Dreams Come True
1 Capítulo 1
Notas iniciais
**Espero que gostem~
***Boa Leitura***
Suspirei pesadamente, cansada, ouvindo meu despertador tocar uma das minhas músicas favoritas \"It\'s you\" versão remix, de uma banda coreana que eu adorava, Super Junior. Sentei-me na cama não fazendo questão de desligar o despertador, suspirei mais uma vez, como se suspiros fizesse algo mudar.
- Vamos Mell...só se levante e vá lavar o rosto...- me encorajei.
Levantei-me preguiçosa da cama, e caminhei até o banheiro no final do corredor, ouvindo risos vir da sala. Minha mãe já estava acordada, e mais animada que nunca. Fechei a porta do banheiro o mais rápido que pude, não queria que ela me visse naquele estado deploravel de confusão, eu que a havia apoiado tanto, as memórias vieram a tona em minha mente.
À seis meses atrás, notei um brilho estranho no olhar da minha mãe quando ela chegou do serviço.
- Mãe? — ofereci o café que tinha colocado para mim.
- Ah! Mellany! — ela me abraçou, falando em um tom meloso, senti um forte cheiro de cigarro se misturar com o cheiro de álcool.
- Você bebeu de novo, mãe! — me afastei dela, colocando em sua mão o café. — Vou pegar a aspirina, depois vai tomar um banho...
- Mell...- ela fechou a cara subitamente, não tive como não espantar aquilo.
- Sim..? — falei pegando uma aspirina na bolsa dela que estava sobre a mesa.
- Se eu namorasse...
Não sei se ela parou a frase pela forma que eu olhei-a, ou se ela já pretendia não terminá-la.
- Como assim mãe? Namorar? Você arranjou um namorado? — perguntei curiosa, não que eu fosse contra, muito pelo contrário. Eu não cheguei a conhecer meu pai, minha mãe sempre me criou sozinha, sem ajuda dos pais.
Na verdade meus pais tiveram um romance totalmente proibido. Ele era mecânico e minha mãe filha de um grande magnata francês, tinha tudo que queria, ou pelo menos achava que tinha, até conhecer meu pai, um brasileiro de férias, por ter ganhado em um tipo de \"bolão\" da empressa qual trabalhava. Se amaram à primeira vista, tanto era o amor que eu vim acidentalmente. Embora ela só tivesse descoberto quando meu pai já estava no Brasil. Quando meu avô descobriu, deserdou minha mãe na hora, sem ter para quem recorrer, recorreu à meu pai, que diferente do que ela pensava, a ajudou. Com o dinheiro que tinha, minha mãe veio para o Brasil, sendo acolhida por toda a família do meu pai. Mas isso só durou até a tragédia acontecer, meu pai estava voltando do trabalho, quando bateu o carro. Eu tinha só alguns meses de idade. Com a morte do meu pai, sua família não sentiu um pingo de necessidade de ajudar minha mãe, uma vez que eles não haviam se casado legalmente. Alegaram que podia ser filho de outro, e pouco se importaram. Minha mãe batalhou muito, muito é pouco para dizer o quanto ela se esforçou. Apesar das dificuldades, apesar das angustias, apesar de toda dor e sofrimento, ela diz ter tido momentos felizes, um deles foi quando eu a chamei de mãe pela primeira vez. Depois quando tirei meu primeiro 10 em uma prova de matemática, vai entender. Por esses e vários outros motivos, eu sempre admirei minha mãe, batalhadora, sonhadora, bobona, criança, amiga. Quem era eu para dizer não se ela quisesse namorar?
- Sabe Mell...- ela voltou a me abraçar. — Você é tudo que eu tenho...eu não...
- Shhh...Mãe...- acariciei seus cabelos. — Eu já estou com 19 anos, e você ainda se preocupa com o que eu penso sobre você namorar? Com a minha idade você estava grávida de mim...
- Mell! — ela quase gritou em meu ouvido, começando a chorar.
Lá estava eu, como sempre, amparando a minha criança, digo, mãe. Não sabia ao certo o porquê ela chorava, mas a deixei chorar, aquela noite foi a noite mais longa em que ela havia chorado. Quando acordei pela manhã, havia uma cesta de café da manhã na mesa, recheada de coisas maravilhosas, que pela nossa condição financeira, não nos dávamos o luxo.
- O que é isso? — cocei a cabeça ainda sonolenta.
- Um presente...- ela me estendeu um cartão, apertei os olhos para ler.
- Para ter um dia perfeito, nada melhor que um bom café da manhã. Com amor Min. Min? — olhei-a confusa, senti um estalo na cabeça, como se ela começasse a funcionar finalmente. — Coreano? — arregalei os olhos.
- Não te falei semana passada? — pegou o cartão da minha mão, como se fosse um tesouro. — Recebemos dois estrangeiros, coreanos, estão gerenciando uma nova campanha de marketing.
- Hum? E...
- E você sempre me falou que os coreanos são os melhores...- ela concluiu.
Que eu falava, eu falava mesmo. Tantas bandas de garotos bonitos, tantos doramas um mais perfeito que os outros, mas disso à namorar um coreano? Certo que é meio impossível, afinal estávamos no Brasil e eles, bom lá do outro lado do mundo! Deixei minha mãe em sua bola maciça de alegria e fui me trocar para o trabalho, qual eu já estava atrasada.
Daquele dia, para três dias atrás passaram-se como se eu tivesse apenas piscado os olhos. Passei a mão em meus cabelos e joguei água em meu rosto para despertar, mas mais uma vez as imagens me invadiam.
- Mell! — ouvi o grito ardido ecoar pelo pequeno apartamento.
- Já vou! Estou terminando de me vestir!
Abri a porta do banheiro, saindo de lá, com um vestido preto, tomara que caia, onde abaixo do busto havia uma faixa azul pastel, o vestido abaixo do busto caía em uma linha A, soltinho, até um pouco antes do meu joelho, dei um passo para frente, pisando em falso com aquele salto agulha, qual eu não estava nem um pouco acostumada. Minha mãe me amparou antes que eu caísse.
- Está linda...- ela disse toda orgulhosa.
- Ai mãe! Você também está linda! — abracei-a. — Vamos que a noite é sua!
Era aniversário da minha mãe, e diferente dos anos anteriores, não iríamos passar em nosso apartamento comendo pipoca e assistindo filme. Iríamos para um restaurante chique, convite de Han Suk Min, o namoradinho dela. Me surpreendi ao ver uma limusine nos esperando. Eu sabia que o cara tinha dinheiro, mas aquilo me deixou de boca aberta.
Ao chegarmos no restaurante, tudo estava em meia luz e não parecia cheio como sempre estava em noites de sexta-feira. Estranhei, já a figura feliz ao meu lado, vulgo minha mãe, parecia criança quando lhe oferece doce. Vi um asiático alto, lindo, muito bem vestido, parecia até ser ator de dorama. Arregalei os olhos, vendo-o se ajoelhar na minha frente.
- Não consigo mais esperar...- falou em um português estranho, enquanto eu não conseguia ter reação alguma. — Me permite casar com sua mãe...? — Aquilo fez minha cabeça girar, o que ele estava pedindo? Eu ouvi certo? Ele quer casar com ela? Espera, para, como assim? Antes que eu pudesse responder, o vi fazer um movimento brusco e segurar minha mãe em seu colo, ela havia desmaiado.
Ele a levou no colo para dentro do restaurante, onde pude comprovar, estava completamente reservado para nós três apenas. Não sei quanto tempo ficamos esperando ela acordar, mas quando acordou, sua primeira palavra foi um \"sim\". Me pergunto o que ela estava sonhando.
Ver minha mãe daquela forma, meu coração não conseguia dizer não. E quando eu pensei que ia parar por aí, veio a bomba. Iríamos para Coréia. Não que ir para Coréia não fosse ruim, não que eu nunca tivesse sonhando em morar na Coréia por mais ou menos uns dois meses, matar minha curiosidade, apenas isso. Eu sempre amei a cultura asiática, isso incluía Japão e China também. Mas apesar de amar isso, sempre fui muito pé no chão. Minha condição financeira nunca me permitiu sonhar muito alto, e esse era um sonho impossível. Então eu aprendi a separar meu amor platônico por isso, da minha vida, que era estudo, trabalho, dança e trabalho. Apesar de ter dois empregos eu não reclamava. Com isso eu podia me dar o luxo de fazer curso de fotografia que eu tanto amava, e estudar línguas, como o coreano. Deixar essa minha vida, sabendo bem como era a Coréia, embora com todos seus encantos, pessoas como eu, não são muito bem vindas lá, pensar dessa forma fazia com que meus pés permanecessem no chão, quando eu assistia doramas, ou shows das bandas que eu amava. Mas já era tarde demais de mostrar essa visão para minha mãe. Ela estava feliz, e eu não podia estragar isso, ou seja, eu teria que me conformar, deixar minhas amigas, meu grupo de dança, meus trabalhos.
Saí do banheiro, já com uma aparência melhor, caminhei até a sala, me deparando com SukMin alí. Quem sabe, eu estando lá esse peso que eu estava pelo medo desaparecesse.
- Annyong hashimnigga...- acenei com a cabeça formalmente para ele, o que fez com que abrisse um sorriso.
- Annyong combina mais com você...- apenas sorri abertamente, vendo minha mãe olhar-nos confusa.
- É apenas oi mãe...- falei, fazendo-o rir.
- Acho que teremos problemas com a língua...- ela disse em um tom triste.
- Não se preocupe...já disse que não precisa se preocupar com nada...- ele tinha as mãos de minha mãe entre as suas, beijou o topo da cabeça dela.
Esse foi outro motivo para que eu não falasse nada, SukMin era extremamente agradável, gentil, cavalheiro, tratava minha mãe como se fosse uma princesa. Eu que sempre fui arisca quanto a reações muito exageradas de carinho à primeira vista, não consegui ficar nenhum pouco arisca com ele, como se tudo que ele fizesse fosse 100% legítimo, sincero. Não conseguia duvidar dele. E para um coreano, ele parecia ser um francês, não que eu soubesse como são os franceses, mas como minha mãe é uma, ela me contava como era os que ela conhecia. Percebi a cena começar a ficar melosa demais, não que eu não gostasse de romance, muito pelo contrário, mas é que era minha mãe, e isso era um pouco desconfortável, pouco? Quem eu quero enganar, era muito desconfortável. Voltei sem falar nada para meu quarto, peguei minha calça jeans surrada, coloquei uma regata de malha canelada branca, com um bordado do lado direito de uma flor, idéia da minha mãe, dar um pouco mais de cor para a regata, já que eu gostava tanto dela. Coloquei meu colete preto, deixando-o aberto, peguei meu chapéu boêmio, como eu gostava de chamá-lo, deixando de lado em minha cabeça, ajeitei o cabelo em meus ombros e calcei meu sapato favorito, baixinho, feito de um tecido grosso florido. Tinha que ficar apresentável, afinal, eu tinha que ir para a despedida, porquê amanhã nesse mesmo bat horário, eu estaria dentro de um avião.
Reparei pela primeira vez como meu quarto estava vazio, meu guarda roupas haviam somente algumas trocas de roupas, minhas estantes que antes estavam cheias de coisas, não havia mais nada, no meu criado mudo só havia meu despertador.
- É Mell...não tem volta mesmo...
Saí do meu quarto e fui direto para a cozinha, pegando uma maçã.
- Não vai tomar café? — a voz da minha mãe veio da sala, fui até ela.
- Não...- dei uma mordida na maçã.
- Está indo encontrar Dothy e Mari? — perguntou somente para confirmar, pois ela já sabia.
- Uhum...pode me passar minha bolsa Han-sshi...
- Já pedi que me chame de Min como sua mãe...- disse ele fazendo um falso ar de ofensa, enquanto me estendia a bolsa que estava ao lado dele.
- Por quê não pede para ela te chamar de Oppa? — ri, percebendo o olhar surpreso dele, logo ele riu. Outro ponto a favor, o bom humor de SukMin era inabalável, era incrível como consegui me dar tão bem com ele.
- Sabe que não seria uma má idéia..? — disse ele piscando para mim, enquanto minha mãe olhava-o sem entender.
- Bom vou indo Min-sshi...tchau mãe...juízo crianças...- disse saindo de casa.
Caminhei pela rua, cautelosa como sempre. Segui rumo ao studio, onde tinha que me encontrar com minhas melhores amigas. Ao virar a quadra, senti uma mão envolver minha cintura, fiquei estática, minhas pernas vacilaram, pronto, eu seria seqüestrada, tirariam meus órgãos e minha mãe receberia uma carta dizendo que queriam o dinheiro do resgate. Meu coração estava a mil, quando ouvi uma voz familiar.
- Mell! — me chamava. — Mell! Oi Mell!
- Lino, o que você fez com a Mell?!
- Hum...? — olhei para a pessoa que me segurava, eu conhecia aquele 1,78, olhos verdes claríssimos, cabelos louros despontados para todos os lados. — Lino?! — ele me olhou assustado, não pensei duas vezes e bati minha bolsa com tudo nele, pouco me importando se as coisas que estavam dentro dela quebrariam.
- Ai! Mell! Que violência é essa?! — Lino afastou se defendendo.
- Vai ver é assim que ela diz adeus aos amigos...não é francesinha! — aquela voz implicante veio de trás de mim, senti dois braços fortes me abraçando com força.
- Não...isso é o que recebem por me assustar...- fuzilei Lino com os olhos. — Porquê Drigo, quer receber uma bolsada também? — ele me soltou se afastando.
- Desculpa! Mas ultimamente você está muito assustada. — defendeu-se Lino.
- Acho que leu sobre a Coréia demais...
- Dothy! — corri abraçando-a, aquela morena de olhos negros, sentiria muita falta dela.
- Ai...Mell! — ela abraçou-me forte.
- Ei...vocês vão ficar aí? — ouvi a voz de Mari, virei vendo-a com seus cabelos ruivos presos em um coque alto, na frente da porta do studio.
- Vamos lá!
Me empolguei indo até lá puxando Dothy pela mão e abraçando Mari. Ficamos nessa melosidade de abraços a tarde toda. E para terminar nosso dia de despedida fomos para o club onde eu trabalhava, diferente das outras noites em que eu corria de um lado para o outro servindo drinks, hoje eu me acabei dançando no meio da pista. Em meio aos choros do fim da noite, entrei em casa, com meus olhos vermelhos.
- Mell! Que bom que...- antes que minha mãe pudesse terminar de falar, ela correu me abraçando.- Querida? Aconteceu algo?
- Na...da...- sussurrei tentando segurar o choro.
- Meu amor...- ela me acolhia em seus braços. — Vai ficar tudo bem...eu sei o quanto tudo está sendo cruel para você...mas eu prometo que tudo ficará bem.
Ao ouvir aquilo, não consegui mais segurar o choro, me desabei chorando, tudo que eu não havia chorado desde que me toquei que ia deixar tudo para trás e iria para um país diferente do outro lado do mundo, onde eu sabia bem, que talvez não fosse aceita, isso era assustador. Não sei por quanto tempo ficamos ali, abraçadas diante à porta e chorando.
Mal conseguia abrir meus olhos as 4:30 da manhã, quando meu celular tocou para me despertar. Me arrastei até o banheiro, e mesmo lavando três vezes o rosto, minha cabeça parecia pesar toneladas só em manter meus olhos abertos. Não agüentando, voltei para o quarto, me jogando na cama, que para minha surpresa já não estava com minhas cobertas.
- Achou mesmo que eu ia dar uma brecha para você voltar a dormir? — a voz de minha mãe veio próxima, e senti meu corpo se levantado, me fazendo sentar na cama.
- Hum...? — mal conseguia pronunciar uma palavra pelo sono.
- Mell...nosso vôo sai daqui uma hora e meia...agora se arrume logo...Min logo estará aqui...
Respirei fundo, tentando encontrar forças para me levantar. Com muito custo, mas muito mesmo, peguei a única calça que estava disponível, era uma calça jeans branca, coloquei a camiseta que era mais justinha no busto e caia solta até o começo da minha coxa, adorava aquela batinha em forma de camiseta, com estampas colorida em um fundo grafite, coloquei um bolero branco de lã com capus, calcei o mesmo sapato que estava ontem.
- Estou...pronta...- anunciei me encostando na parede do corredor, sentindo meu corpo implorando minha cama, fechei os olhos.
- No avião você poderá dormir querida...- ouvi a voz da minha mãe próxima e senti seus lábios em minhas testa. — Vamos meu amor..? O taxi já chegou...Min ligou dizendo que está nos esperando no aeroporto...
Carreguei com dificuldade minha mala para dentro do taxi por causa do sono. Mas apesar do sono, mantive meus olhos abertos, vendo pela ultima vez o bairro que eu vivia e nunca mais iria ver. Esse era meu adeus silencioso para a cidade que morei minha vida inteira. Curitiba. Chegamos ao aeroporto, SukMin esperava ansioso, vi minha mãe correndo até ele abraçando-o, seu rosto se aliviou completamente. Antes de me aproximar, remexi na minha bolsa pegando meu óculos de sol e colocando para esconder meus olhos vermelhos. Me aproximei acenando com a cabeça.
- Bom dia...- sorri.
- Que sol..não? — falou ele rindo, enquanto nos guiava para o check in.
O tempo alí não demorou muito e milagrosamente nosso vôo não se atrasou, o que parecia estar acontecendo muito essa semana. Nosso vôo tinha duas paradas, a primeira era em São Paulo, e a outra em Roma. Diferente do que imaginei, Suk Min comprou-nos passagem de primeira classe, ele realmente sabia como me surpreender.
Notas finais
**Por favor comentemmm~
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