Dubai
12 A encomenda
Notas iniciais
Mais uma vez, espero que gostem :)
Ellie passou alguns segundos olhando para a porta. Por quê o porteiro não havia avisado que alguém estava subindo? Bem, se fosse realmente quem ela estava desconfiada que era, talvez dispensasse avisos.
Com o coração acelerado, Ellie caminhou até a porta e perguntou quem era, mas ninguém respondeu. Outra batida na porta fez com que ela se sobressaltasse um pouco mais. O que estava acontecendo? Ela então resolveu abrir a porta. Iria dizer tudo o que estava pensando e acabar com aquilo antes que tomasse grandes proporções. Graças às iniciativas de Ana, aquilo estava agora acontecendo.Respirando fundo e encarando a porta, Ellie abriu-a abruptamente, esperando ver aqueles olhos novamente. Ela havia se preparado mentalmente durante alguns segundos para encará-los outra vez e estava pensando no que dizer quando foi surpreendida pela pessoa que estava do outro lado no corredor. Ela não soube exatamente distinguir o sentimento que a tomou conta naquele momento, mas era algo parecido com decepção... Mas por que mesmo, ein?— Oi. — Disse ela e encarou o homem à sua frente, um funcionário do hotel que trazia uma encomenda na mão.— Senhorita, encomenda. — Respondeu ele, o sotaque era o mais forte que Ellie já tinha escutado desde que chegara a Dubai. Ela franziu a testa encarando a encomenda nas mãos do rapaz, que estava usando um uniforme comum de quem trabalha em um hotel. Depois de observar tudo, e mentalmente analisar a situação, ela respondeu:— Estou vendo, mas por que ninguém me avisou? O rapaz pareceu ter certa de dificuldade de compreender o que ela estava dizendo, mas não demorou a responder.— Foi entregue a senhorita.Não avisar. — Disse ele, ao passo que Ellie assentiu demonstrando que havia entendido. Ellie pegou a encomenda, assinou os papéis necessários exigidos pelo hotel e entrou logo a se sentar no sofá de veludo. Respirando fundo ela se perguntava o que estava acontecendo. Bem, como estava fora de casa e muito longe, poderia ser uma encomenda de algum familiar, algum amigo, alguém que havia se lembrado dela. Mas pensando nisso, Ellie se lembrou de olhar o endereço de onde partia a encomenda e viu que não havia nenhum. Apenas destinatário. Ok, alguma coisa estava errada ali. Desde quando encomendas sem endereço são permitidas? Por um breve momento, Ellie teve medo de abrir o presente; se é que era mesmo um presente. Milhares de coisas passaram pela sua cabeça, mas ela desconfiava que nada do que pensava sequer se aproximava do verdadeiro conteúdo da caixa. Era quadrada, grande e muito bem lacrada. O detalhe mais estranho, porém, era o de que a caixa estava estranhamente... Gelada. Gelada? Por que uma encomenda estaria gelada? Depois de pensar em diversas coisas, Ellie começou rasgando o lacre que envolvia a camada de proteção da encomenda. Do lado de dentro do papel estava o selo do Sheik de Dubai, Khalifa Al Gala, o mesmo que enfeitava a parede em frente a sua cama. Ellie suspirou. Ela já sabia muito bem de onde vinha aquela encomenda. E agora também sabia porque não havia remetente. Depois de ter a caixa em mãos, ela a abriu sem hesitar.Agora a caixa estava ainda mais gelada. Quando tornou os olhos para dentro, não acreditou no que estava vendo. Isso era uma brincadeira, né? Em baixo do "presente", ela encontrou um bilhete. Pegou com cuidado o papelzinho molhado e conseguiu ler porque estava escrito em inglês: Minha querida Ellie, espero que tenha gostado da surpresa. Sei que não conhece esse sabor, por isso mandei pra você. Sei que sou um completo estranho também, então, gostaria que me encontrasse logo no saguão do estacionamento deste prédio, onde estou escondido entre os carros. Espero que venha, lhe aguardo. E não deixe o presente derreter. Você vai ver, é realmente melhor tomá-lo em uma sorveteria. Depois de ler o bilhete Ellie simplesmente encarou o nada perplexa. Primeiro ele tinha mandado entregar sorvete no apartamento onde ela estava morando e havia feito isso sem aviso prévio; segundo, estava escondido no estacionamento do hotel. O que mais ela podia esperar daquele rapaz? Além de correr pela escadaria de um prédio imenso com ele, agora teria que correr também pelo estacionamento? Estava completamente incrédula. Onde está Ana numa situação como essa? Ela se perguntou e em seguida pensou em não ir ao encontro dele. De fato, ele não parecia má pessoa. Mas era cercado de todas as coisas das quais Ellie mais fugia na vida; sem falar que era meio irresponsável.Por que ela iria se envolver com problemas em Dubai? Deixando de lado as perguntas sem respostas e a vontade de louca de virar as costas para aquilo tudo, ela pegou apenas uma bolsa com o celular e uns números importantes para os quais poderia querer ligar, embora não soubesse bem o porquê e pegou o elevador em direção ao estacionamento do prédio. Sim, havia elevadores que levavam até o estacionamento. Mais um dos encantos de Dubai. Quando saiu do elevador, Ellie encarou o enorme estacionamento que se espalhava à sua frente. Estava completamente movimentado.Carros iam e viam de todas as direções, como num desfile de automóveis e homens bem vestidos passavam apressados com maletas e falando ao telefone. Por ali, Ellie avistou pouquíssimos árabes. Bem, pelo menos que estivessem usando dishdashas ou keffiyehs. E isso, de certa forma, era um problema.
— Ok Ellie. Ele quer brincar de esconde-esconde, não acredito nisso. — Resmungou ela enquanto olhava em todas as direções com uma feição não muito animada. Tudo estava indo tão bem... Por que ele estava fazendo aquilo? Ellie se perguntou se teria mesmo de procurar por ele pelo estacionamento. Concluiu em seguida que jamais faria uma coisa dessas. O que ele estava querendo afinal? Mas depois de olhar por mais alguns segundos e não ver ninguém, ela começou a andar lentamente pelo estacionamento. Circundando entre os carros, sentia-se meio idiota por estar procurando alguém que ela nem sequer conhecia. Algumas pessoas olharam para ela talvez se perguntando o que ela estava fazendo ali. E observando o movimento, Ellie ouviu a variedade de nações que se encontrava ali. Quantos sotaques, quantos idiomas diferentes e pessoas com traços distintos. Era fácil entender porque Dubai era uma cidade tão encantadora. Uma música árabe agitada estava tocando baixinho pelas caixas de som estrategicamente colocadas pelos cantos das paredes.Parecia que tudo deveria lembrar às pessoas de onde elas estavam e talvez porque estavam ali. Foi sobre o que Ellie pensou. Por que estava ali? Por que estava seguindo aquele rapaz? Depois de passar perto de agumas Land Rovers e umas BMW's, Ellie sentiu uma mão pegar em seu ombro. O toque foi quente, delicado e urgente. De repente, a sensação anterior tomou conta dela novamente. Ela sentiu seu coração acelerado e quando encarou aqueles olhos sorridentes outra vez, quase perdeu a fala. Não sabia exatamente o porquê, mas sentia que de alguma forma, eles a atraíam muito. Talvez até mais do que ela gostaria. O neto do sheik árabe estava bem ali, parado em frente a ela, usando uma dishdasha branca, keffieyh vermelho e branco e um lindo sorriso travesso no rosto. Mas que rosto era aquele? Por que ele tinha que sorrir sempre daquela maneira tão... Tão desconcertante? Ao notar que Ellie estava um pouco concentrada encarando ele, Sayed simplesmente quebrou o silêncio com a ultima coisa que ela esperava ouvir:— O que achou do sorvete? Ellie olhou para ele incrédula.— Não acredito que me mandou um pote de sorvete. Por que fez isso? Sayed soltou uma gargalhada espontânea, chamando atenção de algumas pessoas que estavam por perto. Elas o olharam mais demoradamente que o normal e ele pareceu se retesar um pouco. Mas não fez nenhum movimento. Com os braços sobre o peito, Sayed apenas encarava Ellie pensando no que poderia dizer. Mas não havia muito a ser dito, na verdade.— Gostaria de lhe provar que ele não tem o mesmo gosto do que aquele que tomamos em uma sorveteria. Ellie suspirou e sorriu.Como não sorrir? Ele não parava de mostrar os dentes.— Ok, essa é uma ótima teoria, mas gostaria que não me colocasse em situações como essa. — Em seguida pigarreou, como se achasse que não deveria ter dito alguma coisa. O sorriso de Sayed diminuiu um pouco, mas ainda estava ali. Ele a encarou profundamente:— Me desculpe pelo breve incômodo, moça. Gostaria de poder aparecer de forma mais natural, mas eu não consigo.— Não consegue?— Não. Eles simplesmente não me deixam em paz. E logo hoje que meu pai vai pessoalmente à mesquita. Todos os holofotes estarão voltados para ele.— Ele faz as orações dele na mesquita? — Perguntou Ellie, tentando se sentir menos insegura. Sayed ponderou.— Na verdade, ele vai inaugurar um novo hotel que fica bem em frente. Sabe, uma daquelas coisas que ele gostaria que eu administrasse, mas que não to nem aí. — Deu de ombros.— Não esta nem ai?— Só quero tomar um sorvete. — Ele abriu novamente um sorriso largo. — Vamos? — Estendeu a mão para Ellie. Ela olhou para os lados para se certificar de que ninguém estava vendo aquela cena incomum.— Está me chamando para sair?— Claro. Eu adoraria! Ellie estreitou os olhos e se remexeu, desconfortável.— Não tem nenhuma outra garota que possa lhe fazer companhia? — Baixou a cabeça. — Sabe, eu não acho que pode ser uma boa ideia. E se me virem com você? Acredite, não suporto a ideia de aparecer em uma revista. Sayed observou Ellie por alguns minutos e pareceu pensar sobre alguma cosia. Em seguida falou:— Eu poderia chamar muitas garotas para sair comigo e todas elas aceitariam o convite imediatamente. Então sabe por que estou chamando você? — Ele estreitou os olhos numa expressão de desafio.— Não faço ideia. — Respondeu Ellie.— Porque você é a única que rejeita. Isso mostra que não é como elas. E bem, não vou lhe meter em problemas. Venha comigo, você vai se divertir muito, eu garanto. — E piscou pra ela. Mas o que havia sido aquilo? Ellie acabara de chegar em Dubai e já estava vivenciando tudo isso?— Eu não posso sair com o neto do sheik árabe. Sayed sorriu.— Não só pode como deve. Vamos, eu conheço você. Eu te vi na feira. O jeito como ele falava, havia alguma coisa ali que fazia com que Ellie quisesse segui-lo. Ele tinha um cheiro maravilhoso de sândalo e de alguma coisa irresistível. Dava para entender porque vivia rodeado de mulheres. Ele tinha algo de encantador e sabia usar isso a seu favor. Segundos depois de avaliar aquela situação bizarra, Ellie resolveu ir com ele.Ora, era apenas uma sorveteria, não era? Seria rápido e apesar do absurdo do momento, ela pensou que poderia deixar que mais aquilo acontecesse.— Eu vou com você. — Exclamou e sentiu seu rosto enrubescer. Sayed ficou contente e mostrou a ela o caminho por onde iriam passar. Ele colocou as pontas do keffiyeh sobre o rosto e tirou um par de óculos escuros do bolso. Ual... Ele ficava ainda mais bonito! Como isso era possível? Ellie seguiu Sayed ao lado de uma colunata de cimento que dividia duas alas do estacionamento. Perto dali, a confusão de vozes, carros e pessoas diminuiu. Então segurando Ellie pela mão, ele a ajudou a circundar o estacionamento sem que nenhum fotógrafo os visse.Ele sabia que eles estariam lá fora em pouco tempo, mas enquanto a isso ele se preparou. Com o rosto coberto e uma necessidade incrível de sorrir, ele e Ellie deixaram o prédio do hotel em pouco tempo. Lá fora o sol estava escaldante como sempre e Ellie transpirava bastante.— Olha, acho que não foi uma boa ideia. — Falou ela, enquanto observava um grupo de paparazzi vindo na direção dos dois.— Ah não, eles não. — Reclamou Sayed. Ele virou rapidamente, olhou para Ellie e falou:— Vamos, vou pegar minha moto. Ellie encarou Sayed sem saber o que fazer. Na verdade ela estava fugindo de um grupo de paparazzi.... Quando foi que ela se preparou para uma coisa daquela? A resposta era nunca. Sayed sumiu por alguns segundos enquanto Ellie desviava os olhos dos fotógrafos e os fixava nos carros que entravam e saiam do prédio. Quando ouviu o ronco de uma moto logo atrás de si, ela pegou o capacete que Sayed a ofereceu e subiu na garupa. Ora, naquele momento era impossível pensar. A única coisa que pôde ser vista depois disso, foi a enorme quantidade de poeira que Sayed deixou para trás fazendo um tremendo barulho com a moto.
Notas finais
Esperem pelo próximo capítulo!!!
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