Dubai
2 Breve passeio - Apenas o começo
Notas iniciais
Se por necessidade ou simplesmente desejo, Ellie não sabia, mas tinha simplesmente de gravar cada lugar que ela avistava pela janela do Táxi. Dubai parecia um sonho, um lugar que ela jamais pensara que poderia alcançar e agora ela estava realmente ali. Nada mais poderia impedi-la de realizar seus objetivos naquela cidade maravilhosamente bela, colorida, cheia de prédios gigantescos, estruturas arquitetônicas dignas de fotos profissionais. Os cartões postais certamente não tinham a capacidade de demonstrar todo o encanto que possuía aquela cidade.
Tudo ali era lindo, encantador e extremamente diferente de tudo o que ela estava acostumada a ver. As pessoas usavam roupas estranhas, mas bonitas. Muitos homens andavam com o que Ellie chamou de túnicas brancas e de repente ela teve vontade de conhecer os sheiks árabes, sua cultura, seu modo de viver e ver o mundo. Pelo que ela podia perceber, ao observar aquela avenida gigantesca através da janela do carro, tudo ali era um mundo a ser descoberto de uma forma de vida completamente nova.
–Imagino que a senhora esteja estranhando bastante tudo por aqui. – Falou o motorista, que apesar de possuir um sotaque muito forte, falava sua língua com perfeição.
Ellie olhou pra ele sorridente e quis jogar em cima do homem um jorro de elogios e palavras alegres, mas conteve-se; lembrou-se que tinha prometido a si mesma passar uma boa impressão àquelas pessoas.
– Ual, eu estou adorando tudo. A cidade é muito linda, encantadora, na verdade. As roupas são bem diferentes, mas bonitas. E as mulheres? Algumas usam as famosas burcas, mas outras já se vestem de modo, digamos, um tanto ocidental, eu acho. Bem, seja como for, estou gostando muito de Dubai. Juro que isso aqui é um sonho pra mim. – Sorriu, quase sem conseguir conter as palavras. Era animador estar ali, conversar com uma pessoa que havia nascido ali e provavelmente sabia tudo sobre a cultura local e os melhores lugares para se visitar.
O homem sorriu discretamente e através do retrovisor do carro, respondeu a ela:
– Que bom que está gostando. Então fico feliz em lhe dizer que ainda há muito para se ver. A senhorita irá gostar de nossa comida, imagino. Estamos quase chegando ao nosso destino. A senhorita Anne estará lá lhe esperando.
Ellie lembrou-se de que ainda havia muito para ver e queria muito passear por Dubai. Mas ao som da palavra comida, percebeu que estava morrendo de fome. Ela não havia comido muito dentro do avião. Na verdade, isso era algo que ela ainda deveria vencer.
– Que bom que estamos indo para um restaurante. Estou mesmo com fome e ansiosa para experimentar sua culinária.
O motorista sorriu e assentiu em resposta e dali em diante não disse mais nada. Continuou seu caminho, atravessando as ruas de Dubai, até chegar ao restaurante onde a amiga de Ellie a estava esperando. Ainda havia tanta coisa para fazer que ela mal podia esperar. Seu coração nunca estivera tão agitado e na saída do carro, ao colocar os pés no solo, ela sorriu sem disfarçar a felicidade que sentia em estar realmente na cidade em que sempre sonhara estar.
– Senhorita, foi um prazer conhece-la. A viagem já foi paga. Espero que se divirta em nossa maravilhosa cidade. – Foi o que disse o motorista e então partiu. Ellie o agradeceu e dirigiu-se ao restaurante, que estava lotado de pessoas que pareciam vir de todos os lugares do mundo. Dubai era uma cidade simplesmente muito turística e era tudo o que ela estava procurando para iniciar sua carreira.
Ao entrar no restaurante, algumas pessoas a encararam como quem vê um objeto pela primeira vez, porém Ellie ignorou esse detalhe; sabia que devia mesmo chamar atenção. Principalmente pela forma como estava vestida: short jeans, um tênis bem adolescente por sinal, camiseta de manga fina e curta. Os longos cabelos cacheados estavam soltos e totalmente à mostra. Não parecia nem um pouco com as outras mulheres que se via por ali.
Mas afora isso, ela ficou completamente encantada com arquitetura do restaurante. Era adornado com luzes e lustres por toda parte. As mesas formavam uma espécie de fileiras, eram todas ligadas e as cadeiras eram revestidas de couro. Tudo ali dentro era belo e sofisticado. Olhando um pouco mais adiante, ela avistou Ana, que estava esperando por ela na companhia de um rapaz que se vestia à moda do lugar. “Uma túnica” branca, com detalhes dourados. “Preciso aprender os nomes dessas roupas”, pensou Ellie e foi na direção deles.
Sorridente como era seu normal, Ellie abraçou a amiga, trocou cumprimentos com o rapaz e sentou-se confortavelmente, pronta e ansiosa para experimentar a comida do Oriente Médio. Sabia que muitas coisas estavam por vir e aquela experiência ali seria somente o início de uma aventura inesquecível.
– Ele não fala muito bem nosso idioma, mas está se esforçando bastante. É ele que irá nos acompanhar até a festa. – Disse Ana, sugerindo um gesto vago na direção do rapaz que parecia bem a vontade no meio das duas.
Ana era loira, porém a pele era mais morena do que o esperado e seus olhos, embora muito pretos, reluziam uma mistura magnífica de raças. Suas roupas eram um pouco mais compostas do que as de Ellie. Mas ela compreendia isso muito bem.
– Ah, claro. Mas de que festa você está falando?
A amiga de repente arregalou os olhos, como se lembrasse de algo extremamente importante.
– Desculpe, Ellie. Não lhe disse nada! Acabei esquecendo. No fim dessa semana iremos à festa de um sheik árabe. – Ao ver Ellie estremecer na cadeira, Ana acrescentou rapidamente: — Não, amiga; não que ele nos conheça. Mas muitas pessoas estarão lá. Inclusive nós. Isso não é o máximo?
Ellie respirou fundo tentando assimilar aquela informação, mas não sabia muito bem como responder.
– Não tenho roupa para isso. – Foi o que conseguiu dizer.
– Eu sei, é por isso que faremos compras. Quero lhe deixar uma típica árabe. Não vai faltar nada em você. Já preparei tudo.
Bem, a ideia não era má, mas por um breve segundo Ellie teve medo do que a amiga poderia estar aprontando. De qualquer forma, o rumo da conversa mudou quando o primeiro prato de comida chegou. Aparentemente não era nada de estranho como Ellie estava esperando, algo parecido com arroz. Mas deixando todo o resto para ser discutido mais tarde, abocanhou a comida sem esperar mais instruções. A ansiedade por conhecer um novo lugar, estava apenas no começo. Ana rindo juntamente com o rapaz, ficou observando Ellie se engasgar ligeiramente com a pimenta. Tudo bem, não era uma comida estranha, claro. Mas havia um tempero um tanto forte ali. É, ela precisaria se acostumar com esse pequeno detalhe. Ou quem sabe alguns pequenos detalhes.
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