Duas Espadas, Três Palavras

43 Capítulo 43 - Confiança


Notas iniciais
Depois de tanto tempo procrastinando, finalmente um capítulo o/, agora sim a coisa vai começar a esquentar!

~Era noite. Uma pessoa, enquanto dormia, tinha pesadelos. Essa pessoa era Takeshi. Lembranças distantes. Primeiro duas crianças, um garotinho gentil e uma garotinha carinhosa, eram melhores amigos. Depois, os dois já mais velhos. O garotinho, maior, dizendo “Hikaru, eu te amo”. A garotinha, agora grande, dizendo “eu aceito”. A cena mudou então para essa garota, dizendo “Takeshi, eu estou grávida”. Logo é mostrada a criança, bebê, e depois com seus quatro anos. Então é mostrada uma guerra, soldados sendo recrutados. Um soldado em especial é selecionado para liderar as tropas. Chuva. Sangue. O soldado dizendo em seu leito de morte “Takeshi, proteja-os”. Três pessoas fugindo, se refugiando em uma caverna. A criança perguntando “Você gosta da mamãe?”. Esta então morta nos braços de Takeshi. Hikaru dizendo “Como você pôde matar nossa filha?!”. Então, Hikaru, deitada, dizendo “Eu nunca te perdoarei, Takeshi”. Uma mão se fechando completamente. Vários flashes de uma batalha. Chuva. Lágrimas. Sangue. Takeshi então abre os olhos assustado, transpirando muito e com respiração ofegante~

Takeshi: Um pesadelo, huh. Achei que não fosse sensível o bastante para ainda ser afetado. Um pesadelo no qual não tenho medo que aconteça, e sim um que já aconteceu. Lembranças que eu pensei ter deletado. O nome de uma pessoa morta. ~o discurso para si mesmo de Takeshi é interrompido~

Servo: Takeshi-sama, Sanae-sama pede para que o senhor se dirija à sala dela imediatamente. ~o servo então vai embora~

Takeshi: Bom, não preciso mais me preocupar com essas lembranças tolas, não enquanto puder ser útil à Sanae-sama.

~Euphie, Misaki e Kohaku haviam finalmente alcançado as terras onde o mestre Sword vivia, quando eles chegaram à casa na qual treinaram, Sword já os esperava do lado de fora~

Sword: Eu esperava por vocês.

Misaki: Sensei, precisamos de um treino mais rigoroso do que aquele que o senhor nos deu anteriormente.

Euphie: Precisamos ficar mais fortes.

Kohaku: Ao nível dos generais místicos.

Sword: Entendo, eu pensei que este dia chegaria, só não imaginava que fosse tão logo. Começaremos o treinamento amanhã, por hoje descansem.

~Os três entraram e se alojaram em seus respectivos cômodos. Após a janta, já tarde da noite, Euphie saiu de seu quarto e foi até o depósito escondido, local onde ficava os livros mais antigos de magia. Então ela percebeu que a luz do depósito se encontrava acesa. Misaki estava lá~

Euphie: Não consegue dormir?

Misaki: Ah, Euphie! Não, muitas coisas aconteceram, isso tudo têm me atormentado. E você? Não consegue dormir também?

Euphie: É, mais ou menos. ~Euphie sentou ao lado de Misaki~ Este depósito é incrível, muitos dos livros de magia proibida estão aqui.

Misaki: Se o sensei nos encontrar aqui, com certeza ele nos punirá.

Euphie: E qual livro você está lendo?

Misaki: Um que eu achei há muito tempo e havia escondido. ~Misaki mostrou a capa para Euphie~ É um livro de magias proibidas, que não devemos usar nem em casos extremos, pois a chance de sucesso é quase nula e o preço é a sua vida.

Euphie: São círculos mágicos complicados e demorados.

Misaki: Pelo que parece, não são feitos para serem conjurados de uma hora para outra. Exigem uma grande quantidade de mana. ~Misaki folheou um pouco as páginas até encontrar um feitiço chamado “Pacto de Sangue”~ Este é o que o Tamaki-san nos falou uma vez, o pacto de sangue. Aqui diz que ele foi proibido por ter uma taxa de sucesso de apenas 5%, e quando dá errado, ambos os envolvidos perdem suas vidas. E, mesmo que dê certo, se um deles morrer, o outro morrerá também, sem falar que precisa haver uma sintonia em suas mentes, ou um deles perderá o controle. Realmente enigmático, não acha?

Euphie: Diria que é assustador. Não é necessário que os dois lados concordem, tendo uma quantidade pequena de sangue da outra pessoa, você pode fazer este pacto sem o consentimento dela. Realmente assustador.

Misaki: Era usado em tempos mais difíceis, conosco aqui não será necessário.

Euphie: Eu espero que isso seja verdade. ~Euphie então virou a folha, e encontrou um feitiço chamado “Troca de alma-corpo”~ Este... Não é o feitiço que uma vez você estava lendo escondida, mas o sensei te encontrou antes que pudesse terminar?

Misaki: Sim, este mesmo. A troca de alma-corpo é o feitiço mais complicado, e só teve sucesso em um caso, quando um monstro atacou este mundo há muito tempo atrás. As guerras pararam, pois ele ameaçava qualquer reino.

Euphie: No que ela consiste?

Misaki: É como o nome diz, é uma magia ofensiva, você troca a destruição da sua alma pela destruição do corpo do inimigo, e o contrário também é válido, porém há uma diferença: se você trocar a sua alma para destruir o corpo, exigirá menos mana e a chance de sucesso é maior, pois a destruição do corpo não implica na destruição do ser. Um controlador de almas, que aliás existiam muitos naquela época, poderia muito bem construir um corpo apenas com a alma. No caso do monstro, o mágico que lutou contra ele utilizou sua própria alma para poder destruir o corpo do monstro, e seus discípulos trancaram a alma em um templo secreto. Controladores de almas percorreram este mundo procurando, mas nunca o acharam.

Euphie: E aqui diz que, se o monstro voltar, não terá como ser seu corpo destruído, mas sim sua alma.

Misaki: Não pode ocorrer duas trocas iguais. Se o monstro voltar, a pessoa terá que sacrificar seu corpo para destruir a alma dele, o que exigiria uma quantidade enorme de poder, que ninguém nunca possuiu.

Euphie: E se os místicos o achassem? E se Sanae quisesse revivê-lo?

Misaki: Isto é improvável de acontecer, há um acordo entre todas as gerações que ninguém deve acordar o monstro. Ele não obedece a ninguém, destrói tudo o que tiver pela frente, revivê-lo não é uma opção.

Euphie: Espero que seja isto mesmo. ~Kohaku então bate na porta do depósito~

Kohaku: Sensei as mandou irem para a cama, pois o treinamento será longo e duro amanhã.

Misaki: Sim senhor.

~Misaki e Euphie foram então descansar. No dia seguinte, após a refeição, Sword os reuniu e os levou para um lugar dentro da floresta, bem distante dali~

Sword: Eu paro por aqui, se vocês seguirem por este caminho, em 10 dias chegaram à um pilar que é, como todos, guardado por um místico. Ele é sagaz, tão forte quanto os generais. O caminho é difícil e cheio de armadilhas mágicas. Para sobreviver, vocês terão que se tornar mais fortes. Se conseguirem derrotá-lo, fiquem orgulhosos do resultado. Se não, sofrerão provavelmente com a morte. Se desistirem ou o derrotarem, voltem imediatamente.

Kohaku: Faremos o nosso melhor.

~Os dias que se passaram foram grandes provações. A comida era escassa, vários animais ferozes eram encontrados, nem toda água encontrada na floresta era pura. Eles evitaram várias armadilhas místicas, mas caíram em muitas delas. Depois de 10 dias, eles chegaram há um grande palco de mármore, com um pilar gigantesco no centro. Uma pessoa de capa preta apareceu, então ele tirou o capuz~

Mori: Sejam bem-vindos, eu sou Mori. Gostaria de dizer que é um prazer conhecê-los, mas logo vocês não conseguiram respirar. Quais são seus nomes?

Kohaku: O meu é Kohaku, e estas duas são Euphie e Misaki.

Mori: Imagino que tenham vindo de longe. Antes de começarmos esta luta digna, gostaria que respondessem algo, ouviram falar alguma coisa sobre uma garota chamada Rin? Qualquer coisa e qualquer Rin.

Euphie: Infelizmente não.

Mori: Entendo. Bom, podemos começar. Venham com tudo o que vocês têm.

Misaki: Mori-kun, você não parece uma má pessoa. É realmente uma pena que tenha que acabar assim, mas é nosso dever.

~Misaki foi a primeira a avançar e, apesar de Mori estar sem nenhuma arma aparente, ele desviou o suficiente para não ser acertado. A próxima a atacar foi Euphie, que fez uma avalanche de ataques, com poucos golpes o acertando de fato e, logo em seguida, Kohaku apareceu por trás de Euphie, fazendo uma combinação de ataques conjuntos. Mori conseguiu desviar alguns, mas levou um arranhão em seu braço esquerdo~

Kohaku: Você é realmente forte. Conseguiu desviar dos nossos ataques em conjunto.

Mori: Não o suficiente, ainda fui atingido. Porém, é perceptível o que há de errado com os três.

Misaki: O que você quer dizer com isso?

Mori: Vocês são fortes, hábeis e rápidos, nisso não há dúvida. Mas, lutas não são feitas apenas disto.

Euphie: O que mais é necessário? O que mais está faltando? ~Mori fica em silêncio por alguns segundos~

Mori: Coloquem a mão na parte de trás de seus pescoços. ~foi o que fizeram, e em cada um havia um agulha~

Misaki: Agulha? Está envenenada?

Kohaku: Então está é a sua arma.

Mori: Precisamente. Elas anularam seus poderes mágicos, então vocês estão impossibilitados de fazer qualquer magia.

Euphie: Com isso, nosso poder diminui pela metade. Não, talvez até menos. ~Mori então aparece em frente à Euphie e dá um soco em seu estômago, fazendo-a cair. Em seguida, ele aparece ao lado de Kohaku, que consegue desviar de seu primeiro golpe, mas Mori dá dois chutes, que o faz perder suas espadas. Em seguinte, Mori defere uma cotovelada por trás da cabeça de Kohaku, fazendo-o cambalear e em seguida cair~

Misaki: Euphie! Kohaku!

Mori: Não se esqueçam que ainda estamos em batalha. ~Mori avança para atacar Misaki, que é acertada por um chute, fazendo-a ser a última a cair~

Misaki: Mesmo nós três lutando juntos... Mesmo assim, não conseguimos ser fortes o suficiente...

Mori: Por que não desviou do meu ataque? Vocês todos poderiam ter feito isso.

Euphie: Eu não sei... Meu corpo, ele não se mexia...

Kohaku: Do que adiantaria desviar sem conseguir contra-atacar? ~Mori, vendo os três se lamentando, respirou fundo~

Mori: HEY LESMAS, LEVANTEM-SE! ~todos ficaram surpresos~ Então é isso? Por causa de uma derrota, vocês pretendem ficar deitados para sempre? Então para que serve essas armas? Para que todos estão depositando as esperanças em vocês? Os únicos que podem derrotar os místicos, os únicos que podem trazer paz à este lugar são vocês. É mais do que óbvio o que falta em vocês, e isto é a confiança. Sempre há derrotas, mas vocês não podem se abalar, e sim continuar. ~Mori então é interrompido desviando de um ataque vindo de Misaki~

Misaki: Você está certo, eu estive tão focada em querer ser mais forte, que esqueci que a confiança em mim mesma estava sendo enfraquecida~

~Mori desviou então de mais dois ataques, vindo de Kohaku~

Kohaku: Obrigado Mori-kun, eu devo confiar em minhas habilidades e nas minhas espadas, mas principalmente, devo confiar em minha vontade.

~Quando Mori, ao saltar para se desviar, cai no chão, ele se defende com quatro agulhas enormes do ataque de Euphie, que veio de seu lado direito~

Euphie: Mesmo sem nossos poderes, mesmo que fiquemos inabilitados e não consigamos mais nos levantar, não devemos perder a confiança em nós mesmos.

Mori: Exato. Então, pequenos gafanhotos, por que não atacam com tudo o que vocês têm?

~Misaki, Kohaku e Euphie começam então novamente a atacar, e Mori contra-ataca cada golpe. Os dois lados começam a se cansar e a ficar feridos, mas continuam em pé, lutando. Até que Euphie fica ao lado direito de Mori, Kohaku ao lado esquerdo e Misaki à frente. Mori percebe que este será um golpe decisivo, o último~

Mori: Então é aqui que termina. Ah, Rin, como eu gostaria de ter te visto uma última vez. Haru, meu irmão, naquele dia em que eu fui atrás de você, não pude te encontrar. Espero que você possa ter voltado ao vilarejo. Cuide bem de Rin.

~Então os três avançam, mirando em pontos vitais de Mori. Mas, no último segundo, os três param~

Mori: O... Quê?

Misaki: Como poderíamos dar um golpe mortal? Isso iria totalmente contra o meu princípio.

Euphie: Mori-kun, a verdade é que você não gostaria de lutar, não é?

Mori: Eu... Eu não... Rin...

Kohaku: Mori-kun, você nos deu uma lição valiosa. Eu o considero um amigo, e eu jamais poderia ferir um amigo.

Mori: Mas... Eu sou um místico, sou o inimigo de vocês!

Euphie: Você não escutou o Kohaku? Você é nosso amigo.

Misaki: Além do mais, você precisa encontrar alguém importante, não é? ~Mori então sorri, e começa a rir, e os três guardam suas espadas~

Kohaku: Obrigado Mori-kun, podemos continuar nossa jornada agora.

Mori: Neste caso, não há mais nada que eu possa fazer. O pilar está logo adiante. Eu irei continuar procurando minha família. ~Mori então se dirige para um lugar distante~ Boa sorte. Eu também, estou depositando minha esperança em vocês.

~Os três agradecem. Mori some no meio da floresta, e o pilar é destruído. Passa-se quatro dias desde então.~

Servente: Sanae-sama, Mori-sama está de volta.

Sanae: Mande-o entrar. ~Mori então entra na sala~ Mori-kun, está sentindo este cheiro?

Mori: Bem, há um cheiro característico nesta sala, o cheiro de morte.

Sanae: Não, não é este cheiro que eu estou me referindo. ~Sanae então aparece atrás de Mori~ Estou me referindo ao cheiro de traição. Por que voltou, Mori?

Mori: Mais cedo ou mais tarde, você viria atrás de minha cabeça.

Sanae: Então você resolveu vir até a cova de seu inimigo? Pretende me enfrentar, Mori?

Mori: Jamais, seria um esforço inútil. Eu só vim pedir para que a senhora poupasse Rin, e liberta-se meu irmão.

Sanae: Ah, Haru-kun! Bem lembrado. Se não me engano, alguns dos seus amiguinhos foram para a área de seu pilar, provavelmente ele está lutando neste momento.

Mori: O quê?! Você me garantiu que não o deixaria sair daqui!

Sanae: Ele foi por conta própria. ~Há então uma batida na porta, e um servente entra~

Servente: Sanae-sama, o corpo de Haru-sama está aqui. ~o servente então coloca o corpo de Haru no chão~

Mori: Haru? HARU?! ~Mori então corre, empurra o servente, que sai correndo pela porta, e coloca a cabeça de Haru em seu colo~ Haru, me responda! Haru, Haru!!! QUEM FEZ ISSO? QUEM O MATOU? RESPONDA!

Sanae: Masumi. ~Mori então olha para Sanae~ Masumi o matou. Ela é prima de Euphie, aquela que você diz ser sua amiga. Ela o matou, em frente a Rin.

Mori: Rin... RIN! E RIN, ONDE ELA ESTÁ?

Sanae: Meu observador disse que Rin foi levada com eles, para o seu vilarejo.

Mori: Haru... Rin... ~Mori então começou a chorar. Sanae chegou perto dele, se abaixou e falou em seu ouvido~

Sanae: Haru era uma boa pessoa, Masumi tentava fazer Rin uma refém, e Haru morreu tentando salvá-la. Mori, se você tivesse a chance de vinga-lo e resgatar Rin, você o faria? ~Mori então ficou em silêncio~ Em dois dias, iremos atacar diretamente o vilarejo deles. Estou selecionando aqueles que seriam aptos. Diga-me, Mori, o que você mais quer agora?

Mori: A morte...

Sanae: A morte? ~Mori então possui o olhar de vingança~

Mori: A morte de Masumi.

Sanae: Você poderia acabar enfrentando seus amiguinhos. ~Mori então se levanta, e se dirige pela porta, carregando o corpo de Haru~

Mori: Todos que ousarem entrar em meu caminho serão mortos. ~Mori sai pela porta. Sanae então sorri~

Sanae: Nada melhor do que alguém sedento por vingança, não acha, Mitsuki? ~Mitsuki então aparece de um canto da sala~

Mitsuki: Você mentiu para ele. Haru estava com seu coração corrompido, tentou matar Rin e...

Sanae: Depende do ponto de vista.

Mitsuki: Do ponto de vista?

Sanae: Masuki matou Haru. Isso é apenas o que importa para Mori. Mas estranho...

Mitsuki: Estranho?

Sanae: O cheiro da traição... Ainda consigo senti-lo. ~Mitsuki então mudou para um olhar cauteloso~

Mitsuki: Deve ser apenas a sua imaginação. Eu nunca trairia você, Sanae. ~Sanae então muda sua expressão facial séria para uma descontraída~

Sanae: Sim, eu sei! E é por isso que você terá o papel mais fundamental de todos no ataque, Mitsuki!

Mitsuki: E qual será? Lutar contra Euphie? Distrair Misaki?

~Sanae então dá um sorriso, talvez o que pareceria o mais temido para Mitsuki até então~

Sanae: Você irá matar Hitomi.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.