Dreams, Dreams and Dreams
10 O Sequestro
Notas iniciais
— Você acha que ela é confiável? — Dani franziu o cenho.
— Acho que sim, se não ela não teria nos contado a verdade sobre nossos poderes. — Laís se virou para o espelho e encarou seu reflexo.
Ficou por longos segundos observando seu cabelo e depois virou para seu irmão.
— Dani? — Daniel mexia em seu pingente, totalmente imerso em seu mundo, perguntando-se se Cassandra era mesmo quem dizia ser.
— Sim?
— Você acha que a Cassandra poderia me ensinar como ela faz esse feitiço? Eu queria ver como eu ficaria loira. — Dani a encarou incrédulo, pegou um travesseiro e jogou nela.
Ela se protegeu com as mãos, mas sem querer, pequenas fagulhas saíram de seus dedos e o travesseiro começou a pegar fogo. Laís gritou e Daniel, em um gesto automático, apagou o fogo com usando seus poderes.
A mãe deles subiu correndo as escadas e abruptamente abriu a porta, desesperada já imaginando que outra briga havia ocorrido.
— O que foi? O que aconteceu? Por que você gritou?
— Nada mãe, eu tinha visto uma lagartixa e me assustei, mas ela já foi embora. — com movimentos rápidos, Laís chutou o travesseiro para debaixo da cama.
— Ah, tudo bem. Achei que fosse algo mais importante.
Laís fingiu uma careta de indignação pelo descaso de sua mãe com seu pavor de lagartixa, a mulher sorriu, avisou que iria ao mercado e que iria demorar, então se retirou do quarto.
— Porque você não contou à mamãe? — Dani indagou.
— Porque, se o que a Cassandra disse for mesmo verdade, nossos pais vem mentido para nós nossa vida inteira. — Com um suspiro Laís se sentou na cama e encostou a cabeça no ombro do irmão. — E se esse for o caso, não sei você, mas eu não quero que encham nossa cabeça de mais mentira caso contemos a verdade.
— Mas precisamos treinar nossos poderes, você viu o que aconteceu, Lah. Você podia ter se machucado. — disse Daniel preocupado com a segurança da irmã.
— Nós vamos dar um jeito, e também vamos dar um jeito de encontrar os portadores dos outros dois elementos.
Laís ficou calada por um instante, estranhando o silêncio, Dani perguntou a ela o que havia acontecido.
— Nada, é só que... — sua voz estava embargada ao responder. — Não suporto pensar que por minha culpa você quase morreu, eu te machuquei, e quase de perdi para sempre. Dói-me pensar que eu nunca mais poderia ver sua careta de preocupação, o modo como fica vermelho de raiva quando mexo em suas coisas, o modo de como sempre que eu tenho pesadelos, você me deixa dormir com você, o modo como em noites de tempestade você fica acordado até a chuva passar, velando o meu sono. Dói-me pensar que eu nunca mais poderia te abraçar, te irritar, te ver...
Quase sem o que dizer levando em conta a emoção, Daniel simplesmente fala, enquanto dá um abraço apertado nela: — Eu nunca vou te abandonar, você não vai se livrar de mim tão fácil, foguinho.
Ele a solta e bagunça seus cabelos.
— Então nada de falar para o pai e a mãe sobre os nossos poderes? — disse Daniel
— Espero que me entenda. — respondeu ela.
Daniel sorriu para ela e eles começaram a conversar sobre assuntos variados.
Após algum tempo conversando, rindo e brincando, os dois interrompem a conversa bruscamente. Laís estremeceu.
Um ruído vinha do quintal, som de passos, Daniel fez um gesto para que a irmã ficasse quieta e foi até a janela que dava para o jardim, afastando a cortina devagar ele viu alguém mexendo na maçaneta da porta, estava escuro lá fora e tudo que ele conseguiu visualizar foi um vulto.
A porta se abre e o vulto desaparece de seu campo de visão, um estrondo de porta sendo fechada bruscamente. Laís pulou de susto e se encolheu.
Daniel abriu a porta do quarto silenciosamente.
— Mãe?! — gritou.
Mas ele não obteve resposta.
Laís foi até o irmão e assustada perguntou: — Quem será que é?
— Eu vou lá embaixo. — disse Daniel tirando o tênis.
— Por que ta tirando o tênis? — sussurrou.
— Para não fazer barulho.
Daniel descia as escadas fazendo o menor barulho possível, chegou à cozinha, as luzes estavam desligadas e, enquanto sua visão se adaptava à escuridão, ele sentiu um movimento atrás de si, se virou e não viu nada, alguém o imobilizou e colocou um pano sobre sua boca e nariz. Daniel desfaleceu.
Laís não agüentou esperar e, desobedecendo ao irmão, foi atrás dele.
— Daniel? Dani!
Laís descia as escadas rápida e silenciosamente. Quando chegou a cozinha viu seu irmão no chão e um vulto preto ao seu lado o arrastando em direção a porta.
— HEY, PARE!
O vulto percebeu a presença da menina, jogou seu irmão por cima do ombro e saiu correndo.
— PARE! — Laís em um súbito surto de adrenalina correu atrás do vulto.
O vulto saiu pela rua deserta, apenas um poste servia de iluminação àquele lugar mediante uma noite fria e escura.
Laís se esforçava ao máximo, uma onda de medo e raiva invadia seu corpo, o desespero aumentando e ela sem saber o que fazer.
Uma aura vermelha cobria suas mãos. — Controle-se, Laís. — disse a si mesma.
Ela disparou pequenas bolas de fogo na capa preta do vulto seqüestrador, que começou a pegar fogo.
Ao ver-se pegando fogo, ele jogou Daniel no asfalto com violência e com um gesto com as mãos apagou o fogo. Laís corria em direção ao irmão e o vulto passou por uma árvore e desapareceu.
Laís agachou-se ao lado irmão.
— Dani. Dani, por favor, acorde. — disse a irmã choramingando.
— Como vou te tirar daqui? — desesperada, Laís olhou em volta, seu olhar parou no local onde o vulto havia desaparecido, seus olhos migraram para suas mãos.
Ela se levantou rapidamente, e dizendo a si mesma que ia conseguir, Laís movimentou as mãos.
Uma cortina de fumaça vermelha a cegou, quando abriu os olhos, ela se via em pé no centro de seu quarto e seu irmão na cama.
Ela foi rapidamente até ele e observou com pesar o sangue que escorria dos com os pontos estourados na testa.
Laís não se deixou desesperar, ela sabia um pouco de primeiros socorros e torcendo para que o corte por dentro não tivesse sido reaberto ela estacou o sangue, limpou sua testa, e fez um curativo.
— Espero que melhore logo. — sua voz estava embargada, ela o beijou na testa.
O celular de Laís tocou.
— Oi, mãe. — ela disse tentando disfarçar a voz embargada.
— Está tudo bem aí?— a voz da mulher continha um pouco de desconfiança.
— Está tudo bem sim, estou assistindo um filme de romance. — com medo de que sua mãe quisesse falar com o irmão, acrescentou: — Dani dormiu nos primeiros 10 minutos. — fingiu um risinho.
Rindo sua mãe respondeu:
— Querida, eu estou dentro de um táxi agora, moto não quis ligar na hora da volta, acho que era um problema com o motor, como está tarde e não tinha nenhuma oficina aberta eu me lembrei de um amigo do seu pai, liguei para ele e esperei até ele chegar com a caminhonete, ele ofereceu uma carona, mas sabe como é, eu já abusei de mais ligando para ele a essa hora.
— Ele disse o que tinha com a moto?
— Não, querida. Liguei só para ver se estava tudo em. Tchau, se cuida.
— Tchau.
Após alguns minutos, Daniel acordou:
— Lah?
— Estou aqui.
— O que aconteceu? — indagou se levantando. — Ai.
— Continue deitado.
— O que... — disse ele ao passar a mão no curativo. — O que aconteceu?
— Sou pontos abriram, eu fiz um curativo, mas não sei se a ferida interior já havia sido curada.
— Mas o que aconteceu?
Laís explicou cada detalhe do quase sequestro de seu irmão.
— Então você conseguiu nos teletransportar até aqui? Mana, você é um máximo.
— Ah, eu tentei e consegui, né?
Eles deram risadas.
— Você trancou a porta? Não quero mais surpresas.
— Não, ela está aberta. Vou lá fechar.
Laís saiu do quarto e desceu as escadas e fechou a porta. Sentiu um calafrio. Pulou de susto quando o telefone tocou.
— Alô?
— Lah? É o Kainã, amanhã você e o Dani vão à escola?
— Claro, por quê?
— Vou fazer um convite para vocês e para a Mady.
— Um convite? Que convite?
Mas Kainã desligara.
Laís viu Daniel descer as escadas descalço.
— Quem era? — perguntou ele.
— Kainã.
— O que aconteceu?
– Ele perguntou se íamos na escola amanhã e falou que ia fazer um convite, para nós e para a Mady.
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