Notas iniciais
Só um aviso simples: A fic vai ser postada uma vez por semana, talvez duas se eu e a Lari estivermos boazinhas e vocês colaborarem nos mandando reviews...

_______________ Let’s go! _______________

“Agora tudo o que eu vejo é preto...”


Era um dia chuvoso em Toronto, Canadá. Mr. Beckford estava em seu Jaguar preto enquanto voltava do seu escritório. James Beckford era um renomado advogado no Canadá, vinha de uma família rica e se formou em Yale como melhor aluno. Seu pai também era um advogado renomado, esse título passou através de gerações, os famosos advogados Beckfords. James tinha uma filha de dezessete anos, Melissa, e era casado com Leslie, uma arquiteta. O caminho estava nublado e James dirigia devagar, com todo o cuidado possível. Ouviu o celular tocar e o deixou tocar, aquele som já estava se tornando insuportável, seu celular tocava insistentemente e então ele resolveu atender, poderia ser algo importante.

–Alô?

–Pai?

–Oi querida! –Disse sorrindo, mesmo sabendo que a filha não poderia ver isso

–Já ta chegando em casa?

–Sim. Por quê?

–Queira te pedir pra passar no Starbucks e comprar uns donuts pra mim. – Respondeu rindo

–Tudo bem, eu vou... E nem precisa se preocupar por que já sei qual sabor comprar. –Riu terno.

Ele e a filha eram bem apegados e se conheciam muito bem. James tinha uma relação que, podia-se dizer, era mais que ótima com sua filha. Se despediram e encerraram a chamada. Mas o que James não esperava era que um cachorro resolvesse atravessar seu caminho. O rapaz se assustou e buzinou para o cachorro tentando desviar o carro e não o atropelar, mas foi em vão. A pista molhada não cooperou com a manobra do homem e os pneus de seu jaguar derraparam fazendo-o girar num perfeito ângulo de 180°, parando ao bater num poste de iluminação. O choque havia sido exatamente no lugar do motorista, que ficou completamente destruído. O AirBag cuidou para que a cabeça de James não batesse com força sobre volante, mas o impacto maior tinha sido na lateral, que estava destruída. Alguns transeuntes viram o acidente e ligaram assustados para uma ambulância, que chegou exatos 10 minutos após a ligação.

***

–Boa noite, eu gostaria de falar com a Mrs. Beckford... – Ouviu uma voz séria dizer ao atender o telefone

–Pois não, é ela quem fala. – Respondeu sendo breve e educada

–Sinto lhe informar, mas seu marido sofreu um acidente de carro na Bay Street e se encontra hospitalizado no momento. Parece que ele falava ao celular quando seu carro derrapou e se chocou contra um poste. – A voz feminina era calma e séria. Leslie tinha parado de escutar o que a mulher lhe falava no momento em que ouviu as palavras “seu marido sofreu um acidente”.

–Oh meu Deus. Por favor, qual o endereço do hospital? – Pediu desesperada. Algumas lágrimas já ameaçavam cair. Pegou um bloquinho de notas na escrivaninha próxima ao telefone e anotou o endereço que a mulher lhe passou. A mulher desligou o telefone e correu para a sala de vídeo onde Melissa assistia a seu seriado favorito na televisão.

–Melissa, seu pai! –A mulher tentava dizer algo concreto mas sua capacidade de raciocinar parecia ter se esvaído completamente.

–Calma mãe. Fala o que aconteceu... –Pediu calma dando pause em seu seriado e se virando para ver a mãe.

–Seu pai... Ele sofreu um acidente!

–O que? Onde ele ta? Eu quero ver ele! – A garota entrou em desespero e se levantou se colocando em frente a sua mãe

Mãe e filha saíram da mansão Beckford e pegaram um taxi para o Toronto General Hospital. Leslie não estava em condições de dirigir e ela sabia disso. Quando o taxi estacionou a mulher tirou de sua bolsa uma nota de cem dólares e entregou ao motorista dizendo-lhe que podia ficar com o troco como gorjeta, o homem sorriu e agradeceu.

–Boa noite, eu sou a Mrs. Beckford, meu marido sofreu um acidente e trouxeram-no para cá... – Disse num único fôlego chegando à recepção

–Boa noite. James Erik Beckford?

– Sim. É ele. Ele esta bem? – Dessa vez quem falara foi Melissa, estava tão desesperada quanto a mãe e precisava saber do pai.

–No momento ele esta em uma cirurgia. Vocês podem aguardar ali, logo um médico responsável pelo caso de seu marido virá falar com você e sua... Filha? – Foi tudo o que lhes informou

–É, minha filha... –Disse e foi até o local onde a jovem moça havia lhe informado

Depois de horas na sala de espera, um médico que estava comandando a cirurgia de James foi até a sala de espera.

–Mrs. Beckford? –Perguntou se aproximando de Leslie que estava de cabeça baixa ao lado da filha.

–Sim, sou eu. –Respondeu rápido se levantando e olhando para o doutor apreensiva. – Como ele esta doutor?

– A cirurgia correu bem e o senhor James está em coma induzido para poder acompanharmos melhor o processo de recuperação dele nas próximas horas.

– Eu posso ver ele? –Perguntou Melissa com a voz trêmula

–Sim. – Sorriu terno – Mas antes, creio que vocês queiram saber o que aconteceu... – As duas assentiram com a cabeça e o médico prosseguiu. –Pelo que parece, ele estava falando no celular enquanto dirigia, e, de acordo com um pedestre que ligou para a emergência, ele quase atropelou um cachorro e derrapou enquanto tentava desviar o carro do animal.

Ao ouvir o que o médico disse Melissa sentiu uma pontada em seu peito, ela era a culpada por isso, foi ela quem ligou pro pai enquanto ele dirigia. Agora o pai dela estava em uma cama de hospital por causa dela. A garota começou a chorar novamente, recebendo um abraço acolhedor da mãe.

–A culpa é minha! A culpa é toda minha! Ele tava falando comigo! – A voz da garota saiu abafada contra o peito da mãe.

–Shhhhhh, a culpa não foi sua. Você não tem culpa de nada. Não se martirize querida, a culpa não foi sua... –Falou calmamente afagando as costas da filha

O médico as conduziu até o quarto em que James estava e as deixou lá para que pudessem ter um pouco de privacidade.

Assim que Melissa entrou na sala com sua mãe, ela foi para o lado da cama onde seu pai estava. Ela o viu todos aqueles aparelhos ligados a seu pai e sua culpa só parecia aumentar cada vez mais e mais.

–Desculpa... –Balbuciou sussurrando entre o choro. – A culpa é toda minha, eu não deveria ter te ligado. – Disse acariciando a mão do pai

Leslie também segurava a mão marido e com a mão livre afagava as costas da filha. A mulher tinha que ser forte naquele momento, tinha que passar força para a filha. Quando estivesse sozinha ela podia se despir daquela máscara de mulher forte, mas ali perto da filha não.

De repente Melissa sentiu a mão de seu pai se mover e um fio de esperança surgiu em seu coração, mas esse fio de esperança logo foi substituído por um amontoado de desespero quando o monitor paramétrico começou a apitar e alguns médicos entraram na sala correndo, junto com alguns enfermeiros. Dois dos enfermeiros retiraram Leslie e Melissa da sala enquanto os outros faziam um círculo em torno do paciente. Melissa estava em pânico e tentava entrar na sala, mas um enfermeiro a tinha mantida presa em um tipo de abraço não deixando a garota escapar de seus braços. Leslie olhava o movimento dos médicos dentro da sala através de um tipo de janela que tinha no quarto. O estado de pânico de Melissa e Leslie só fez aumentar quando um dos médicos, o mesmo que havia falado com elas antes, começou a manusear o desfibrilador.

O médico usou o método de desfibrilação uma... Duas... Três vezes. Nada. Nada aconteceu. Todos ao redor de James se olharam cabisbaixos enquanto do corredor Leslie e Melissa gritavam desesperadas por James.

–PAI! POR FAVOR, PAI! NÃO ME DEIXA! –Melissa se debatia nervosamente nos braços do enfermeiro tentando se soltar desesperadamente para entrar naquela sala, ela tinha que ficar perto do pai, ele não podia deixar ela. Leslie chorava de forma descontrolada. As duas estavam em um estado que se descrevia em puro pânico. Perder alguém importante já é difícil, e quando você esta ali vendo aquele que tanto ama partir é como se o sofrimento se multiplicasse trocentas vezes.

–NÃAAAO! –Melissa já não tinha mais forças para se debater e nem para gritar. Tudo o que sentia era dor.

Involuntariamente, Melissa se lembrou de seu último momento com seu pai.

*Flashback*

–Tchau querida. –Disse dando um beijo carinhoso na testa filha.

–Tchau pai. – Observou o homem pegar as chaves de seu carro. – Pai, espera! –Chamou vendo o homem perto da porta.

–O que foi? –Sorriu

–Eu te amo...

–Eu também te amo muito filha. Você é a melhor coisa que já aconteceu na minha vida. –Disse se aproximando de Melissa lhe dando um abraço

***


Notas finais
O que acharam?
Vou deixar aqui um crédito especial ao meu pai por ter escolhido o carro do James u.u