Dreams, Dreams and Dreams
5 Explosão Elemental
Notas iniciais
— Laís, tire do vermelho dez ml. Rápido, só temos 15 minutos. — disse Melody, consultando suas anotações.
Laís ainda segurava o frasco vermelho, tonta, sem nem dar atenção à amiga.
— Laís? — chamou Melody.
Kainã observava Laís encarar o frasco e sem segurá-lo firmemente, impedindo a si mesmo de soltar o frasco na mão dela, a não ser que quisesse explodir a sala e mandar todos para o hospital.
— Lalah? — disse Kainã.
— Laís? — disse Melody passando a mão na cara de Laís.
Ela piscou e girou um pouco a cabeça, soltou o frasco e quase o derruba no chão, se não fosse Kainã pegá-lo antes que algo ruim acontecesse.
— O que aconteceu? — indagou ela.
— Quando você pegou o frasco, congelou, paralisou, e ficou olhando para ele como se estivesse hipnotizada, entende? — explicou Kainã.
— O que aconteceu, o que estava vendo? — perguntou Melody.
— Um elemento.
— Qual? — Kainã perguntou.
— 10 minutos! — gritou o professor Renato.
— Temos de nos apressar, Mady quantos ml tira do frasco vermelho? — disse Laís.
— Mas e o que viu? — Kainã continuava curioso em relação ao que havia acontecido.
— Esquece isso, quantos ml Mady?
— 10 ml.
— Ok.
Laís pegou novamente o frasco e ficou olhando para ele, mas suportou a força que fazia ela olhar, e colocou dez ml do frasco vermelho, mesmo tonta e com a visão escurecida, e entregou a Melody.
— Lalah, certeza que tem dez ml aqui, um ml a mais ou um a menos pode fazer tudo explodir. — alertou-a.
— Acho... Acho...Que sim.
— É bom que você esteja certa — disse a amiga.
Melody colocou o líquido vermelho na mistura e mexeu. A mistura foi ficando azul.
— Isso! Conseguimos. — suspirou aliviada. — Agora Kainã, frasco vermelho e Laís, quinze ml.
— Ok. — respondeu os dois em coro.
Kainã pegou o frasco amarelo e deu a Laís, da qual tirou quinze ml. como foi pedido. Melody pegou o líquido e jogou na mistura e novamente mexeu. A mistura se tornou roxo.
— Estamos quase lá turma, agora Kainã, frasco branco e Laís, vinte ml.
— 2 minutos! — gritou o professor.
— Não eram dez? — retrucou Kainã.
— Eu mando aqui, faço o que quiser. — o professor respondeu em desafio.
Kainã lançou um olhar maligno quando o professor virou de costas.
— Vamos lá, pessoal, quase lá. —Melody se remexeu ansiosa.
Kainã passou o frasco branco para Laís e ela tirou vinte ml dele, e rapidamente deu para a amiga e que, em seguida, já colocou na mistura e mexeu. O líquido ficou vermelho, como diz a receita passada pelo professor.
— Conseguimos. — disse Melody com um sorriso no rosto.
— Legal. — disse os companheiros em coro.
— Tempo esgotado. — trovejou o professor — uma pessoa de cada dupla venha aqui e me mostre.
— Eu vou. — oferecia Laís.
— Ok. — disse Melody. — Aqui. Tome e leve.
Melody entregou a mistura para Laís e, no momento em que ela o pegou quatro bolas coloridas, saíram do frasco, voando pela sala. Todos se abaixaram no momento em que o frasco estourou na mão de Laís, fazendo libertar as bolas grandes de energia que ficaram voando no ar de um lado para o outro rapidamente.
— Laís, o que você fez? — perguntou Kainã desesperado debaixo da mesa com as amigas.
— Não sei, só peguei o frasco e ele estourou e isso saiu de dentro dele.
— Deve ter sido alguma reação química, não devemos nos preocupar com isso agora. — disse Melody. — Kainã pode se levantar um pouco e me falar quais são as cores das bolas voadoras?
— Vou tentar.
Kainã se levantou um pouco e viu todos abaixados com medo e gritando, e o professor, nem à vista. Uma das bolas coloridas voou até ele, e se não tivesse abaixado tinha acertado sua cara.
— Uou, tá meio difícil, Mady.
— Tenta de novo. — disse Laís.
Kainã levantou de novo e pode ver as bolas coloridas girando lentamente em círculos e deixando um rastro de sua cor pelo teto, como fumaça, e logo, desaparecendo. Kainã viu as cores e se abaixou rapidamente antes que outra bola tentasse lhe matar.
— Uma é vermelha, outra azul, a terceira é marrom e a última um azul claro, branco, como ar.
— Calma, essas são as cores dos quatro elementos da natureza: fogo, água, terra e ar. — disse Laís.
— Sim, uma explicação plausível, pois eles não são elementos químicos, não conta nada aqui. — disse Melody consultando suas anotações e livro de química.
— Será que eles são feitos de seus elementos? — perguntou Laís ouvindo os gritos de todos na sala.
— Provavelmente. — disse Melody fechando os livros e cadernos.
— Vamos descobrir. — disse Kainã se levantando.
— Kainã, não! — mas era tarde, ele já estava chamando a atenção das bolas coloridas.
— Ei, coisas feias, estou aqui! — exclamou ele.
As bolas viraram como se tivessem olhos e ouvidos e foram em sua direção. Kainã se esquivou bem a tempo e conseguiu passar o dedo pela bola azul que, se estivessem certos, representaria a água. Quando viu seu dedo, ele estava molhado.
Ele voltou para as amigas e disse:
— Estão certas, passei o dedo pela bola azul e ficou molhado.
— Bom, então temos que nos oferecer para acertá-las e desaparecerem. — disse Melody.
— Como tem tanta certeza disso? — disse Laís.
— Han... É... Palpite. — disse ela com um ar duvidoso.
Laís não tinha certeza disso, mas era a única ideia que tinham.
— Eu tenho um plano. — disse Laís.
— Qual? — disse os amigos em conjunto.
— É o seguinte, vamos nos separar pela sala e correr, mesmo o espaço sendo pequeno, temos de distrair essas coisas. Cada um vai para um lado. E depois nos juntamos em cima da nossa mesa e vocês fiquem na minha frente e eu fico atrás de vocês, ai vocês vão conseguir segurar um pouco delas e eu seguro o resto.
— Não tenho certeza que dará certo. — disse Kainã duvidoso.
— Tem um plano melhor? — disse Laís.
— Não tem outra maneira, vamos fazer isso. — disse Melody.
— No três, 1, 2, 3.
Os amigos se levantaram e se separaram.
— Ei, suas coisas feias venham me pegar. — disse Kainã.
— Não, venham me pegar. — disse Melody.
— Ei, estou aqui. — disse Laís.
As bolas ficaram confusas e não sabiam quem pegar. Depois de alguns segundos as bolas se separaram. As bolas do fogo e da água foram atrás de Laís, a da terra, atrás de Kainã, e a do ar, atrás de Melody.
Os três começaram a correr e subir em cima de mesas e cadeiras, em fim de fugir das coisas coloridas. Todos os amigos e o professor olharam abismados cochichando de o que estariam fazendo, ou se estavam loucos.
Depois de correrem muito, se encontraram em cima da mesa em que trabalharam e disseram:
—AGORA!
Melody entrou na frente de Kainã e ele na frente de Laís.
— Estamos aqui. — disse Melody.
As bolas os viram enfileirados e, foram com tudo em direção à Melody. Elas passaram por Melody, depois Kainã, e, fracos, passaram por Laís e depois viraram pó e se misturaram ao ar.
Todos saíram de seus esconderijos e ficaram assustados com as atitudes dos colegas.
— O que pensaram que estavam fazendo? — disse o professor.
— Salvando todos vocês. — disse Laís tonta.
Renato ajudou ao trio descerem da mesa de granito, ele percebeu que os amigos estavam tontos.
— Estão bem? — perguntou o professor Renato.
— Um pouco tonto. — disse Kainã.
— Vocês absorveram elementos químicos, espero que não tenha acontecido nada com vocês agora vão ao banheiro e se lavem. — disse ele.
— Professor... — disse Melody tonta.
— Sim?
— Aquilo não eram elementos químicos, eram os elementos da natureza. Fogo, água, terra e ar.
— Mas como?
— Não sabemos. — disse Laís.
— Se não sabem como falam?
— Sentimos aquilo passar pelo nosso corpo, sabemos do que estamos falando. — disse Kainã.
— Se dizem, e, nunca mais me dirija à palavra neste tom desafiador. — disse o professor. — Agora vão para o banheiro.
Os garotos obedeceram e um pouco tontos se dirigiam à porta.
— Professor, posso ir com eles? — disse Carlos, um aluno da sala, amigo deles.
— Pode, seria menos um para me atormentar.
Carlos foi até os amigos e o ajudaram a sair e seguiu eles.
Fale com o autor