Dreaming
1 Único.
Notas iniciais
Beta: Takashima Nii (http://www.fanfiction.com.br/takashima_nii) — Domo por mais essa... ^^
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Dreaming
“A hundred days have made me older, since the last time that I saw your pretty face A thousand lies have made me colder and I don't think I can look at this the same But all the miles that separate They disappear now when I'm dreaming of your face Cem dias me fizeram mais velho, desde o momento em que eu vi seu lindo rosto Milhares de mentiras me fizeram mais frio e eu não sei se eu posso ver isso da mesma maneira Mas todos os quilômetros que nos separam Desaparecem quando eu sonho com a sua face.”- Rukia-chan! – Kiyone correu para alcançar Rukia no antes que esta entrasse no vestiário do 13º esquadrão.
- Kiyone-san – cumprimentou a eterna candidata a fukutaichou.
- Gomen ne, mas Ukitake-taichou pediu que isto fosse entregue no escritório do 9º esquadrão antes que eles fechem a edição da revista deste mês.
- Ah... – olhou indecisa entre a porta do vestiário e o envelope que a 3º posto lhe estendia. Não podia recusar uma ordem. Mesmo que estivesse exausta depois de treinar durante toda a manhã e boa parte da tarde – Wakatta. A quem devo entregar?
- Ao Hisagi-san. Ele ainda não saiu, eu acho – Kotetsu entregou o envelope e olhou para cima – Se ele já tiver ido embora, entregue para quem estiver de plantão. Não deve haver nenhum problema.
- Pode deixar Kotetsu-san – pegou o envelope e virou-se em direção à saída – Logo estarei de volta.
- Iie, já chega por hoje – Rukia voltou-se com uma interrogação enorme no rosto – Vá pra casa e descanse. Você esta treinando demais, Rukia-chan.
A morena sorriu agradecida e concordou com a cabeça, partindo em seguida.
- Pobrezinha... – comentou a loira ao ver a pequena se retirar – Tanto talento e não pode ser reconhecida. Kuchiki-taichou é severo demais com ela.
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Caminhando pelas ruas da Seireitei, era comum encontrar conhecidos. Não que Rukia tivesse muitos. Famílias nobres não costumam se misturar. O problema é que ela queria se misturar. Queria. Jamais passaria de um querer e, se passasse, provavelmente seu onii-san lhe daria uma bronca. Tivera medo de Byakuya desde que o conhecera. Medo e admiração. Ele era forte, impunha respeito onde passava. Era tão insignificante perto dele! Como comparar um leão a um rato. Sabia que se pisasse na bola, ele não hesitaria em castigá-la. Nunca o fizera. Tão pouco lhe dera motivos para acreditar que fosse capaz de agredi-la fisicamente. Mesmo assim, bastava um olhar reprovador dele e seu mundo caia. Enquanto estava em Rukongai, era forte, destemida. Quando tornou-se nobre, viu que não passava de uma menina ignorante e digna de pena. Tinha que fazer por merecer a gentileza dele em adotá-la. Só não sabia como. Ele mesmo não a deixava crescer.
- Nii-sama – murmurou enquanto caminhava. Balançou a cabeça e ergueu-a. Ia acabar esbarrando em alguém se continuasse a andar daquele jeito.
Foi quando notou duas caras conhecidas, passando numa rua transversal, logo à frente. Uma careca lisinha que reluzia ao sol. E um ruivo temperamental que ela conhecia bem e não via há um bom tempo.
“Renji!”, arregalou os olhos e quase correu. Quase. Parou após dar o primeiro passo. Parou ao vê-lo rir e conversar com Ikkaku. Esquecera-se de como era vê-lo sorrir. Esquecera-se de tanta coisa. Esquecera até de si mesma.
- Renji... – outro murmúrio. Apenas observou o amigo (será que ainda poderia chamá-lo assim?) sumir na esquina, sendo seguido por pelo senpai do 11º esquadrão. Já o deixara passar outras vezes. Não havia coragem alguma para chamá-lo e dizer coisas comuns. Não havia coragem para saber o que ele achava dela agora. Se ainda era seu amigo. Amigo... Sentia falta de coisas assim. Sentia a falta dele, era essa a verdade.
Quando se deu conta, ainda estava parada no meio da rua, olhando para baixo outra vez. Mais triste do que antes. Repetiu o ritual de ‘balançar os problemas para longe’. Ainda tinha uma tarefa a cumprir. Continuou em direção ao 9º esquadrão. Contava os passos para não pensar em outras coisas. Para não voltar a lembrar-se de nada. Era o melhor a fazer por hora.
Parou quando viu a entrada do escritório. Aquilo era sempre um caos.
- Hisagi-san? – perguntou, tentando achar o fukutaichou por entre pilhas de artigos, relatórios, edições velhas do jornal e da revista. Podia ver vultos entre elas e pessoas falando. Vê-lo que é bom, nada.
- Estou aqui! – ouviu o grito do procurado – Atravesse as pilhas, Kuchiki-san!
- H-Hai! – como diabos ele a reconheceu apenas pela voz, não fazia idéia.
Desviou com todo cuidado das pilhas e viu-se diante de um balcão, onde o fukutaichou estava sentado, com as pernas cruzadas, lendo alguma coisa e riscando insistentemente a folha.
- Konnichiwa Hisagi-san – cumprimentou, curvando-se um pouco.
- Konnichiwa, Kuchiki-san – respondeu ele, erguendo os olhos, abandonando a folha por um tempo. Estava tão riscada que Rukia não conseguiu identificar nada. Se a folha estava confusa, a cara de Shuuhei não era das melhores. Parecia exausto e frustrado – Sorte que consegui te ver daqui, do contrário, teria ficado chamando ali por horas. Isso está um caos... É barulho demais.
- Verdade – concordou olhando em volta. Atrás do balcão, pessoas corriam, riscavam coisas imitando o fukutaichou, berravam para comunicar-se. Não entendeu como conseguiam trabalhar ali – Sinto ter que lhe dar mais trabalho. Ukitake-taichou pediu para entregar – estendeu-lhe o envelope.
- Daijoubou. Já esperava por esse – Hisagi abriu um sorriso cansado – Não vejo a hora dessa edição sair. Só assim terei uma noite de sono decente.
- Gambate, Hisagi-san! – Rukia tentou animá-lo. O fukutaichou sempre fora gentil consigo.
- Arigatou Rukia-chan – ele sorriu um pouquinho mais animado – Gomen ne, melhor voltar para isso aqui – apontou para a folha – Do contrário não termino.
- Eu também preciso ir. Ja nee, Hisagi-san – despediu-se, voltando por onde entrara.
- Ja, Rukia-chan. Apareça! – acrescentou vendo a morena ir embora e voltando a concentrar-se no texto. Não estava com cabeça para aquilo. Não hoje. Jogou a folha e a caneta longe. Precisava beber. Precisava bater em alguém e tomar uma surra. Só assim deixaria de se sentir um lixo por ter brigado com ela novamente – Por que você não sai da minha cabeça? – suspirou, já conformado com a idéia de ser um bosta quando o assunto é o amor.
Algumas quadras longe dali, a situação sentimental de Rukia não era muito diferente. Não estaria assim apenas por ter visto Renji de relance, estaria? Suspirou e tratou de caminhar mais rápido. Precisava de um banho. Precisava de seu futton. Precisava deixar essa realidade e descansar. Do contrário, ia acabar fazendo uma merda daquelas.
“I'm here without you baby but you're still on my lonely mind I think about you baby and I dream about you all the time I'm here without you baby but you're still with me in my dreams And tonight, it's only you and me Eu estou aqui sem você, baby, mas você ainda está em minha mente solitária Eu penso em você, baby, e eu sonho com você o tempo todo Eu estou aqui sem você, baby, mas você ainda está comigo em meus sonhos E hoje à noite, somos só você e eu.”Virou-se entre as cobertas. Já perdera a conta de quantas vezes repetira o movimento nas últimas horas. Chegara mais cedo que o normal, dissera aos criados que estava com dores de cabeça e que ia tomar um banho e dormir. Não se levantara para o jantar. Não se levantara para desejar boa noite ao irmão. Não queria se levantar para nada. A lua brilhava lá fora e algo lhe dizia que Renji estava lá, em algum lugar, se divertindo. Sem ela. Há muito era sem ela.
-Renji... – outro suspiro e olhos fechados. Precisava dormir. Precisava.
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- Renji? – chamou o ruivo. Estavam parados à beira do riacho no qual pescavam quando pequenos. Abarai estava a pouco mais de cinco metros dela, concentrado em algo no céu. Olhou na mesma direção e viu apenas as estrelas. Não havia lua.
- Acho que vão começar logo – comentou ele, voltando o olhar para ela – Tomara que seja melhor que no ano passado. Dizem que a quantidade de fogos é maior...
- Ano passado? – estranhou. Só então percebeu que vestia um yukata bordô, com sakuras minúsculas em toda a sua extensão. O próprio Renji vestia um yukata azul marinho festivo. Havia perdido alguma coisa? – É algum festival?
- Como assim? Algum festival? Você esqueceu o Tanabata?! – o ruivo assustou-se.
- Tanabata? – pelo que lembrava, ainda estavam longe do Tanabata daquele ano. E, tão pouco se lembrava de ter passado o anterior ao lado de Renji. Não se lembrava de ter estado com ele em nenhum momento nos últimos anos. Mal o encontrava na rua! – Renji, não estou entendendo...
Ele sorriu, caminhando na direção dela, parando a suas costas e abraçando-a por trás, encaixando a cabeça na curva do pescoço de Rukia. Sempre seria pequena perto dele, no entanto, de algum modo misterioso, encaixavam-se. Encaixavam-se de um jeito tão bom e tão certo que o ar esvaia-se de seus pulmões. As mãos dele...
- O que você não está entendendo, tenshi? – o ruivo mordiscou-lhe o pescoço, e sentiu os músculos tensos – O que foi?
“The miles just keep rolling as the people leave their way to say helloI've heard this life is overrated but I hope that this gets better as we go
Os quilômetros simplesmente continuam a correr, como as pessoas que deixaram seus caminhos para dizer 'olá’ Eu ouvi que essa vida é supervalorizada, mas eu espero que ela continue bem enquanto nós caminhamos.”Dizer que estava tensa é pouco. Estava em pânico. Por que ele a abraçava como se fosse a coisa mais normal do mundo? Não era! Não podia ser! Era tão... Tão... Droga!
- Renji! – ela exclamou, livrando-se do abraço dele e encarando a face confusa que ele exibia. Desde quando haviam tatuagens ali? – O que você pensa que está fazendo?!
- Abraçando a minha esposa? – ele respondeu, erguendo as mãos e dando de ombros como se não fosse nada demais. E não era. Pelo menos do ponto de vista do ruivo.
- Esposa?!
- É, esposa! – ele riu, voltando a passar os braços, fazendo-a afundar a face no peito tatuado. Beijou-lhe o topo da cabeça, entre os cabelos. Por que tanto carinho? Ela o abandonara! – O que houve?
- E-Eu... – esqueceu o que ia falar. O calor daquele corpo e o perfume... – Não sei.
Ele riu de novo, apertando mais o abraço. Rukia continuava sem entender. Só que já não queria entender. Gostou de estar nos braços de Renji. Sentia tanto a falta dele que não se importava em tentar entender como podiam ser casados. Só queria ele perto, como estava agora. Ou mais perto ainda.
- Olha, acho que vai começar – ele ergueu a mão esquerda, apontando para o céu noturno.
A morena voltou os olhos para onde ele apontava e viu os primeiros hanabi colorirem o ar. Cores vivas e bonitas. Cores alegres que contagiavam seu coração. Alegria que estava adorando sentir. Nos braços dele. Perfeito.
“I'm here without you baby but you're still on my lonely mind I think about you baby and I dream about you all the time I'm here without you baby but you're still with me in my dreamsAnd tonight girl, it's only you and me
Eu estou aqui sem você, baby, mas você ainda está em minha mente solitária Eu penso em você, baby, e eu sonho com você o tempo todo Eu estou aqui sem você, baby, mas você ainda está comigo em meus sonhosE hoje à noite, somos só você e eu”
- Aishiteru, tenshi – ouviu a voz rouca murmurar ao pé de seu ouvido. Virou-se para ele e sorriu, colando as bocas num beijo que começou calmo. Começou, apenas.
As línguas se acariciando numa sincronia de dar inveja. Descobriu algo que, só em remotas possibilidades, desconfiava: o beijo dele era quente como fogo. Quente como a saudade que dispersava-se a cada batida de seu coração acelerado. Quente como quando eram jovens dormiam amontoados para esquecer o frio e a fome. Quente a ponto de desejar arrancar os yukatas e desenhar aquelas tatuagens tribais com as unhas, só pra ter o prazer de ouvi-lo gemer seu nome. Ser um anjo devasso só para ele.
- R-Renji – perdeu todo o ar e ainda queria mais. Precisava de muito mais.
- Só você mesmo pra me distrair no Tanabata – sorriram juntos. Trocando olhares. Abraçados. Cumplices – Me promete uma coisa?
- O quê?
- Nunca mais se esqueça do Tanabata – ele começou e ela fez cara de quem não entendeu – Afinal, foi num Tanabata que a gente se beijou pela primeira vez...
Os olhos de Rukia deixaram rolar as lágrimas que estava contendo. Ele falava de qual Tanabata? Daquele que enchia o céu de fogos agora ou de um anterior? Não conseguia entender. Só podia ser uma brincadeira cruel de sua memória.
- Nunca... Nunca – repetiu ao vê-lo sorrir e começar a esvair-se numa névoa de partículas finas, multicoloridas.
- Rukia...
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Acordou. O quarto ainda estava na penumbra. Devia faltar pouco para o amanhecer. Não conseguia dizer ao certo. Sua cabeça estava girando. O corpo ardendo num calor febril. Uma febre sem doença. Febre de desejo.
- Renji.
“Everything I know, and anywhere I go it gets hard but it won't take away my love And when the last one falls, when it's all said and done it gets hard but it won't take away my love Tudo que eu sei, e em qualquer lugar que eu vou É difícil, mas isso não vai acabar com o meu amor E quando o último cair, quando tudo isso estiver dito e feito É difícil, mas isso não vai tirar o meu amor.”Quando o viu de relance na tarde anterior, não imaginou que a reação ia ser aquela. Não imaginou que a falta que sentia de Renji podia causar reações físicas. Psicológicas. Podia jurar que o sabor dos lábios dele estava ali, na sua boca. Que o calor dos braços dele ainda aquecia sua pele. Que estava em algum lugar de Rukongai, num futton qualquer, esperando ele voltar.
Sentou-se e observou os primeiros raios de sol invadirem sua janela. Lembrou-se de quando acordava naquela cabana velha em Inuzuri. Durante quantos invernos juntara gravetos ao lado de Renji e acendera fogueiras para se aquecerem? Quantos foram os verões em que o empurrara nas águas daquele riacho, rindo da cara brava feita pelo ruivo? Fazia mesmo tanto tempo assim?
- Rukia-sama? Ohayou – a criada a chamava da porta.
- Nani? – voltou de seu devaneio. Nem lembrou-se da polidez exigida pela casa.
- Kuchiki-dono pergunta se tomará café com ele esta manhã – a criada ignorou. Estava acostumada a ser ignorada.
A morena olhou novamente para a janela. Era um pássaro numa gaiola de ouro.
- Iie. Agradeça a ele, mas preciso chegar cedo ao esquadrão.
- Wakarimashita – a mulher saiu. Viu-se sozinha novamente.
Num desejo egoísta, e tinha consciência do nível desse egoísmo, pensou em Renji. E desejou com todas as suas forças que ele estivesse tão solitário quanto ela naquele momento.
“I'm here without you baby but you're still on my lonely mind I think about you baby and I dream about you all the time I'm here without you baby but you're still with me in my dreamsAnd tonight girl, it's only you and me
Eu estou aqui sem você, baby, mas você ainda está em minha mente solitária Eu penso em você, baby, e eu sonho com você o tempo todo Eu estou aqui sem você, baby, mas você ainda está comigo em meus sonhos E hoje à noite, garota, somos só você e eu...”Para Y...
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