Duas faces da mesma moeda
32 Capítulo 28
Notas iniciais
Edward encarou o pai por uns minutos decidindo se daria essa chance para ele. Seu coração dizia que ele deveria ouvir Carlisle e sua mente gritava para que ele não o fizesse, que desse a mão a Bella e saísse daquele lugar cheio de mentiras. A muito tempo a família Cullen de fato não era uma família, ela tinha se quebrado anos atrás. Ele não culpava Anthony por isso, mas sim o próprio pai, que nunca soube construir uma família sobre laços fortes . Contrariando sua mente, Edward assentiu e acompanhou Carlisle até a sala que a pouco tinha sido ocupada por Anthony.
Esme, Alice, Bella e Jasper assistiram a cena calados, porém cheios de pensamentos. Bella entendia tudo o que tinha acontecido, tudo o que levou aquela família ao desfecho trágico, mas Esme, a mãe a qual os gêmeos amavam incondicionalmente, bom, ela não entendia. Alice e Jasper não sabiam o que dizer, Alice por saber que um dia isso tudo iria acontecer e que ela não poderia fazer nada para impedir e Jasper por ver a tristeza no olhar de sua amada e não saber como consola-la, como apagar dos olhos da caçula da família Cullen a cena de sua família se quebrando,mais uma vez.
Carlisle estava nervoso, ele queria socar a si mesmo por anos atrás ter expulsado Edward sem procurar saber se, de fato, tudo aquilo era verdade. Não sabia como começar uma conversa dessas pois nunca pedia desculpas, seu orgulho era maior, e muitas vezes as pessoas o olhavam como um homem frio e calculista, e elas tinham razão, ele pensou. Ele nunca soube equilibrar o trabalho com a família, sempre preferiu ficar mais tempo na empresa do que em uma das reuniões de família que Esme preparava, sempre achou mais fácil culpar Anthony por algo, porque ele justamente era aquele que mais se opunha à ele.
Ouviu o suspirar de Edward e olhou para o filho.
– Edward, eu...
– Olha, eu não quero desculpas. — Edward começou — Não quero abraços, não quero palavras vazias, quero que o senhor perceba o que acabou de fazer...- ele balançou a cabeça negativamente.
– O que eu acabei de fazer ? — Carlisle não entendia a onde Edward queria chegar.
– Sim. Acabou de fazer a mesma coisa que fez comigo, acabou de dizer com as mesmas palavras o que me disse a 5 anos atrás. Não percebe que cometeu o mesmo maldito errado que cometeu comigo ? Você não me deu chances de mostrar que eu era inocente, e acabou de não dar uma chance para o meu irmão para que ele se redimisse e..
– Ele não tem jeito, sempre vai assim! Ele destruiu a sua vida e você ainda está com pena dele ?
– Diferente de você, eu me importo com a família, eu AINDA me importo. Sei que o Anthony é uma pessoa terrível, que fez coisas terríveis e,só Deus sabe, o quanto me fez sofrer, mas ele precisa de ajuda. O senhor não vê ? Não entendeu as palavras dele ? A culpa dele ser assim é nossa, pai — Edward sentiu uma lágrima descer por seu rosto. — Tenho tanta pena dele, a máscara caiu e só restou um homem amargurado...que sofre por achar que não é amado pela família dele. Eu não entendo porque eu sou motivo de orgulho de vocês, sendo que ...Deus, eu nunca quis seguir o seus passos, sempre ...fugia para a aula de piano, sempre quis me afastar, me rebelar, seguir os meus próprios sonhos e não os seus! E o Anthony seguiu os seus, ele estudou, se esforçou para que o senhor o nomeasse e eu sabia que não faria isso, que iria me nomear e foi onde tudo aconteceu. Se meu irmão acha que me odeia a culpa é sua, Carlisle. Você acabou com a ligação que normalmente — Edward fungou e andou pela sala, um tanto transtornado — os gêmeos tem — riu brevemente. Não quero suas desculpas, pai. Vamos esquecer e tentar colocar essa família nos eixos novamente. — ele olhou para Carlisle — só peço isso.
Eles se encararam e diante do silêncio e do olhar do patriarca da família, Edward já tinha a resposta.
Naquela Noite, no Apto de Jasper...
Alice suspirou relembrando da cena que fez com que ela lembrasse daquela que aconteceu anos atrás. Só que desta vez foi diferente, Anthony era realmente culpado por tudo o que tinha acontecido. Doía no fundo de seu coração saber o quão longe o irmão chegou, o quão longe ele foi para destruir o outro...seu próprio irmão...
Ela não sabia direito o que pensar, claro, tinha raiva de Anthony e queria que ele pagasse por tudo o que ele fez, de alguma forma, mas não desejava para ele toda a infelicidade que o pai desejou.
As pessoas podem mudar, certo ? O tempo é a chance que todos nós precisamos para mudar, ele pode curar, pode transformar e quanto mais tempo, melhor. Algumas pessoas não mudam, isso é fato, mas no fundo de seu coração doce, Alice tinha uma pequena esperança de que o irmão poderia sim mudar, poderia se tornar uma pessoa melhor, não era o fim para ele..
A única coisa que ela não sabia é se poderiam ser uma família novamente, ou se algum dia tinham sido uma...
– Aqui — Jasper voltou da cozinha com um chá e entregou nas mãos de Alice.
– Obrigada. — ela sorriu e voltou a fitar o nada, imersa.
Jasper sentou ao lado da moça e a observou. Ele sentia em sua própria pele que a jovem estava remoendo tudo de novo, todo o sofrimento de anos atrás e o de agora. Voltou a querer ter o poder de tirar a tristeza no olhar dela e fazer com que Alice voltasse a ser aquela mulher extrovertida ...
– O que você acha que vai acontecer agora ? — ele perguntou.
– Eu ... realmente não sei, Jazz — ela suspirou, voltando seu olhar para ele — eu não sei o que pensar direito. Não consigo acreditar, sabe ? — franziu o cenho — que isso tenha acontecido com a minha família. Não somos um exemplo, mas eu achei que éramos realmente uma família e que essa rixa entre o Anthony e o Edward tinha passado a muito tempo atrás e de repente descobrir que ele incriminou o Edward...duas vezes...
– Eu sei, amor, eu sei. — ele procurou a mão da amada e entrelaçou seus dedos.
– Eu vi a dor, Jasper. — ela fechou os olhos — vi a dor nos olhos da minha mãe, vi a dor nos olhos do Edward e do Anthony...eu simplesmente não queria que fosse assi..m. — sua voz falhou na ultima palavra — queria que fossemos uma família normal e que meus irmãos se amassem — soluçou a jovem.
– Vem cá — Jasper a puxou para seu peito e acariciou os cabelos da mulher — tudo vai ficar bem, mesmo que demore pouco ou muito tempo, tudo vai ficar bem. Nada é por acaso, Alice. Tudo nessa vida tem um propósito de acontecer, tudo tem um motivo, um significado...Talvez isso foi uma prova que todos vocês devessem passar,e daqui para a frente iremos ver os resultados dela...- ele suspirou — não se preocupe, amor, eu estarei sempre com você.
– Obrigada ...
– De nada. — ele sorriu. — Eu amo você.
Dois dias depois..
Edward dirigia o carro de Bella em direção a clínica onde a jovem teria uma consulta. Nada havia sido dito desde a saída da casa dos pais do homem, e Bella já estava um tanto curiosa.
– Edward... — começou.
– Sim ? — ele desviou seu olhar da estrada por segundos para olhar a moça.
– Como foi a sua conversa com seu pai ? — perguntou finalmente.
Edward pensou antes de responder, relembrando o momento.
– Eu me senti leve, como se tudo o que eu realmente quisesse falar e deveria ter falado a anos atrás, tivesse sido finalmente retirado das minhas costas. — suspirou — ele errou, Bella, errou novamente.
– Com o Anthony, eu sei.. — ela olhou pela janela, observando as figuradas das pessoas que andavam pela calçada. — Eu vi a dor nos olhos dele, vi todo o sofrimento que ele guardava sobre a raiva, a ironia...
Edward assentiu.
– Minha mãe está sofrendo tanto com isso. Como um deja-vu...ela me viu sendo expulso e agora viu o Anthony... Você ainda tem sentimentos por ele, digo, não ...amor, ah... afinal, ele foi seu marido e ...você? — Edward perguntou, se arrependendo em seguida. Se sentindo um tanto idiota
Bella riu da confusão do amado.
– Eu casei com ele porque o amava, Edward, mas no momento que você apareceu...mesmo eu não sabendo que era você, eu deixei de ama-lo. O que eu sinto pelo Anthony é pena — ela balançou a cabeça negativamente — tanta pena... eu queria que ele mudasse, porque no fundo eu sei que ele não é uma pessoa ruim, não é ? Ele errou muito comigo, com você principalmente, mas ele pode mudar. Não é como seu pai disse, que ele não merece a felicidade. Todos merecemos e ele principalmente, pois ele precisa tanto dela... Eu o odiei por ter me machucado, me enganado, me traído, mas eu ... não consigo desejar todo aquele ódio que seu pai desejou para ele...simplesmente não consigo.
– Você é a pessoa mais incrível que eu conheço, amor — Edward pegou a mão de Bella e entrelaçou seus dedos — e eu quero me casar com você. — sorriu olhando a moça.
– Sobre isso...- Bella riu
– O que ?
– Já dei entrada no papel de divórcio e assim que seu irmão assinar...- ela sorriu novamente.
– Você será a senhora Cullen... — completou Edward. — Espera, você é, já foi..ah..isso é confuso.
– Sim! — ela disse e os dois riram. — Mas eu serei a sua senhora Cullen...
– Para sempre. — ele disse.
– Para sempre. — ela sorriu.
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– Senhora Cullen, pode trocar de roupa e deitar-se enquanto eu preparo o equipamento.- A médica baixinha e de adoraveis cachinhos brancos falou sorrindo.
Bella assentiu e foi se trocar. Edward estava um tanto nervosa e a médica notou isso.
– Pai de primeira viajem ? — perguntou a senhora enquanto mexia no equipamento.
– Sim. — riu
– Imaginei. — ela sorriu — então, o que o senhor prefere ? Menino ou menina ?
– Vou ficar feliz das duas formas — respondeu o Cullen .
– Assim que eu gosto — A médica comentou rindo.
Bella deitou-se na maca e Edward se aproximou segurando a mão da amada.
– Você tá gelado, Edward — Bella comentou rindo.
– Imagine quando nascer — Dra Volpato falou.
– Acho que ele desmaia — brincou Bella enquanto a médica passava o gel em sua barriga.
– É muito legal você brincando com a minha cara — Edward apertou o nariz de Bella, que riu assentindo.
– Ok, papai e mamãe, vamos dar uma olhada nessa benção.- Dra Volpato começou a passar o aparelho na barriga de Isabella e sons começaram a preencher o sala.
Edward apertou a mão de Bella quando reconheceu os sons que preenchiam a sala.
– Ahh aqui está — Dra Volpato disse — Mamãe, papai, dêem um olá para...
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