Dubai

1 A chegada a Dubai


Notas iniciais
É apenas um capítulo de introdução, mas vale a pena ser lido para que os seguintes sejam compreendidos. :)

Já era quase meia-noite quando Ellie acordou sobressaltada por conta de um pesadelo. Ao olhar ao redor, notou que as outras pessoas dormiam sem grandes desconfortos e tudo parecia tranquilo dentro da aeronave. Alguns passageiros ouviam música, através dos fones de ouvido cedidos pela empresa aérea e outros tinham o rosto esmagado em um travesseiro ou simplesmente contra a janela do avião.

Elli recostou-se melhor sobre a poltrona e fechou os olhos, pensando em dormir novamente; mas concluiu que ao lembrar-se de que estava dentro de um avião e de que passaria provavelmente mais umas doze horas ali dentro, não conseguiria dormir novamente. Pelo menos não agora. Ela esperava, de fato, que o sono fosse mais forte que ela, porém, seu medo de voar era um guerreiro bravo, que pelo que ela percebia, não estava com muita vontade de perder aquela batalha.

Ela olhou através da janela, mas percebeu que tudo estava escuro. Lá fora o céu era apenas um negrume intenso que nada revelava. As estrelas estavam muito mais altas que a aeronave e mesmo sem saber o porquê, Elli agradeceu por isso. Seu espírito estava animado, era verdade. Ela estava fazendo uma viagem que queria muito. Dubai, um destino que certamente guardava inúmeras surpresas. Ela nunca havia negado seu encanto pelo Oriente Médio e finalmente chegara o momento de colocar seus pezinhos lá. Mas, bem, o fato de que pra chegar até lá, era preciso enfrentar um avião, mudava um pouco os seus planos de estado de espírito. Era uma viagem calorosa, mas a pior parte ainda não havia terminado.

Ao ver um homem se levantar e seguir em direção ao banheiro, Ellie procurou o fone de ouvido que havia ganho assim que entrara no avião e o descobriu embaixo do seu corpo; com uma firmeza nada delicada, ela puxou o fone e colocou no ouvido. Ao ligar a rádio, sintonizou em uma que estava relativamente melhor e deixou-se ser guiada pela música. Para sua sorte, a música era calma, tranquilizante, dando até mais resultados do que seu calmante que ela tomara há poucas horas. Experimentou, então, fechar os olhos e tentar dormir. Uma turbulência ou outra já se tornara comum e por isso ela se sentia ligeiramente mais relaxada. Prestando atenção na melodia suave da música, Ellie adormeceu em poucos minutos, diminuindo muito o tempo da experiência claustrofóbica do avião. No dia seguinte, não muito tempo depois de raiar o sol, ela estaria e Dubai. Cidade grande, cheia de encantos, cultura adorável, mas extremamente diferente. Parecia um sonho pensar que quando saísse dali, Ellie desceria em um de seus lugares favoritos no mundo. Muitas expectativas faziam seu coração saltar de alegria e enquanto a música tocava, imagens de passeios e caminhadas pela cidade passavam em sua mente. Aos poucos o medo foi embora e ela esperou pacientemente que no próximo amanhecer, algumas coisas mudassem em sua vida. O que seria dali pra frente? Ela não poderia ter certeza, mas sabia que faria o possível para que fosse inesquecível.

Passadas as horas, Ellie acordou com o solavanco do avião ao tocar no solo firme, pousando em Dubai, depois de treze horas exaustivas de viagem. Como a empresa que estava conduzindo os passageiros era uma corporação particular, não foi necessário que o avião fizesse escalas. Todas as pessoas a bordo desejavam seguir o mesmo destino. Isso, havia pensado Ellie, era ótimo, porque diminuiria significativamente o tempo da viagem e a faria ter mais coragem de encarar um avião.

Retirando o fone do ouvido, que ela notou que não deveria ter permanecido ligado durante o pouso, ela destravou o cinto de segurança e esperou que a senhora que estava sentada ao seu lado se levantasse e começasse a retirar suas malas de cima do lugar específico onde elas ficavam. Olhando pela janela, enquanto as pessoas apressavam-se em organizar suas coisas para descer, Ellie olhou novamente pela janela. Que alívio era olhar através do vidro e não ver a escuridão do céu. Diferentemente da visão anterior, agora ela podia observar a pista do aeroporto, iluminada pelo sol escaldante que fazia lá fora e movimentada por outro avião de pequeno porte, que parecia pronto para alçar voo depois que todos os passageiros estivessem a bordo. A pequena aeronave estava acoplada com o corredor do aeroporto, que formava um L gigante, circundando a pista.

Elli respirou fundo, sentindo-se feliz por ter chegado bem e por ter feito uma viagem tranquila. Mesmo que ela fosse a única pessoa com aquele medo entre a tripulação, ela sabia que as outras pessoas faziam quase os mesmos tipos de agradecimentos que ela.

— Moça? Já pode vir, eu já peguei minhas coisas. – Disse a senhora, que olhando sorridente pra ela, despertou-a de um pequeno transe “pós-traumático”.

Ela levantou as sobrancelhas e um tanto excitada com a movimentação para descer do avião, dirigiu-se então a pegar suas mochilas. Uma delas era preta, pesada e estava guardando seu notebook. Na outra pequena bolsa, havia estojos de maquiagem, absorventes, caixas de calmantes, alguns biscoitos e um pente de cabelo. Ela pegou tudo e saiu sorridente do avião. Sua próxima parada seria em um restaurante, onde ela tinha marcado de encontrar uma amiga, que por motivos de trabalho, não pudera pegá-la no aeroporto. Porém, um táxi esperava pela moça e depois de pegar todas as bagagens, nada mais restava, se não se entregar à felicidade de estar, finalmente, em Dubai.

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Notas finais
Agradeço a quem ler e peço que comentem, acompanhem, que logo logo terá mais!