Dumbledore vs Grindelwald
3 Capítulo 3
Muitos sentimentos perpassavam Dumbledore que seguia confrontando o velho amigo olhos nos olhos. Apesar de estar visivelmente mais velho, Grindelwald ainda conservava a mesma aura sedutora de outrora. Sempre havia admirado aquela aura de segurança que irradiava o amigo, sua capacidade de inspirar confiança e que apesar de toda essa estrutura forte ele era o único capaz de adentrar a sua armadura, sempre fora seu único confidente, a única pessoa com quem Grindelwald sentia-se cômodo pra ser vulnerável, rir e compartilhar pensamentos. Algumas memórias reprimidas doloridas vinham totalmente à tona ao mergulhar nos seus olhos claros perfurantes. Olhos que assombravam Dumbledore que havia esquecido o quão forte eram seus sentimentos pelo amigo.
— Tenha cuidado professor... Que meigo — ironizou Grindelwald com um sorriso — Você não vê o quanto isso é patético? Um bruxo como você ensinando fracassados converter agulhas em fósforos, xícaras em porco-espinhos?
— Cada bruxo encontra sua vocação de alguma maneira, Gellerd. Talvez você seja muito arrogante pra entender isso, mas pode-se aprender todos os dias ensinando jovens bruxos. Presenciar a magia de forma tão crua e simples e vê-la desabrochar é verdadeiramente fascinante. Hogwarts está sempre de braços abertos pra ensinar a quem quer que seja, mesmo a um velho bruxo como eu.
— Pff. Você realmente está velho.
Os dois bruxos se encaravam com as varinhas em punho caminhando em círculos.
— E no final das contas eu sempre gostei de brincar de fazer essas pequenas transformações em casa, você certamente se lembra como era difícil achar objetos no meu quarto que não estivessem na forma de jerbos, sapos e aranhas.
— Demonstrações irrelevantes que me tiravam do sério.
— Pois lembro que costumávamos nos divertir muito com isso — Dumbledore deixou escapar um sorriso que foi logo abafado e algo no seu olhar fez Grindelwald ficar extremamente desconfortável e sério.
Fez-se um breve silêncio. Grindelwald tinha os seus próprios conflitos internos também, inquietava-lhe ver Dumbledore outra vez depois de tantos anos, seu entusiasmo em ver o amigo independente da situação era claro, e mesmo que o bruxo representasse o maior entrave pra alcançar seus objetivos, alguns dos seus medos se convertiam em tolas esperanças, ainda existia nele essa fé de convencer denovo Dumbledore, conquistar o mundo juntos, seu aspecto racional sabia que era impossível depois de tudo que aconteceu, mas sua emoção em relação ao amigo não o paralisava de nenhuma maneira, o entusiasmo de lutar contra Dumbledore era muito forte, afinal os dois homens eram supostamente os dois bruxos mais poderosos do mundo, talvez de todos os tempos, que tocaram os limites da magia como nunca ninguém antes deles.
— Basta de nostalgia, não te parece Al? Afinal para que estamos aqui não é verdade? Já que você fala com tanto carinho de Hogwarts vai adorar conhecer Nurmengard, posso garantir-lhe que não há nada mais refinado em termos de feitiços.
— Ah, então você tem planos de me encarcerar na sua magnífica prisão depois disso? Saiba Gellerd que eu não tenho a intenção de me deixar ser capturado tão facilmente.
— Você tem razão, o mais provável é que o perdedor não saia daqui vivo. Considere mais como um convite pois ainda há tempo de se render.
— Enfrentar você é enfrentar o que mais temi em toda minha vida, mas alguém precisa dar o fim ao seu reinado de terror, Gellerd. Eu não posso me render — Uma fina neblina dourada começou a tomar forma na mão esquerda de dumbledore, dela se materializou uma grande espada adornada de rubis, o bruxo agarrou o punho emocionado e encarou Grindelwald com determinação.
— Godric Griffyndor... Então você está preparado mesmo pra lutar.
Grindelwald avançava lentamente em direção a Dumbledore com a varinha erguida para a saudação inicial, era tão alto quanto Dumbledore mas consideravelmente mais robusto, um físico muito avantajado para sua idade, sua pesada armadura estalava a cada passo. Dumbledore também se aproximou com o mesmo movimento, os dois se encaravam entre varinhas, cara a cara, meio metro de distância um do outro. Então cada um deu 5 passos para trás.
— Nós poderíamos ter tido o mundo aos nossos pés juntos, Al, e você jogou tudo isso fora. Imagine a diferença que poderíamos ter feito...
— Eu fui um tolo. No fundo o único que queria era nós dois juntos e nada mais. Eu me deixei seduzir por sua falácia porque te amava — disse Dumbledore com a voz embargada.
— Cervicallum Secto!!! — gritou Grindelwald visivelmente alterado.
Um jato de luz branca irrompeu da varinha de Grindelwald em linha reta cortando o chão logo abaixo. Dumbledore murmurou três palavras e sua varinha gerou uma rede espectral acizentada que conteve a maldição com sucesso fazendo com que sentisse somente uma leve pontada na nuca.
— Eu coloco a culpa em Aberforth! Eu nunca quis machucar Ariana.
— CALA A BOCA! — um relâmpago azul saiu em alta velocidade com uma estocada da varinha de Dumbledore, Grindelwald conjurou imediatamente um escudo gigante de prata que empurrou o raio em direção ao céu. O feitiço foi engolido pelas nuvens e resultou em um enorme trovão com um conjunto de relâmpagos, o céu de alguma forma parecia haver sido convocado por Dumbledore. Ele nunca esteve tão irado. As nuvens pareciam adquirir os contornos de seu semblante de cólera.
— Meteorolojinx Recanto! — bradou Grindelwald aos céus.
Mas antes que o feitiço dissipasse os cúmulos raivosos de nuvens, a nuvem com a cara de Dumbledore cuspiu um raio de cor intensa que caiu justamente na espada de Gryffindor erguida. Com uma estocada dessa vez com a espada de Gryffindor tomada de eletricidade, um raio desintegrou completamente o escudo prateado do adversário.
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