Drysteyn

4 Drysteyn Capitulo 2 parte 1


Notas iniciais
Um novo aluno chega ao internato e tenta se aproximar de Derza, no entanto ela não liga para isso, há muitas questões que ela quer entender...

Capítulo 2 parte 1

Acordo quando raios de luz penetram sobre minha pálpebra, não tinha me dado conta que eu havia dormido. Me apoio na parede para me levantar, mas ao invés de sentir a parede sinto algo macio e felpudo, olho para trás, estou deitada sobre Raiju; não me lembro de ter deitado em cima dele, se bem que eu também não me lembrava de ter dormido.

— Raiju... eu te machuquei? Você está melhor?

“Estou ótimo Derza, eu é que deveria lhe perguntar isso; você se debateu a noite inteira, imaginei que estivesse com frio por isso me deitei aqui”.

— Bem... obrigada. – digo me levantando.

“Eu que agradeço Derza, minha perna já está melhor; agora eu preciso ir”.

— Espere, ao menos me diga onde você vai.

“Derza, só me prometa que não irá me procurar, não quero você mais envolvida nisso”.

Dito isso ele evapora e desaparece, como assim? “Mais envolvida” há alguma coisa acontecendo e Raiju e eu estamos envolvidos, só não sei o que.

Por um milagre hoje estou assistindo todas as aulas; um motivo foi Raiju ter partido e me dito para não procura-lo mais o outro foi Haicha e Shayla me dizendo para voltar a frequentar as aulas, e aqui estou eu, tagarelando todas as respostas da aula de Química e enlouquecendo a professora, corrigindo-a à toda hora.

— Já que sabe tanto por que não nos explica melhor Derza? – diz Sirena debochando, porque apesar de tudo a única coisa que ela sabe é usar decotes provocando os garotos.

— É mesmo. – diz Lira amiga de Sirena.

— Eu acho melhor não. – diz Shayla – Derza faltou muito recentemente, é melhor que ela fique sentada prestando atenção.

Shayla sempre me protege, independente das besteiras que faço, ela tem um grande coração protetor.

— Acho que ela deve explicar. – diz Kylle e toda classe o encara – Tenho certeza que sua explicação será clara como a água.

Todos o encaram mais ainda e ele enrubesce e força uma tosse falsa.

— Já que ela sabe tanto – prossegue ele – ela deve facilitar mais a explicação, certo professora?

A professora nada disse apenas concordou com a cabeça, eu me levantei e fui até a frente.

— Bem... o que querem saber? – pergunto.

— Nomenclatura dos alcanos não-ramificados – diz Lira – Prossiga a explicação da professora.

— Bem, os alcanos não-ramificados, são caracterizados pela terminação ANO; os mais simples são os com até 4 átomos de carbono. Por exemplo: — peguei um giz, e comecei a desenhar uma tabela no quadro:

Ch4 é denominado Metano, Met vem de 1,

C2h6 é Etano, pois Et vem de dois,

3 é Prop, portanto ficará Propano,

4 é But, então ficará Butano.

— Os de cinco ou mais átomos de carbono já tem uma nomenclatura mais lógica. – comecei a desenhar outra tabela:

5 átomos de carbono é Pent, portanto ficará Pentano,

6 é Hex, então ficará Hexano,

7 é Hept, então ficará Heptano,

8 é Oct, então ficará Octano,

9 é Non, então ficará Nonano,

Por fim 10 que é Dec, então será Decano.

Após explicar com as tabelas me sento novamente, a sala inteira fica em silêncio, Shayla sorri para mim, um sorriso doce e gentil, eu a retribuo com um sorriso tímido.

Os sinos tocam e eu e Shayla saímos para o refeitório.

— Você viu a cara da Sirena? – pergunta ela.

— Não, estava ocupada demais com a explicação.

Eu e ela rimos até o refeitório.

— Fico feliz que você esteja aqui hoje. – diz ela.

Pegamos o almoço e nos sentamos.

— Por que você mudou tanto Derza? Nem parece a garota que me achou na floresta e cuidou de mim.

Fito o purê de batatas á minha frente, quando me lembro de algo.

— Há! tenho uma coisa para você Shayla – pego um saquinho vermelho do meu bolso e entrego a ela – Kassandra pediu que desse a você quando ficasse maior.

Ela retirou o amuleto azul que pertencia a Kassandra e lagrimas rolaram de seu rosto.

— Eu sinto tanta falta dela. – disse Shayla – eu aposto que você também.

— Sim eu sinto, mais sabe – seguro sua mão – mesmo que ela não esteja mais aqui, já valeu a pena ter a conhecido e compartilhado momentos agradáveis com ela, não importa onde ela esteja, eu guardo boas memórias dela e você também, sei que onde quer que ela esteja, ela não quer nos ver chorando.

Ela enxuga as lagrimas e coloca o amuleto ao redor do pescoço.

— Eu não acho que Dylan gostaria de a ver chorando. – Me levanto mais ela protesta.

— Você não comeu n.... – ela olha para o meu prato limpo.

— Sim eu comi, não esquenta eu vou comparecer à tarde também.

Dylan se aproxima de Shayla, saio para o pátio deixando mais uma vez Shayla e Dylan a sós.

No pátio me apoio na beirada de um muro baixo, olhando o rio que corre ali.

— Sozinha de novo? – diz uma voz.

— Me incomodando de novo Kylle?

Ele também se apoia no muro e encara o rio.

— Sabe aquela sensação de estar em um lugar muito alto e que a qualquer momento você pode cair? – pergunto e ele me encara – Eu não tenho.

— E você gostaria de ter?

— Sim – respondo – assim eu ficaria longe do perigo.

— Não tem como evitar, ele te persegue.

Me viro em um instante. De que perigo ele está falando? Lendo minha expressão de dúvida ele se vira e começa a andar, mas eu o seguro pela blusa.

— Kylle do que... – Começo, mas o sino toca e vamos para o interior do prédio.

Depois de pegar minhas coisas na sala de Química, checo meu horário.

— Vejamos... – digo a mim mesma – história Kaymer?

Não me lembro dessa matéria.

Depois de muito andar, finalmente encontro a sala, na porta encontro uma lista com os nomes dos alunos e seus respectivos assentos. Era só o que me faltava, nossos lugares marcados. “Derza -07”.

Entro na sala só há Sirena e Lira nela, as carteiras estão posicionadas em quatro filas cada mesa tem dois assentos. Sirena está ao lado da entrada na dupla da frente e Lira logo atrás, provavelmente estão cochichando sobre garotos.

Finalmente atravesso a sala e chego ao meu assento, que está localizado na última mesa ao lado da janela. Alguns minutos se passaram e os outros alunos chegam, Shayla está sentada a duas mesas a minha frente, com Dylan ao seu lado, na verdade todas as meninas tem um garoto ao seu lado; me pergunto o objetivo disso.

O professor entra, provavelmente é um lobisomem, seu cabelo e sua barba já deixam isso bem claro.

— Bom dia classe. – diz ele – meu nome é Gregório e eu vou ser o professor de vocês na matéria de História Kaymer, sei que é algo novo mais a diretora queria que vocês entendessem um pouco da nossa história, bem vamos ao que interessa. – ele retirou um pergaminho da sua bolsa e prosseguiu – irão aprender as raças, lendas do povo e outras coisas que estarão nesse contexto...

Desse jeito ele nunca me convencerá que é um professor. Alguém bate na porta e entra.

— Com licença professor, eu me perdi no corredor.

— Ah sim... senhor?

— Kylle. Kylle Stevis.

— Ok srº Stevis pode se sentar.

Tinha que ser esse idiota para interromper a aula, se bem que ela nem tinha começado.

Ele vem em minha direção.

— Com licença.

— O que você quer? – digo irritada.

— Este é o meu assento. – diz ele.

Só pode ser brincadeira, com tantos garotos nessa turma me obrigam a fazer dupla justamente com esse?

— Com licença professor – digo me levantando – eu posso trocar de lugar?

— Obviamente não senhorita, vocês estão sentados deste modo para que não haja tumulto na sala. – respondeu o professor.

— Mais eu tenho alergia ao sentar perto da janela. – insisto – eu posso sentar em qualquer outro lugar menos a janela.

— Eu posso sentar no lugar dela. – diz Sirena, obviamente eu sei porque ela quer sentar aqui.

— Isso vamos trocar de lugar. – digo

— Isso não será possível, foi a diretora que ordenou os lugares, e você senhorita... DErza não tem nenhum tipo de alergia. – diz ele finalmente.

Com muito esforço para não dizer nada eu me sento no canto. Posso ver daqui a decepção estampada no rosto de Sirena, garanto também que ela pode ver a minha.

— Muito bem – diz o professor – vamos prosseguir com a aula.

— Mais ela nem havia começado. – sussurro.

Kylle ri, não era para ele rir. Será que ele sabe que eu o odeio? Se não eu preciso demonstrar isso.

As horas se passaram, e o professor continuava tagarelando de como era a vida de lobisomem; o sino tocou e todos levantaram correndo para sair, eu fiquei sentada esperando todos saírem da porta para eu poder ir ao meu quarto.

— Você não vai? – perguntou Kylle acenando para a porta.

— Prefiro esperar, não me sinto a vontade em multidões e não é agradável se esbarrar em alguém.

— Depende de quem seja.

Eu me levanto.

— Bom já vou indo, parece que todos já conseguiram sair. – digo

— Espere! – diz ele com a voz firme – eu insisto, preciso fazer alguma coisa para me desculpar pelo 1º dia.

Nos encaramos por um minuto.

— Está bem – digo finalmente – já que insiste.

Notas finais
Tive uma ajuda na capa dessa vez, creditos para: Rhuana Moreira e Milena Nery.