Dubai
4 Detalhes culturais...
Notas iniciais
O vislumbre através do vidro do conversível da empresa de turismo EnjoyTour, era inacreditável. Restaurantes, centros de moda, lojas, boutiques, cervejarias, hotéis de luxo, cassinos, prédios imensos, revelando um amor profundo ao colossal; simplesmente voavam quietos e perfeitamente encantadores enquanto o carro estava em movimento. Ellie, que observava tudo com olhos brilhantes, sentia cada vez mais uma felicidade crescer dentro de si.
– Não é incrível? – Perguntou Ana, que também observava a Dubai super movimentada através da janela.
Ellie sorriu com gosto e inclinando-se entre Mohammed e a amiga, respondeu:
– Eu não poderia ter escolhido outro lugar.
Através do retrovisor, Mohammed encarou os olhos amendoados de Ellie. O cabelo escuro, comprido e cacheado, através do olhar do rapaz, pareciam revelar os traços da bela adolescente que agora havia dado lugar à mulher. A mistura de algumas raças antagônicas em seu rosto, traziam uma certa ironia à situação. Dubai, em si, era mais uma mistura do que um lugar de origens eternas.
– Ellie, estamos quase chegando ao hotel, onde vamos deixar suas bagagens. Em seguida, vamos às compras. – Ana deu um sorriso, virando-se animada para Ellie.
– Bem, se você diz, quem sou eu pra negar?
Todos riram. Na cidade onde a mistura de culturas era visível, Ellie sentia-se no centro do mundo. Ao reparar novamente na vista da janela, ela observou um movimento mais intenso na rua onde estavam passando.
– Aqui parece ser ainda mais movimentado. – Comentou.
Ana acrescentou:
– É, estamos agora no centro da cidade. – Ela abriu a janela do carro e um bafo quente imediatamente invadiu o automóvel, espalhando um cheiro de fumaça e comida, por estarem passando em frente a muitos restaurantes de diversos tipos. – E nessa época do ano, Dubai costuma ser mais agitada.
Mohammed diminuiu a velocidade do carro, passeando agradavelmente por cada prédio gigante e loja que viam. Tudo ali parecia respirar riqueza e requinte. Mais dava para pensar em uma feira internacional de carros de luxo, ao observar os automóveis que desfilavam imponentes pelas avenidas compridas de Dubai. Mas Dubai era assim naturalmente. E sua cultura gritava um ar oriental e extremamente árabe e agitado. Homens usavam turbantes de diversas cores na cabeça e outros tecidos, pelos quais Ellie se interessou.
Ana explicou:
– Bem, o mais comum é o tecido usado na cabeça. É chamado de Keffiyeh que já é usado há muito tempo. Na verdade tem alguma coisa a ver com honra; e nas regiões desérticas, o tecido protege contra o sol. – Ela fez uma pausa, enquanto Ellie esperava atenta. – E me corrija se eu estiver errada, Mohammed, as cores também possuem significados diferentes, não é?
O rapaz assentiu pra ela. O sorriso repentino no rosto demonstrava que queria falar.
– Acho que você saberá explicar melhor, meu camarada. – Disse Ana e em seguida, deu uma piscadela para ele.
– Bem, a de cor preta-e-branca é da Palestina; a vermelha-e-branca é usada na Arábia Saudita e Somália, mas é mais forte na Jordânia, onde é chamada de “mhadab shmagh”. E quando não são origens de povos religiosos do passado, representam valores que consideramos importantes. – O rapaz, ouvindo a própria voz, parecia satisfeito por estar conseguindo pronunciar bem as palavras, de modo que as moças compreendessem. – Mas na maioria dos casos hoje, o Keffiyeh é mais usado como um acessório de luxo. Quanto mais enfeitado ele for, melhor representa a posição social e financeira de quem está usando.
Ellie, com as sobrancelhas erguidas, notou que a maioria dos turbantes e keffiyehs usados, era de cor vermelha-e-branca. O tecido era quadriculado e preso na cabeça.
– Ual, é muito lindo. Charmoso, até.
Ao passo que o carro de luxo desfilava pela cidade, uma mistura de cores e estilo se acentuava. Procurando gravar tudo, Ellie retirou o celular da bolsa e passou a filmar e tirar fotos. Como uma crônica a ser contada, ela fotografou pessoas de diversas culturas em um único lugar: homens com traços árabes usando turbantes, tecidos coloridos e sandálias; outros de pele mais clara, o rosto livre de barbas, vestindo ternos, roupas sociais, gravatas de todos os modos e maletas de couro nas mãos. Mulheres de burca, de saias compostas, de vestido ou roupas no estilo mais ocidental, passavam o tempo todo pela calçada, de um lado e de outro, porém, sem nunca deixar de evocar os traços fortes, mas singelos, da cultura dos Emirados Árabes: uma massa muçulmana e colorida, revelando as origens de uma das maiores e mais encantadoras civilizações humanas. De boca aberta e rosto sorridente, Ellie soube que logo se habituaria a Dubai e faria ali sua vida. Ou pelo menos, o inicio dela.
– Ah Ellie, ainda há tanta coisa pra ver. – Suspirou Ana, novamente apaixonada pela cidade árabe mais famosa do mundo.
– Eu não vejo a hora de ver tudo isso. – Respondeu Ellie, sem saber que o prédio colossalmente belo e magnifico para o qual estava olhando, era o hotel oficial da EnjoyTour, onde ela passaria a morar.
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