Dreams

3 A prova decisiva


Notas iniciais
James vai finalmente fazer a prova. Como se sairá ele? Em qual das 4 comunidades ele irá escolher?

Mal chego à sala sinto um desconforto enorme. Como se algo que eu tenho dentro de mim quer sair e não consegue. Começo a sentir um formigueiro no estômago e a suar descontroladamente. Está uma mulher de meia-idade perto de mim, já se notam algumas brancas no seu cabelo, no entanto há algo nela que a torna muito jovem. É o seu rosto. Não se vê uma única ruga na sua cara. Está impecavelmente lisa, o que a torna uma mulher lindíssima. Sei que ela pertence aos Protetores devido à sua blusa branca e saia pelo joelho. É muito típico da sua comunidade. Isso acalma-me. Para além das brancas no seu cabelo, vejo que quase todo ele é de um negro azulado muito forte. Depois com os seus olhos verdes e a sua pele lisa nota-se claramente que no passado já foi uma mulher que arrebatava muitos corações. Fico curioso. Mas não lhe vou fazer perguntas. Quero apenas fazer a minha prova e sair daqui o mais rápido que conseguir.

–Olá James Lee, o meu nome é Pamela – diz-me ela – chegou a altura de fazeres a tua prova.

–Olá – digo eu cautelosamente – eu sei. Estou pronto para o teste.

–O teste é, na verdade, mais simples que todos vocês pensam. Consiste numa interação entre o humano e um holograma criado por nós que vai fazer com que tenhas de interagir no momento com essa situação – informa-me a Pamela.

–Mas sendo um holograma, como é possível conseguir interagir? Não é suposto os hologramas desaparecerem no momento em que eu tento tocar ou atravessar? – Pergunto confuso.

–É a última tecnologia criada pelos inteligentes. Como deves perceber, não te posso informar como se sucediam os testes anteriormente, mas agora, com esta tecnologia, vocês ficam a saber exatamente aquilo a que pertencem! Qual é o vosso dom! – Diz-me, com muita confiança.

Espera! “Vocês agora ficam a saber exatamente aquilo a que pertencem”? Isso quer dizer que quem fazia o teste antes de nós não sabia, com segurança, o local onde pertencia? Isso deixa-me completamente confuso. Deveria ser certo aquilo que, por exemplo, a minha mãe escolheu. Não digo que ela não tivesse certeza. Mas o teste não lhe deu a certeza daquilo que ela queria ser? Tenho 1001 perguntas para fazer a esta mulher que estragou completamente a ideia que eu tinha sobre o nosso mundo. Comecei por adorá-la, depois detestei-a por ter estragado a minha ideia sobre o mundo ideal, mas agora adoro-a novamente porque me fez ver além daquilo que eu pensava.

–Compreendo. – Respondo secamente – Quando desejar, podemos iniciar o teste.

–Rapaz despachado, gosto disso. – Diz-me ela entusiasmada.

Apenas sorrio. Não sou capaz de dizer mais nada apesar de querer esclarecer estas dúvidas todas.

–Eu vou sair da sala. Mal eu bata a porta, o teste vai-se iniciar. Eu consigo ver o teu teste a partir do meu holograma do lado de fora da sala, e por isso mesmo, sei exatamente quando ele vai terminar. – Termina assim a Pamela.

–Ok. — Respondo simplesmente.

Vejo-a a caminhar lentamente até à porta, quando ela me pisca o olho como quem deseja boa sorte. Sorrio novamente, nem consigo falar neste momento. O nervosismo volta em força. Congelo quando ouço a porta a bater. Sei que é exatamente nesta altura que o exame começa.

Fecho os olhos com receio daquilo que se irá passar. Quando abro, percebo que estou numa praia belíssima. Areal branco, mar azul, uma praia muito extensa. Começo a caminhar porque ficar aqui não me vai fazer passar o teste. Quando já caminhei cerca de 1 quilómetro avisto qualquer coisa. Parece um botão vermelho. Mas não sei porquê, parece-me perigoso. No entanto, carrego na mesma e a praia começa a desaparecer. Em vez disso, agora estou numa floresta escura. Olho para o chão e avisto uma lanterna. Pego nela e ligo-a. Percebo que ilumina toda a área há minha volta. Sinto um ligeiro puxão na minha t-shirt e vejo uma rapariga pequena ao meu lado. Dá-me a mão e fico confuso. No entanto, não a afasto. Percebo que ela pertence a esta zona e que me pode ajudar a sair daqui. Caminhamos então lado a lado quando aparece um lobo. Primeiro fico a olhar para ele assustado, depois olho para a rapariga e percebo que ela está a sorrir e a aproximar-se do lobo. Deixo-a ir. O lobo mostra os seus dentes e é neste momento que aparece um furacão que devasta tudo à sua volta, inclusive a mim.

Volto novamente para a praia. Mas está diferente. Está um céu muito escuro, como se ameaçasse chover a qualquer momento. Mas há algo que permanece intacto. É o botão vermelho. Porém, desta vez, decido não carregar. Continuo a caminhar e sinto a terra a tremer. Consigo perceber que algo não está bem e sei que tinha toda a razão. Há um desabamento de terra e sei exatamente o que aí vem: outro perigo que tenho que ultrapassar de alguma maneira.

Desta vez encontro-me em minha casa. Vejo a minha mãe sorrir para mim. Mas há algo naquele sorriso que me dá a ideia de nostalgia. E percebo que tenho razão. Lembro-me desta cena. Tinha 10 anos e a minha mãe queria ver do que era capaz no que toca à agilidade.

–Vamos James – diz a minha mãe, desafiando-me – mostra-me lá tudo o que já aprendeste comigo.

Lembro-me do que é que ela me queria dizer. Queria ver o quão ágil eu era. Só que nesta versão da casa as coisas estão um pouco maiores que a realidade e tenho de ultrapassar algumas coisas que acho que não sou capaz.

Começo a correr o mais rápido que consigo. Quando chego à mesa salto o mais alto possível e consigo ultrapassá-la sem grande dificuldade. Depois vêm uma série de cadeiras em fila que eu tenho de passar, pisando em todas e no final dar um salto para o móvel da televisão que era o dobro do meu tamanho. Fico com medo. Não por, possivelmente não conseguir passar, mas por desiludir a minha mãe. É algo que não me passa pela cabeça e ver a desilusão na cara da minha mãe era o pior que me podia acontecer neste momento. Começo a correr, piso as cadeiras todas com sucesso, todavia, quando vou a saltar para o móvel, tropeço e caio no chão. Vejo a minha mãe a sorrir e é a última coisa que vejo antes de voltar à praia.

Na praia, já sei o que fazer. Começo a caminhar e vejo um botão azul. O azul dá-me confiança. Carrego no botão e volto à sala onde já tenho a Pamela há minha espera.

Notas finais
Prova realizada. No próximo capítulo iremos descobrir como se saiu mesmo James na prova.