambendo. O trio saiu da casa e, no meio da bela noite de lua cheia, caminharam pelas ruas até chegar a uma enorme casa de três andares com aspecto de abandonada.
– Chegamos. Entrem na casa, capturem os espíritos e só então voltem.
– Espera, você não vai entrar com a gente? – perguntou Kon.
– E como capturamos esses espíritos? – indagou Uroro.
– Resolver problemas também faz parte do trabalho de um shinigami. Boa sorte!
A dupla de aspirantes entrou na casa. Era tudo muito escuro lá dentro, e como o piso era feito de madeira e muito velho, cada passo que davam emitia um ruído amedrontador.
– Isso dá mais medo que Walking Dead – comentou Kon.
– Não me interessa essas comparações que você sempre faz com as porcarias do seu mundo, temos logo que achar os tais espíritos – cortou Uroro.
– Será que eles cabem nessa bola?
– São espíritos, não ocupam espaço. Ainda não acredito que você seja um shinigami...
– Para de me esculachar, você já me ouviu falar que eu queria ser esse bagulho aí? Acho que você tinha que ter escolhido o Junpei pra isso, ele que gosta de lutar e coisa e tal.
– Ninguém é escolhido pra ser shinigami, isso é herança de sangue. Seu pai, ou quem sabe o seu avô, deve ter sido um.
– Tá absurdando, meu pai é médico e não bate bem da cabeça, sempre me acorda dando uma voadora...
A conversa é interrompida por uma risada sinistra.
– Deve ser um fantasma desses – disse Kon.
– Parece vir do terceiro andar, vamos subir sorrateiramente e pegá-lo de surpresa! – planejou Uroro.
Eles procuraram uma escada e finalmente encontraram, começaram a subir de mansinho, mas a cada passo que davam, por mais suave que fosse, fazia um “nhec” que acordaria até um Snorlax.
– Isso não tá dando certo – observou Kon.
– Mudança de planos, vamos cair pra dentro de uma vez!
Assim, os dois subiram as escadas correndo e gritando, chegando rapidamente ao segundo andar, que estava bem iluminado, e a risada se intensificou. Ao procurar pela origem da risada, avistaram uma luz branca muito intensa e sem forma definida, então eles concluíram que aquilo era um dos espíritos que caçavam.
– Vou te pegar AAAHHHH! – Uroro empunhou sua espada e atacou vigorosamente a luz, porém a espada passou direto por ela como se fosse o vazio.
– Ui, ela é nervosinha – uma voz feminina veio da forma etérea.
– Cala a boca vou te pegar!
Uroro continuou atacando ferozmente. Deu dezenas de golpes, todos eles sem efeito, até que parou devido à exaustão.
– Não pode ser.. – ele estava ofegante – é impossível atacar essa coisa.
Kon olhou para sua Spirit-Bola, olhou para o espírito e a jogou contra ele ou ela sei lá. Ao se chocarem, a bola se abriu e o espírito foi sugado para dentro dela, e após a captura, a bola se fechou novamente.
– Ih, peguei – disse Kon com a maior naturalidade do mundo.
– Não acredito que era só jogar a bola – Uroro estava boquiaberto.
– O meu já tá aqui, temos que capturar um pra você né?
Eles continuaram andando pela casa, mas nada de encontrar outro espírito daquele. Ao se deparar com outra escada, resolveram subir e chegar ao último pavimento daquela casa, e logo que se estabeleceram naquele andar, uma espécie de rajada de vento muito forte os acertou, jogando os heróis no chão.
– O que foi isso? – espantou-se Uroro.
– Deve ter sido aquilo – Kon apontou para outra luz parecida com aquela que capturara anteriormente.
– Saiam daqui ou morrerão – ordenada o espírito, com uma voz grave e ameaçadora.
– Spirit-bola vai!
Uroro jogou a bola contra o espírito, porém ele simplesmente flutuou até o teto da casa e a bola passou direto, rolando pelo chão.
– Que merda, agora que tu tá fudido mesmo – exclamou Kon.
– Nem pensar AAAAhhhh!
Uroro posicionou sua espada próximo à cintura, correu em direção ao inimigo com uma velocidade incrível. Pouco antes de chegar ao espírito puxou a espada com um rápido e preciso movimento de corte e a espada passou por dentro do inimigo sem causar dano algum. Logo em seguida o espírito passou por dentro do shinigami, fazendo com que ele sentisse uma dor alucinante.
– Ai, o que foi isso?
O espírito continuou atravessando o corpo do Uroro, e a cada passada, ele sentia mais dor e ficava cada vez mais fraco. Após ser atacado várias vezes, ele simplesmente caiu no chão sem forças.
– Ha ha ha, seu frágil corpo não suporta ser atravessado por uma concentração tão grande de reiatsu como o meu corpo hectoplásmico...agora é o seu fim, moleque da bermudinha de marica!
– Marica? Você me chamou de marica?
De Volta pra minha Terra on
Uma mulher loira, de cabelos longos e ligeiramente gordinha estava arrumando um garoto também loiro, aparentando oito anos de idade. Ela o vestiu, e o menino estava com cara de estar muito puto.
– Mãe, por que a senhora coloca minha calça tão lá em cima, fico parecendo um palhaço.
– Porque você é o pitoco da mamãe e fica lindo desse jeito.
– Mas mãe, todo mundo na escola fica me chamando de marica.
– Se eles te chamam de marica, não são meus amigos.
– Mas eu não falei que eles são meus amigos!
– Vamos logo, não quero que você chegue atrasado, não esqueça que você tem prova de monstrologia hoje.
Ela levou o filho até a porta da escola, quando se despediu o beijando.
– Fica com a deusa, Urorinho.
Foi só a mulher virar as costas que as outras crianças começaram a caçoar dele.
– E aí Morpheu, qual é dessa calça centro-peito? – zoou um garoto.
– É isso que vocês estão usando hoje em dia? – perguntou uma menina.
– Vocês quem? – perguntou Uroro, inocentemente.
– Vocês, os maricas.
Todos ficaram rindo dele, até as aulas começarem. Ele fez a tal prova, tirou zero, e na hora do almoço, mais humilhações. Cansado, ele foi até o diretor para reclamar da atitude dos outros alunos.
– Pois não? – perguntou um sátiro, também conhecido como O Diretor.
– Os outros alunos estão me chamando de marica.
– Mas tu é marica mesmo!
Sem ter a quem recorrer, nada restou ao pequeno Uroro a não ser suportar sua rotina.
Certo dia, naquela mesma odiosa escola, todos estavam alvoroçados por causa de rumores que diziam que a Rainha passaria pelos arredores, então o diretor suspendeu as aulas e todos foram para a rua, esperando o momento em que ela supostamente passaria por lá. Todos ficaram a postos, e no meio da tarde, passaram vários guardas solicitando que todos liberassem a rua usando delicados porretes para tal. Enfim, uma luxuosa carruagem passou e mesmo com todos os guardas e a aglomeração de tietes, Uroro conseguiu ver a bela elfa de cabelos azuis pela janela que estava entreaberta.
– É a rainha é a rainha – o garoto pulava e acenava para ela – oi, eu tô aqui!
Ela olhou o garoto que pulava feito uma gazela e acenou discretamente. Ao ver tal cena, um grupo de garotos se aproximou dele ameaçadoramente.
– Quem esse marica pensa que é falando com a rainha desse jeito?
– Vamos dar um cacete nele!
Os garotos o cercaram e começaram a dar socos e chutes no frágil garoto. A rainha, ao ver isso, mandou parar a carruagem e falou alguma coisa para seus guardas, assim, um deles foi até os garotos que estavam batendo no pobre Urorinho que já estava todo ferrado.
– Senhores, como um dos shinigamis da guarda real cumprirei agora uma ordem que me foi dada diretamente pela própria rainha, por isso, fiquem paradinhos enquanto eu quebro suas pernas.
Os meninos, assustados, começaram a correr e chorar, porém o shinigami, rápido como um raio, alcançou todos eles e fez o que prometeu, quebrou as penas deles usando apenas as mãos nuas, enquanto Uroro apenas olhava, paralisado. O guarda retornou ao seu posto, e antes de partir, a rainha mandou um beijo para o marica, quer dizer, Uror..
Naquela noite, o garoto chegou em casa entusiasmado, e logo foi falar com a sua mãe.
– Mãe, quando eu crescer quero ser um shinigami da rainha!
– Deixa de falar besteira moleque! – mãe brigou.
– Mas...
– Nem mas nem meio mas, se eu ouvir essa conversa de shinigami outra vez eu te desço o cacete!
A partir desse dia sua vida mudou. Eu gostaria de dizer que pararam de implicar com ele na escola porque sua confiança aumentou mas isso não é verdade, o deixaram em paz porque todo mundo ficou sabendo do que o shinigami fez com os garotos que estavam batendo no Uroro. Enfim, os anos foram passando e ele treinava escondido, não era beeem um treinamento, ele fazia umas flexões e dava socos em uma árvore.
Alguns anos depois, quando nosso loirinho mal-humorado já era um adolescente, sua mãe ficou muito doente. O curandeiro a diagnosticou com uma virose, e quando ela estava no seu leito de morte, chamou o seu filho.
– Filho...– ela segurava em sua mão, deitada na cama.
– Não fale, poupe suas forças.
– Preciso te dizer. Lembra de quando você, quando era pequeno, disse que queria ser shinigami?
– Lembro, e quase tomei uma surra por isso – ele deu um pequeno sorriso.
– Bem, eu disse aquilo porque não queria nem ouvir falar nesses soldados.
– Não tem problema, eu já desisti dessa ideia há tempos, desde que eu descobri que para ser um shinigami é preciso ter um tal sangue shinigami, algo do tipo se o seu pai, avô ou bisavô tenha sido um.
– Preciso te dizer que...– ela suspirou – o seu pai foi um shinigami.
– Ah? Como assim?
– Ele foi um shinigami, eu que tô morrendo e você que ficou surdo? Eu não queria que você fosse um porque o seu pai foi morto em serviço durante uma luta contra um hollow.
– Eu estudei sobre eles, esses malditos se alimentam de humanos, e a senhora sempre me disse que meu pai morreu comido por uma baleia.
– Me perdoe, mas se o seu sonho é ser um shinigami, vá atrás desse sonho e se torne o melhor que Dungeoneer já viu.
– Pode deixar mãe, prometo que serei um excelente shinigami!
– Fico feliz em ouvir isso, agora é hora de morrer. Fui!
Realmente ela se foi. Depois disso Uroro partiu, e após comprovar sua herança genética, foi aceito em uma academia para shinigamis, onde treinou com a determinação de um tamanduá que está com o focinho enfiado em um formigueiro e finalmente se formou, recebeu sua amada zampakutou e foi destacado para a guarda do castelo. Em pouco tempo conseguiu liberar shikai e foi promovido a tenente, viu o Zerus plantificando a rainha, foi parar em Etérnia junto com os heróis vindos da Terra, perdeu sua zampakutou dentro de um portal..ops, a partir daqui vocês já sabem o que aconteceu.
De volta pra minha terra off
– Ninguém me chama de marica AAAAAAAAHHHHHH!
Uroro apontou sua palma esquerda na direção do espírito e inexplicavelmente lançou uma rajada de vento contra o fantasma, que foi atingido e arremessado contra a parede. Após receber o ataque, o ser ficou de pé porém desnorteado, balançando feito personagem de Mortal Kombat antes de levar fatality.
– Muito bem, agora pegue a Spirit Bola e jogue nele para capturá-lo – dizia a voz do Urahara.
Uroro ficou procurando a bola desesperadamente pelo chão, até que a encontrou, jogou no espírito bolado e finalmente, o capturou.
– Toma essa fantasma abusado! – comemorou, pegando a bola.
– É impressão minha ou ouvimos a voz do maluco do chapéu? – perguntou Kon.
– Talvez ele possua habilidades de telepatia como aquela garota, a Beatrice – supôs Uroro.
– Telepatia seria interessante, mas na verdade eu estou atrás de vocês – os rapazes olharam para trás e viram o Urahara.
– Você estava atrás de nós o tempo todo? – perguntou Uroro.
– Não, é que vocês estavam demorando muito e vim ver se ainda estavam vivos.
– É verdade, o Uroro ficou um tempão com parado com cara de pastel e pensando na morte da bezerra antes de lançar aquele ventinho no fantasma – contou Kon.
– Nem mesmo você vai prejudicar o meu humor hoje, o importante é que eu capturei o espírito, agora o senhor vai colocá-lo na minha zampakutou? – o loiro estava empolgado.
– Calma aí, ainda falta muito para o treinamento de vocês acabar. Vamos embora antes que mais espíritos apareçam.
O trio saiu da mansão mal assombrada e caminhou sob a luz da Lua cheia que estava quase se pondo e dando lugar ao sol nascente. Que tipo de treinamento espera pelos nossos heróis? Será que eles conseguirão suas zampakutous ou voltarão de mãos abanando?
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