Dual Survival
1 Infância, para que te quero?
Notas iniciais
-MAMÃE! PAPAI!
-Os deixe aí, estão pedindo para deixá-los!
-Mas eles não têm como escapar!
-NÃO INTERESSA! SE ELES PEDIRAM PARA DEIXÁ-LOS MORRER QUE DEIXEM! NÃO INTERFIRA!
-M-ME SOLTE! Para de me carregar! Eu quero ajudar o papai e a mamãe!
-PARA DE CHORAR E DE SE CONTORCER! OBEDEÇA!
-M-mas...
-Mas nada! Se eles pediram para deixá-los sozinhos obedeça! Não seja chorona! Não terá o tempo inteiro alguém para te ajudar, tem que aprender a viver sozinha!
-NÃO! EU QUERO AJUDÁ-LOS! NÃO VÊ QUE ELES PRECISAM DE AJUDA?!
-Vá minha filha! Obedeça ao seu irmão que ele sabe o que é melhor para você!
-Reconhecemos a sua responsabilidade e preocupação, mas você tem que nos deixar só!
-Eu quero ajudar vocês!
-VÃO EMBORA!
-Não fique tão triste, vamos sobreviver. Eu e você.
-O-Obrigada...
Depois de muito tempo...
Eu não entendia o porquê ou como, mas eu estava sozinha. Na floresta escura, com medo. Apenas com o meu arco improvisado de galhos de árvores, poucas flechas de madeira com penas de pica-pau e com minha roupa desgastada, rasgada e suja de terra. Eu havia prometido ser forte, para não humilhá-los no céu. Por que eles tinham que pedir para abandoná-los em um abismo profundo, assim? Como fui separada á força com seus pedidos? Teria um jeito de salvá-los, mas talvez também não. Com os recursos da floresta eles provavelmente não sairiam. Eu passava pelo buraco, mas por que eles não? Para mim, foi fácil sair do buraco, mas não abandoná-los e viver por si só. Como uma criança de seis anos iria sobreviver sozinha em uma floresta fechada e inexplorada, cheia de perigos?!
Não sei como, mas sobrevivi. Foi uma jornada dura. Usando o arco que meus pais tinham feito a um ano, eu fui aprendendo as leis da natureza: Não é permitido chorar feito uma criançinha, é preciso enfrentar os problemas de frente, use o que a Mãe-Natureza tem a oferecer, por que sem ela, os seres humanos são formigas de tão frágeis.
Imagine uma criança de seis anos que perde os pais numa rachadura que surgiu do nada da terra, e tem de sobreviver sozinha só com um arco pequeno, não muito resistente com só umas dez flechas? É melhor dizer que eu não tive infância. Não fui uma daquelas crianças que tinham uma pele de urso, lobo ou até a lã de ovelhas para brincar a tarde inteira. Ou até aquela criança que tem sempre a família unida, qualquer animal fora da casa o pai expulsava-o ou até matava, a mãe sempre fazia alguma comida gostosa que todos apreciavam e elogiavam, e a irmã ou irmão sempre a fazer palhaçadas para alegrar a todos depois de um dia estressante.
Nesse tempo todo, quem mais me amparou e ajudou foi o meu irmão. Sem ele, eu não sobrevivia. Desde que os nossos pais morreram, foi ele que me defendeu. Nossa mãe significava muito para mim, e depois de abandona-los naquele local horrível, eu estava muito frágil e sentimental. Nessa época, meu irmão teve que trabalhar muito para nos defender e arranjar comida, já que eu ficava sentada em uma pedra e deprimida a toda hora. Até hoje eu tenho uns casos de depressão. Como por exemplo, o que eu estou fazendo agora.
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