Duas Pestinhas em Minha Vida
6 Arrested
Notas iniciais
Tudo estava acontecendo rápido demais para meu raciocínio acompanhar. Meu pai estava sendo preso por assassinato? Como assim? Está certo que aquela mulher vinha causando uma série de problemas para ele, mas jamais mataria uma pessoa! E por que meu pai não demonstrava reação alguma?!
– Esperem! – gritei, chamando a atenção de todos. – Deve haver algum engano, meu pai jamais faria isso!
Gildarts e Igneel se entreolharam e suspiraram, então olharam para a mulher que assentiu em resposta.
– Senhor Jude, mostre suas mãos.
Eu não entendi o que queriam com isso, mas meu pai mostrou as mãos sem contestar, ainda em choque pelo que estava acontecendo, revelando uma cicatriz sutil na mão direita. Um vinco surgiu na testa dos três investigadores.
– Como foi que conseguiu esse corte, Jude? – Igneel perguntou encarando-o diretamente nos olhos, ainda em posição.
– E-Eu não sei. – respondeu. – Fui reparar nela quando senti minha mão arder quando lavei meu rosto hoje de manhã.
A mulher se aproximou e algemou Jude logo em seguida o encaminhando para a porta, Igneel e Gildarts começaram a segui-la. Imediatamente corri até Gildarts e segurei seu braço.
– Por favor, Gildarts, o que está acontecendo? — perguntei com os olhos começando a aguar.
Gildarts virou para Igneel dizendo para eles irem na frente e me conduziu até o sofá, onde segurou firmemente minhas mãos e me olhou nos olhos. Analisei melhor seu rosto e vi pequenas olheiras abaixo de seus olhos, denunciando seu verdadeiro estado. Por trás de toda sua postura profissional, era possível ver no olhar de Gildarts o quanto ele estava perturbado com isso também.
– Seu pai está sendo levado em custódia, faremos um interrogatório, mas ele ficará detido até que cheguemos a uma conclusão mais sólida.
– Espera, estão prendendo meu pai por algo que nem está confirmado ainda?!
– A situação dele é complicada, Lucy. O corpo de Daphne foi encontrado em uma área militar, não muito longe daqui hoje cedo. Os primeiros resultados das análises das evidências saíram a algumas horas e todas apontaram seu pai. Precisamos descobrir o que aconteceu exatamente, mas pelo que parece, seu pai está diretamente ligado ao caso. Você comentou comigo outro dia que estava preocupada com seu pai, que ele estava agindo estranho ultimamente. Isso teria alguma relação com esse caso? — seu tom era bastante preocupado e ele apertou minhas mãos com mais firmeza do que antes.
Demorei alguns segundos para processar a informação e então a ficha finalmente caiu. Toda a adrenalina e a tensão do momento tinham me deixado anestesiada até agora, e finalmente o efeito anestésico passou e agora me sentia completamente sem chão. Precisei me apoiar em Gildarts para que eu não desabasse no sofá e então respirei fundo, só então percebendo que eu estava sem respirar.
– Ele... Estava chegando tarde todos os dias, com dores de cabeça e vez ou outra amaldiçoando Daphne, dizendo que precisava resolver logo o problema.
– Isso é ruim, Lucy, isso é muito ruim. – Ele suspirou alto e começou a bagunçar seus cabelos num sinal claro de perturbação. – Tem mais alguma coisa que queira me contar?
Eu não queria mesmo acreditar no que estava acontecendo, mas as peças se encaixavam. Meu pai chegando bêbado em casa de madrugada sem se lembrar de nada, o corpo de Daphne sendo encontrado horas depois, ele estar alegre por ela não ter dado sinal de vida, e ela vinha desestabilizando ele tanto, nunca havia visto meu pai ficar desta maneira por conta de uma pessoa, e agora Gildarts dizendo que as evidências apontavam para ele. Isso não podia ser verdade, mas eu não conseguia enxergar as coisas de outro modo. Meu pai matou Daphne Blake. Minhas mãos começaram a tremer.
– Ele chegou bêbado em casa essa madrugada, não se lembrava de nada.
Gildarts suspirou alto novamente e jogou o corpo para trás, levando as mãos no rosto. Depois de alguns segundos respirando fundo, Gildarts se levantou e me ajudou a levantar também.
– Escute Lucy, sei que é difícil, você vai precisar ser forte agora. É uma situação muito delicada e precisaremos lidar com muita calma, certo? Isso ainda é sigilo total e seria terrível se a notícia se espalhasse, na situação que estamos, o seu pai não teria nenhuma chance, entendeu? Eu quero acreditar que seu pai é inocente e que armaram pra ele, não consigo aceitar que meu amigo de faculdade é um assassino.
Acenei positivamente e fiz uma ótima pergunta antes de deixa-lo ir embora.
– Eu posso falar com Virgo? Sabe, ela vai estranhar o sumiço de meu pai quando vier trabalhar.
– Ela é confiável?
– Sim.
– Pois bem, mas garanta que isso não sairá deste apartamento até que a investigação termine.
Apenas acenei com a cabeça engolindo em seco e o acompanhei até a porta, mas antes de ir, ele se virou e me abraçou depositando um beijo em minha testa.
– Eu sinto muito, Lucy. Ligue pra mim se precisar de alguma coisa, prometo que te manterei informada.
– Obrigada Gildarts. – O abracei com mais força e uma lágrima escapou acidentalmente.
Tudo o que eu queria no momento era ouvir que tudo iria ficar bem, mas eu sabia que isso não iria acontecer.
[...]
– Virgo? É a Lucy. Escuta, será que você poderia vir até aqui hoje, preciso muito de você, eu gostaria que passasse a noite...
– Hime, está tudo bem? O que houve? – O tom de Virgo era quase desesperado do outro lado da linha.
– É algo sério, eu preciso conversar com você pessoalmente, de preferência, não fale com ninguém, ok?
– Certo, estou a caminho.
Sei o valor de cada um dos meus amigos, mas a pessoa que eu mais precisava no momento era Virgo. Ela me acompanha a minha vida inteira e cuidou de mim quando minha mãe morreu, se tornando uma segunda mãe para mim. Ela era a pessoa que mais tinha contato com minha família, logo, a única que poderia me entender no momento.
Dentro de uns vinte minutos, Virgo já estava adentrando no apartamento e me encontrou aos prantos no sofá da sala. Imediatamente correu ao meu encontro e me abraçou, esperando até que eu me acalmasse para que eu finalmente pudesse falar.
Quando contei o que havia acontecido, Virgo teve a mesma reação que eu, mas se recompôs mais rápido do que eu e novamente me abraçou e por uns bons minutos, choramos juntas.
– Virgo, é de extrema importância que você não comente nada com ninguém por enquanto. A investigação ainda está em andamento e as coisas se tornarem públicas agora, meu pai não terá nenhuma chance.
– Está certo Hime.
Virgo preparou um chá para nós duas e ela foi preparar sua cama no quarto de hóspedes. Comecei a imaginar como seria meu dia amanhã enquanto bebericava o chá ainda quente. Eu teria de fazer o possível para agir normalmente, sem que ninguém desconfie que há algo errado. Imaginei se teria de ligar no trabalho de meu pai avisando que ele estava doente para justificar sua ausência, mas decidi que ligaria antes para Gildarts para saber se era uma boa atitude ou não. Teria que mentir para seus amigos também, e enganar Levy ou Erza não seria nada fácil. Suspirei com esse pensamento, achei que finalmente teria deixado minha vida de mentiras para trás, mas pelo visto, aquela Lucy teria de voltar a atuar.
– Hime?
Virgo me acordou de meus pensamentos.
– Acho melhor a senhorita ir dormir, vai ter de estar bem amanhã.
Nem precisei dizer a Virgo que teria de mentir para todos, ela percebeu logo de cara e sabia o quanto isso me incomodaria. Apenas sorri para ela e me dirigi ao meu quarto desejando um boa noite. Como se isso fosse possível.
[...]
Estranhei de imediato quando as pessoas passaram por mim me encarando pelos corredores. Sabia que não tinha dormido direito durante a noite e que minhas olheiras não estavam disfarçadas, mas isso era motivo de chamar tanta atenção? No fundo eu estava com medo de ser o que me atormentou nesta última chance, mas Gildarts me garantiu sigilo, então tentei não pensar nisso e acreditar que todos me olhavam pela minha aparência desleixada. Mas essa imagem se desfez em minha cabeça imediatamente assim que Gray, Juvia e Erza correram em minha direção com expressões espantadas. Algo estava muito errado, e eu temia pelo pior, minhas mãos começaram tremer imediatamente. Assim que meus amigos me alcançaram, as pessoas deixaram de tentar disfarçar e me encaravam diretamente. Erza se jogou em cima de mim em uma braço apertado enquanto Juvia e Gray me olhavam preocupados.
– Vocês sabem? – minha voz saiu em um fio.
– Como é que você está? – Erza me respondeu com outra pergunta me abraçando mais forte ainda. Sim, eles sabiam.
– O que aconteceu, Lucy? – Juvia se aproximou preocupada e assim que Erza deu uma brecha, Juvia me abraçou.
– Desde que o noticiário anunciou hoje de manhã, todos os jornais nacionais só falam disso. – Gray me mostrou uma página de notícias pelo seu celular e novamente me senti sem chão. – E não param de atualizar.
“Uma denúncia anônima informou sobre o assassinato de jovem na noite de ontem. Daphne Blake teve sua garganta cortada e o corpo atirado em uma floresta da base militar de Magnólia. O principal suspeito do assassinato é Jude Heartphilia, chefe de Daphne cujo suspeito não mantinha boas relações. Jude Heartphilia está sob custódia. A agência de Serviço de Investigação Criminal de Fiore, ERA, responsável pela investigação, ainda não se pronunciou sobre o caso.”
Todo o ambiente sumiu a minha volta, era apenas eu presa a um mundo escuro e gelado, sem chão, sozinha. Era exatamente assim como eu me sentia, eu não via ou ouvia nada a minha volta, apenas esta escuridão e sensação de vazio. Isso a tona e logo agora, meu pai não terá chance nenhuma no tribunal e provavelmente passará o resto da vida na cadeia e eu ficarei sozinha. De novo.
Um grito estridente então saiu de minha boca. Foi involuntário. Quando abri os olhos e vi todos olhando para mim, uns olhares preocupados, outros acusatórios, me senti completamente exposta e frágil. Segui então o meu primeiro impulso, que foi fugir e correr para qualquer lugar, sem destino definido. Juvia e Gray tentaram vir atrás de mim, mas Erza os impediu, dizendo que eu precisava ficar sozinha e que falariam comigo quando eu me sentisse segura para isso.
As pessoas abriam caminho para mim pelos corredores, mas sem tirar os olhos de mim em momento algum. Eu odiava ser o centro das atenções, ainda mais por algo negativo, por que as pessoas não podem simplesmente fingir que não viram as notícias ou olhar para outro lado?! Algumas até tentavam me parar, mas desvencilhei rápido, já não contendo as lágrimas, e corri em direção à saída.
Me arrependi imediatamente quando cheguei aos portões. Já haviam vans estacionadas e jornalistas se preparando para uma reportagem e entrar na Universidade. Meu sangue gelou quando me viram e imediatamente virei e tentei correr na direção oposta, mas antes mesmo de conseguir dar um passo, esbarrei em uma pessoa.
– Oe, Lucy! – Ótimo, não era ninguém menos do que Natsu a pessoa que eu havia esbarrado. Ele me olhava espantado, e quando vi sua expressão confusa e assimilei que era ele, e o liguei imediatamente à minha ultima lembrança dele, mais lágrimas brotaram de meus olhos. Ele tentou me segurar quando percebeu que eu ia fugir, mas me desvencilhei facilmente dele e corri para um canto qualquer, longe de câmeras, longe de jornalistas, longe de pessoas, eu só queria ficar sozinha!
Me joguei no banco de uma pracinha que havia no campus, entre um bloco e outro e desatei a chorar. Chorei por uns três minutos e então meu celular começou a tocar. Eu queria ignorar e deixar que tocasse, mas quando vi o nome brilhando na tela, respirei aliviada, era a única pessoa que poderia me ajudar e com quem eu tinha uma mínima vontade de conversar.
– Lucy!
– Gildarts, me ajuda!
– Estamos a caminho da Universidade. Você contou algo pra imprensa?! Ou Virgo?!
– Não, eu não contei nada, e tenho certeza de que Virgo não contou também! Só me tira daqui, Gildarts, por favor!
– Já estou a caminho, me diga onde você está.
– Na pracinha, entre o bloco B e C.
Apenas ouvi um motor acelerando no fundo da ligação e então esta ficou muda. Suspirei em alívio e me permiti me acalmar um pouco. As poucas pessoas que passavam eram mais discretas ou nem me notavam e era melhor assim.
Minha visão estava embaçada pelas lágrimas, mas ao longe pude distinguir uma cabeleira rosada se aproximando e logo me preparei para o interrogatório que hora ou outra eu teria que responder, mas Natsu não chegou a se aproximar, um homem de cabelos azuis impediu sua passagem, pude ver uma discussão entre Natsu e Jellal, mas não ouvia nada. Quando sequei as lágrimas e forcei mais a vista, vi Natsu olhando diretamente para mim preocupado e meu coração falhou uma batida, mas esta visão não durou mais que um segundo, logo uma pessoa se postou a minha frente.
– Você corre bem rápido para alguém usando botas de salto, Lulu. – seu tom era amigável e calmo, diferente de todos que se dirigiram a mim neste dia.
– Dan? – enxuguei novamente uma lágrima que escapara acidentalmente. – O que está fazendo aqui? Não devia estar na aula?
– E me concentrar no que aquele chato fala enquanto via você sofrer daquele jeito? Vem cá. – ele me ofereceu o sorriso mais sincero que já vi e abriu os braços esperando um abraço. De repente me senti muito mal por ter rejeitado ele daquele modo quando ele me ligou, ele era o único que estava realmente conseguindo fazer eu me sentir melhor desde que isso tudo começou. Mesmo com eu sempre evitando qualquer tipo de contato com ele, ele me acolheu e ofereceu um abraço reconfortante em meio a tudo isso. Imediatamente me aconcheguei em seus braços e me permiti relaxar. Seu abraço era quente e acolhedor. Permanecemos assim por um tempo, em silêncio, mas não um silêncio ruim, um silêncio confortável. Nunca havia imaginado que me sentiria assim com Dan em momento algum, mas era exatamente isso que eu precisava no momento. Um abraço carinhoso e compreensível.
[...]
– Lucy! – Gildarts gritou chamando minha atenção.
– Acho melhor você ir pra sala agora, Dan. As coisas vão ficar meio complicadas agora. – Me soltei de seu abraço e me levantei, arrumando meu cabelo e tentando me deixar o mais apresentável possível.
– Se precisar de alguma coisa, você tem meu número agora, não é?
– Obrigada por tudo. – lhe dirigi um sorriso que foi correspondido e então caminhei em direção a Gildarts.
Gildarts não aparentava estar nada bem, seus cabelos estavam levemente desgrenhados e suas olheiras estavam mais profundas agora, provavelmente passara a noite trabalhando no caso. Quando me viu, dirigiu um leve sorriso a mim e esperou que eu o alcançasse.
– Quem é aquele garoto? Namorado novo? – brincou um pouco.
– É um cara da minha sala, acho que pode se tornar um bom amigo.
– Certo. Precisamos ir agora, as coisas estão ficando feias, Igneel está prestes a surtar e se mais algum repórter abordar Bisca, acho que ela irá matar alguém.
– Bisca?
– A mulher que estava conosco ontem. Nossa melhor atiradora de elite.
Quando nos aproximamos dos portões, alguns repórteres correram para cima de nós, mas Gildarts agiu como um guarda-costas e me protegeu da enxurrada de perguntas, me escoltando até o carro. Igneel e Bisca se encontravam nele, pronto para partir e assim seguimos para a sede da ERA.
[...]
As coisas estavam uma loucura por lá, pessoas atendendo ligações o tempo todo, funcionários vidrados nos computadores e pessoas andando para lá e para cá com papéis e pastas em mãos.
– Gildarts! Ainda bem que chegou! – duas garotas de jaleco vieram correndo em nossa direção.
– Kamika! Cosmos! Espero que tenham boas notícias.
– Péssimas, na verdade. – A de cabelos rosa respondeu. – os resultados dos exames de sangue acabaram de sair.
– O sangue encontrado na garrafa pertence à Jude Heartphilia. – a outra completou.
Um grito quase estridente cortou a sala e Igneel adentrou na sala falando ao celular com raiva.
– Estamos no meio de uma investigação, não podemos dar detalhes, nos deixe trabalhar em paz! – Nunca havia visto Igneel possesso como estava, cheguei até a sentir um pouco de medo dele, mas sua expressão suavizou um pouco quando colocou os olhos em mim. – Gildarts, tenho más notícias.
– Fale logo.
– Este caso está dando muita repercussão, querem que Jude vá a julgamento agora. O tribunal está marcado para hoje às 14:00.
– HOJE À TARDE?! FICOU MALUCO? – Gildarts explodiu, assustando a todos. – Estamos no meio de uma investigação, isso não pode ir a julgamento agora! Precisamos de mais tempo.
– E de um boa advogada. – Igneel completou e olhou sugestivamente para Gildarts, que deu um leve sorriso aliviado o captar a mensagem de Igneel.
– Kamika... – Ele iniciou a ordem, mas ela mesma o interrompeu.
– Imaginei que algo assim fosse acontecer e já liguei pra ela, ela está a caminho.
– Quanto tempo?
– Ela deve chegar... Agora.
Imediatamente uma mulher de cabelos azuis atravessou as portas da sala e andou rapidamente até nós. Seu rosto, já conhecido por mim, estava mais sério que o normal.
– Eficiente, como sempre. – Igneel comentou assim que Grandine chegou.
– Não temos tempo a perder, Gildarts, preciso dos detalhes agora. – Grandine foi direta.
– Vou buscar os relatórios. – Cosmos se retirou.
– Vou ver se Silver conseguiu mais alguma coisa. – Kamika foi para a direção contrária.
Enquanto Igneel e Gildarts imprimiam alguns arquivos e faziam perguntas para outros funcionários, Grandine então se dirigiu a mim. Seu olhar era gentil, mas bastante preocupado, era óbvio que teria um caso difícil pela frente.
– Lucy, preciso falar com você. – Ela me puxou até um canto do escritório, de frente para a janela panorâmica. – Sei que está sendo difícil e que as coisas vão complicar ainda mais daqui pra frente – Ela começou, então colocou a mão em meu ombro e se aproximou mais de mim. – Eu não acredito que Jude seja capaz de cometer um assassinato.
– Mas todos os indícios indicam que foi ele...
– Sim, mas conheço Jude. Ele sabe que tem problemas com bebida, e não bebe a não ser que esteja com uma depressão profunda ou que tenha sido induzido a beber. Sei que as coisas estavam complicadas para ele no trabalho, mas ele não estava em depressão.
– Então você acha que...
– ...Armaram pra ele.
Levei alguns segundos para absorver isso. Havia uma chance então! Meu peito começou a se encher de esperança e contive por pouco o impulso de abraçar Grandine, mas não contive o sorriso esperançoso.
– Lucy, eu prometo pra você que vou dar o melhor de mim neste caso e que vou ajudar seu pai, mas eu queria te pedir uma coisa antes...
– Pode dizer. – Eu faria tudo o que Grandine quisesse!
– Se eu conseguir me sair bem no tribunal hoje, além de conseguir adiar o julgamento, posso conseguir uma fiança, mas duvido que o valor será baixo... – imediatamente comecei a me desanimar com a informação. Ainda estávamos pagando uma dívida, com certeza eu não teria dinheiro para pagar uma fiança. – Eu sei que a situação financeira de vocês ficará complicada, portanto, quero te ajudar. Eu te conheço e sei que não vai aceitar meu dinheiro de graça, portanto, quero te pedir algo.
Engoli em seco esperando sua proposta.
– Quero que tome conta de Mavis e Wendy enquanto eu me dedico a este caso.
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