Duas Coroas para o Mundo - Interativa
6 Conhecendo as Selecionadas 3
Notas iniciais
P.O.V Yuri:
Tudo bem. Eu sei que não devia tomar o meu café-da-manhã antes de terminar a conversa entre as Selecionadas, mas o que eu poderia fazer se uma criada muito gentil entregou um suco de frutas vermelhas divino? Tá, eu que pedi, mas não atrapalhou nenhuma conversa, certo?
Mal havia acabado o suco quando vi uma Selecionada chegando, então me apressei para depositar o copo em um canto do sofá enquanto a garota se aproximava.
– Lesley Rose Young, Vossa Alteza. Mas me chame só de Les. – A Selecionada com um sorriso iluminado e levemente moleque fez uma reverência.
– Se é assim, me chame somente de Yuri. – Tentei entrar no jogo, também com um sorriso. – Hum... Agora, mudando de assunto, eu acho que já ouvi esse sobrenome em algum lugar.
– Ah, provavelmente foi da minha mãe Rebecca, a escritora dos livros “As aventuras de Inocence Lewis”.
Olhei-a boquiaberto.
– Sério mesmo? Porque eu adoro os livros dela.
– É. Quer dizer, eu sou a filha adotiva dela, mas ainda sim ela é a minha mãe.
– Bem... De qualquer modo, deve ser incrível ter uma mãe escritora famosa, mesmo que adotiva.
– Não tanto quanto ter um pai que é o rei.
– Touche.
Nós dois sorrimos, mas não passou muito tempo até continuarmos a conversar.
Depois dessa conversa, eu claramente estaria mentindo que não mudei o meu conceito de conhecer uma pessoa.
Antigamente, eu esperava que conhecer uma pessoa era saber quem eram seus parentes, amigos próximos, história e esses dados. Entretanto, eu percebi que conhecer uma pessoa era saber a sua personalidade, era conhecer as suas verdades e mentiras, era, acima de tudo, entendê-la.
E isso foi o que aconteceu com Lesley: eu descobri que ela era uma pessoa alegre, moleca e extremamente divertida. Uma pessoa que me fazia me sentir mais feliz, mais completo, como se ela fosse a peça que faltava no meu quebra-cabeça.
♔
Tenho que ser bem franco que deixei me impressionar ao ver a Selecionada a minha frente.
A sua postura era ereta e revelava uma ponta de orgulho, como a de um nobre, o seu queixo erguido e as feições frias, mas com algo que me parecia ser um sentimento sonhador. Apesar de eu nem tê-la conhecido, sabia que seria aprovada pelos nobres e que não seria uma Selecionada fraca.
– Me chamo Amélie Edyte Boursheis Strobel, príncipe Yuri. – Ela inclina sutilmente o corpo em uma postura respeitosa.
Durante toda a minha vida, eu aprendi a reconhecer a personalidade das pessoas pelo seu andar, e não foi diferente no caso de Amélie. Seu andar era decidido como o de um aventureiro que parte para uma expedição, mas também frio como um iceberg que vaga pela imensidão de um mar gelado.
– Prazer. – Deixei com que um pequeno sorriso iluminasse o meu lábio enquanto a Selecionada sentava-se. – Então, Amélie, como está sendo a Seleção para você?
Ela pareceu um pouco pensativa, mas não demorou muito para responder.
– Interessante. Acho que é assim que devo chamar a possibilidade de conhecer pessoas da minha idade depois de tanto tempo trancada em casa com pais ausentes e sem amigos.
– Hum... História um tanto trágica, e não duvido que haja segredos nela.
A Selecionada deu um pequeno sorriso enquanto levantava do assento e dirigia-se à porta.
– E com certeza há. Entretanto, você não vai descobri-los. Pelo menos não hoje.
Querem saber de uma coisa? Acho que a Seleção começou a ficar interessante.
♔
Eu acreditava que era uma pessoa incapaz de surpreender-se. Entretanto, essa minha teoria foi quebrada assim que a nova Selecionada de Illéa fez a sua reverência e sentou frente a mim.
O seu vestido era uma mistura harmônica entre branco e um tom de creme, mas seus braços e ombros eram ocultos por uma jaqueta de couro e, sem esquecer o toque final, uma echarpe xadrez envolvia o seu pescoço.
– Parece estar surpreso ou é impressão minha? – Ela brincou com um sorriso divertido. – Carollaine Scodelario Petrova.
– Surpreso? Você acha? – Ironizei, deixando claro no meu tom de voz o sarcasmo. – Príncipe Yuri, mas você já sabe.
– Não sabia que príncipes são tão sarcásticos. – Carollaine sorriu de canto para mim.
– E eu não sabia que Selecionadas conseguiam inovar tanto com suas roupas. – Elogiei-a, mas sem sair do nosso “jogo”.
– Obrigada, mas... Você gostou? De verdade?
– Sim. Ou você achou que eu somente falei isso por maldade?
– Não é isso, é que... – Ela deu de ombros e suspirou. – As pessoas não gostam muito do meu estilo. E não só do meu estilo, mas das minhas fases.
– Como assim fases? – Perguntei meio incerto.
– Não sei se você tem esse problema, mas eu venho procurando o meu jeito de ser, por isso, venho aderindo diferentes fases ao longo da vida, sendo que o meu estilo as reflete. E essas fases não são sempre bem-vindas. – O seu olhar triste me encarou. – Entendeu agora?
Acenei positivamente com a cabeça, sem poder negar que alguma admiração por Carollaine invadia o meu coração.
♔
Eu estava fazendo pequenas anotações mentais sobre cada uma das Selecionadas, para conseguir memorizar os seus nomes, quando percebi que uma garota muito linda já estava sentada em um sofá.
– Ah... Olá. – Falei, tentando recuperar o foco. Devo ter feito um papel de bobo, mas a garota apenas sorriu.
– Prazer, eu sou Dianne Aron.
Continuei conversando. Poucos detalhes reveladores entregamos um ao outro, o mais especial que descobri sobre Dianne era que ela é italiana.
– Uma coisa que tenho observado há muito tempo, Dianne, é que você tem uma beleza excepcional. Só para saciar a minha curiosidade, você poderia me responder se é uma modelo, atriz e outra coisa? – Perguntei em certo ponto da conversa.
– Muito obrigada, mas não! Sou uma atleta, mais especificamente, uma corredora, por isso o meu corpo é tão bonito. – Ela fala com uma pitada de orgulho na voz.
Continuamos a conversar, principalmente sobre ela e as suas “aventuras” desde treinos com a sua única família, a tia Gertrudes, e campeonatos em que ela representava a Itália.
– Dianne, a conversa está muito boa, mas infelizmente já ultrapassamos o tempo. Espero que não se importe de acabar por aqui. – Falei consultando o relógio. Céus, havíamos demorado mais dois minutos do que eu previra...
Com uma reverência sutil, ela foi embora. Observei o seu rebolar ao andar e não conseguia deixar de pensar o quanto o meu coração batia forte perto dela.
♔
Se eu precisasse escolher três palavras para definir a garota na minha frente, com certeza seriam: bela, ousada e poderosa.
Lisa Morrew*, uma Selecionada de Nova Ásia, era o tipo de pessoa que só de olhar sabemos que consegue acabar com uma pessoa só em palavras ou manipulá-las, sem falar que provavelmente era mimada pelos pais.
– Prazer, Vossa Alteza. – Ela inclinou-se em uma reverência e sentou-se.
– Prazer. – Sorri levemente. – Então, como era a sua vida antes da Seleção?
– Era muito boa. Vim de uma família rica, então nunca precisei trabalhar. – Lisa deu uma pequena pausa antes de prosseguir. – E a sua vida?
Um sorriso de canto pintou os meus lábios. Eu havia conversado com as outras garotas sobre a minha vida, mas acho que nenhuma me perguntou tão rapidamente sobre mim.
– Normal se comparada com a de qualquer outro príncipe. – Respondi quase que automaticamente.
– E as vidas dos príncipes são normais? – Ela me indagou, com um pequeno sorriso no rosto?
– Acho que é relativo. A normalidade é como um padrão estabelecido por uma sociedade, mas acredito que esse padrão muda de acordo com a sociedade. – Falei.
– Não estou surpresa por você dar uma resposta tão bem elaborada. – Ela falou, me elogiando indiretamente.
– Não a acho grande coisa, pelo menos não tanto quanto a sua beleza. – E essa foi a minha chance de elogiá-la indiretamente, arrancando-lhe um sorriso.
É, não tenho dúvidas de que ela vai ser uma Selecionada e tanto.
♔
Também tive mais outras três conversas.
Uma foi com Eline Djetsen**, uma holandesa muito divertida e um pouco infantil, órfã e que vive com os seus tios que a adoram. Ela com certeza é muito divertida.
Também conversei com outra holandesa, Cecília Larina. Não tenho dúvidas de que ela é uma pessoa legal, mas ela mal conversou e, praticamente, passou em branco como uma pequena estrela que apaga entre outras.
Por último, tive a chance de conhecer a alemã Camile Edens, uma garota que poderia ser fantástica, mas preferia o lado da arrogância, o que era uma pena.
Pelo visto, a Seleção vai começar.
Fale com o autor