Dryadales

6 Caçada 6: A novata.


Notas iniciais
Resolvi não colocar como foi a travessia da floresta, mas provavelmente vou usa-la para explicar algo mais para frente, "provavelmente".

Os dois dias se passaram muito rápido. A roupa de Akira estava totalmente manchada de sangue e ele extremamente exausto, provavelmente teve vários ferimentos e Mika os curou. A armadura de Yuzo estava bem amassada, em compensação tinha poucos ferimentos. Mika quase não tinha ferimentos, ela não curou nenhum, mas nem precisou, pois todos foram superficiais. Mika pensava que se ela estivesse muito machucada não teria como curar seus aliados, então nem se arriscava.

Os três tinham conseguido, passaram a floresta com tempo de sobra terminaram na noite do primeiro dia, Hiromi os levou a barraca ao chegarem, estavam tão fracos que dormiram antes da nova discípula de Hiromi chegar. Ela tinha ido pescar a janta.

Akira foi o primeiro dos três a acordar, mas antes disso, Hiromi já tinha acordado, já sua nova aluna ainda dormia em sua barraca. Abrindo seus olhos percebeu que Mika estava abraçada nele, como era de se esperar foi ideia de Hiromi e Yuzo. Ele tomou todo o cuidado possível para não acorda-la e saiu dos seus braços aconchegantes.

Saindo da barraca se deparou com um grande peixe morto e meio comido, ele tinha sido a janta da noite passada. O peixe era monstruosamente enorme, diria 10 vezes maior que Akira. Surpreso com o que tinha visto começou a admira-lo, depois de um tempo pensou se a “aluna” de Hiromi era o tipo de garota extremamente forte. Com esses pensamentos começou a criar uma imagem de como ela deveria ser. Com a imagem horrível que tinha imaginado fica com um pouco de repulsa de conhecê-la.

Mais a diante, do lado oposto das barracas, viu Hiromi sentado em uma tora de madeira. Ele estava atiçando uma pequena chama na fogueira para que aumentasse. Akira se aproximou e sentou-se ao lado dele para conversarem.

— Mestre! — Hiromi olha para Akira — Lembrei de algo enquanto estava na floresta.

— E o que seria?

— Agora eu sou de um Domi, e eu ainda...

— Não se preocupe! Já avisei Geki que estão comigo.

— Mas como você...

— Não lembra? Sou um meio animal. Senti o cheiro dele em você e Mika a metros de distancia.

— Seus poderes de animal me assustam algumas vezes.

— Mas deixando isso de lado — Hiromi se levanta, se aproxima mais de Akira e sussurra em seu ouvido — Aconteceu algo entre você e Mika noite passada?

— “Algo”? O que você quer dizer com “algo”?

— Esquece, você é muito tapado para perceber algo desse tipo — Começa a olhar Akira com pena dele, enquanto Akira o olha duvidoso — Em todo caso, eu vou acordar Mika e Yuzo, vá acordar minha “aluna”.

— Mas eu nem conheço ela!

— Vai conhecer, ela se chama Shion. Ultima barraca do canto esquerdo, vai logo.

— Tudo bem, eu vou — A imagem que ele tinha feito dela volta para sua cabeça, e começam a ficar cada vez pior.

Finalmente ele entra na barraca dela. As barracas eram de tamanho normal de acampamento, então não era muito espaçosa. Dentro da barraca era escuro, mas Akira pode perceber um vulto se mexendo dentro dela. Determinado ele se aproximou do vulto e acendeu uma pequena luz na palma da mão. De forma sortuda a luz não bateu em seu rosto, então ele não a acordou, conseguindo olhar melhor para Shion.

Era totalmente diferente de como Akira pensou. Shion era uma menina mais ou menos da idade de Akira, cabelos longos e azuis, e olhos também azuis, usa um furisode, um tipo de kimono com mangas longas, azul e branco. Ela parecia ser menor que Mika deitada da maneira que estava, e realmente, ela era menor.

Mais aliviado em ver que Shion parecia normal, Akira conseguiu tirar as ideias bobas de sua cabeça. Ele coloca a mão no ombro dela e dá pequenas mexidinhas até acorda-la. Shion, depois de acordar, levanta apenas a parte superior do corpo, ficando sentada, dá um pequeno bocejo e um “bom dia” sonolento, enquanto esfrega os olhos com a mão.

— Bom diaaaaah! — Shion boceja no meio da fala.

— Bom dia! — Akira começa a encara-la de perto.

— Por que está tão perto? — Diz sem expressar nenhuma reação diferente.

— Pra decorar seu rosto logo, assim não me esqueço de você.

— Você é estranho — Ela se levanta, espreguiça e continua a falar — Então, por que veio me acordar? Aliais você é o tal de Akira?

— Sim, eu mesmo. Vim te acordar porque o mestre pediu.

— Cadê os outros que estavam com você?

— Dormindo, o mestre foi acorda-los.

Shion nessa hora ainda estava com uma camisola branca pequena, mas não sentiu vergonha de Akira estar lá. Mesmo assim começou a se vestir. Colocava cada parte do kimono com graça. Vendo que Akira parecia entediado deu o obi do kimono para ele. Obi é a faixa do kimono.

— Pode me ajudar a colocar o obi?

— Claro! — Akira pega o obi da mão de Shion e ela fica de costas para ele — Por um acaso você não consegue coloca-lo sozinha?

— Não é isso! É que você parecia entediado.

— Não se preocupe esse é o meu normal.

— Akira... — Falou e tom tímido.

— O que foi?

— Você está colocando errado.

— Desculpa, nunca tinha feito isso antes.

Shion começou a explicar como colocar o obi, Akira foi seguindo as orientações. Antes que pudessem notar já estavam conversando normalmente e enrolando. Os dois estavam sentados no saco de dormir de Shion, quando Mika entra na barraca. Mika sentiu uma enorme raiva ao ver Akira com outra garota e ela já sabia o porquê. Akira sentiu-se mal pelo que tinha feito, mas não sabia a razão dessa sensação. Shion rapidamente percebe tudo só olhando para o rosto dos dois. Sentindo-se mal pelo que tinha feito tenta ajudar Akira.

— Mika, né? — Mika acena, brava, com a cabeça — Não é o que você está pensando.

Só essa frase bastou, a paciência de Mika foi totalmente esgotada, ela deu meia volta e foi embora. Akira se levanta rapidamente e corre atrás dela. Já Shion fica sentada pensando na besteira que tinha falado.

— “Não é o que você está pensando”, como eu sou idiota! — Ela fica mais alguns instantes sentada e pensativa, até que resolve segui-los.

Ao sair vê Akira tentando se aproximar de Mika, mas ela se cerca com espinheiros pouco espaçados e fica encolhido no meio. Para qualquer lado tinha pelo menos 15 metros de vinhas espinhosas totalmente entrelaçadas. Era uma planta frágil, uma simples manifestação de energia a afastaria facilmente, mas Akira não o fez. Determinado adentrou no espinheiro sem desviar de nada, sem usar um único método de proteção.

— AKIRA! Não faz isso! — gritou Shion ainda longe.

— Eu tenho que fazer! — Akira não olhou para trás enquanto falava — O ferimento que causei nela não se compara com os meus — Mika apenas observava Akira se cortando sem hesitar com expressão chorosa e sem falar nada.

Vendo a determinação de Akira todos pararam de falar e apenas o viam caminhando já ensanguentado. Chegando à metade do caminho os ferimentos começaram a ser mais profundos. Mesmo sendo frágil, o espinheiro tinha espinhos extremamente afiados. A condição de Akira estava ruim, começou a sentir tontura a 7 metros de Mika, tinha perdido pouco sangue, mas os espinhos eram venenosos, mesmo assim continuou sem fraquejar.

Os olhos de Mika ficavam cada vez mais encharcados à medida que Akira se aproximava. As vinhas estavam tão próximas uma das outras que já perfuravam seus músculos, mas o ponto máximo de sua dor ainda não tinha chegado. Enquanto Akira andava criava pequenos movimentos nas vinhas, e em meio a essas pequenas movimentações uma das vinhas se move em direção ao rosto de Akira. Ele fecha o olho, mas não ajuda, o espinho atravessa o olho dele e fica preso. Esse foi o único momento em que Akira expressou dor em todo o percurso, mas não a deixou ganhar. Tirou o espinho do olho e não o abriu mais.

Por causa da dor acelerou o passo. Os últimos metros foram mais tranquilos, mesmo com o espaço apertado. Estando a poucos passos de Mika, Akira estende a mão e dá um pequeno sorriso.

— Não fique assim. Não sei ao certo o motivo da sua raiva, eu apenas estava tentando fazer mais uma amiga — o pequeno sorriso some e seu rosto fica triste — Mas se você se sentir melhor... Me desculpe!

Várias lágrimas caíram do rosto de Mika. O espinheiro inteiro sumiu. E Mika ignorando totalmente a mão estendida de Akira, se levanta abraçando-o forte e chorando muito. Todos viram a cena e todos se alegraram ao vê-la. Akira também feliz, a abraça com mais força.

— Finalmente acabou esse mal entendido — Shion diz enquanto se aproxima lentamente.

Mika se sentia quente e confortável como sempre quando perto de Akira, e sentir seu abraço forte a fazia se sentir amada. Pensamentos felizes passavam na cabeça de Mika. Lembrava-se de cada momento que passou com Akira, cada sorriso, cada luta, demorou pouco até chegar ao recente. Akira atravessando um espinheiro, se cortando a cada passo... Quando se deu conta dos ferimentos de Akira, ele já estava fraquejando.

— AKIRA! — As forças de seu braço se esvaiam e ele adormecia aos poucos — Fica acordado! Fica comigo!

— Estou... Sonolento... Boa noite.

Akira se encosta-se ao ombro de Mika e desmaia preocupando-a. Mika o coloca no chão delicadamente. Ajoelhada sobre seu corpo, olhava seu rosto todo machucado e chorava sem parar. Suas lágrimas tocavam suas feridas fazendo-as fechar, mas o veneno continuava em seu sangue, lembrando-se disso afastou-se rapidamente.

Todos correm para socorrê-lo. Shion é a primeira a chegar, ela estava com um cantil na mão a qual usou para lavar os ferimentos ainda abertos. Colocou as mãos no peito de Akira e fechou os olhos.

— O que você está fazendo? — Disse Mika devagar enquanto se aproximava de forma lenta, como se estivesse com medo.

— Estou usando a água que entro no corpo dele para tirar o veneno.

— Deixe-me ajuda-la!

— “Ajudar”? Como?

— Posso sentir onde está o veneno!

— Ótimo! Não estava conseguindo achar.

Mika foi explicando onde estava o veneno, Shion foi seguindo as orientações e retirando o veneno. Enquanto isso Hiromi conversava com Yuzo, e como era de se imaginar, Gryphs estava em sua cabeça.

— Está a fim de ir comigo pegar o almoço?

— Mas e o Akira?

— Não vamos ser úteis aqui, então estava pensando em conseguir algo para compensar isso. Não se sente da mesma forma?

— Tem razão — diz cabisbaixo.

— Está decidido — Hiromi se vira para onde Shion e Mika estão e diz em voz alta — Shion, Mika estou indo pegar comida com o Yuzo, volto logo!

— OK!

— Bem vamos andando! Até voltarmos já vão ter tirado todo veneno.

— O que vamos caçar exatamente?

— Um rhino!

— COMO?!

— Eu consigo caça-lo sozinho, estou te levando para não ficar entediado.

— Mas mesmo assim, a carne é muito dura!

— Eu sei cozinha-la de forma que fique mole.

— Entendi, mas por que um rhino?

— Porque a carne ajuda na recuperação de sangue perdido.

Yuzo apenas ficou quieto e concordou com o olhar, os três saíram a floresta em busca do grande animal. Um rhino seria um animal parecido com um rinoceronte, mas sua pele é feita quase que inteira de um metal resistente e flexível, e tem aproximadamente 5 metros com as quatro patas no chão.

Demorou pouco menos de uma hora até que Akira finalmente acordasse. Ao acordar sente um aroma agradável, levantou-se e viu que sua roupa estava sem um único corte ou mancha e estranhou.

Chegando ao local do qual vinha o aroma viu Mika criando os temperos que Hiromi pediu, Hiromi cortando a carne do animal morto a pouco, shion misturando o caldo da comida com movimentos da mão lentos e longe do pequeno caldeirão e, Yuzo e Gryphs mortos de cansaço.

Akira foi conversar primeiro com Yuzo que não estava ocupado.

— O que houve Yuzo? Parece cansado.

— “Cansado”? “Cansado” é pouco! Fui caçar um rhino com seu mestre. Seu mestre era tão forte que fez o rhino fugir. Ele correu tanto que o Gryphs se cansou ao final da caça. Tive que voltar correndo para não ser atacado — Yuzo aparentava bravo, pois disse muito rápido todo o acontecimento.

— Você é tão sortudo! — Sua voz estava bem sarcástica.

— Eu sei...

Mika que acabara de terminar sua parte do serviço viu Akira e Yuzo conversando. Se sentindo culpada foi falar com ele.

— Akira... — A voz estava triste e tão baixa que quase não se ouvia.

— Mika... — Akira soou do mesmo jeito ainda se sentindo culpado.

— Me desculpa por ter ficado brava — Em nenhum momento tentou contato visual com Akira — Por minha causa você quase morreu...

— Não! Eu que tenho que me desculpar! Eu que te deixei brava para começo de história, se não fosse isso você não ficaria preocupada!

— Mas eu fiquei brava por nada. Senti inveja da Shion por ficar tão próxima de você!

— Por que a inveja? Gosta tanto assim deu estar perto?

— “Se continuar assim ela vai se declarar” — pensa Yuzo com um sorriso no rosto.

— Por que... Você é meu primeiro amigo!

— Você também é minha primeira amiga e não a trocaria por nada!

— “Merda! Não deu certo!” — Pensa um tanto bravo dessa vez.

— Akira! — Grita Shion ainda mexendo o caldeirão — Já está se sentindo bem?!

— Sim! Estou ótimo agora!

— Que ótimo! Ah! Dê mais uns minutinhos e a comida já fica pronta!

— OK!

Todos comeram a comida, e pelo rosto de todos estava deliciosa. Aproveitando o fato de ainda estar começando à tarde Hiromi decide começar a ensina-los.

— Bom, agora que todos já comeram vamos começar minhas aulas?

— Mas já? — A voz de Mika estava um tanto preocupada — Akira acabou de se recuperar, deveria dar um tempo.

— Não se preocupe! Vou começar com a parte teórica.

— O que você quer dizer com “teórica”? — Yuzo estava muito curioso.

— Vantagem Elemental, conservação de energia e o mais importante, o nível mágico da magia!

Notas finais
Sei que não compensei o atraso, mas o texto se escreveu sozinho... Não tive como evitar.