Notas iniciais
Olha só! Esse é novo uhuul Dessa vez vai pra frente. =3

Sinceramente, não é muito agradável quando sua mãe chega em casa e te vê sentada no lago matando pessoas, mas ela releva depois.

—Annie, o que você está fazendo? – ela disse calma, como se eu simplesmente estivesse pescando no lago congelado.

Toda a magia se desfez quando nossos olhos se cruzaram, num ato de maior magia. Magia materna.

—Eu não sei mãe... – Eu comecei a chorar, pela segunda vez hoje eu me senti envergonhada, simplesmente por coexistir com aquelas pessoas.

Meus joelhos tocaram o chão, e a neve ao redor deles derreteu, e em seguida evaporou, deixando belos desenhos de vapor no ar. A coroa descongelou. A água dissolvida escorrendo aos poucos em meu rosto, se juntando as lágrimas mornas que ainda escorriam incessantemente.

Minha mãe se aproximou, trazendo junto de si a sacola que ela trouxe da padaria.

—Acho melhor ligar para seu pai... – Ela disse, mais para si mesma do que para mim. E se ajoelhando junto a mim, começou a murmurar uma canção no meu ouvido, a mesma que ela sempre cantava quando eu era pequena e tinha pesadelos estranhos:

Não se preocupe, foi só um pesadelo...

Não tenha medo, não tenha medo,

Tudo que estiver te assustando mamãe vai fazer desaparecer num estalar de dedos

Sim, eu sei, é bem tosco, mas era o que conseguia me acalmar quando eu era mais nova. Aquelas canções de ninar clássicas só me faziam gritar ainda mais. Então, minha mãe teve que se virar.

Eu acabei me acalmando um pouco, mas continuei em silêncio.

—Annie, eu acho que o pão ainda está comível... Você parece bem faminta.

Assenti com a cabeça, eu olhava para as pessoas caídas no meu jardim e não sentia pesar por mata-las, mas sim, curiosidade sobre como fiz isso. A sensação de poder me voltava a cabeça frequentemente, e eu estava com um pouco de medo disso me possuir.

Pode ser que eles nem estejam mortos, mas sim congelados, para sempre nesse casulo de gelo. Que seja.

Eu me levantei. A ideia de que eles estavam apenas congelados foi reconfortante. Não pra eles, pra mim.

Minha mãe me pegou pela mão e nós caminhamos juntas até a porta dos fundos, eu sei que ela estava se segurando para não se desesperar quando lembrava que tinha pessoas mortas ao redor do lago, então tentei não comentar sobre nada, até ela conseguir processar um pouco melhor tudo que aconteceu.

Eu fui para meu quarto, e minha mãe foi em direção à cozinha. Eu mal olhei ao redor, apenas peguei minha toalha e me apressei em direção ao banheiro.

Eu sempre usava a banheira, simplesmente porque é uma banheira, e sempre que eu a via lá, me sentia na obrigação de usar. Mas hoje eu não tive a mínima vontade de sentar e parar pra relaxar, liguei o chuveiro e a água caiu sobre meus cabelos, ensopando-os. Permiti que ele se molhasse, e não esfreguei.

Eles ficavam bonitos na banheira, com uma textura aveludada. Mas no chuveiro simplesmente escorriam pelas minhas costas.

—Um, dois, três indiozinhos... – cantarolei sem nem perceber, e me lembrei dos três indiozinhos no meu jardim, acabei soltando uma risada, pela coincidência.

Eu achava a toalha pequena demais para mim, mas mesmo assim nunca trocava, eu andava pelo corredor com aquele “micro-vestido” há tempos, e acho que ninguém nunca parou para comentar sobre o tanto de coisa que era possível observar enquanto eu estava naquela toalha.

As caixas de som penduradas na parede do meu quarto ainda estavam ligadas, e estavam tocando Thinking Out Loud, do Edinho, mas mudei para Bombs on Monday, da Melanie. “Não é hora para doçura e amorzinho” – pensei.

Essa coisa de música é bem relativa, eu não tenho uma música para ouvir quando estou triste, nem feliz, nem ansiosa, eu simplesmente deixo fluir, e vou mudando de música, dependendo de como está minha relação com o Sr. Reprodução Automática.

Comecei a mexer os quadris, rebolando levemente de acordo com o ritmo da música, deixei a toalha cair, e comecei a contornar minhas curvas com os dedos, continuando a dançar enquanto a voz da Mel invadia meus ouvidos. Fui girando até ficar de frente para a janela. O sol estava lindo, embora meio opaco. Fiquei observando até perceber que eu estava no primeiro andar, e qualquer pessoa que passasse tinha visão panorâmica do meu pequeno ninho de bagunça pessoal.

Catei a toalha do chão e fui até a janela para fecha-la antes que alguém viesse para comentar das gordurinhas acumuladas em lugares não muito favoráveis.

Me virei para fechar a segunda janela, que ficava em outra parede. Tinham muitas janelas no meu quarto, sim. Por que ajudava a iluminar e diminuía a conta de luz.

Arregalei os olhos e caí no chão, soltando um grito psicológico, por que ele não saiu, ficou cada vez mais preso na garganta a medida que eu abria a boca.

O baque da minha bunda batendo no chão fez o sujeito pendurado de ponta cabeça na moldura da minha janela fazer uma daquelas caretas que a gente faz, sentindo a dor alheia.

—Eu não vi nada. – Ele disse, com as mãos cobrindo os olhos, daquela maneira que as crianças fazem quando estão fingindo, deixando os dedos meio abertos. – Nada demais. – E deu um sorriso meio de lado, malicioso.

—QUEM. É. VOCÊ? – Falei pausadamente, entre respirações agitadas e talvez assustadas.

Notas finais
TUTS TUTS QUERO VER
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.