Duas faces da mesma moeda
26 Capítulo 24
Notas iniciais
Bella estava sentada no sofá de seu apartamento, com os cotovelos apoiados no joelho e as mãos cobrindo o rosto cansado. Ela estava farta de todas as mentiras, de todas as lágrimas que já havia derramado, de todos as teorias e suposições que pudessem explicar tudo o que estava acontecendo em sua vida. A frágil mulher estava cansada e esgotada de tentar processar tudo, afinal, além de ter sido enganada, ela estava grávida de um homem que não era seu marido, homem esse que havia transformado seu coração novamente em algo puro, transformado seu sorriso em um sorriso verdadeiro e transformado suas lágrimas em beijos.
A versão que Edward tinha lhe contado rondava sua mente desde que ele saiu pela aquela porta e ela tinha que admitir, algumas coisas se encaixavam . Primeiro, a mudança repentina de Anthony após o casamento, as vezes que chegava tarde em casa , a forte suspeita de que ele tinha uma amante e a forma como lhe tratava mostrava que ele não se importava com ela, não amava Bella e sim, seria capaz de pedir ao irmão que o substituísse para que pudesse se divertir com outras por aí. E se toda a história do roubo da empresa e da forma injusta que seu sogro tratou o outro filho for verdade, sim, realmente Edward aceitaria voltar para casa em quais circunstâncias fossem. Ela faria o mesmo, admitiu.
Não tinha, também, porque negar o fato de que Edward fez bem para ele, de que Edward a amou, pois ela viu isso em seus olhos. Finalmente a luz atravessa os olhos de Bella e ela percebia que o amava da mesma forma e que, como ela, ele era vítima das armações de Anthony.
Levantou-se com intuito de procurar o amado e pegou as chaves do carro em cima da mesa de centro, calçou o sapato e foi em direção a porta. Mas, parece que o destino se encarregou de coloca-los no mesmo caminho, novamente. Bella abriu a porta e lá estava ele. O mesmo rosto que ela conheceu a pouco mais de 1 ano atrás, mas que por dentro, bom, por dentro ela sabia que era completamente diferente do mesmo, era melhor.
– Bella — o rapaz dos olhos verdes disse, surpreso, pois iria bater na porta.
– Oi — ela sorriu. A coragem de minutos atrás se esvaindo. Teria que admitir que errou, não é ? admitir que não acreditou em quem mais lhe deu amor.
– Eu ... — ele engoliu em seco. Não sabia se Bella iria querer lhe ouvir,novamente. Mas Edward não iria desistir. — Eu sei que não quer conversar comigo, Bella, mas..
– Entre. Eu estava indo te procurar mesmo — ela o interrompeu.
Edward ficou um tanto boquiaberto com confissão da moça e mais ainda quando ela se afastou da porta para que ele pudesse entrar. Estava preparado para os gritos e as lágrimas dela, não para isso. O rapaz entrou no apartamento familiar e se virou. Bella fitava o chão e estava encostada na porta que acabara de fechar.
– Edward Bella — falaram os dois ao mesmo tempo.
Ela levantou o olhar e ele viu que ela precisava falar primeiro. Ele suspirou e se sentou, olhando-a.
– Eu...- ela tinha as mãos entrelaçadas em frente ao corpo e seus dedos brincavam com um o outro — Edward, eu ...- seu cenho se franziu — eu te amo. — disse de uma vez — e sei que fui uma estupida– frisou a palavra — por ter desconfiado de você, por ter duvido de todas as vezes que você me olhou docemente, me tocou como se eu fosse a coisa mais...preciso para você. Me desculpa por ter feito você sofrer, por ter dito palavas duras para pessoa, pra ...- ela se aproximou do rapaz e sua voz estava embargada pelo choro que subia lhe na garganta. — pra pessoa que mais me amou ...Mas, você...você tem que entender o meu lado. Eu simplesmente descobri que o cara com quem eu estava deitando nos últimos meses era um total desconhecido e por mais que o meu marido não me ame e não merece sequer que eu pense nisso, eu penso. Eu acredito em você , acredito que você fez isso porque queria ficar perto da sua família e eu te entendo — se aproximou mais, e as lágrimas já rolavam por seu rosto pálido — eu te entendo porque eu faria exatamente– frisou — a mesma coisa. Sim,eu me faria passar por outra pessoa para estar perto da minha família. Talvez eu não entenda totalmente o seu lado de ter ...ido embora sem procurar provas de que você era inocente, talvez se você tivesse ficado...- ela deu um meio sorriso — eu teria conhecido você em vez do seu irmão... Mas — suspirou — não foi assim e nos conhecemos nessa situação, nesse agora. O que eu quero te dizer, Edward, é que eu amo você! Realmente! Amo o homem de verdade que você é, amo o homem que me tirou daquele sofrimento em que eu estava, amo você e só você. Não tenho ... nada do que te perdoar porque ... eu não quis enxergar, mas eu sentia que era outra pessoa, então, meu amor, me desculpe você.
Ele chorava. Edward não aguentou o aperto no peito, o aperto de felicidade que fazia explodir milhares de estrelas dentro do seu peito. Ela estava ali, em sua frente, dizendo que o amava e que o entendia. Ele se sentia mais forte, pronto para enfrentar qualquer coisa que viesse a partir de agora. Agora ele sabia que tinha a mulher que amava e nada e nem ninguém poderia acabar com essa certeza.
Edward se levantou e puxou Bella para seus braços. Ela se sentiu segura, como sempre, e sabia que ali era eu lugar, o lugar certo. Viesse o que fosse, nada e nem ninguém iria fazer com que o amor verdadeiro que os dois sentiam um pelo outro acabasse.
Se afastaram um pouco e fitaram os olhos molhados um do outro. Edward segurou o rosto de Bella entre suas mãos e aproximou seus lábios.
– Eu te amo — sussurrou antes de beijar os doces lábios da mulher que ele amava. Era um selinho carinho e sem malícia. Se afastaram novamente, pois Edward começou a se ajoelhar aos pés de Bella. — e eu te amo, bebe — ele beijou a barriga de Bella, que sorriu emocionada.
Antes que pudessem trocar as juras de amor que todo casal troca, a porta foi aberta num rompante e o outro gêmeo entrou por ela com dois policias e o delegado, assustando o casal.
– Aqui esta, senhor delegado! Veja com seus próprios olhos como esse cretino engana a minha esposa se passando por mim! — Anthony falou.
Bella e Edward olhavam confusos para os homens recém chegados, mas de repente, como num click, Edward sabia.
– Edward Cullen, você está preso por falsidade ideológica! — o delegado disse — tem o direito de ficar calado! Qualquer coisa que disser pode ser usado contra o senhor.
Edward e Bella ainda estavam parados, estáticos, olhando para o que estava acontecendo. Só despertaram quando os dois policiais brutamonte foram para cima de Edward e o viraram para por-lhe as algemas.
– O que ? — Bella disse, começando a se desesperar — vocês não podem fazer isso!
– Amor, acalme-se — Anthony disse e segurou o braço da esposa que ia em direção ao amado.
– Me solte! — puxou o braço com forte e o olhou furiosa — O que você pensa que esta fazendo, Anthony ? Que mentira contou desta vez!? Delegado, isso é mentira! Edward é inocente! — ela berrou.
– Ele não usurpou o lugar do irmão ? — o delegado desdenhou — Não ?
Bella olhou para Edward e viu em seus olhos um pedido mudo de silencio. Ele não falaria nada ? Pensou.
– Delegado — ele disse — pode me levar, mas antes eu queria falar com...meu irmão — ele olhou pro sujeito tão parecido fisicamente com ele.
Os policiais ainda seguravam um Edward preso. Bella estava começando a se desesperar quando Edward chegou perto da face idêntica de Anthony e sussurrou
– Eu vou preso, irmão, mas você quem irá pagar por tudo de ruim que você fez. Se encostar um dedo em Isabella, eu m..
– Edward! Não! — ela berrou antes que Edward pudesse dizer a palavra "mato" e piorar a situação. Ela chorava. Edward a olhou e doeu, como milhares de facas entrando em seu peito, ver Isabella derramando mais lágrimas.
Ela foi até ele, desesperava, mais Anthony a puxou para si. Ela se debatia
– Me solte! Me solta! Você não pode fazer isso, Anthony! Não!
Edward se segurou para não voar em cima do irmão. Não tinha nada o que ele pudesse fazer. Sabia, talvez até pressentia, que Anthony faria isso. Ele não estava com medo e não estava fugindo como fez da primeira vez. Ele iria enfrentar isso de cabeça erguida e provar a todos que sim, ele era inocente. Doía ver o desespero de Bella, doía ver que quando eles finalmente tinham se entendido, Anthony aparecia para entragar tudo novamente. Porém, e o irmão pensava que Edward não tinha cartas na manga, estava muito enganado.
Edward virou-se para os policias e disse
– Vamos.
Antes de sair pela porta do local familiar, Edward olhou para a mulher que carregava eu filho e disse sem som
– Eu te amo.
Anthony sorriu ao ver o irmão saindo algemado da casa e quando pensou já ser seguro, bateu a porta fortemente e virou-se para sua esposa, que chorava.
– Pare de palhaçada, sua vagabunda! Ele esta tendo o que merece! — gritou.
– Seu nojenta, imbecil, porco! Eu tenho nojo de você, Anthony! nojo! — ela gritou, tentando inutilmente estapear o homem, que agora segurava seus pulsos.
Anthony ria do desespero dela e a puxou com violência até o quarto onde dormiam.
– Ele esta tendo o que merece, Isabella, e agora você terá que arcar com as consequências de não ter mantido — ele agarrou o rosto de Bella, apertando-o e fazendo com que ela o olhasse enquanto as lágrimas caiam — essa merda que você tem entre as pernas longe dele.
Bella cuspiu na cara de Anthony e o encarou furiosa. Ele fechou os olhos e nada disse. Abriu a porta do quarto e jogou a mulher lá dentro em cerimônias, fechando a porta em seguida e trancando-a lá dentro. Limpou o rosto com a mão e sorriu. Finalmente iria se livrar daquele ser, não tinha como Edward sair livre das acusações e se precisava expor o "roubo" na CE, bom, ele iria expor. Anthony não tinha pena, tinha raiva. Era para Edward ter seguido com o plano, mas não, ele se aventurou na esposa do irmão e fez uma maldita criança nela. Ele pagaria. Tanya pagaria. Todos aqueles que o fizeram "mal" pagariam.
Horas depois, Anthony se dirigia a casa da família Cullen com o intuito de fazer o papel de " bom moço ". Assim que chegou na casa, sabia que todos os familiares já deveriam saber da prisão de Edward. Subiu as escadas depressa e nem precisou bater na porta, pois esta acabara de ser aberta por sua mãe.
– Mãe...- exclamou ao ver o rosto de sua mãe, que agora estava banhado em lágrimas.
– O que você fez, Anthony ? — ela disse.
Anthony franziu o cenho e entrou na casa, virando-se em seguida para a mãe.
– Mãe, vocês já sabem ? — se fez de desentendido.
– O que ? Que você obrigou seu irmão a se passar por você e agora o denunciou ? Sim, eu sei! Onde é que eu errei com você, menino ?
Essa não era sua mãe! Era uma mulher cheia de amarguras e que o olhava com uma mistura de dor, pena e raiva. Tudo o que ele fez foi para ter a atenção dela, para ganhar o carinho dela, para ser um bom filho para ela, para ser o melhor filho para ela e agora ela o julgava ?
– Eu ? Edward me ameaçou, mãe! Me obrigou a aceitar a troca! — exclamou.
– Cale esse boca, Anthony! Pare de mentir para sua mãe! — berrou e foi nesse momento que Carlisle entrou na sala e colocou suas mãos no ombro da esposa. Fitou o filho querido. — Sei muito bem do que você é capaz! Você obrigou seu irmão a se passar por você para que pudesse vadiar! E agora, como Edward conquistou sua esposa e você esta com seu maldito ego ferido, você o denunciou! Como pode ? Ele é seu irmão! — ela se aproximou do filho, mas para que não fizesse algo que pudesse se arrepender, Carlisle a puxou de volta.
– Mãe! Como...- Anthony estava com raiva agora, mas não poderia explodir com a mãe. — Eu sou inocente ! Edward não é o santo que você pensa que é, mãe! Ele ameaçou me matar se eu não deixasse que ele aproveitasse da minha felicidade! Ele não é o filho bondoso que a senhora idolatra! Ele se aproveitou da minha esposa e da minha empresa! Ele vai pagar, ele vai passar o resto da vida dele na prisão e a senhora vai ter de aceitar isso, quer queira ou não!!
Fale com o autor