Cameron Cornl corria ao lado de Danielle que estava na forma de um cão, as ruas de Moscou à noite eram vazias, por isso era fácil para eles correrem pelas ruas.

– Até que a Isabela é bonita. – disse Cameron para todos. Quando Cameron viu Isabela pela primeira vez ocorreu algo em seu coração que nunca tinha ocorrido antes, isso foi o amor pela primeira vista.

–Cameron você tem que ter uma coisa na cabeça, — disse Danielle voltando à forma humana. – ela não é boa companhia.

–Danielle você a odeia. Eu não. – Cameron a empurrou para o meio da rua. Uma rua com varias árvores e algumas residências. Inclusive a casa onde Isabela ficou por algumas semanas. Eu quero ver o que está acontecendo na casa da Ariane. Ela pode ter feito o que feito conosco, mas ela ainda é minha amiga.

–Cameron, por que você colocou a Isabela no quarto da Mellody? –perguntou Tayna. – Eu deixaria aquele quarto intacto com todas as lembranças dela. Não que eu não goste da Isabela, esse negócio é com a Dani – Danielle deu um sorriso irônico – mas poderia permanecer...

–... Vazio. A Mellody lutou para nos salvar, se deixarmos o quarto vazio, sentiremos mais saudades. E fim de papo. – a voz de Cameron parecia uma lâmina afiada.

Cameron lembrava se de cada momento que passara junto da irmã. Sua irmã gêmea tinha a mesma tonalidade do cabelo de Cameron; um castanho claro. Os olhos dela eram verdes como a folha mais verde de uma árvore.

Eles estavam quase perto de uma esquina quando de longe ouvem gritos. Devemos estar perto, pensou Cameron. As pessoas de Moscou não saiam de casa depois da oito da noite, então era hora perfeita de um Guarda da Seiva agir. O lema deles era: “O silêncio é a sua maior virtude”.

–Devemos estar perto da casa da Ariane, — disse Danielle. Ela parou onde estava, puxou Cameron contra o muro de uma casa. – Você está querendo saber o que o Matheus está fazendo?

– Sim! – Cameron estava assustado, Danielle nunca havia ficado tão brava assim.

–Por quê? – disse Danielle rosnando com um cão raivoso. Os olhos dela já estavam ficando vermelhos com sangue. Danielle estava deixando Cameron sem ar, pois sua força no enforcamento era igual ao de urso. Cameron contra atacou com seu kansa. Danielle começou a ficar fraca, e assim soltar Cameron.

Por fim, Tayna pegou Danielle e, Miguel foi ajudar Cameron.

– Cameron se você quer tanto ir para casa da Ariane, vá com o Miguel – disse Tayna. – e eu vou com a Dani para as Árvores.

Cameron concordou e cada um seguiu seus caminhos diferentes.

– Porque a Danielle odeia a Isabela? – perguntou Miguel, Danielle era irmã de Jean, marido de Isabela. Danielle foi separada da família ainda pequena pelos Caravaneiros, depois de ser tirada dos pais conheceu os pais de Tayna, e foi criada por eles.

– Ela deve ter descoberto que o irmão morreu e está pondo a culpa na Isabela. – Cameron respondeu.

– Ela julga que a culpa é da Isabela, mas ninguém estava lá pra saber. – murmurou Miguel enquanto andavam pela rua, as luzes começaram a piscar.

Uma fumaça começou a sair das rachaduras da calçada. Aquilo deixou Cameron em alerta e Miguel a se contorcer de medo. Isso é obra do Matheus, concluiu Cameron. A fumaça branca se tornou um Aswang, com suas asas de morcego, corpo magro e cabelo cobrindo o rosto. Eles não conseguiram ver o rosto do Aswang, a coisa só disse:

– Vocês vão morrer está noite.

Ele retirou os cabelos do rosto parar mostrar seus dentes, havia manchas negras por todo rosto, os olhos eram de um amarelo forte, suas pupilas eram fendas e o seu sorriso cheio de presas.

Cameron e Miguel já estavam apostos para lutar quando a coisa disse:

– Não quero vocês. Quero suas amigas. — Uma fumaça negra se tornou novamente e voou pelo céu escuro atrás da Danielle e da Tayna.

– Corre! – gritou Cameron.

Os guardas são rápidos que conseguem alcançar a velocidade de até duzentos quilômetros por horas. Eles correram o mais rápido que podiam até que alcançaram a coisa. Miguel pulou para conseguir pegar a coisa, mas foi como tentar abraçar o ar. Cameron atirou vários dardos de soro do urso, mas todos não funcionaram. Miguel tentou novamente pega-lo, e ralou o rosto no asfalto de novo. A coisa soltou uma bola de fumaça e continuou a seguir o caminho. Aquela fumaça se tornou um cão negro de olhos vermelhos. Pararam de seguir a coisa, pois o cão barrou Cameron e Miguel. Os pelos do cão eram negros e roxos, em sua boca havia dentes afiados e com veneno.

Cameron tentou enfraquecê-lo e arrancar seu coração, o cão o mordeu para se defender, a mordida logo cicatrizou e Cameron voltou a lutar. Desde que Mellody foi morta Cameron criou anticorpos mágicos para poderem reagir ao caso de uma Criatura Sombria mordesse um guarda.

–Eu o distraio enquanto você o ataca por trás! – anunciou Miguel.

Miguel começou a correr até o fim da rua, o cão começou a segui-lo, Cameron vinha a logo atrás do cão. Eu vou arrancar o coração dessa besta. Cameron não conseguiu alcançar o cão, ele era muito rápido.

Se acontecer algo com ele e com as meninas eu nunca vou me perdoar, pensou Cameron, Ele é com meu irmão casula. Enquanto ele pensava nisso, ele viu que o cão prendeu as presas na perna de Miguel. NÃO, não, não.

Quando o cão parou de correr Cameron conseguiu alcançá-lo. O cão sentiu sua presença, mas já era tarde de mais. Cameron já estava com o coração do cão em suas mãos. A mordida já começara a infeccionar. O sangue já estava negro como a visão de um cego.

Cameron o virou de barriga de cima.

– Miguel eu sinto muito. – Cameron começou a chorar

– Não sinta, eu devia saber que eu não conseguiria, — rosto de Miguel estava com machas negras e os olhos ficando vermelhos. – se eu tivesse um kansa eu não estaria assim.

– Eu vou criar um anticorpo para você. – disse Cameron. Cameron estava perdendo uma parte de si quando Miguel fechou os olhos. Miguel por não ter o kansa os anticorpos que Cameron criou não faziam efeito.

Ele pegou Miguel no colo e correu até as Árvores.

Chegando lá, Tayna e Danielle ainda estavam bem. Elas não acreditaram no que estavam vendo. Eles estavam no mesmo parque aonde Isabela veio de Argia. As Árvores tinham um brilho próprio, a árvore do sangue com seu tronco negro e suas folhas vermelhas com linhas prateadas; a árvore da alma com seu troco branco, as folhas eram brancas com linhas vermelhas. As árvores eram a iluminação do parque.

– Isso não teria acontecido se você Cameron deixasse Isabela ser morta pelo irmão. – indagou Danielle. Ela não sabe o que fala.

– Danielle pare com isso. – disse Tayna.

– Não me diga o que tenho que fazer.

– Danielle, você deixaria seu sobrinho, ou sobrinha serem mortos? – Cameron retrucou.

– Eu não ligo. Acho que aquela criança não é de meu irmão. É uma criança bastarda, aposto.

Cameron estava com tanta raiva que Danielle recebeu um murro na cara. Então começou a briga. Cameron batia de um lado, Danielle socava com a força de um urso do outro. Até que Tayna separou os dois e disse:

– Pelo amor de Deus! Parem! – ele empurrou um para casa lado. – Brigar não vai curar o Miguel.

Como Danielle ousou dizer uma coisa dessas, pensou Cameron. No parque onde estava as Árvores havia brinquedos para as crianças brincarem. O trepa — trepa estava com um das barras de metal para fora, Cameron com raiva enfraqueceu Danielle e a jogou na barra de metal, e assim perfurando seu abdômen.

– Cameron! – disse Tayna, dando um soco em seu nariz, o sangue quente escorria pela narina esquerda.

– Parem! – disse Miguel com as únicas forças que tinha.

Tayna tirou o corpo ainda vivo de Danielle do trepa-trepa. Tayna pressionou o furo no abdômen, seus olhos ficaram de cor bege e a Árvore do Sangue brilhou ainda mais, Tayna foi à única Guarda que teve uma ligação com as Árvores. O kansa era que ela conseguia curar qualquer ferida. Feridas de Criaturas Sombrias eram meios difíceis de curar Já não havia mais ferida, nem cicatrizes.

Danielle acorda assustada e ofegante.

Ela está testando minha paciência. Cameron queria que Danielle tivesse morrido, mas seu um Guarda mata outro Guarda os dois morrem.

– Me agradeça por não ter morrido Cameron. – murmurou Tayna.

– Seria melhor se ele tivesse morrido comigo. – Danielle debochou ainda fraca.

Cameron ameaçou socar a cara dela, por desavença do destino Tayna o impedi.

– Leve o Miguel para casa, cuide dele e da Isabela. — ordenou Tayna. – Eu fico com a Dani.

Cameron concordou. E pegou Miguel no colo.

Quando estava quase chegando a uma das Sete Irmãs. Sete Irmãs, os prédios construídos por Stalin após a Segunda Guerra Mundial para rivalizar com os arranha-céus americanos; elas parecem grandes bolos com vários andares. Cameron viu o Aswang que atacou ele. A faixa negra sumiu em meio as Sete, as Sete eram formas de chegar a Praça Vermelha.

Isabela! Foi à única coisa que pensou.