Dreams, Dreams and Dreams
14 O Livro de Magia
Notas iniciais
— Em branco? — Daniel pegou o livro da mão de sua irmã.
Era verdade o que ela havia falado. As páginas do livro estavam em branco, nenhuma palavra escrita ou imagem, eles pegaram os livros e todos estavam do mesmo jeito do primeiro: em branco.
— Porque todos os livros estão em branco? — Daniel olhou para sua irmã e percebeu que essa era uma pergunta idiota de se fazer. Porque Laís teria a resposta para isso?
Laís revirou os olhos. — A pergunta certa é: quem faria uma coleção de livros em branco?
— Você acha que essa biblioteca tem alguma coisa haver com nossos poderes? Tipo... Será que ela aparece somente para nós?
— E eu vou lá saber, Dan? Só sei que devemos investigar, se tivesse pelo menos algum livro com algo escrito...
— É praticamente impossível ver todos os livros, esse lugar é enorme, Lalah! — Daniel se exaltou e começou a andar de um lado para o outro. Laís suspirou e sentou em uma das mesas, distraidamente começou a mexer em seu pingente com uma das mãos.
Dan grunhiu de frustração. A gêmea olhou de esgueira para ele, que balançou a cabeça e a inclinou para trás. Fechando os olhos, respirou fundo. Sua mente fervilhando em possibilidades, essa coisa de magia estava a ponto de deixá-lo louco. Respirou fundo mais uma vez e abriu os olhos, com a cabeça inclinada naquele ângulo ele pode vislumbrar uma luz colorida que surgiu na ultima prateleira em uma das estantes.
— Lah... — Daniel a chamou, ainda encarando o diminuto brilho.
— O que foi? — perguntou ela, que com uma mão segurava com força o colar e com a outra folheava o livro em branco.
—Laís!
— O que é, Daniel? — ela olhou para ele.
Daniel apontou para o alto e Laís viu o brilho colorido.
— Daniel... Aquilo está a mais de 200 metros do chão, como vamos pegar?
— Uma escada talvez?
— Daniel, não há nada além de mesas, tapetes e livros em branco, nesse lugar!
— E se usássemos nossos poderes?
— Podemos voar também?
— É isso que vamos descobrir. — disse ele com um sorriso travesso.
— Pode ser perigoso, Dan...
— Deixa de frescura, temos de nos concentrar.
Laís não achava uma boa ideia, mas algo dentro dela dizia para pegar o que quer que seja que estava naquela estante, e ela acabou cedendo.
— E como vamos fazer isso? — ela arqueou uma sobrancelha e cruzou os braços em desafio.
— Olha... — começou hesitante. — Nas séries que eu assisto...
— Ah, não, Daniel. — ela o interrompeu — Suas séries não. Sempre que você tem uma ideia baseada nelas, algo ruim acontece com alguém.
— Continuando. Segundo as séries que eu assisto, — Daniel frisou essa parte, e deu um sorriso malvado quando Laís fez uma careta. — se nos concentrarmos neste pensamento de que estamos voando, ou até mesmo imaginar que estamos de frente a estante, poderemos voar.
— Dan, isso é a vida real! Não os mundos fictícios das séries. Nossos poderes não funcionam assim.
Dan aumentou seu tom de voz e disse sarcasticamente: — E você imaginaria que na vida real existiria magia? Imaginaria que seria guardiã de um elemento da natureza?! E como poderia saber se funcionam ou não funcionam assim? Nós não temos treinamento!
Laís parou e pensou, ela sabia que ele tinha razão.
— Odeio quando você tem razão.
Daniel pegou na mão de Laís.
— Feche os olhos. — ela obedeceu — Imagine você flutuando, voando, e imagine também você vendo o brilho colorido na sua frente...
Laís obedeceu ao irmão e chegou a desconfiar: será que ele não sabia de seus poderes antes mesmo dela ou dos sonhos com Cassandra? Ele a instruí de um jeito, como se isso fosse normal, como se já estivesse cansado de fazer isso, como se já tivesse feito diversas vezes.
Laís sentiu a mesma coisa que sentiu no dia em que se deslocou. Sentiu como se o fogo a estivesse envolvendo, rápido e delicadamente, como se ele quisesse conceder todos os seus desejos. Ela sentia seu pingente pulsar, sentia o calor das chamas envolver seu corpo tirando seus pés do chão, ela pisava em puro ar, ela estava voando, o plano de Daniel tinha dado certo. Ela abriu os olhos e olhou para o irmão, e ele estava fazendo a mesma coisa.
— Conseguimos! — exclamou ainda de mãos dadas com o irmão.
O menino sorriu. — Impulsione seu corpo para o alto.
Em poucos segundos, os dois estavam de frente para a luz que brilhou mais forte ao sentir a presença deles.
Laís tirou um livro com páginas em branco e atrás dele, havia outro livro, esse mais velho e antigo, empoeirado e perdendo a cor dourada do título cravada no couro. Laís tocou sua capa, encarando-a admirada. O brilho do livro se apagou ao sentir seu toque. Assustada, Laís retirou sua mão rapidamente, mesmo assim a luz não voltou a brilhar.
Daniel revirou os olhos com a atitude da irmã. Ele soltou sua mão, tomou a frente e pegou o livro. Soprou e passou a mão para tirar o pó. O título era ilegível, as páginas, em sua maioria, eram rabiscadas e algumas anotações eram encontradas nos cantos das mesmas, a letra era bonita, mas arcaica. Havia alguns desenhos de panoramas e o que indicavam serem alguns gráficos.
— Esse livro é... — Daniel estava incerto sobre o que via. — É sobre magia? — indagou para a gêmea que tentava ver algo por sobre seu ombro.
— Você acha que era nosso destino achar esse livro? — questionou a irmã.
— Temos que levá-lo conosco para estudarmos ele.
Laís concordou e Daniel fechou o livro.
— Como descemos? — a menina olhou temerosa para o irmão.
— Acho que se imaginarmos que queremos descer, nós simplesmente descemos.
Laís agarrou a mão do irmão e a apertou com força com medo da queda.
Com os pensamentos em sincronia, eles desejaram estarem em terra firme e em alguns segundos, seus pés tocavam o chão.
— Dan, posso te fazer uma pergunta?
Ele franziu a testa e assentiu.
— Antes de eu descobrir meus poderes, antes de eu ter sonhos com a Cassandra... — ela hesitou. — Você já sabia de seus poderes?
— Claro que não. — ele negou enquanto fixava seu olhar nos olhos castanho esverdeados. — Por que a pergunta? Desconfia de mim, Lalah?
— Não foi nada. É que, tipo, quando precisávamos estar lá em cima você me guiou com tanta... Certeza que parecia que você fazia isso há muito tempo.
— Lah, eu juro, eu nunca fiz isso na minha vida. — ele tocou a mão dela que remexia seu pingente, habito que adquirira desde que o ganhou, a segurou e apertou.
Naquele simples gesto Laís soube que o irmão falava a verdade.
— Então como sabia de tudo aquilo?
Ele sorriu travesso, Laís amava aquele sorriso, era como se eles voltassem ao tempo em que ele fazia travessuras e colocava a culpa na irmã. — Como eu falei: séries, você devia começar a assistir. — a irmão balançou a cabeça em negação e riu.
— Acho que quando chegarmos em casa farei isso.
Ainda sorrindo Daniel olhou ao redor da biblioteca.
— Como sairemos para sair daqui? — perguntou ele.
O garoto percebeu que não havia nenhuma saída para a biblioteca da escola. No lugar da parede por aonde vieram agora dava lugar a mais uma estante de livros de couro como todos os outros.
Rapidamente, Laís percebeu o mesmo e começou a se preocupar.
— Dani... — Laís começou a tremer pronta a ter um ataque de pânico.
De fato, não havia nenhuma saída do local para voltarem à sua escola. Os gêmeos estavam cercados de livros de capa de couro e páginas em branco.
Daniel olhou para irmã e se preocupou com seu estado, ela estava começando a ofegar. — Calma, Lalah. Nós viemos por um castiçal. Talvez um desses livros abra a passagem. — disse ele começando a tirar livros da estante.
Laís deu uma risada estranha. — Talvez...? — ela estava tentando se acalmar, mas estava praticamente impossível.
Daniel tirava freneticamente os livros da estante, e sua irmã voltara a agarrar seu colar com força.
Quando um dos livros jogados por Daniel bateu no tapete e fez um barulho mais alto que os outros.
Daniel parou de jogar os livros no chão e se virou, ele estava suado e ofegante, ele viu diversos livros em volta dele, no meio deles jazia o livro de magia. Uma ideia o atingiu como um flash.
— O livro!
Dan correu até o livro que permanecia apagado, pegou o livro do chão e começou a folheá-lo.
— Dan? — Laís sentara no chão. Ela respirava profundamente tentando acalmar a si e aos seus pulmões que haviam começado a clamar por ar. Sua mão tremulante ainda estava agarrada ao pingente.
— É possível que nesse livro tenha algo que possa fazer a parede se mover e para podermos sair daqui. — ele parou de foleá-lo e encarou a irmã. — Você esta bem?
A menina concordou. Ela tentou, mas não se conteve e perguntou: — Como pode ter certeza disso?
— Não tenho, apenas estou seguindo meus instintos. — ele havia voltado sua atenção ao livro. — Achei! — gritou em contentamento. — Olha essa página.
Daniel foi para perto da irmã e entregou o livro. Já calma e não mais tremendo, ela o pegou e observou-o atentamente na página que estava aberta. Em si ela era cheia de rabiscos, mas, no entanto, no centro havia uma estante de livros igual a da que estão cercados e no canto da página, em uma letra coloquial estranha, estava escrito algumas palavras em outra língua.
— Você acha que...
— Tenho certeza! — exclamou ele confiante e com um sorriso estonteante.
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