Duas Coroas para o Mundo - Interativa
3 Chegou o Natal!
Notas iniciais
P.O.V Liesel Snile Jene:
A neve caía e caía.
Era Natal e as minhas criadas terminavam de me arrumar. Não estava muito ansiosa para o Natal. Claro, eu estava feliz pela guerra das alianças ter acabado, mas eu esperava paz e sossego, não uma Seleção dupla aqui no palácio.
Ouvi uma batida na porta e após uma das criadas atenderem, descobri que era Joseph.
– Vamos, Lis? – Ele perguntou assim que eu saí.
– Vamos. – Respondi e segurei o seu braço.
Joseph é filho de uma das damas de companhia da minha mãe – também conhecida como a Rainha da Alemanha – e meu futuro noivo. No começo, meus pais ficaram surpresos e um pouco aborrecidos com o nosso namoro, já que esperavam que eu namorasse e me casasse com um príncipe, mas no final, aceitaram.
– Tenho que dar as boas-vindas para os príncipes e tudo o mais, então não vamos ter muito tempo juntos. – Falei. Estavamos entrando no Salão Principal, em geral usado para grandes eventos.
– Tudo bem. Não me importo ficar pouco tempo com você desde que eu fique com você. – Joseph disse, fazendo o meu coração sorrir.
O Salão Principal era imenso e com muitas portas. Nesse dia estava decorado com vários candelabros, as paredes cobertos com tecidos vermelhos e verdes, um Papai Noel pintado no teto e bonecos e flocos de neve pintados no chão. Mais o melhor de tudo era a árvore gigante de Natal bem no centro do Salão, cuja estrela iluminava todo o lugar e encostava a ponta no teto. Duas mesas longas de madeira, uma em cada ponta do Salão, continham uma farta ceia.
– Olá Vossas Altezas, sejam bem-vindos. – Falei para Hector e Yuri. Logo em seguida, fiz uma majestosa reverência.
– Obrigado, princesa Liesel. – Yuri falou, também fazendo uma reverência.
– Sim, muito obrigado. Você irá nos mostrar o palácio agora? – Hector perguntou depois de sua reverência.
– Não, só irei mostrar quando a festa terminar. – Falei. Estava muito cansada disso. Não que eu odiasse os príncipes, só que era Natal! Eu queria ficar com a minha família, não com quase-desconhecidos que iriam passar meses no palácio. – Mas enquanto isso, posso adiantar algumas explicações.
Estavamos ao redor da árvore de Natal quando um criado exclamou aos príncipes:
– Cuidado com eles! Muito cuidado! – E logo em seguida, saiu correndo pelo imenso Salão.
– Cuidado com eles? Como assim? – Hector perguntou.
– É sempre assim no inverno. – Suspirei. – Mas para vocês entenderem melhor, tenho que contar a lenda Floco de Neve.
“ Há muito tempo átras, Berlim sofria um inverno rigoroso.
Em uma rua quase esquecida por todos, vivia Evelyn, uma mulher bondoa e de bom coração, mas também muito pobre.
Em uma noite, Evelyn voltava para casa quando dois flocos de neve idênticos pousaram na sua mão. Ainda por cima, Evelyn descobriu que se encaixados de certa maneira, se revelariam como um mapa do tesouro, de um precioso e grande tesouro.
A mulher queria mostrar esse mapa para sua família, mas ela adoeceu e morreu, o conhecimento sobre os flocos de neve morrendo com ela.
A sua família ficou muito triste, mas eles não podiam ficar parados e, por isso, foram procurar os flocos de neve, mas nunca os encontraram.
Diz a lenda que, mesmo mortos, todo inverno eles ainda procuraram pelos flocos de neve, sempre em lugares importantes, como o palácio de Berlim, por exemplo. Sendo que o único jeito deles pararem vai ser achando-os.”
Assim que eu terminei de contar a lenda, Hector perguntou:
– E você... Você acredita nisso?
– Não, é apenas uma lenda. Apesar disso, quase todos os criados acreditam e ficam muito agitados nessa época do ano. – Respondi.
E um tempo depois, fomos para o lugar onde é gravado o Jornal Alemão e que mostraria as Selecionadas.
Mas eu não me sentia muito bem. Eu não acredito na lenda, mas algo muito estranho acontece todo inverno no palácio, desde que essa lenda existe. E, afinal de contas, “eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem”.
Fale com o autor