Dream's Place

24 Negando o Pai


Notas iniciais
Desculpem pelo atraso e boa leitura!

Kusaribe levava Murphy até a escola. O garoto nunca se imaginaria na situação de estar lado a lado do seu rival calmamente, depois de saber sobre o que havia ocorrido naquela luta. Balboh não parecia nenhum pouco ameaçador naquela situação cotidiana, pelo contrário, parecia ser tão sereno quanto o garoto negro. Edward parecia finalmente ter acalmado apenas com a presença do homem de cabelos azuis espetados. De uma maneira estranha a presença dele trazia paz ao ambiente. Finalmente chegaram ao portão da escola. Morpheu desceu e agradeceu ao homem de cabelos celestes, que sorriu e disse:

– Quando precisar de novo de algo é só me chamar – o boxeador entregou um cartão de contato para Murphy – Eu provavelmente sei o motivo pelo qual você estava zangado, mas me desculpe, fiz aquilo porque fui forçado pela organização – ele fecha o vidro do carro. Murphy, espantado, o chama:

– Como você sabe que eu… – o carro sai em velocidade e deixa Morpheu sem resposta. No carro Balboh diz para si mesmo:

– Desculpe pelo o que fiz. O verdadeiro campeão é você, Edward Morpheu!

Murphy apenas observava o carro sumir pela rua. Se perguntava como ele havia descoberto que ele já sabia sobre o caso da luta de boxe. Morpheu olha para seus punhos e se lembrou de um ensinamento que ouvira no passado: “No momento em que tenta acerta o inimigo, você transmite seus sentimentos para ele”. Morpheu ao lembrar disso, olha com determinação para suas mãos e segue para a escola. Quando finalmente o garoto tem atravessado a rua, alguém esbarra nele. Era Kuzaru que chegava correndo e cumprimenta:

– Oi Murphy, foi mal aí, é que eu tô atrasado – o garoto levanta-se e começa a correr de novo em direção à sua sala. Morpheu também estava atrasado, porém não estava apressado. A primeira aula era de seu pai e durante todo o trajeto ele não havia visto o carro passar, então não estava preocupado e mesmo que tivesse visto ele não queria olhar na cara de seu pai mesmo. Passaram-se alguns minutos até que Edward chegasse a sala. Já estava 30 minutos atrasado para a aula, porém não se preocupava. Quando abre a porta todos o olham, inclusive seu pai, que de algum modo já estava presente na sala. Cartezus falou ironicamente ao vê-lo:

– Oh, se não é Edward Morpheu atrasado. Desculpe por não tê-lo acordado hoje, tinha compromissos importantes aqui na escola e não podia deixar minhas células sem energia, né?

A raiva estava subindo a cabeça de Murphy de novo. Ele iria partir pra cima de seu pai sem hesitar se ninguém fizesse nada, até que de repente Morpheu ouve uma voz ao seu lado na porta:

– Com licença Arcano, queria resolver alguns projetos inter-disciplinares com seu filho no laboratório de Ciências… posso? – Era o professor Fig que havia surgido atrás do garoto. O velho como era pequeno chegou imperceptível atrás de Murphy. Arcano olhou meio que decepcionado para o seu companheiro do corpo estudantil e disse:

– Ok, leve-o com você!

Murphy ainda hesita ao sair da sala, ainda queria confrontar seu pai. Ele olha para Tankeno antes de sair com um olhar triste, que chama a atenção do seu amigo que responde o olhar com um preocupado.

Boulevard Fig caminhava até o laboratório sem falar nada ao garoto. Parecia estar se precavido para que alguém ouvisse algo importante falado por ele. Quando finalmente chegaram ao laboratório, lá havia mais duas pessoas. Eram os doutores que ele tinha visto quando Kuzaru estava internando no hospital. O velho homem de olhos azuis e óculos redondos, observava o garoto negro através de suas lentes e cada vez se aproximava mais. Quando estava quase encostado no braço de Murphy, que olhava constrangido para o homem, ele passou a língua no forte braço do garoto e gritou:

– Ai que tesão! – o médico se arrepiou ao falar isso e em seguida foi golpeado por um forte golpe na cabeça da mulher de cabelos azuis escuros, que disse em seguida:

– Pare com isso tio! Você realmente é o desgosto da nossa família!

A garota de cabelo azul escuro continuava socando a cabeça de seu tio, quando seu tio gritou:

– Basta Samantha! Eu sei que seu tio não é nenhum motivo de orgulho, mas pare.

– Desculpe, pai… – a mulher aquietou-se.

Morpheu apenas olhava sem entender bem mais a confusão que já se mostrava ser uma família. Fig bateu seus olhos no garoto e se disse a ele:

– Desculpe a confusão. Já que você se envolveu com nossas confusões familiares eu irei lhe explicar – Fig se sentou e começou a falar. Como você deve ter percebido, esse afeminado é meu irmão, seu nome é Boulevard Figaro. Ele é apenas meu irmão por parte de pai, então não se preocupe que não atacarei você.

– Um cientista como você deveria saber que o homossexualismo não é totalmente genético – interrompeu Figaro enquanto deixava suas munhecas leves e as balançava.

– Eu sei disso, apenas estou tentando brincar…

– Não parece que está brincando – interrompeu novamente falando fazendo bico e leva outro soco de Samantha. Fig deu uma tossida e continuou:

– Continuando, essa é minha filha, Boulevard Samantha. Ela também é uma célula, mas não se preocupe, ela está do nosso lado – a mulher para de bater no tio e sorri pra Murphy – Bom, mas vamos agora ao intuito de termos trazido você aqui. Queremos saber se você também tem o poder das células, então queremos fazer alguns exa…

– Não se preocupe com isso, eu não tenho esse poder. Todos que tinham esse poder desmaiaram no dia que liberaram aquela luz no céu – afirma Murphy para o doutor.

– Hum, então se você não era uma célula ativa e não desmaiou durante a exposição da La Cellule de Dieu, você não vai precisar mesmo ser examinado.

– Só porque eu queria examinar esse corpão todo parte a parte…. Au! – Figaro murmurava com malícia e logo após levar outro golpe da sobrinha que disse:

– Bom, se não vai ser necessário examiná-lo deve ser melhor deixá-lo aqui pelo menos até acabar a aula do Arcano, afinal, eu tenho certeza que você falou a ele sobre o que era o pai.

Morpheu desviou o olhar. Ele não conseguia mais esquecer do que tinha acontecido com o seu pai, quando ele sente uma mão quente em sua cabeça e ouve a voz de Samantha:

– Não se preocupe, pode contar tudo o que aconteceu entre vocês para nós. Guardaremos segredo dos seus amigos.

Edward olhou diretamente para o rosto consolador da mulher e a abraçou e começou a chorar. Ela primeiro ficou sem reação, mas logo depois o abraçou também e começou a alisar sua nuca e disse:

– Vai ficar tudo bem.