Dream's Place
36 Provas Atrasadas
A manhã já estava brilhante em Kyoto. Arcano Cartezus estava na sua cama e ao seu lado estava Fukuba Tanda. A loira estava despida e apenas coberta pelos lençóis. Arcano estava apenas com uma bermuda e olhava para a mulher. Ele se levanta e vai ao banheiro. Vai até a pia e começa a lavar o rosto. Ele olha para o espelho – Onde será que está o Edward? – pensava ele com uma certa preocupação. Por mais que ele tivesse envolvimento com as células e com a farsa da luta dele, Arcano gostava do filho como qualquer pai.
Tanda ainda estava dormindo. Um vestido preto e roupas intimas vermelhas estavam jogadas no chão ao lado da cama. Cartezus voltou para o quarto e olhou para a mulher deitada. Ela realmente era bastante atraente. As curvas de seu corpo eram extremamente bem modeladas, chegava a ter uma beleza comparada de uma deusa grega, mas aquilo realmente teria certo sentido se fosse avaliar bem. O americano pronunciou ao sair do quarto:
– Você realmente é que nem uma tempestade, foudre cellule.
Em outro lado da cidade estava Natsumoto Hachiro solitário em seu quarto. Era um mestre de taekwondo bastante renomado, porém era triste pela sua mulher. Mesmo com essa tristeza ensinava bem seus alunos que iam todo dia ao dojo treinar. Já estava velho e aposentado da carreira profissional, mesmo assim sempre era lembrado em vários eventos marciais e não apenas da área em que lutava. Seus cabelos já estavam esbranquecidos, mas não era devido a velhice, mas sim a preocupação que tinha pela mulher no hospital e o incidente que houvera há alguns dias não ajudava nada a melhorar essa situação. Em outro cômodo da casa estava o filho dele, que já se aprontava pra ir à escola. O ruivo olhava-se no espelho de seu quarto refletindo em como aumentaria seu poder. Ele queria enfrentar novamente o homem que encarou no hospital e no fundo também desejava superar o poder da célula de Tankeno. Ele bateu as mãos no rosto com uma força moderada e exclamou:
– Hoje tentarei aquilo!
No anexo da escola, Hayllana estava escovando os longos cabelos castanhos. Mesmo depois da noite de sono ela ainda recordava-se do belo garoto do celular, o qual não tivera nem coragem de falar. Nunca havia se sentido daquele jeito – Será que eu estou apaixonada por ele? – seus pensamentos se debatiam com isso – Mas eu nem mesmo o conheço direito, não deveria estar assim... Que droga, eu não sou assim! – pensou alto sem perceber e corou logo após. A garota começou a se apressar nos afazeres e parou com os devaneios.
***
Tankeno e Morpheu já estavam saindo de casa. Os dois conversavam sobre as provas que não fizeram. Enquanto caminhavam, Tank dá uma leve olhada no parque e vê que um garoto está lá. Ele olha mais atentamente e percebe que é Hihiro, que estava em pé e com o uniforme da escola Yumeushi. Ele olha pra Murphy, ele confirma algo com a cabeça e eles atravessam a rua correndo até Tatsuda. O garoto não vê eles se aproximando, pois estava concentrado em seu celular. Tankeno ao chegar, diz à Hihiro:
– Olá, Tatsuda! Desculpe-me por aquilo de ontem – Hihiro continua a prestar atenção no celular por alguns segundos e depois finalmente olha para os dois jovens que haviam chegado perto dele. Ele levanta a mão como cumprimento e responde:
– Tudo bem, já me acostumei com a falta dele. Posso ir com vocês a escola?
– C-claro que sim! – responde Tankeno meio que espantado com a pergunta simples do garoto.
– Obrigado – Hihiro deixa escapar um leve sorriso. Seu celular vibra e ele volta a atenção para ele novamente.
Os três caminhavam conversando sobre os mais variados assuntos. Hihiro diz que também tem provas pendentes, pois precisou faltar na semana. Morpheu ouvia ele falar isso, mas sabia que pelo menos algumas dessas provas tinham sido do dia em que o garoto batalhou contra Hayllana. Ao pensar nisso, voltou-lhe a preocupação com Tatsuda, mas dessa vez não em reconhecê-lo, mas sim que aquela aparência pacífica e serena poderia ser apenas uma farsa, afinal ele digladiou com Sasagawa, mesmo que ele não a tenha atacado seriamente em nenhum momento da batalha.
Finalmente chegaram na escola. Logo na entrada encontraram com Kuzaru e Hayllana. Eles estavam discutindo por algo:
– Pra que você tá com essas coisas penduradas nas calças?! Tá parecendo um maloqueiro rebelde que fugiu de casa e odeia toda família e a vida! – Hayllana falava meio que furiosa para Kuzaru.
– Não te interessa para o que são, sua bola rosa!
– O que você quis dizer com bola rosa?! – a expressão da garota era de fúria, ela pegou o guarda-chuva e começou a acertar o ruivo sem parar. De repente ela olha pro lado no meio da confusão e vê Hihiro rindo da situação junto de Tank e Murphy. Seu rosto todo fica vermelho e ela começa a suar. Hihiro depois de mais algumas risadas, pergunta olhando para Kuzaru:
– Vocês são namorados? – Sasagawa nesse momento fica totalmente vermelha e nem ao menos deixa Kuzaru responder alguma coisa e grita:
– N-na-nãooooooooooo! Não mesmo! – após falar isso ela olha no rosto de Hihiro – A-ah, preciso ir pra sala logo, até mais tarde! – ela corre sem olhar pra trás e corava mais a cada passo que dava. Kuzaru ri da garota e olha para Tatsuda e diz com pequeno sarcasmo:
– Ei, cell boy, ela gosta de você. Tá ferrado, cara! Hahahahaha!
– Como assim gosta?
– Você é tão inocente assim? – o ruivo ri da situação – Deixa quieto, você descobrirá!
Hihiro apenas volta as suas mensagens e não diz mais nada. Os quatro garotos vão andando até a entrada da escola e quando chegam lá o garoto viciado no telemóvel diz aos outros:
– Minha sala é aqui embaixo mesmo, então preciso ir. Até depois!
– Até! – disseram os outros três garotos em coro e continuaram andando até as escadas.
Enquanto andavam, Tankeno reparou no que Hayllana tanto reclamava com Kuzaru. Havia correntes amarradas em suas coxas por cima da calça do rapaz. Oyahashi olha pra cara de Kuzaru e pergunta:
– Pra que diabos são essas correntes?!
– Ah sim. É que vou treinar depois da aula e vou usá-las como pesos.
– Mas se é só depois da aula, por que você já tá com elas aí?
– É que achei que estaria estiloso assim! Hahahaha!
– Nossa Kuz... – Tank bate com a palma da mão em sua própria testa ao ouvir isso – Não seriam mais fáceis alguns pesos?
– Hum... Seriam né? Não tinha pensado nisso... – Kuzaru parou e colocou a ponta do dedo indicador em cima dos lábios e começou a ficar pensativo. Ele adentrou sua sala apenas levantando a outra mão para se despedir de Murphy e Tank.
Os dois jovens remanescentes seguem para a sala sem interrupções e lá estava o professor Fig. Ele olhou para os dois e disse:
– Sentem-se e me digam as provas que não fizeram.
Os dois apenas fazem o que foi pedido. Boulevard Fig sorri para os dois e junto com as provas entrega um pequeno pedaço de papel. Eram as respostas das questões. Os dois olham para ele, que simplesmente dá uma piscadela de olho. Aquilo não era de se esperar de um homem como aquele velho que por muitas vezes era rabugento, mas eles então utilizaram do que lhes foi dado. Tankeno tinha duas provas a fazer e Edward tinha um pouco a mais, no total de cinco provas.
O tempo passou. O sinal finalmente bateu e os dois garotos entregaram as provas ao professor Fig, que disse a eles:
– Preciso falar com vocês!
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