Dreams
6 Capitulo 6
Notas iniciais
Eu acordei com a cabeça latejando e o corpo todo dolorido, as lembranças do incêndio voltaram assim que me sentei. Eu estava em um quarto totalmente desconhecido, a parede era totalmente amarela e o lençol da cama era florido, eu comecei a me levantar da cama, no lado esquerdo da porta tinha um porta retrato com duas crianças uma menina loira e um menino mais alto de cabelo castanho, ambos tinha olhos azuis, o menino me parecia um pouco familiar , mas eu não conseguia me lembrar de onde ,um pouco a frente tinha outro porta retrato e dessa vez só com a menina e ela já estava crescida, aparentava ter a minha idade talvez um pouco mais velha, ela estava linda nessa foto e com um ar totalmente natural.
–Vasculhou bastante?
Eu me assustei e deixei o porta retrato cair, a dona da voz pertencia a mesma menina do porta retrato, ela me encarava com um sorriso irônico no rosto.
–Me desculpe
Eu peguei o porta retrato coloquei no lugar e voltei a sentar na cama, a menina me olhava muito profundamente.
–Tudo bem, mas da próxima vez não saia bisbilhotando a vida da pessoa que você nem conhece, isso pode pegar muito mal.
–Hum, onde eu estou?
A menina caminhou até o guarda roupa e de lá tirou um vestido amarelo florido de alcinha.
–Toma, isso deve servir, você está precisando de um longo banho pois o fedor não está muito agradável;
–Você poderia me falar por favor onde eu estou?
–Você está na casa de Riley, eu sou a irmã dele Rebeca
–Riley? Mas…
–Ontem quando você caiu com tudo da escada, ele te salvou e te trouxe para cá se não fosse por ele você estaria provavelmente morta agora
–E onde ele está?
–No quarto dele
–Hum…
–A segunda porta a esquerda, na direita fica o banheiro, pode usar meu shampoo se quiser
–Há obrigado
Eu abri a porta e antes de fechar disse:
–A proposito meu nome é Bianca
Ela me lançou aquele mesmo sorriso irônico
–Disso eu sei Bianca
Eu sorri meio sem graça para ela e então fechei a porta
Eu decidi tomar um banho primeiro, não poderia ver Riley nas condições que eu estava. O banheiro não era nem tão grande e nem tão o pequeno, as paredes eram de ladrilhos azuis e o chão de madeira. A agua estava maravilhosa, eu demorei um pouco no banho, Rebeca estava certa eu estava um nojo de fedendo eu lavei cada parte do meu corpo inclusive o meu cabelo, o vestido tinha mais decote do que eu queria e estava marcando minhas curvas demais, fiquei até com vergonha de sair do banheiro eu calcei meu coturno e bati na porta do quarto de Riley.
–Pode entrar – A voz dele estava rouca
Eu entrei fechando a porta atrás de mim, ele estava deitado na cama sem camisa e com os cabelos bagunçados, estava tocando violão e eu tentei não olhar para o peito dele –apesar de magro ele tem um pouco de musculo- ele olhou para meu rosto e me deu um sorriso, eu retribuir
–Não sabia que você tocava
–Tem muitas coisas sobre mim que você não sabe
–Realmente – eu sentei do lado dele – por exemplo que você tem uma irmã
–Então, muitas coisas
–Hum, obrigado
–Pelo que?
–Salvar minha vida
Ele sorriu e voltou a tocar seu violão, depois de algumas notas ele disse
–Eu… vou sempre salvar a sua vida
Não tive como segurar o sorriso
–Eu acho que posso me acostumar com isso – eu apertei a mão dele, e acho que ele não esperava por isso – há desculpe
–hum não tem nada
–Você sabe de Mario e Lola? Eu estou preocupada com eles
–Não se preocupe estão bem
Meu coração aliviou
–Ai que bom, eu queria tanto ligar para eles só que meu celular ficou com Lola
–Pode ligar do meu
–Muito obrigada, não vai demorara
Eu não demorei muito ao celular com Lola, só me certifiquei que estavam bem e para avisar que eu estava bem e que não precisava se preocupar.
–Está bem Lola, mais tarde vou ai, beijos.
Me sentei novamente ao lado de Riley, ele não estava mais tocando violão e sim me acompanhando com os olhos.
–Eles estão bem, obrigado – entreguei seu telefone
–Por nada, que bom que estão bem
–Hum Hum. Sua irmã é muito linda, e parece ser bem legal
–E ela é muito legal
–Vocês se dão bem?
–Sim, ela me entende é a única pessoa que vale a pena na minha família, a única pessoa que me prende aqui.
–Como é ter uma irmã que não briga nunca com você?
Ele me olhou de lado, levantou a mão e colocou o fio do meu cabelo que tinha se desprendido para atrás da orelha
–É maravilhoso, sinto muito você não ter esse tipo de relacionamento com a sua irmã
–Eu também sinto muito
–Lola e Mario são seus únicos amigos aqui?
–Sim – Eu sorri – Com eles não me sinto sozinha, os únicos que aceitaram minha estranheza
–Epa não esquecendo que eu sei mais da sua estranheza que qualquer um dos dois, afinal fui eu que te encontrei no parque a noite chorando
Eu dei uma risada
–Ok, tinha esquecido de como foi que nos conhecemos
–Como você esqueceu disso? Não tem como esquecer
–Não sei? Tenho memória de curta duração?
Ele riu
–Como pode ser sínica?
–Há, aprendi com você
Então nós dois rimos
Depois de um longo tempo conversando, ele foi pegar algo para nos dois comermos, estávamos famintos.
–Eu trouxe suco de acerola e sanduiche de geleia
–Espero que esteja gostoso
–É o melhor da região
Comemos calados por alguns minutos, até ele falar
–Me desculpe
Eu levantei a sobrancelha
–Por?
–Por ter dito aquelas coisas, por ser um burro
–Ei – eu segurei as suas mãos – você não é um burro, eu que fiz uma tempestade em copo d’agua. É que eu estava com medo
–Medo de que?
–De você ir embora, Riley eu nem te conheço direito, mas você me faz bem sabe, você acalma o meu coração e…. E eu não quero que essa calma vá embora
Ele olhou bem nos meus olhos, me deu aquele sorriso doce e cheio de malicia que só ele sabe fazer e disse:
–Eu não vou embora, não enquanto você me pedi para ficar.
Ele me abraçou por um longo momento, eu encostei a cabeça em seu ombro e fiquei sentindo aquele maravilho cheiro de Riley.
…
Nos terminamos de comer e então eu fui me despedir de Rebeca
–Obrigado por me emprestar o vestido, eu vou lavar e mando por Riley
–Tudo bem, ele ficou ótimo em você
–Para mim ele tem decote demais
–Você tem que valorizar essas suas curvas menina
Eu sorrir para ela
–Não sei não
–Obrigado Bia
–Não entendi
–Depois que Riley conheceu você ele não fuma mais e também não anda mais em encrenca como antes.
Eu realmente não sabia o que falar, então só sorri e dei um abraço nela.
–Hora de ir – Riley falou da porta
–Ok –Andei na direção dele
Nós fomos andando até a garagem onde se encontrava a moto dele
–Acho que Rebeca gosta de você
–Também gosto dela
Riley abriu a garagem, entrou e pegou a moto, eu estava do lado de fora esperando ele parou perto de mim. Ele me olhou colocou meu cabelo atrás da orelha e me entregou o capacete.
–Você está pronta?
–Eu nasci pronta
…
Chegamos em minha casa mais rápido do que eu gostaria
–Deixa eu pegar sua jaqueta, você esqueceu na minha mão
–Não esqueci, eu quero que você fique com ela
Eu sorri
–Espero que isso não seja um adeus – Eu disse timidamente
–E não é, eu tenho o seu número lembra? – com isso ele ligou a moto, me deu um sorriso e saiu em disparada.
Pela primeira vez eu sentia que aquele não era um adeus, e que eu veria Riley novamente.
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