Dungeoneer - Interativa

27 Eu falei pra você treiná-los!


Notas iniciais
No final do capítulo 25, eu escrevi bakudou por engano. Nas notas finais, explicarei o que é isso. Boa leitura!

Kon e Uroro haviam vencido o Menos Grande e estavam voltando junto com o Urahara.

– Eu estou feliz, os pássaros cantandoooo – Uroro cantarolava alegremente.

– Vejo que você está muito feliz – comentou Urahara.

– É porque ele vai ter essa não sei o que pacotou de volta, você não tem noção do quanto ele perturbou todo mundo desde que perdeu a dele – relatou Kon.

– Perdi não, tenho certeza que aquele hollow fez de propósito. Mas o importante é que agora o senhor Urahara vai colocar os espíritos nas nossas espadas e voltarei a ser um shinigami completo!

– Calma aí, o treinamento ainda não acabou – interrompeu Urahara.

– Quê, como assim? Isso é roubo, o senhor falou que ia colocar os espíritos nas zampakutous depois que vencêssemos os hollows, e olha que aquele Menos Grande foi carne de pescoço – Uroro se deseperou.

– É que...eu sou um mentiroso.

– Putz, só falta dizer que você não sabe forjar essas zampacotous – disse Kon.

– É claro que sei. Perceberam que a sua espada brilhou durante o combate, Uroro? E que a sua triplicou de tamanho, Kon?

– E o que tem isso? – Uroro estava descrente.

– Isso foi a reação das zampakutous ao poder espiritual de vocês. Você, cabeça de tangerina, tem uma das auras mais fortes que já vi e é por isso sua espada cresceu tanto. Você loirinho desesperado, não possui uma energia tão poderosa quanto a do seu companheiro, mas a sua determinação é tão grande que sua espada brilhou.

– Ainda não entendi – disse Kon.

– Quando eu entreguei as espadas a vocês eu já havia secretamente colocado os espíritos nelas.

– Então quer dizer que elas já são zampakutous? – perguntou Uroro, já chorando de emoção.

– Exatamente!

– Me desculpem por essas lágrimas, é que uma borboleta entrou no meu olho – mentiu o loiro.

– Já que temos nossas zempacotous estamos metendo o pé, até mais e manda um beijo pro gato – Kon já se despedia.

– Calma, ainda não acabou. É verdade que vocês já têm suas zampakutous, mas elas só se desenvolveram tão rapidamente porque são feitas de cristal de prata, e tenho certeza que mesmo um de vocês sendo um guerreiro vindo do outro mundo e que segundo a profecia vai salvar Dungeoneer, o seu nível não se equipara ao do Zerus Bichona, enfrentá-lo dessa maneira seria suicídio.

– Mas quem falou que esse idiota é de outro mundo? – Uroro tentou desconversar.

– É só juntar as peças: quando vocês foram pagar pelas spirit bolas, ele não sabia a diferença entre uma moeda de bolada e uma de merréu. Quando estávamos comendo, ele também não sabia o que era um Kravliskark, que é um dos pratos mais famosos de Dungeoneer. Além disso, quando você estava dando aquele ataque depressivo quando te venci e você achou e eu não forjaria sua zampakutou, você citou algo do tipo “não conseguirei salvar a rainha”, então posso concluir que Zerus fez alguma coisa com ela. É pura dedução meus amigos.

– Caramba, você é sinistro mesmo – espantou-se Kon.

– De qualquer forma chegamos – Urahara apontou para sua casa – entrem e não esqueçam de tomar banho.

– Banho é uma boa ideia, tenho que treinar pra quando encontrar a Beah – disse Kon.

– Banho, mas não é ano bissexto – reclamou Uroro.

– Não é uma opção, vocês têm que tomar banho. Eu passei “knorr meu humano” no corpo de vocês antes de levá-los àquele buraco, se não tirarem logo mais hollows virão para tentar comê-los.

Os rapazes entraram e tomaram o banho. Tessai curou os ferimentos adquiridos na última batalha, eles até comeram uma tigela de arroz pela pechincha de apenas um merréu.

– Qual vai ser o próximo treinamento, aquele das palmadas no bumbum? – perguntou Uroro.

– Quê? Nunca ouvi falar nisso – disse Urahara.

– As palmadas para fortalecer o músculo glúteo. E a ida à boate de strip-tease para fazer o reconhecimento da anatomia do corpo masculino? Essa é uma parte essencial do treinamento shinigami.

– Deixe eu fazer uma pergunta, quem foi que te treinou?

– Ora, foi o...Zerus.

– Está explicado. Agora vão descansar que o próximo treinamento será o mais duro de todos.

Os heróis deitaram no chão e finalmente dormiram, sendo acordados ainda de madrugada pelo Jinta, que os cutucava com sua vara.

– Acordem seus preguiçosos, tem mais um treinamento pra vocês!

Os heróis, ainda sonolentos, seguiram o menino. Eles desceram até um porão vazio e fracamente iluminado por algumas velas.

– Onde está o Urahara? – perguntou Uroro.

– Seu último treinamento será comigo.

Eles ficaram procurando a voz grossa e masculina que disse isso, sem encontrar.

– Sou eu, olhem para baixo.

Eles viram apenas aquele gato preto.

– Você fala? Bem, não é a maior bizarrice que vi por aqui – comentou Kon.

– Não vejo como um mero gato possa ensinar alguma coisa para um grande shinigami como eu – desdenhou Uroro.

Jinta subiu as escadas correndo como se quisesse fugir de algo, então o gato simplesmente desapareceu diante dos olhos dos garotos.

– Ué, cadê o gato? – estranhou Kon.

Antes que o Uroro pudesse supor o que teria acontecido ao gato, ele apareceu nos seus ombros, e com suas garras afiadíssimas furou o pescoço do loiro. Seu sangue começou a jorrar, porém antes que isso se tornasse um grande problema, o gato lambeu o ferimento, o cicatrizando instantaneamente.

– Isso foi – Uroro estava semi paralisado, ainda tentando processar o que ocorreu – teletransporte?

– Não, isso se chama shunpo ou passo relâmpago, uma técnica antiga que foi esquecida pelos shinigamis atuais. Ela consiste se mover assustadoramente rápido.

– Então é por isso que o seu pêlo é tão brilhante e macio – comentou Kon.

– É shunpo, não xampu – corrigiu o gato.

– Senhor gato, peço perdão por ter desdenhado de você, estou pronto para o treinamento – disse Uroro.

– Ótimo, mas prefiro que me chame de Yoruichi. De qualquer forma, vamos começar.

– Vai nos ensinar o shunpo? – perguntou Uroro.

– Vou, e modéstia a parte, eu sou a melhor pessoa do mundo nisso, e tenho uma técnica de ensino infalível.

O corpo de Yoruichi começou a crescer, se transformando em um animal parecido com um tigre dente de sabre, porém seus pêlos eram pretos, brilhantes e macios.

– O treinamento é o seguinte, eu corro atrás de vocês, se eu conseguir pegá-los vocês já eram. Um, dois, já!

O gato super crescido e bombado de enormes dentes afiados deu um salto na direção dos alunos, que rolaram para não serem retalhados. Imediatamente ele desapareceu, surgindo quase em cima do Kon.

– Ah, eu vou morrer! – gritou o ruivo.

Yoruichi atacou novamente com as garras, e Kon levou o golpe de raspão, tendo sua roupa rasgada e sofrendo uma leve arranhadinha que cortou seu tórax como se tivesse sido esfaqueado.

– Puta merda, que garras afiadas esse bicho tem! – reclamou Kon.

– Eu não vou fugir, prefiro lutar!

Uroro empunhou sua zampakutou – sim, finalmente uma zampakutou – e rapidamente atacou o bicho. Deu um salto até a altura do pescoço do seu oponente, segurou firme a espada que brilhava intensamente nesse momento e deu o golpe, que atingiu apenas o vento porque Yoruichi desapareceu diante dos seus olhos usando o shunpo.

– Onde, como, cadê? – o loiro estava desnorteado.

Yoruichi reapareceu atrás dele e, sem dar qualquer chance de reação, abocanhou o shinigami, que ficou preso entre seus dentes. O gato sacudiu Uroro como se fosse um brinquedo e depois o atirou contra a parede, o deixando largado, quebrado, rasgado e sangrando mais do que cavaleiro de bronze nas doze casas.

– E você cabeça de tangerina, vai tentar me atacar também?

– Claro que não seu gato, eu vou é fugir!

Kon começou a correr, entretanto a velocidade de Yoruichi era extrema e ele não conseguia ver o seu movimento, e assim o alaranjado foi rapidamente alcançado. O gato deu novamente um golpe com suas garras, literalmente partindo o rapaz ao meio.

Yoruichi voltou à sua forma de gatinho inocente, e os dois heróis em treinamento continuaram caídos, imóveis e sem respirar. Nesse instante Urahara desceu as escadas, chegando ao porão e então viu a cena.

– O que houve por aqui Yoruichi?

– Acho que eu os matei.

Urahara examinou os corpos.

– Realmente eles estão mortos. Eu falei pra você treiná-los, não matá-los.

– Eu não tenho culpa de você ter arranjado discípulos tão fracos, Kisuke.

– O loiro pode até continuar morto que não tem problema, mas o outro é um dos heróis do outro universo previstos pela profecia, sem ele nosso mundo não terá salvação. Só tenho uma coisa a dizer – Urahara continuava com sua habitual expressão calma – fudeu.

*********

O Sol ainda estava nascendo e, apesar disso, Brauistócrona e Hyugi já estavam de pé. O rapaz estava acendendo uma fogueira enquanto a mulher procurava o que assar na sua bolsa, quando encontrou Hamlet.

– Hamlet, hamlet!

– Só o Sony entende o que você fala, quando ele acordar fale com ele seja lá o que for.

Braqui olhou para os seus companheiros. Sony e Loren estavam bonitinhos dormindo abraçados e babando um no outro, fazendo a ruiva sorrir ao olhar para eles. Junpei estava esparramado, de barriga pra cima e babando também, já a Beatrice era a única que dormia mais ou menos bonito, até então.

Beah levantou repentinamente e começou a gritar, acordando a todos.

– O que houve menina? – perguntou Braquistócrona, indo acudir a garota.

– Alguma coisa muito ruim aconteceu com os garotos!

Os que estavam dormindo levantaram e também foram para perto dela.

– Espero que tenha tido um bom motivo pra me acordar tão cedo uaah – Loren deu um bocejo.

– Estou tendo um mau pressentimento, acho que a Kon e o outro não estão bem – disse chorando.

– Eles foram pra um treinamento não foi? Então, eles devem estar apenas apanhando, aliás, é o que todos nós mais fazemos desde que chegamos aqui não é? E outra, duvido que o Kon morra antes de cobrar a promessa que você fez.

– Ela ta certa, se essa promessa que a Loren ta falando envolver beijo, amassos, nudez, sexo ou qualquer tipo de putaria pode ter certeza que o Kon volta até do mundo dos mortos – Junpei também tentava acalmar Beah.

– Acho que vocês estão certos, deve ter sido só um pesadelo.

– Então aproveitando que estamos todos acordados, vamos comer qualquer coisa e partir, se formos rápidos chegaremos ainda hoje – disse Braqui.

Beatrice continuava com aquela estranha sensação e tentava convencer a si mesma de que estava tudo bem. Já a Braquistócrona, apesar da aparente calma, sabia que havia acontecido algo grave, afinal, a impressão de uma psíquica nunca é apenas uma impressão.

“– Droga, se o Kon morrer teremos graves problemas. De qualquer forma não temos o que fazer, temos que chegar logo na minha amiga velha, talvez ela possa ajudar em alguma coisa” – pensava Braquistócrona, tentando disfarçar sua preocupação.

********

Urahara olhava para os cadáveres e coçava a cabeça, sem saber o que fazer.

– Por que não tenta aquelas bolas mágicas que você comprou em um leilão? – perguntou Yoruichi.

– As esferas do dragão? Eu as adquiri apenas como coleção, acho que essa história de realizar um desejo é apenas uma lenda, lembra de quando eu plantei aqueles feijões mágicos e não aconteceu nada?

– Até hoje não acredito que você trocou nossa vaca por aquilo, nunca mais bebi um leite tão bom. Mas dessa vez acho que devemos tentar, não temos nada a perder.

– Você está certa, vou pedir pra levarem esses dois lá pra fora, quando o leiloeiro anunciou as esferas, disse que um dragão gigante ia aparecer e não quero que ele destrua minha casa.

Urahara, as crianças e o Tessai, levaram os corpos para o quintal. Urahara voltou pra dentro de casa e minutos depois voltou com uma bolsa de pano.

– Aqui estão elas, vamos ver se vai dar certo. Se for só uma lenda teremos que nos livrar dos corpos, não quero problemas com a polícia... de novo.

Ele abriu a bolsa e colocou as sete esferas no chão.

– Venha Shen Long e realize o meu desejo!

Nesse instante o céu escureceu, como se fosse cair uma grande tempestade. Um dragão verde oriental saiu de dentro das esferas, olhou para as pessoas e disse:

– Eu realizarei qualquer desejo, e apenas um desejo!

– Hum deixa eu pensar – Urahara colocou a mão no queixo – eu poderia pedir a resposta da pergunta fundamental sobre a vida, o universo e tudo mais.

– Queremos que ressuscite esses dois que estão aí – se adiantou Yoruichi.

– Eu posso ressuscitar pessoas, mas apenas uma por desejo. Qual deles quer que volte à vida?

– Acho que a escolha é óbvia, o de cabelo laranja.

– Seu desejo será realizado.

Kon começou a tossir, e o dragão sumiu, assim como as esferas que se espalharam em diferentes direções.

– Poxa, eu paguei caro por essas esferas e elas somem assim – falou Urahara.

– Você deveria estar feliz, o herói está vivo – disse Yoruichi.

– Ah? O que aconteceu? – Kon estava confuso.

– Você acabou morrendo no treinamento, mas felizmente conseguimos te ressuscitar – informou Urahara.

– Brigadão pessoal, não podia morrer agora, estou esperando um prêmio. E o Uroro já terminou o treinamento?

– Não, na verdade ele também morreu, mas infelizmente não foi possível ressuscitá-lo – contou Yoruichi.

– Nossa, bem...não sei o que dizer – disse Kon, um tanto chocado.

– Continue treinando, como você é um dos heróis da profecia, se você morrer o mundo todo morre. E vê se pega mais leve com ele ta? – Urahara se dirigiu à Yoruichi.

– Vou tentar, mas não posso prometer – disse o gato, logo convocando Kon a voltar ao porão para continuar o treinamento, enquanto o resto do pessoal ainda estava no quintal.

– O que fazemos com ele, posso jogar no valão? – perguntou Jinta.

– Dessa vez não, só enterre, vou testar uma coisa, só espero que funcione.

No porão, o treinamento continuou. Yoruichi se transformou novamente no gato gigante assustador.

– Poxa seu gato, pega leve, ouviu o cara do chapéu falando que eu não posso morrer?

– Morrer aqui ou morrer nas mãos do Zerus, qual é a diferença?

O gato usou shunpo, se aproximou do garoto e o atacou com suas unhas. Kon até conseguiu escapar, mas foi atingido de raspão, porém não ficou gravemente ferido.

– Ai, isso doeu!

– Você não está concentrado no treinamento! Não tente usar força física pra atingir essa velocidade, use o seu espírito!

– Não entendi.

– Você possui o maior reiki que eu já vi, concentre-o em suas articulações, dobre-as e as relaxe rapidamente liberando novamente a energia como se fosse uma explosão!

– Você fala complicado mas lá vai.

Kon sentia a energia em seu corpo desde a luta contra os hollows na noite anterior, entretanto não fazia a menor ideia de como fazer o que Yoruichi mandou. Ele não teve muito tempo para ficar pensando, pois o gato continuava usando shunpo e o atacando.

O herói já estava há horas sendo atacado, conseguindo escapar parcialmente dos golpes. Ele tentou saltar, mas o teto do porão era baixo e ele acabou machucando a cabeça.

“Droga, já to todo fudido, assim vou acabar morrendo de novo. Tá, eu tenho energia, preciso concentrar nas articulações, nos joelhos seria uma boa escolha.”

Kon flexionou os joelhos, enquanto Yoruichi se preparava para um novo ataque.

Concentrar e liberar...já sei!”

O gato usou shunpo e atacou como sempre, porém desse vez, Kon se esquivou brilhantemente e “reapareceu” atrás dele.

– Veremos se não foi apenas sorte.

Yoruichi atacou mais algumas vezes, e o garoto conseguiu evitar o golpe todas elas, até cair no chão ofegante e sem energia.

– Finalmente você aprendeu shunpo, certamente sua energia se esgotou. Descanse por algumas horas e vamos para o último treinamento.

– O quê, ainda tem mais? – Kon se espantou, deitado no chão e quase sem conseguir respirar.

– Ainda tem mais um, você saberá porque nós prendemos espíritos nas zampakutous. Estou indo lá pra cima comer, dormir, me lamber, dormir novamente e então continuaremos.

O gato subiu as escadas, e o Kon, totalmente esgotado, dormiu por ali mesmo.

Horas depois, Yoruichi acordou o nosso herói.

– Acorda, tá na hora do último treinamento.

– Já? Bom, pelo menos está acabando.

– É assim que se fala. Como você já sabe, existe um espírito dentro de toda zampakutou, faz alguma ideia do porquê disso?

– Nenhuma.

– Então te contarei. Existe algo que chamamos de liberação da zampakutou, onde ela se transforma de uma simples espada em algo grandioso e com um poder imenso. Na verdade, há duas liberações: a primeira é chamada shikai, e um quinto dos shinigamis conseguem essa liberação, e a segunda e mais poderosa se chama bankai, e apenas um dezenove avos dos shinigamis atinge tal liberação, e aqueles que conseguem essa proeza se tornam lendas.

– Acho que entendi, e o que o espírito tem a ver com isso?

– Porque é o espírito quem altera a espada durante a liberação, e para que isso aconteça, o shinigami deve entrar em sintonia com ele, e no que a espada se transforma depende do espírito em questão e do seu dono. O primeiro passo é descobrir o nome do ser que vive dentro da sua zampakutou.

– Deixe eu adivinhar, você vai pe gara espada e bater na minha cabeça até eu descobrir o nome?

– É uma sugestão tentadora, mas antes disso tentaremos outra coisa. Eu quero que você sente em posição de lótus e comece a meditar.

– Só isso? Moleza.

Kon sentou na posição e fechou os olhos para começar a meditação.

– Agora segure a zampakutou com as duas mãos – o gato ordenou, e Kon obedeceu – e para garantir que você não durma, se você cair no sono eu arranho sua cara. Sinta sua energia e a da espada, fique dessa maneira até adentrar ao seu mundo interior e descobrir o nome do espírito.

O rapaz ficou em meditação, o que era muito difícil para ele já que toda vez que ele fechava os olhos, surgiam mulheres nuas na sua mente. Ele perdeu a noção do tempo, não sabia se haviam se passado minutos, horas ou dias, o sono estava vindo, mas o medo de ser arranhado por Yoruichi era maior e ele heroicamente se mantinha acordado.

Em certo momento, a escuridão provocada pelos seus olhos fechados foi substituída pela visão de uma espécie de quarto, onde havia uma grande cama no centro, além de uma lâmpada de brilho regulável, ar-condicionado e o teto coberto por um grande espelho.

– Eu já vi fotos de lugares como esse...é um quarto de motel? Eu devo estar pirando mesmo.

Logo apareceu deitada na cama uma mulher verde com longos cabelos azuis, usando apenas uma pequena camisola preta.

– Ué, geralmente as mulheres que eu imagino tem cor de gente e estão sem roupas...

– Isso é porque eu não sou sua imaginação seu idiota, e que história é essa de cor de gente?

– Hum, então quer dizer que você é o espírito.

– Nossa, você deve ter resolvido várias equações diferenciais parciais não lineares para chegar nessa conclusão. Mas eu prefiro que não se refira a mim como espírito, eu tenho um nome sabia?

“É verdade, o Yoruichi falou que pra liberar a banzai eu tenho que saber o nome desse espírito” pensou Kon. Ele ficou por muito, mas muito tempo meditando na tentativa de descobrir qual seria esse nome.

– O que foi, não consegue descobrir o meu nome? – dizia ela com um tom irônico.

– Você está certa, eu sou burro demais pra descobrir o seu nome, então você, ó linda garota, poderia dizer qual é?

Definitivamente ela não esperava por essa. A “moça” pensou em fazer um desafio lógico com pistas gradativamente mais difíceis que levaria seu mestre a descobrir o seu nome, desafio esse que certamente Kon não passaria nem da primeira etapa.

– Meu nome é Marta.

– Marta? – Kon se surpreendeu, ele esperava um nome mais exótico como Zangetsu, por exemplo, mas disfarçou essa admiração – que nome bonito!

Logo o seu mundo interior “se desfez”, assim como a visão da Marta. Quando abriu os olhos, o rapaz viu que ainda estava no porão, onde Yoruichi dormia preguiçosamente como qualquer gato.

– Gato, eu consegui descobrir o nome da minha espada!

– Ótimo, agora você só precisa liberar sua zampakutou. E nem adianta mentir sobre o nome, se você não tiver descoberto sua espada nunca será liberada.

– Beleza, e como eu faço essa liberação?

– Normalmente um shinigami leva alguns anos entre descobrir o nome da espada e liberar a shikai, e mais algumas décadas até liberar bankai., porém nós não temos todo esse tempo e se pretende mesmo enfrentar Zerus Rose, você não vai conseguir nem despentear o seu cabelo sem bankai. Para sua sorte, eu desenvolvi um método que pode fazê-lo liberar a bankai em alguns dias, desde que você sobreviva ao treinamento.

– Quantas pessoas já fizeram esse treinamento?

– Sem contar comigo, três.

– E quantas conseguiram?

– Na verdade, as três morreram.

– Puta que pariu, vou morrer nesse mundo maluco, nunca mais vou voltar pra casa e pra minha família. E o pior de tudo, não vou conseguir ver os peitinhos da Beah.

– Não se desespere, você deve ao menos tentar.

– Tudo bem – ele suspirou – como se faz pra liberar essa banzai?

– Não é banzai, é bankai.

– Ah, é o nome de uma empresa de jogos e brinquedos do meu mundo, Bandai.

– Já falei que é Bankai – o gato já rosnava de irritação.

– Bankai?

Assim que finalmente falou bankai, a espada do Kon se modificou, surpreendendo Yoruichi.

****

Já de noite, Kon estava novamente com Urahara e os outros comendo alegremente.

– É, cabeça de abóbora, quem diria que você conseguiria completar o treinamento – comentou Jinta.

– Você não deveria subestimar nosso convidado só porque sua cabeça parece um jerimum – disse Urahara.

– Minha cabeça pode parecer até uma privada, o importante é que eu vou ganhar um prêmio quando voltar aos meus amigos – de repente, Kon ficou triste – é uma pena que o Uroro não tenha sobrevivido, eu até que gostava dele.

– É verdade, ele parecia ter um talento nato para hadous, kidous e bakudous – comentou Yoruichi.

– O que é esse tal de bakudá? – perguntou Kon.

– É bakudou – corrigiu o gato.

– Eu não dou não, se você dá o seu não sou eu que vou discutir.

Todos ficaram em silêncio, esperando a reação de Yoruichi.

– Há há há, essa foi boa, tenho que contar essa pros gatos lá da outra rua.

Todos começaram a rir, até que Urahara voltou a falar.

– De qualquer forma, tentarei trazer o Uroro de volta. As chances são pequenas, mas ele já está morto mesmo, pior que isso não fica.

Todos terminaram a refeição.

– Agora se apresse Kon, você deve reencontrar os seus companheiros e continuar sua missão – ordenou Urahara.

– Vixe, agora é que lascou, eu não sei onde eles estão – o rapaz coçava a cabeça, um pouco envergonhado.

– Como você está em uma missão, se separa e não marca um lugar de reencontro? – estranhou Tessai.

– Já sei!

Kon começou a pensar na Beatrice. Começou a pensar em como seriam os seios da Beatrice, a imaginou tirando a camisa e depois o sutiã. Seriam os mamilos rosados? Quem sabe violetas como seus olhos...Ela havia prometido os seios, mas será que ela mostraria algo mais? Ele começo a imaginá-la tirando a saia, então ele foi interrompido por uma voz que parecia ir direto no seu cérebro.

“– Kon, que bom que você está bem, tive um pressentimento muito ruim sobre você.”

– Beah, sua voz é como melodia para os meus olhos! Eu apanhei, morri, voltei, apanhei de novo mas estou ótimo, e vou ficar melhor ainda quando você fizer aquilo que me prometeu.

– “Ah, bem...você vai querer aquilo mesmo?”

– É claro que vou! E por falar nisso, onde vocês estão?

– “Vou perguntar pra Bráqui, espere na linha”

Segundos depois, Beatrice voltou a se comunicar com o Kon.

–“Ela falou pra você nos encontrar na Vila da Areia. Agora tenho que ir, tchauzinho.”

O pessoal foi perguntar ao Kon.

– E aí, onde seus amigos estão?

– Ela falou pra nos encontrarmos em uma tal de Vila da Areia, mas eu não tenho ideia de onde isso fica.

– Vila da areia? Você terá que atravessar o deserto mais terrível de toda Dungeoneer, alguém que alguém não o conhece nunca conseguirá – informou Yoruichi.

– Ela está certa, mas felizmente eu posso abrir um túnel que o transportará imediatamente para lá, por apenas...quanto você tem aí? – disse Urahara.

– Tenho essas moedas – Kon tirou algumas moedas do seus bolso.

– Ótimo, é exatamente o preço da viagem – o homem pegou as moedas – venha comigo.

Todos foram até o quintal. Urahara pegou sua bengala e fez um movimento como se quisesse cortar o ar, e quando o fez, uma garganta muito parecida com os portais do Sony se abriu.

– Eu já programei as coordenadas, agora entre, corra pelo túnel e você chagará à Vila da Areia com uma margem de erro de apenas noventa por cento.

Kon obedeceu, entrando apressado no portal, que se fechou logo depois. Já estava tarde e todos foram para os seus quartos.

Urahara já estava no quarto se preparando para dormir, e Yoruichi estava deitado preguiçosamente no travesseiro, como gatos adoram fazer.

– Tivemos dias cheios e o garoto evoluiu bastante, tomara que tenha sido o suficiente – comentou Yoruichi.

– Vamos acreditar que sim, e a profecia diz que são quatro os heróis daquele mundo que chamam de Terra. Se os outros estiverem no mesmo nível do Kon há alguma chance.

– É verdade, nunca vi ninguém liberar bankai tão rapidamente.

– Eu só espero ter ajudado, e que isso possa me redimir pelo erro que cometi no passado.

O corpo de Yoruichi começou a crescer e mudar de forma, se transformando em uma mulher morena com longos cabelos roxos. Sua pele bronzeada brilhava mais do que a lua, além de ser macia como seda. Seu cheiro é tão bom que não pode ser descrito com palavras, seu corpo era magro, porém cheio de curvas, tendo os seios, bunda e cintura perfeitamente proporcionais e para completar, ela estava vestindo...nada.

– Ora Kisuke, também não precisa ficar o resto da vida se culpando pelo que aconteceu. Estou cansada pelo treinamento de hoje, preciso muito de um banho.

– Aproveite que está todo mundo dormindo e fique bastante tempo na banheira.

– Esqueceu que estou há muitos anos vivendo como um gato? Gatos tomam banho se lambendo e tem algumas partes do meu corpo que eu não alcanço quando estou na forma humana, vou precisar da sua ajuda – disse manhosa.

– Amanhã, hoje eu preciso dormir.

– Porra, eu deveria ter ficado com a Soi Fon, duvido que ela me negaria um banho. Pode deixar que eu faço isso sozinha.

Yoruichi saiu do quarto e Urahara se deitou, porém ficou apenas olhando para o teto, sem conseguir dormir.

Notas finais
A Yoruichi ficou má nesse universo né? De qualquer forma sou fã dela e não podia deixar de colocá-la na minha fic nem que seja um pouco. Conforme prometi, bakudou é o que o gaúcho diz que faz pra se divertir. Não entenderam? Vou explicar melhor. repórter: o que você faz pra se divertir? gaúcho; ba - ku - dou. Horrível né? Se eu tinha algum leitor gaúcho acabei de perder, mas não resisti. Até o próximo capítulo.