Em um amplo aceno Grindelwald conjurou um grande volume de chamas azuis. As majestosas chamas circulavam o mago com extrema velocidade e poder. Ele murmurava inaudíveis encantamentos para ponta de sua varinha e gritos começavam a vir de dentro das chamas que adquiriam um caráter mais amendrontador a medida que cresciam, parecia que um demônio foi liberado de outro mundo.

Dumbledore não precisava de Legilimencia para saber que tipo de magia Grindelwald estava invocando, apesar do aspecto diferente, tratava-se de uma magia negra antiga liberada por perturbadores sentimentos e um considerável talento com as artes das trevas, o Fogo Maldito.

Grindelwald permanecia num estado de quase transe enquanto seguia sussurrando feitiços em sintonia com os demônios de dentro das chamas azuis, suas pupilas desapareciam dos seus olhos abertos. Dumbledore decidiu avançar em direção as chamas que já ameaçavam produzir um incêndio em um dos arranha céus ao lado.

— Partis Temporus — a ponta da varinha de Dumbledore produziu um pequeno lampejo e o fogo azul foi empurrado para os lados deixando um caminho para dentro do círculo de onde Grindelwald invocava as chamas, Dumbledore agilmente percorreu o caminho e adentrou o círculo, o caminho foi rapidamente obliterado pelo Fogo Maldito, Dumbledore escapou por pouco, as fortes chamas rondavam os dois bruxos.

Com um aceno Grindelwald permitiu que as chamas estreitassem cada vez mais o círculo que continha os dois bruxos.

— Não seja tolo, Gellerd, se você comandar as chamas para dentro desse círculo você também será atingido. Esse é o perigo do Fogo Maldito, concorda? Se o conjurador perde o controle, como muito comumente ocorre, as chamas demoníacas o engolem. Quase todos os grandes bruxos das trevas da história só as usavam como último recurso quando estavam desesperados.

— Eu dificilmente poderia dizer que estou desesperado, Dumbledore. Não me compare com outros bruxos das trevas, ninguém chegou tão longe no domínio das forças obscuras como eu.

— Eu imagino o quanto você teve que degradar sua magia para chegar a esse nível — suspirou Dumbledore — isso que eu chamo de desperdício de talento.

— Olhe direito pras chamas Al...

Dumbledore fitou o alto redemoinho de fogo azul, os gritos continuavam a ecoar e eram mais audíveis que o farfalhar das chamas. Sem varinha e não verbalmente, Dumbledore ativou o encantamento Specialis Revelio e seus olhos passaram outra vez pelas labaredas que agora revelavam vultos agoniados rastejando em círculos ligados por correntes. O bruxo se lembrou de um feitiço que leu em um livro antigo e indigno, nunca pensou que presenciaria tamanho horror.

— Não pode ser... Isto é...

— A nobre arte da Necromancia. As almas são a substituição perfeita para os demônios no meu Fogo Maldito, com o dom da Necromancia eu tenho total controle sobre elas e não há perigo que o feitiço rechicoteie contra mim.

— Que lógica asquerosa, Gellerd — retrucou Dumbledore com um semblante furioso — não bastasse defraudar milhares de corpos para criar inferi, você agora escraviza almas para usar como fogos de artifício.

— Adeus, velho amigo — Grindelwald ergueu a varinha e fez um movimento rotatorio rápido, as chamas foram rapidamente atraídas para dentro do círculo.

— Expecto Patronum, Aguamenti, Protego Horriblis!

Uma grande explosão resultou quando as chamas convergiram e se colidiram dentro do círculo. O fogo depois de comprimir, expandiu-se por toda a largura da grande avenida da Broadway e várias bolas de fogo foram expelidas no processo causando incedios em vários arranha céus próximos.

No epicentro do fogo uma fantasmagórica fênix azul afastava entidades invisíveis com o afanar de suas asas, protegia um esgotado Dumbledore que segurava o fôlego dentro de um escudo de água esférico que o defendia do calor das chamas. A fênix então deu um mergulho e com um golpe do seu bico dissipou todas as correntes que ligavam as almas ao Fogo Maldito.

O extraordinário patrono de Dumbledore, com suas poderosas garras, agarrou então o orbe de água que continha o bruxo e levantou vôo. Gellerd, surpreso, pôde ver a ave saindo das chamas imponentemente e jogando a bola de água com Dumbledore em um pavilhão alto e destroçado de um prédio. Dumbledore teve a queda amortecida pela água, no entanto ainda estava atordoado pela privação de ar, o bruxo tossia apoiado no chão. O incendio era forte no prédio onde aterrissara, ele pôde escutar gritos de trouxas que estavam presos nos prédios incendiados

— CONFRINGO! — gritou Grindelwald desde a avenida abaixo mirando no pavilhão onde estava Dumbledore.

— Protego! — um manto translúcido foi conjurado depois de um zumbido da varinha de Dumbledore e o feitiço de Grindelwald foi jogado para um prédio do outro lado da avenida.

— Nós temos que apagar o incêndio dessas construções e guiar os trouxas a um lugar seguro. Você sabe o que fazer — sussurrou Dumbledore a seu patrono, a fênix entao entrou no prédio e com o balançar de suas asas surgiam do ar consideráveis massas de água que apagavam o fogo por onde passava. Ao que parecia o patrono conservava o feitiço de água que Dumbledore lhe havia incorporado anteriormente.

— Arresto Momentum!! — grunhiu Dumbledore quando pulou do alto de onde estava e aterrissou na avenida como se estivesse sustentado por cordas elásticas.

O grande fogo no centro da avenida seguia intenso mas já não era mais azul, nem dançava magicamente emitindo gritos. Com um simples feitiço de congelar chamas Dumbledore pôde atravessar as labaredas como se caminhasse por um varal de lençóis vermelhos estendidos, deslizando a última cortina de fogo se posicionou outra vez frente a frente com Grindelwald.

— Impressionante, Al, eu tenho que admitir.

— Enquanto você incorpora Necromancia no Fogo Maldito, eu junto o Patrono e Aguamenti em um mesmo feitiço, simples, mas efetivo.

— Um golpe de sorte que não irá se repetir.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.