Notas iniciais
Espero que gostem. ^^

— Cumpra o seu destino. — repetiu a figura colorida.

— Não eu não quero, eu não posso! — exclamou aflita.

— É seu dever...

— Não, não é!

— Não pode fugir do seu destino.

— Eu posso, eu sei que posso. — a garota corria sem fôlego, o choro preso em sua garganta, o desespero correndo por suas veias, aumentando assim ainda mais sua adrenalina.

O local pelo qual percorria era uma floresta escura e sombria; árvores turvas e galhos pontiagudos que às vezes chegava a tocar as suas costelas, por conta disso já tinha vários arranhões por todo o copo.

— Menina tola. — a ‘coisa’ colorida continuava atrás dela, parecia nunca perder o fôlego, nunca se cansar.

A menina de cabelos castanhos tropeça em um tronco caído no meio do caminho. Suja de terra, ela coloca suas mãos em uma árvore cheia de musgo e a usa como apoio para tentar levantar, entretanto ela desiste após receber uma fisgada no tornozelo. Sem ter alternativa, ela volta a se sentar e, tremendo, olha para trás.

A figura colorida flutuava atrás dela em uma velocidade incrível. Ela estende a mão em sua direção, a menina se encolher e coloca o braço na frente de si para se proteger.

(...)

Um grito agudo e sofrido foi o que acordou Daniel.

Sobressaltado, escuta sua irmã gritar novamente; Usando as escadas na lateral do beliche ele, ainda assustado, se junta a sua irmã na cama debaixo.

— Laís, — disse aflito. — o que aconteceu?

Laís estava ofegante, toda molhada de suor e tremendo. Em seus olhos Daniel via estampado o medo. Um sentimento protetor percorreu por seu ser, ali parado vendo o temor da irmã, quis ter poder para trancá-la em algum lugar, deixá-la protegida, e se assegurar de que nunca veria aquele medo em seu olhar novamente.

— Ele apareceu de novo. — dizia ela com a voz rouca pelo choro contido.

— Ele quem?

— Ele. A figura colorida que aparece em meus sonhos, não consigo parar de sonhar com ele.

— Mas isso já faz uma semana, Lah. Você tem certeza que não quer ir ao psicólogo?

— Não, claro que não, não estou ficando louca.

— Ei, fica calma. Relaxa, é só um sonho, não vai virar realidade — Dani se senta ao lado dela na cama, tomando cuidado para não bater a cabeça, como a irmã sempre fazia. — mas me conta, como foi?

Laís se ajeita sobre os lençóis, e olha pra os olhos do irmão. Aquele castanho chocolate que ela tanto amava a fez se acalmar e sob o olhar atento de Daniel, ela começa seu relato.

— Estava correndo por uma floresta escura e sombria, e essa coisa flutuava atrás de mim, dizendo algo como cumprir o meu destino, que é o meu dever...

Daniel franziu o cenho, mas não interrompeu.

— Eu não olhava por onde andava e de repente havia um tronco seco no chão, eu tropecei e não consegui mais me levantar, meu tornozelo estava doendo, a coisa ia atrás de mim flutuando, até que chegou perto de mim, ela estendeu a mão e eu coloquei meu braço sobre mim...

— E?

— E nada, eu acordei, mas venho sonhando isso toda noite.

— Isso é estranho, mas como disse não passa de sonhos.

Daniel olha o relógio digital sobre a cômoda, os números piscando em um laranja luminoso.

— Bom, são três da manhã e amanhã temos aula, se esqueceu?

— Não, Dani. Não esqueci, mas — ela olha ao redor do quarto iluminado apenas pela luz da lua que transpassava a janela — temos que dormir mesmo?

— Lah, como te disse, sonhos são apenas sonhos, frutos da sua imaginação...

— Eu sei, mas...

— Mais nada, Laís. Vamos dormir!

Daniel sobe para sua cama no beliche e se deita, Laís coloca sua cabeça no travesseiro e adormece quase que imediatamente.

(...)

Laís está numa floresta que a seu ver parecia normal, estava de dia e ela caminhava sem rumo, perdida, à espera de alguém para lhe ajudar. O silêncio e a calmaria dominavam aquele local, até que uma moça que aparentava ter uns vinte anos aparece em meio às flores e arbustos.

— Espere. — dizia a linda moça. — Não se assuste, eu quero te ajudar.

Laís queria correr, mas não conseguia, estava dividida entre ficar e correr, seu coração dizia para ficar, mas sua mente dizia ao contrário, não sabia a qual obedecer.

— Quem... Quem é você? — disse se afastando um pouco, amedrontada.

— Sou Cassandra. — dizia a bela moça com cabelos loiros, o branco das roupas sedosas realçava o verde de seus olhos. — Preciso que você me escute por um instante.

— Como... Como sabe meu nome? — o único desejo de Laís era correr para bem longe naquele momento.

— Sei tudo sobre você, te observo desde quando você nasceu, afinal, eu estava presente no dia em que sua mãe te deu a luz.

Laís estava assustada, como essa pessoa que nunca viu na vida poderia saber tudo sobre ela?

— Você é especial, querida. Olhe, não tenho muito mais tempo, um dia vai entender o significado de todos os seus sonhos...

— Como sabe disso?

— Eu lhe disse, sei de tudo sobre você.

— Não é possível.

— Tudo é possível, Lalah.

— Como...

— Você sabe a resposta, nosso tempo está acabando.

— Que tempo? Como assim?

— Só quero que me escute. — Cassandra se agitou. — Se algum dia quiser saber quem você é verdadeiramente, coloque isso. — ela tira do seu bolso um pingente prateado com uma imagem vermelha de uma chama de fogo e dá a Laís.

— Isso é... — a garota avalia o objeto com deslumbre. — lindo!

— Eu sei.

Laís o segurava com extrema delicadeza.

— Lembre-se, assim que colocar verá o significado da sua vida, ou melhor, um pingo do seu destino.

— Mas... — Laís olhou para onde Cassandra estava, mas não havia nada ali, só uns vaga-lumes em pleno dia.

— Cassandra? — chamava, mas Laís tinha certeza de que estava sozinha na floresta.

As cores, os vaga-lumes e as árvores estavam perdendo a sua cor e desaparecendo, enquanto Laís escutava alguém chamar por ela.

(...)

— Laís, acorda! Laís! — exclamava Daniel repetidas vezes enquanto balançava seu braço.

Laís abriu os olhos lentamente e viu Daniel ainda agarrado no seu braço.

— Ai, Dani. Calma, já acordei.

— Que bom. — ele a soltou.

— Que horas são?

— Cinco e quarenta e cinco, posso tomar banho ou vai você primeiro?

— Pode ir. — disse ela bocejando.

Daniel pegou uma bermuda jeans, seu uniforme e foi tomar banho. Laís se espreguiçou e até pensou em dormir mais um pouco, mas sabia que seus pais brigariam com ela, sem falar em seu irmão que gritaria em sua orelha durante todo o dia.

Ela se levantou e escutou algo cair no chão, por julgar o barulho, ela deduziu que fosse alguma coisa pequena metálica. Curiosa, procurou debaixo da cama o objeto o que poderia ter caído, quando viu no chão, brilhando, um pingente.

O pingente que Cassandra havia lhe dado.

Notas finais
Por favor comentem e dê sua preciosa opinião. Por favor, é claro. ^^