Dubai

8 A Festa...


Notas iniciais
Reconheço que tenho demorado para postar os capítulos seguintes da fanfic, mas é que como todos imaginam, o tempo muitas vezes nos trai. Peço desculpas aos leitores que acompanham, por fazê-los esperar tanto. Mas garanto, a história não ficará pela metade. Aproveitem este novo capítulo e aguardem o próximo. Prometo tentar ser mais zelosa com relação a minha querida Dubai. Um grande beijo a todos.

Ana, Mohammed e Ellie chegaram ao Palacium Hotel ligeiramente atrasados para a festa. É claro, Ellie estava pronta desde cedo, mas Ana simplesmente levou mais de duas horas para se arrumar. De um jeito ou de outro – ou até por um motivo qualquer –, Ellie achou interessante ter chegado mais tarde. Caso quisesse ir embora, tinha uma desculpa. E ela desconfiava desse desejo, porque ao chegar na festa, o conversível de Mohammed parecia um fusquinha velho e acabado, entre as várias fileiras de limusines que se encontravam estacionadas na frente do edifício. De repente, o brilho inteiro de Dubai estava concentrado ali. Centenas de jornalistas, paparazzi e fotógrafos de toda a cidade e inclusive de outros lugares do mundo, se espremiam por trás da cerca de proteção aos convidados, que fora colocada na entrada do hotel, acompanhando o curso de um tapete vermelho. Pessoas elegantes e maravilhosamente vestidas não cessavam de chegar. Parecia um desfile de artistas e empresários famosos, na premiação do Oscar. Embora não conhecesse aquelas pessoas, Ellie tinha certeza de que eles faziam parte da mais alta sociedade dos Emirados Árabes, principalmente por estarem na festa do Sheik.

Para ela a semana havia sido um tanto cansativa, já que além de organizar as suas coisas, ela havia iniciado um curso de árabe, oferecido pela EnjoyTour e havia iniciado seus projetos na empresa. Fora interessantíssimo, é claro, conhecer mais daquele lugar maravilhoso e até mesmo visitar uma das associações para crianças estrangeiras que o Sheik mantinha. O trabalho era lindo e organizado, porém, não expressava nem em parte, o poderio que ele possuía na cidade. Além de ser o principal líder religioso, o Sheik era também um dos maiores acionistas de Dubai. Estando agora em uma festa promovida por ele, Ellie tinha uma noção mais profunda da situação.

Parecia que os olhos de todos os Emirados Árabes estavam voltados para Dubai naquela noite. Ela nunca havia visto tantos fotógrafos juntos. Indo em direção ao hotel, ela se deteve.

– Gente, eu não sou artista. – Falo ligeiramente nervosa.

Ana, observando-a, franziu o cenho.

– Do que você está falando, Ellie?

– Não vou passar por esse tapete vermelho e muito menos ser fotografada.

Mohammed riu e falou:

– Não se preocupe. Só artistas saem nos jornais.

Como Ana insistisse para entrarem logo, os três passaram pelo tapete e foram fotografados enquanto entravam no hotel. É claro, aquilo nem de longe, estivera nos planos de Ellie.

Depois de entrarem no edifício colossal, os três foram informados de que o Sheik e sua família já haviam chegado e estavam na cobertura do prédio, onde se concentravam mais paparazzi. No andar onde estavam, havia um fotógrafo ou outro, tirando fotos dos chafarizes de gelo, das pequenas cascatas de liquor e das dançarinas profissionais que haviam sido contratadas para dançar na festa. Elas eram lindas e dançavam como deusas, como observou Ellie. E tudo ao redor era brilho, gente bonita e garçons servindo todos os tipos de iguarias. As mais raras e caras, porém, estavam à venda em dois bares que haviam sido estrategicamente montados. Por trás dos balcões, os garçons preparavam coquetéis. Tudo refletia sucesso e riqueza e Ellie por alguns instantes, sentia-se como um peixe fora d’água. Mas essa sensação estranha e repentina, deu lugar à euforia quando Ana começou a apresentá-la aos acionistas da empresa para a qual trabalhavam. A maioria deles falava inglês, e os que não falavam, Mohammed traduzia. Na verdade, Mohammed era intérprete nos passeios turísticos promovidos pela EnjoyTour. Ana, no papel de conciliadora particular da empresa, sentia-se feliz por introduzir Ellie no meio comercial. Além de guia turística, Ellie também poderia trabalhar nos projetos sociais que alguns acionistas estavam bolando.

E no fim das contas, a conversa com aqueles empresários fora essencial para introduzir Ellie no meio comercial da empresa, mas por outro lado, fora significativamente tediosa. Ela estava ali mais para trabalhar do que para se divertir, é claro, mas não conseguia mandar embora a vontade de tirar algum proveito da ocasião.

Depois de quase duas horas conversando sobre negócios, Ellie sentou-se em um sofá de veludo comprido de cor escura e tomando um drinque de morango, permitiu-se apenas observar as dançarinas. Ana e Mohammed se juntaram a ela depois de dispensarem os acionistas.

– E então, o que está achando, Ellie? – Perguntou Ana, tomando um gole do drinque da amiga.

Ellie, puxando o copo de volta, respondeu:

– Estou gostando, é tudo maravilhoso, os acionistas são muito legais, mas eu gostaria de simplesmente aproveitar a festa agora.

Ana concordou e Mohammed sorriu.

– Fique à vontade, minha amiga. Já que você não quer me dar o seu drinque, então vou pegar um pra mim.

Ellie revirou os olhos e riu.

– Mohammed, você vem comigo? – Ana perguntou ao rapaz.

Ele olhou para Ellie, perguntando-se se seria deselegante deixá-la ali sozinha. Mas ela assentiu com a cabeça e ele seguiu Ana. Sozinha no sofá, Ellie permitiu-se relaxar e apenas contemplar a festa. Mas esse relaxamento durou pouco, porque quando ela – impensadamente – olhou para a escada que levava ao andar de cima, ao lado do elevador, um rapaz vestindo uma dishdasha deslumbrantemente marrom, estava descendo. Primeiramente, ela teve a impressão de que ele estava fugindo de algo, mas em seguida, quando identificou o seu rosto, a sua surpresa foi maior do que o esperado.

Aqueles olhos azuis não eram estranhos. Sim, era ele, o rapaz misterioso da feira. Mas o que ele estava fazendo ali? Tudo bem, era uma pergunta idiota, mas ela simplesmente questionou-se a esse respeito.

Ao passar em frente ao sofá onde ela estava, ela pôde contemplar aquele olhar mais uma vez. Quão azuis eram os seus olhos e seu rosto era mesmo lindo. Encarando-a e ignorando completamente os olhares que se dirigiam entusiasmados para ele, o rapaz foi em direção ao balcão de bebidas e sentou-se de frente para ela, encarando-a mais profundamente ainda. Surpreendida por sentir o coração acelerado, Ellie baixou a cabeça e procurou conter as emoções que a dominavam. Mas ele tinha mesmo que olhar daquela maneira? Em seguida, Ana sentou-se ao seu lado.

– Ellie, não acredito! – Exclamou eufórica a amiga.

Ellie franziu o cenho e encarou-a.

– O que foi, Ana?

– É ele, Ellie!

– Ele quem?

– Sayed Al Gala, amiga. O neto lindo do Sheik. Até posso imaginar o que ele está fazendo aqui. Fugindo dos fotógrafos, como sempre... Eu sabia, deveria ter pensado nisso...

No momento em que ouviu aquele nome, Ellie encarou novamente o rapaz, que sentado relaxadamente no banco do balcão, direcionou seus olhos novamente para os dela. E naquele momento então, ela soube quem ele era. O dono daqueles olhos, era o famoso neto do Sheik Árabe. Será que aquilo realmente estava acontecendo? Não, não podia ser. Por que o neto do Sheik árabe olharia para ela quando tinha todas as mulheres que desejasse ao seu dispor? Ellie decidiu não olhar novamente para ele.

– Amiga? Você me ouviu?

– O quê? Você estava falando comigo?

– Sim, eu... – Quando Ana iniciou a frase, foi interrompida e olhou para cima. Nesse instante, Ellie notou a presença de uma pessoa parada em frente ao sofá. E pela expressão de Ana, ela já imaginava quem era.

Quando olhou para cima, encarou aqueles olhos profundos outra vez. Eram da cor do mar quando está em ressaca.

– Boa noite, moças. – Ele falou. O inglês era perfeito, mas ao fundo, dava para notar o sotaque árabe.

Ana respondeu imediatamente.

– Boa noite.

Os olhos daquele rapaz refletiam uma certa inquietação. Ao olhar pra ele, Ellie sentiu um repentino estremecimento.

– Precisa de alguma coisa? – Perguntou Ana vislumbrada. De perto, ele era ainda mais bonito.

Ele olhou para Ellie. Seus olhos subitamente sorriram.

– Sim, eu preciso de algo, sim. – Encarou-a com uma feição confiante.

Ellie não sorriu, nem abriu a boca. Primeiramente, porque não se imaginava conversando com o neto do Sheik árabe por vários motivos e segundo, que alguma coisa dentro dela a impelia a olhá-lo, como se jamais fosse parar. Bem, sendo quem ele era, ela não gostou disso.

– Eu gostaria de convidá-la para tomar um drinque comigo. Tudo por minha conta. Cortesia da casa.

Quando ergueu a vista novamente, Ellie sentiu as palavras faltarem, mas seu rosto e seu olhar diziam tudo. Independente disso, o rapaz continuava sorridente.

– Você está falando comigo? – Ellie perguntou finalmente.

– Exatamente. – Ele respondeu.

Ana, de boca aberta, parecia indignada com a amiga. Principalmente com o que ela disse em seguida:

– Não, obrigada. Vou ter que recusar o seu convite.

Notas finais
Espero, mais uma vez, que tenham gostado do capítulo e aguardem mais um! Um beijão a todos e me sinto muito feliz com todos os que estão acompanhando Dubai.