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31 30. Surpresas


Notas iniciais
Genteeeee ♥ As minhas mais sinceras desculpas pra vocês! Eu juro que não passei um dia sem me sentir culpada por não postar, mas a minha escola voltou de uma greve e voltou com tudo! Matéria acumulada, semana de provas e estudo sem fim, eu mal tinha tempo pra respirar, quem dirá escrever! Mas eu juro que vou tentar conciliar tudo agora, tá? Eu detesto ter que desaparecer, e detesto precisar ler as suas mensagens brigando comigo por causa disso porque eu sei que a culpa é toda minha. Peço que me perdoem (pelos atrasos e pela quantidade de vezes que eu já fiz vocês esperarem por uma atualização!) Esse capítulo foi muito bom de escrever, gente ♥ já peço perdão pelas eventuais trolladas e talvez por possíveis lágrimas (idk, pode acontecer!) e também pelo choque no fim do capítulo ¯_(ツ)_/¯ Boa leitura! :)

Palavras eram compostas na tela à minha frente, e pouco a pouco, frases e parágrafos iam surgindo quase como mágica. Meus dedos saltavam de uma tecla para a outra, fazendo o delicado som do teclado reverberar pelo meu corpo. Eu mal piscava, preso à minha própria narrativa. Até que o som da chave virando na trinca me despertou dos devaneios.

Meus movimentos cessaram instantaneamente, e eu olhei para a porta branca numa questão de segundos. Kate caminhou para dentro, despindo-se do casaco e jogando as chaves na vasilha de cristal.

– Como foi? – perguntei.

Ela deu de ombros, caminhando até a cozinha.

Havia algo de errado, e a informação estava explícita em seu rosto; eu apenas não conseguia decifrar o que era. Tornei a olhar para a tela do computador, o cursor pulsante me julgando pelo abandono momentâneo, e no momento em que meus dedos voltaram a tocar nas teclas, Kate já estava ao meu lado, praticamente saltando sobre o meu corpo.

Meu coração quase saltou do peito, e o sangue pulsou com força em meus ouvidos enquanto eu afastava o computador, jogando-o do outro lado do sofá. Logo, Kate estava encolhida ao meu lado, com a cabeça repousando no meu colo; ela parecia serena. Eu, por outro lado, à beira de um ataque de pânico. Mergulhei meus dedos nos cabelos sedosos, e parte do meu susto esvaeceu quando os fios passavam entre os meus dedos.

Ela suspirou – Nós somos horríveis.

– O quê? – questionei, puxando seus cabelos para o lado para que pudesse ver seu rosto.

– Nós não somos mais aquelas pessoas de antes – ela bufa – O que aconteceu com a gente, que de repente o mundo parece tão sério, tão… sem graça?

– Nós crescemos, eu acho – tento brincar, mas ela não sorri – Kate, o que está acontecendo?

Ela não responde.

– Kate?

– Eu não sei o que aconteceu. – ela ri com desgosto – Em um dia, nós estávamos andando pelo parque de diversões e comendo pizza só com a roupa de baixo. Hoje… hoje nós já estamos com o casamento marcado, com propostas de emprego e faculdade. Rick, eu não quero me ajustar nos padrões. Eu não quero que sejamos aquele casal estatisticamente mediano, que só conversa quando têm um problema. Eu quero que nós sejamos nós mesmos, mas… eu não sei.

Pisco, atônito.

Meus dedos já não se movimentam em seus cabelos, e meu coração acelerou consideravelmente dentro do peito. Eu ainda não tinha parado para pensar por esse lado, de tão obcecado que vinha estado por causa das propostas de edição e publicação do livro. Jamais parei para pensar sobre como vínhamos nos afastando e fazendo com que aquelas pessoas que éramos no início simplesmente desaparecessem.

Afastei-me dela e comecei a traçar uma reta até o quarto.

– Rick? – ela me chama, mas eu sequer vacilo.

Estou disposto a não nos deixar cair na mediocridade. Nós não vamos ser aquele casal que não tem intimidade, e não vou deixar que quem éramos desapareça. Eu não posso deixar.

Ela reclamava mais do que eu jamais tinha visto alguém reclamar.

– Por que eu não posso ver? – ela dizia – Não é como se eu já não conhecesse a nossa própria casa, não é?

Ou

– Rick! Deixe de ser criança e tire logo as mãos dos meus olhos.

Mas eu persisti, e quando chegamos ao banheiro, fiz-la prometer que ia manter os olhos fechados e, lentamente, comecei a puxar sua blusa para cima, prensando seu corpo contra a bancada de mármore. Ela conteve o grunhido, mas pude ver suas bochechas começando a ficar coradas e, ainda assim, com os olhos fechados.

Atirei a blusa para o outro lado do cômodo, pouco me importando em checar onde ela tinha ido parar. A pele branca contrastava com o sutiã azul-escuro, e senti a garganta fechar diante daquela visão.

Eu sempre a achei mais bonita daquele jeito. Um pouco suada, com os cabelos despenteados e sem maquiagem. Talvez porque, diante das circunstâncias do nosso primeiro encontro, eu preferia vê-la de um modo que nenhum outro homem jamais havia visto.

– Rick… — a voz dela falhou quando meus dedos roçaram na pele nua abaixo do umbigo.

Desabotoei a calça e deslizei-a pelas pernas esguias, a todo momento checando se ela mantinha os olhos fechados, e jamais fiquei tão surpreso por constatar que ela não tinha espiado sequer uma vez. Toquei a barra da calcinha, e vi quando ela prendeu a respiração, segurando tão forte na pedra maciça que os dedos ficaram brancos.

Arranquei o tecido de seu corpo, e ela soltou um grunhido abafado, mordendo os lábios e franzindo o cenho. Alisei a pele macia de suas coxas, fazendo questão de provocá-la, e não deixei de olhar para seu rosto em momento algum.

Por favor… — ela sussurrou.

Deixei um sorriso estampar o meu rosto e coloquei-me de pé, olhando diretamente para seu rosto, onde deixei uma trilha de beijos que seguia até o vão do pescoço. Apoiei a cabeça ali enquanto meus dedos trêmulos trabalhavam no fecho do sutiã; e, céus, jamais odiei tanto aquela coisa.

– Nós não vamos ser mais um casal na estatística – murmurei ao pé de seu ouvido, e ela se contorceu quando a última peça de roupa em seu corpo caiu no chão.

Rapidamente, tirei as minhas roupas.

Então, fiquei olhando para ela. O corpo magro, as curvas delineadas, os seios pequenos e os cabelos longos. Tudo nela me atraía de formas inimagináveis, de jeitos extremamente… únicos. Ela era única, e eu queria que ela jamais esquecesse o quão importante vem sendo na minha vida.

Puxo seu corpo de encontro ao meu, segurando-a no colo. Ela solta um gritinho surpreso, enlaçando o meu pescoço com os braços e, consequentemente, abrindo os olhos. Mas ela não olha para mim.

O seu foco está nas velas espalhadas pelo banheiro; na banheira cheia de espuma e da garrafa de champanhe descansando num balde de gelo ao lado. A boca dela se abre, formando um ‘O’ perfeito, e seus olhos cintilam, mesmo à luz fraca do cômodo; posso ver, mesmo com dificuldade, que ela enrubesce furiosamente, suas bochechas adotando o mais escuro tom de escarlate.

– Eu…

– Shh – roço a barba por fazer em seu pescoço – Vamos só… vamos esquecer o mundo lá fora. Somos só nós dois agora.

– Rick? – Kate despertou-me dos meus pensamentos – Tens espuma aqui.

Senti seus dedos delicados pelo meu nariz, e eu senti a espuma se acumulando sobre os meus lábios. Traiçoeira… ri-me e sacudi a cabeça, espalhando espuma pelo banheiro.

– Ah, é? – brinquei, mergulhando a mão na banheira – E você tem espuma aqui!

Juntei os nossos lábios e segurei a parte de trás de seu pescoço, puxando-a para perto ao mesmo tempo em que espalhava a espuma pelos seus cabelos e, consequentemente, pelo seu rosto. Ela riu durante o beijo, empurrando o meu peito e tentando se afastar.

Nós podíamos não estar tão próximos quanto éramos no início, mas no fim, tudo o que vínhamos fazendo e todo o tempo que passamos um pouco mais afastados um do outro não significavam muita coisa. Tudo se resumia no amor que sentíamos um pelo outro, e eu não achava ser possível sentir algo tão puro por alguém, e tenho certeza que ela pensa a mesma coisa.

– Rick! – ela brigou – Agora eu também tenho espuma no nariz!

Nós rimos e, lentamente, ela voltou a se aconchegar no meu peito, deitando a cabeça em meu ombro e entrelaçando os nossos dedos. Apoiei o queixo no topo de sua cabeça e fechei os olhos, sentindo o cheiro de cerejas empestear os meus sentidos, sentindo os meus dedos ficando enrugados pouco a pouco. Mas nada disso importava.

Tudo o que eu sabia era que nós jamais faríamos parte da estatística.

Kate vestia o roupão, embora eu tivesse dito milhares de vezes para retirá-lo. O jogo na televisão parecia bom, mas eu só conseguia olhar para ela, recostada no meu peito, roendo as unhas e mexendo nos cabelos molhados. Pelos cálculos, a pizza que pedimos já devia estar chegando, mas eu não tinha vontade alguma de levantar daquele sofá.

Mas, entre deixá-la atender à porta somente de roupão e ir até lá, a minha escolha talvez seja óbvia. Não que eu seja ciumento; eu só não quero que outros homens a vejam do jeito que eu vejo.

– Pare de olhar para mim – ela pede.

– Não consigo.

Lentamente, ela ergue a cabeça e nossos olhares se encontram. Um sorriso tímido surge em seu rosto e ela morde o lábio para tentar disfarçá-lo. Toco seu queixo com o indicador, puxando seu rosto para cima enquanto curvo as costas para alcançar seus lábios. O choque estático quando nos beijamos jamais desapareceu, e é a sensação mais deliciosa que eu já experimentei em toda a minha vida.

– Rick – ela murmura, quebrando o beijo – Vamos perder o jogo.

– Não importa – rebato, voltando a beijá-la.

Eu não sei quando é que aprofundamos o beijo ou sequer quando ela sentou no meu colo. A questão é que, quando dei por mim, minhas mãos estavam em seu cabelo, e ela arranhava de leve a pele nua do meu peito. O calor começava a se tornar insuportável, e eu sentia os pulmões ardendo, entrando em combustão e lentamente se transformando em cinzas pela falta do oxigênio.

O beijo dela era abastardante, e eu devia ter sabido isso antes. Agora era tarde demais, e eu não ia conseguir (e nem quereria) deixar de prová-lo dia após dia, noite após noite.

Então, a campainha soou.

Nós nos afastamos rapidamente, quase como adolescentes pegos em flagra ao fazer algo que não deviam. Estávamos ofegantes, e Kate começou a rir no momento em que a campainha soou novamente. A risada dela foi contagiante, e logo eu me vi rindo também; completamente alheio a qualquer coisa que não fosse a nossa situação. Minhas mãos ainda estavam apoiadas em suas coxas, e ela ainda envolvia o meu pescoço com os braços, mas nós ríamos como crianças.

Talvez aquela fosse a nossa mágica.

– Rick? – ela arfou, encostando as nossas testas.

– Hm?

– Nossa pizza já chegou – ela respirou fundo, mas não se moveu.

– Eu sei.

Lentamente, ela se encolheu do outro lado do sofá e eu me pus de pé, caminhando até a porta. Mas, quando eu a abri, não vi exatamente o que esperava encontrar. Dois homens prostravam-se de pé na varanda, e um deles tinha uma enorme mancha no centro da camisa que usava.

– Olá, Richard.

– Uh… — gaguejei.

Sem esperar que eu dissesse alguma coisa, Roy entrou na casa com o outro homem apoiado em seus braços. Kate soltou um grito aterrorizado e se afastou o mais rápido que pôde dos dois, deixando o sofá livre para que Roy deitasse o desconhecido. Fechei a porta rapidamente, na esperança de que ninguém do lado de fora tivesse visto o que estava acontecendo ali.

Por mais que eu fosse extremamente grato a Roy, pensei que ele já estivesse longe demais para sequer se lembrar de nós e, agora, o que eu mais desejava era que ele simplesmente fosse embora com o seu sei-lá-quem ensanguentado.

– Lembram-se de mim? – Roy se aproximou de Kate, que deu passos defensivos para trás, se aproximando de mim o mais rápido possível – Oh, não fui eu quem fez isso com ele, caso estejam imaginando o pior.

– O que você está fazendo aqui? – questionei, colocando um dos braços por cima dos ombros de Kate, que se encolheu em meu abraço, quase como se eu fosse uma concha protetora.

– Montgomery – o homem balbuciou – Filho, que lindo, ótimo…

Kate escondeu a cabeça no meu peito e eu olhei ameaçadoramente para o homem delirante e ensanguentado no meu sofá enquanto Roy se aproximava de nós. Instintivamente, apertei Kate contra o meu corpo numa tentativa de protegê-la do que quer que fosse.

– Criança, eu não espero que você entenda – Roy começou – E não espero que me apóiem nisso, mas a questão é que nós dois estamos em perigo. E, se nós não conseguirmos dar a volta por cima, vocês dois não estarão mais seguros. Eu mantive a minha promessa, e eu vou ajudá-los até quando for possível, mas não posso concentrar-me em vocês quando a minha própria cabeça está a prêmio, entendem isso? Então, a não ser que queiram lidar com tudo isso sozinhos, vocês vão me ajudar.

– A você, tudo bem – digo, sentindo a voz bem menos confiante do que estava no começo – Mas e quanto ao vermelhinho ali?

– Ah – Roy olhou para o homem delirante, que agora exibia os dentes num sorriso assustador e quase infantil – Você vai ver por que deve ajudá-lo.

– Ah, é? – questionei, alisando os braços de Kate, que tremia como eu jamais havia visto – E por quê? Nós temos algum parentesco distante? Ele é algum tipo de anjo da guarda? Porque, a não ser que tenha algo a ver com isso, eu não vejo nenhum motivo para que eu…

– Talvez – Roy começou –… você veja que ele é aquilo com o que você sempre sonhou, rapaz.

O qu…?

Roy se aproximou do homem, mais delirante do que nunca, e sorriu convencidamente para mim, com os olhos brilhantes e pequenos espasmos no canto dos lábios.

– Richard – ele começou –, conheça o seu pai.

Notas finais
EU SEI EU SEI EU SEI EU SEI (não me matem. obrigada, de nada) Alguém já tinha me perguntado há algum (muito) tempo se o Jackson não ia aparecer na história, e como eu ainda não tinha bolado um bom plot pra eles, não cheguei a responder exatamente (desculpa aí, pessoa). Mas agora, com todo esse tempo afastada (mais uma vez, desculpe), eu finalmente consegui bolar um plot pra ele, então tamo aí :) Ah, e por um pedido da Karev eu pus no meu perfil o link do meu facebook e do meu twitter pra que vocês possam entrar em contato comigo quando eu der esses sumiços, só pra vocês não ficarem no escuro caso eu não consiga avisar. Tudo bem? :) Vejo vocês nos comentários? ¯_(ツ)_/¯
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.