Dream's Place
10 Famílias Opostas
Notas iniciais
Já passavam das 3 da tarde e Morpheu estava saindo do hospital. Ele parecia totalmente recuperado da luta que havia ocorrido no dia anterior. Ele não pensava que sua invencibilidade havia sido quebrada com aquela luta ou na humilhação de ser nocauteado apenas com dois golpes, ele raciocinava sobre justamente qual teria sido o motivo desses golpes terem sido tão poderosos tão drasticamente.
Quem foi buscá-lo no hospital foi seu pai, Arcano Cartezus, professor de Inglês da escola onde estudava. Aparentemente para Edward ele era apenas um pai como qualquer outro, sustentava a família e dava o pouco de carinho que achava que merecia, mas Murphy não conseguia esquecer também sobre outra coisa que havia ouvido no dia anterior. O possível envolvimento com a explosão que tinha ocorrido no mesmo dia, que não foi uma explosão comum, aquela luz boreal com certeza tinha alguma coisa a mais.
Murphy continuava pensando quando ouve a voz gélida do pai:
– Eu assisti sua luta ontem…
Murphy apenas olha para o pai e faz uma cara triste e Arcano continua:
– Esperava bem mais de você. Perder daquela forma patética, mesmo ele sendo o campeão nacional você deveria ao menos aguentar mais uma luta amistosa como aquela. Não sei porque uma pessoa tão sensível como você foi seguir na carreira do boxe.
Edward não falou nada, apenas voltou a ficar pensativo sobre tudo que havia visto naquele sábado.
Em outra parte da cidade, Kuzaru estava em casa, treinando do dojo de seu pai em alguns bonecos de madeira. Seu pai, Natsumoto Hachiro, era um mestre do taekwondo e o garoto ruivo, mesmo não almejando ser um grande lutador, treinava diariamente seus chutes. De repente, chega um garoto, que avisa:
– Senhor Kuzaru, o mestre Natsumoto está chamando pelo senhor.
Kuzaru olha e sorri para o garoto – Já disse que não precisa dessas formalidades Nandeko – coloca a mão nos cabelos castanhos do garoto, começa a bagunçá-lo e continua – O que o velho quer?
– Pare com isso senhor Kuzaru… e trate com mais respeito o mestre Natsumoto. Ele pediu que você fosse levar comida para aquela mulher.
– Ah… – Kuzaru desanima um pouco – Ok Nandeko, diga ao mestre que estou indo.
– Ok… estou indo avisar, Kuz – diz o garoto sem entender bem.
O garoto ruivo dá um sorriso – Bem melhor você me chamando assim.
Nandeko observa Kuzaru indo embora e também mudando sua expressão para um rosto mais triste que é totalmente incomum de se ver no ruivo.
Kuzaru vai a pé para o seu destino, sua expressão é meio que triste agora. O garoto que costuma ser tão arrogante e atrevido realmente não combinava com aquela expressão. Natsumoto para e olha para cima, era o hospital. Ele dá um leve sorriso e diz:
– Acho que posso aproveitar para visitar o Murphy.
Ele adentra, fala com a atendente. Pergunta por Edward Morpheu e ela responde para o garoto que ele teve alta mais cedo. Então ele questiona sobre a mulher que ele procura e pede pelo nome de Kamara Misaki. A moça diz que ele pode ir até lá.
Kuzaru caminha pelos corredores do hospital com a mesma expressão cabisbaixa que estava na rua. Chega no quarto de número 16 e entra. Olha para a cama onde esta a mulher e diz:
– Estava com saudades… mãe.
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