Duas faces
4 Desencontros...
Notas iniciais
— Está noite vamos atrás do Anjo Negro! Agente Tompshon — o Delegado deu um olhar de reprovação para Ste, ela só balançou a cabeça — e você também, Agente ...?
— Miller, Senhor. Carter Miller. — respondi.
— Certo. Agente Miller e Tompshon, me acompanhem. Iremos atrás daquele maldito. Ste se levantou, olhou para mim e sussurou "anda logo!". Me levantei e me manti atrás dela.
— Todos os acompanhantes do caso, comigo — disse o Delegado saindo da sala de reuniões.
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A casa era branca, com detalhes beges e um caminho de pedra branca, que nos guiava até a porta. Havia também coqueiros e palmeiras. Para mim a casa é elegante. Mas as luzes vermelhas e azuis estragavam isso, elas deixam o clima tenso.
— Peguei o relatório dos guardas locais, vamos adentrar a casa. — falou o Delegado. — armas na mão, pessoal.
Ste estava bem do meu lado, puxando o gatilho da arma.
— Hey? — chamei.
— Oi querido. — respondeu.
— Por que eu estou aqui? Esse caso não é seu?
— Então... — falou olhando nos meus olhos. — eu acho que eu não conseguiria resolver esse caso sem a sua ajuda. Mas... Cara, ta muito legal! Esse clima... E nem sabemos o que nos aguarda dentro da casa! O Anjo negro pode estar lá!
— Porra Stephanie... — sussurrei. — admiro seu espirito aventureiro. Mas estou me sentindo um intruso aqui.
—Senhores! — Exclamou o Delegado — Sinto muito mas o Anjo Negro escapou. Aquele... — um grito agudo interrompeu, enchendo nossas orelhas de agonia. — O quê foi isso?!
— Veio da casa! — disse um policial.
— Vocês não vasculharam lá dentro?! — Perguntou o Delegado, tendo sussurros de 'não' em resposta. Corremos até a porta, que estava fechada.
— Pessoal, preciso de uma perna forte aqui. — pediu Ben, um policial de uns 50 anos. — sinto que não posso mais fazer esse tipo de atividade...
— Vai lá Carter — disse Ste me empurrando. Caminhei até a porta. Vamos lá... Reuni força na minha perna direita, preparado pra chutar.
—Um, dois, três e já! — sussurrei. BUM!
— Ora Agente Miller... — o Ben começou a gargalhar. Meu Deus, como eu estou sedentário. Um, dois, três e... BUM!
— Agora sim, Querido. Achei que eu teria que fazer isso. — disse Ste dando risada. Forcei um sorriso. Adentramos a casa, a sala estava com uma trilha de desorganização. Continuamos andando, com a arma na mão.
— A sala ta limpa! — afirmei. Olhei para o lado direito e vi um corredor .
— Anggg! — outro grito. O policial que estava na minha frente apressou o passo, e abriu a porta do quarto. Lá estava um corpo inconsciente no chão, e uma moça em crise no canto da parede. O homem foi atacado com uma faca, que conseguiu atingir sua perna, e o Anjo Negro a deixou fincada em sua batata. A garota foi tentar ajudar, e retirou de lá, fazendo que ele perdesse muito sangue.
As ambulâncias chegaram, retiraram o corpo, e foram fazer testes psicológicos antes da menina ser liberada para o interrogatório, ela parecia fisicamente bem.
— Eu quero ver a minha filha! Cadê o meu marido?! — berrava uma voz feminina na sala. Era a mulher das vítimas, que estava trabalhando na hora do crime. Ela estava acompanhada, pelo que parece, uma amiga.
— Fique calma, seu marido está no hospital recebendo ajuda, e sua filha já vai ser liberada. -Eu disse. A acompanhante, que estava de costas virou quando eu falei, e nossos olhos se encontraram.
— Carter?
— Mackenzie?
Não é possível...
— Quem é essa com a Senhora? — se intrometeu o Delegado, perguntando para a Mulher das vítimas.
— Ela se chama Mackenzie Walker, é minha aluna na faculdade, e minha amiga também. Eu quero saber da minha filha. Cadê a Julie?!E o quê houve com o Shane??
— Ben! Explique para ela, enquanto Thompson termina o interrogatório — falou o Delegado.
Mas que coincidência incrivel. Ela está aqui... Caraca! Eu fiquei de ligar pra ela... De qualquer forma vou conversar com ela. Eu espero.
A casa está sendo revistada, quando Julie passa correndo indo abraçar a mãe. O abraço foi longo, e a menina está desesperada.
—Querido! — É a Ste. Só ela me chama de "querido". Ela veio caminhando até mim. A enteada de Shane, Julie, tinha começado a chorar, e puxava a mãe de um lado pro outro.
—"Querido"? — perguntou Mackenzie. Olhei para ela, parece incomodada.
— Meu Deus me chamou de querido na frente da paquera — sussurrei pra Ste.
— Desculpe — ela está segurando o riso — Mas é capaz de eu dar encima dela, não de você. Esqueceu que meu negócio é outro...
— Não! — quase gritei, antes de ela me contar. Eu e a Ste já demos encima da mesma garota. Ela é homossexual.
No canto do olho, pude ver Ben tentando consolar a ...caralho esqueci o nome dela... Julie!
— Ele vai ficar bem, seja forte como a sua mãe... Ér... — Ele começou a gaguejar — t-tem caquinha saindo do seu nariz...
— Porra! Meu padrasto foi atingido por uma faca e você fala da minha meleca?! — respondeu Julie, agora furiosa.
— Só para de chorar, ele foi levado pro hospital.
A doida Loira do meu lado, vulgo Stefanie, me cutucou.
— A menina não viu quem atirou a faca no Shane.
— Alguém mais estava aqui? — perguntei. Estranho ninguém ter visto o Anjo negro. Mas... Ste, como vocês sabem que foi o Anjo negro que invadiu aqui? Eu não vi nenhuma fita preta amarrada na vitima.
— Os policiais que estavam aqui acharam uma sacola cheia de fitas pretas na frente da casa. Depois de tantos assassinatos com fitas pretas, achar uma sacola com varias delas é...
— Obvio. — completei. Olhei em volta. Julie e a mãe estavam sentadas no sofá, conversando com o Ben. Dois policiais estavam tirando foto, da trilha de sangue, da sala desorganizada, da casa inteira. A Mackenzie estava em pé do lado da janela, virada de costas para mim. O seu cabelo estava solto, e bem arrumado. Algo me diz que ela e perfeccionista...
Fui na direcão dela, decidido a conversar sobre algo. É a minha oportunidade...
— Carter. — ela se virou antes de eu chamar ela.
— Como você me viu?
— Janela? — comentou com um sorriso irônico.
— Ah, verdade. — sorri sem graca. Janela, reflexo.
Ela encostou a cabeca na parede e ficou me encarando.
— Ér... que coincidência. Nos encontramos de novo... — falei tentando puxar assunto.
— Sim — respondeu. — muita. Você não deveria estar com os outros? — ela perguntou olhando para o Delegado e a Ste, que estavam reunidos com mais alguns policiais.
— Eu não faço parte desse caso, só servi pra arrombar a porta. — na segunda tentativa ainda, mas posso deixar isso em OFF.
— Entendi. — disse dando risada. — fiquei esperando sua ligacão, "Querido".
— Me desculpe. Teve uma reunião e... eu ia te ligar. Sério.
— Sem problemas, Carter.
— Como é o nome da mãe da Julie? — perguntei. Elas ainda estavam sentadas no sofa. Ainda bem que a menina tinha parado de chorar.
— Di. — respondeu.
Um silêncio constrangedor dominou o ambiente.
— Ela é uma das minhas professoras na faculdade. — disse Mackenzie.
— Ah, o veneno para ratos...
— Sim. Eu venho com frequência aqui, e tem alguns ratos bem chatos...
— Mack! — chamou Di. Ela e a filha estavam em pé. — eu e a Ju vamos no hospital ver o Shane... Você pode ficar aqui ate os policiais irem embora?
— Posso sim, Di. Ele precisa de você agora. — respondeu "Mack" indo ate ela. — quer que eu feche a casa e entrego as chaves pra você amanhã?
— Perfeito Mack, obrigada! — ela a abracou, e depois saiu da casa com a filha.
— ér... você quer companhia? — perguntei, sentindo meu rosto esquentar.
— Se você quiser ficar ate mais tarde na casa onde aconteceu tudo isso, sim. — respondeu sorrindo. Um belo sorriso, de preferência.
E eu parecendo um ogro. Isso e péssimo.
— Incrível. — comentou Mackenzie do nada.
— O que?
— O Anjo negro. — Ele simplesmente entrou aqui e... atirou uma faca no Shane. E o pior... a Ju estava aqui e deve ter visto tudo. Ela ainda tirou a faca... essa menina não tem noção nenhuma de medicina.
— Médicos. — falei revirando o olho.
Ela sorriu em resposta, e deu uma leve corada.
— Eu posso olhar aonde foi a cena do crime? — perguntou com um certo charme.
Huuum... Hoje tem!!!
Brincadeira, calma ai Carter. Respira. Um, dois.
— Você já esta nela. — falei. — mas achamos o Shane e a menina no quarto. — ela comecou a andar em direção ao quarto. — mas a Senhorita não pode ir sozinha. Tem que ter acompanhamento policial. E o unico disponível... — olhei em volta, todos estavam ocupados. Ainda bem! — parece que sou eu.
Ela gargalhou.
— Tudo bem policial.
Entramos no quarto. A poça de sangue ainda estava meio umida.
— É realmente incrível. Como um humano faz coisas desses tipos... — comentei.
— Ainda ha monstros por ai, Carter. — ela olhou nos meus olhos. — só não estão mais embaixo das nossas camas.
Um barulho de sirene invadiu minhas orelhas, e a casa inteira. Corri para a sala. Olhei para trás, a Mackenzie parecia estar boiando.
Me virei para eles. Vários policiais (que eu não conheço) entraram na casa, inclusive ele.
— Pai?
— Ingrato.
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