Duas Espadas, Três Palavras
10 Capítulo 10 - Amor de mãe
Notas iniciais
Foi há 5 anos atrás. Num quarto iluminado apenas pela luz de fora que vinha da janela, eu brincava com uma bonequinha, enquanto minha mãe falava ao telefone:
Mãe: Ah, claro claro Kurosaki-san. É bem novinha, como o senhor pediu. O que? Não não, 12 anos. Não é nem uma criança e nem uma adolescente. Sim, ruiva. Certo, deposite o dinheiro na minha conta até hoje a noite, e amanhã ela estará ai. O prazer é meu, até mais. Hitomi, venha cá. – eu me levantei e fui em direção dela — Amanhã você terá outro trabalho, mas dessa vez é de um senhor de elite, então vista sua melhor roupa.
Hitomi: Mamãe... Eu estava pensando, será que eu não posso tirar o dia de folga amanhã?
Mãe: Amanhã? Será que não ouviu o que eu disse? Amanhã seu trabalho me trará muito dinheiro.
Hitomi: Então... E depois de amanhã?
Mãe: Todos os seus dias estão cheios. Mais tarde eu tirarei mais algumas fotos suas para mostrar aos meus clientes. Então vá tomar banho.
Hitomi: Mas, mamãe... – perdendo a paciência, minha mãe me deu um tapa no rosto.
Mãe: Você acha que sustentar você é fácil? Desde que seu pai morreu, só venho tendo dívidas e mais dívidas. Então fique quieta.
Hitomi: Sim, mamãe.
Enquanto eu estava no banho, lembrava o quanto ruim era esse trabalho e o quão repugnante as pessoas podiam se tornar. Qual era meu trabalho? Bom, desde que meu pai morreu, minha mãe acabou tendo um grande trauma. Na época eu tinha em torno de 7 anos, e não entendia bem o que estava acontecendo. Mamãe acabou se entregando ao vício de bebidas, jogos, e, por fim, acabou criando dívidas absurdas. Tentava arranjar um emprego, mas não adiantava, os dias estavam difíceis. Um dia, um cobrador foi em casa, e sua dívida girava em torno de 8 à 10 mil reais, mas infelizmente minha mãe havia conseguido apenas 4 mil. Então, ele olhou para mim enquanto eu brincava de casinha, e falou algo que pessoas normais teriam nojo. Ele disse “bom, se você deixar sua filha comigo durante uma noite, sua dívida estará quitada, o que acha?”. Minha mãe, sem hesitar, aceitou a oferta, e olhou para mim com um sorriso. Eu nunca pensaria que esse sorriso não era de amor, mas infelizmente, não era, e devolvi com outro sorriso. Se eu soubesse o que estava por vir, nunca teria sorrido. Desde então, eu garanto dinheiro á minha mãe, da pior maneira possível.
Mãe: HITOMI! AINDA NÃO TERMINOU?
Hitomi: Já vou sair. – ela me dava muito medo.
Mãe: Ande logo, não tenho a noite toda.
Minha mãe tirava fotos para mostrar aos clientes. No dia seguinte, eu fui levada para a casa do cliente que ligara ontem. Como todos os outros, era um homem repugnante... Bom, nessa vida, o que não é? Bom, chegou segunda, o dia de ir para a escola. Eu odiava aquele lugar, já que as pessoas sabiam do que eu fazia, e sempre tentavam prender minha mãe, mas por falta de prova nunca o faziam.
Aluno 1: Ah, olha lá se não é a Honda. Hey, Honda, quanto é a hora? – todos riam, mas eu não ligava... Ou pelo menos demonstrava não ligar.
Minha carteira era sempre suja, com palavriados que não podem ser sequer citados. Eu odiava aquilo. Bom, na hora do intervalo, fui pegar meu lanche, mas como sempre, ele estava sujo ou estragado.
???: Ahn... Você quer metade do meu lanche? – me espantei ao ouvir alguém falando comigo, mas não em um tom agressivo, mas mais para um tom amigável.
Hitomi: Ahn... Takahashi...san... Certo?
Ritsuko: Sim… Honda-san… — Ritsuko era também muito humilhada na classe, talvez até mais do que eu. – Eu vi o que fizeram com o seu lanche então... Se quiser metade do meu... Ah, claro, só se você quiser...
Hitomi: Muito... Obrigada. – Ritsuko foi minha primeira amiga.
Logo depois que a aula acabou, eu fui para casa. Minha mãe, como sempre, falava ao telefone e bebia alguma coisa.
Mãe: Sim sim. Hoje? Agora? Ahn, sim, ela acabou de chegar. Com uniforme mesmo? Perfeito, estaremos ai em poucos minutos. – Minha mãe desligou o telefone, e eu logo entendi que tinha mais um trabalho a fazer. Quando isso iria acabar?
Hitomi: Mamãe?
Mãe: O que está fazendo ai? Vá logo pro carro, não escutou que tem trabalho a fazer? Quando é que vai entender que te sustentar é difícil? – Eu fui para o carro, não quis responder. Na verdade, nunca respondia. Apesar de tudo, eu amava muito minha mãe, ela era a única pessoa que tinha meu sangue. Mas, mesmo assim, era doloroso...
Hitomi: Não vou trocar de roupa?
Mãe: Não, ele a quer desse jeito. É um cliente muito rico, então o faça bem feliz minha filha.
Mas, ao chegarmos, não sabíamos o que nos esperava. Entramos, e o sujeito se denominou como “Kajiura”.
Mãe: Aqui está, Kajiura-san. É boa o bastante para satisfazê-lo?
Kajiura: Sim...
Mãe: Então, vou indo.
Kajiura: Espere. Ela é boa para satisfazer minha investigação. Honda-san, está presa por vários crimes, mas o pior é vender sua própria filha para pagar dívidas e lucrar. – Então, muitos policiais apareceram e prenderam a minha mãe. Eu não havia entendido ainda, até que percebi o que acontecia.
Hitomi: Moço!!! Não aprenda, por favor!! É a única pessoa que eu conheço, por favor!! – Eu estava em prantos, com medo de ficar só, mas então ele me pegou no colo e me abraçou.
Kajiura: Não se preocupe, seu sofrimento acabou. Você virá morar comigo, esse era o desejo de seu pai, um grande amigo meu. Hoje mesmo vamos para lá, pode ser?
Hitomi: Então... Não quer meu trabalho?
Kajiura: Não, você nunca mais trabalhará nisso Hitomi-chan. Você poderá brincar agora sem ser interrompida, que tal? Ah sim, eu tenho uma filha de 11 anos, quase a sua idade, acho que vão se dar bem. Você mudará para a escola dela também. O nome dela é Mitsuki. Vamos. – Então fui morar na casa daquele homem bondoso, com uma esposa igualmente bondosa e uma filha que no futuro seria uma das minhas amigas mais importantes.
~Tempo atual~
Hitomi: Mã...Mãe?
Mãe: Sim filha, sou eu.
Hitomi: Mas... Por quê?? O que está fazendo aqui??
Chain: Hitomi, mate-a. Vingue-se.
Hitomi: Mestre Chain...
Chain: Ela a fez sofrer certo? Vingue-se Hitomi, é o único jeito de conseguir a pedra.
Hitomi: Único jeito? ~Hitomi pegou sua arma, e ficou fitando sua mãe por um longe tempo, até que desistiu~ Não posso, mesmo as coisas terríveis que me aconteceu, não posso. Desculpe... ~então, a imagem que supostamente era sua mãe foi rachada e quebrada, e Hitomi não estava mais entendendo~
Chain: Parabéns Hitomi. Essa era a sua provação.
Hitomi: Ahn? Como assim? Não era a pedra?
Chain: A pedra mostra os nossos corações. E sua mãe estava nele. Se você a matasse, seria morta logo em seguida. Mas, provou ter um coração puro Hitomi, e isso era o necessário para essa guerra. Prepare-se Hitomi, o treinamento começará amanhã. ~Hitomi não notara, mas já era noite.~
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