Dreamers
1 Prólogo
Notas iniciais
Gran Novena; um imenso continente já habitado há milhares de anos, sua diversidade e imensidão espantam. Nos longos anos de sua existência ele foi um local calmo e harmonioso, mas infelizmente não foi sempre assim.
Os seres humanos são a espécie dominante do continente, durantes os anos ele se espalharam e se concentraram em três regiões principais; Bolormaa, Kalinga e Constantia.
Bolormaa, também conhecida como a terra do inverno eterno, seu território é todo coberto de gelo fazendo de sua paisagem serena uma imensidão branca infinita. Apesar do clima rigoroso, muitos vivem por lá, convivendo e vivendo apenas do necessário. O povo espirituoso de Bolormaa é conhecido por sua honestidade, gentileza e respeito ao ambiente e tradições.
Em contrapartida temos a região de Kalinga, uma região de savanas e florestas, com paisagens coloridas e vibrantes. Certamente podemos ver isso espelhado no povo vivaz de Kalinga, comemorações e festivais são recorrentes por lá.
E finalmente, Constantia, a região mais populosa de todas e a capital do continente, sempre movimentada, Constantia é o centro do progresso humano, tudo parece possível por lá.
Pessoas de regiões diferentes não se misturam, não tendem a nem sair de sua região, a segregação é intensa em Gran Novena, porém em um passado distante as regiões conviviam juntas e se ajudavam sem hesitação alguma, eram unidos. A razão de tantas mudanças começou com o Estopim de nossa história, se é que assim podemos dizer, há muito tempo atrás quando a Grande guerra aconteceu, a Guerra de Vitalis.
Antes da guerra de Vitalis, outra espécie vivia em Gran Novena, mais especificamente em uma ilha distante que flutuava acima dela. Enquanto os humanos dominaram o solo do continente, uma outra espécie vivia na ilha flutuante, os Suulyas, nome herdado por causa da Ilha de Suulya, onde viviam.
O povo de Suulya tinha características físicas parecidas com a dos humanos, tirando as orelhas longas e pontudas e as exóticas manchas esverdeadas espalhadas por sua pele. Porém, uma diferença era gritante, os Suulyas possuíam a incrível capacidade de praticar magia.
Até então as duas espécies nunca haviam interagido antes ou sabiam da existência uma da outra. Talvez isso se devesse a impossibilidade de se alcançarem devido a suas localizações em relação a outra. Porem isso muda quando um humano curioso em uma aventura pelas áreas mais distantes de Gran Novena, acaba achando um objeto translucido e reluzente, parecia um cristal. O que há de tão incrível nesse cristal? Bem, o que se encontra acima do cristal que é impressionante, a energia e brilho que exalavam do cristal pareciam formar uma espécie de portal, um portal para as terras de cima. A ilha de Suulya.
O homem adentrou o portal e não demorou muito para encontrar os Suulyas, e após comprovar que eram um povo receptivo, resolveu compartilhar sua descoberta com os outros humanos.
Depois dessa descoberta revolucionaria, tanto humanos quanto Suulyas passaram a utilizar o portal, agora podendo interagir entre si, durante um longo período as espécies conviveram em harmonia , os humanos admiravam a capacidade mágica dos suulyas, vendo essa apreciação os suulyas resolveram compartilhar um pouco desse poder com os humanos.
A fonte de todo poder e magia que os suulyas possuíam vinham de um objeto misterioso e até então desconhecido pelos humanos, o grande cristal de Vitalis, aparentemente uma lasca sua havia caído em solo terrestre e formado aquele portal estranho. Este enorme cristal ficava no centro da ilha flutuante, ele que regia, protegia, e fornecia magia para todos seus habitantes. Ele era supremo.
Assim, os bondosos seres de Suulya extraíram 3 pedaços de seu grande cristal e distribuíram pelas 3 regiões do continente. Bolormaa, Kalinga e Constantia. Agora os humanos podiam praticar sua própria magia, mas havia algo que não podia deixar de ser notado, humanos não se adaptavam tão bem a magia quanto Suulyas, talvez porque aquela ordem não era algo natural.
E assim os humanos perceberam o quão poderosos os Suulyas realmente eram, e aquela admiração que os humanos tanto sentiam passou a ser medo, eles começaram a se sentir intimidados pelos vizinhos de cima, afinal, a magia os tornava superiores em relação aos humanos. Pouco a pouco rebeliões foram se formando, o orgulho e egoísmo tomou conta da maioria dos humanos, eles queriam uma forma de deixar os suulyas mais fracos... Que forma não seria melhor, se não destruir sua imponente fonte de poder?
Os humanos sabiam que não seriam páreos a magia dos Suulya se lutassem, assim começaram a fabricar armas e bombas. Uma atmosfera de guerra começava a se formar, e vendo isso muitos humanos refletiram e resolveram não participar da guerra, mantendo seus cristais, principalmente as pessoas de Bolormaa e Kalinga, elas resolveram não participar da guerra, porem muitos de seus habitantes rebeldes partiram para Constantia, o centro de toda rebelião,muitos também foram selecionados contra sua vontade para lutar e servir o continente. Constantia,ainda insatisfeita com a não cooperação de seus vizinhos, fecha suas portas, negando qualquer contato com Bolormaa e Kalinga, os considerando traidores por terem mantidos seus cristais e ainda praticarem magia.
E assim a guerra começa, com a invasão dos humanos a ilha de Suulya. Com suas armas letais, até mesmo para seres mágicos como os Suulyas, era difícil combatê-los. Uma era de violência e destruição se inicia e durante longos anos essa era reinou Gran Novena.
Os Suulyas lutaram com toda sua força para defender o cristal, mas era inútil, os humanos iam adentrando cada vez mais a ilha flutuante, deixando um rastro de destruição e morte por onde passavam. Aos poucos parecia que o povo de Suulya ia se extinguindo.
Quando finalmente os soldados humanos avistaram o grande cristal, uma agitação os surpreendeu; parecia que algo pulsava dentro do cristal e estava prestes a ser liberado a qualquer hora, e em um piscar de olhos uma explosão de energia dominou toda a ilha, eliminando qualquer ameaça viva, os humanos, mas aparentemente isso também incluía os Suulyas sobreviventes.
A explosão pode ser ouvida até na área terrestre de Gran Novena, eles viram a enorme luz da explosão iluminar todo o céu noturno durante um instante. E assim, os humanos supuseram que em um sacrifício os soldados haviam se livrado do cristal e dos Suulyas, a raça foi considerada extinta, já que nunca mais foi vista.
Porem ao notarem que os povos de Bolormaa e Kalinga ainda conseguiam ursufruir da magia de seus cristais, os humanos se deram conta de que o cristal Vitalis ainda existia, mas como não haviam mais Suulyas existentes para usar os poderes do cristal, o povo de Constantia considerou a guerra como acabada. Agora Vitalis era nada mais que uma grande pedra brilhante e solitária reinando uma ilha devastada dominada pelo silencio da morte.
Deste modo, a vida humana seguiu em Gran novena, mas agora de um jeito um tanto diferente. A magia foi proibida em Constantia, assim, pessoas de Bolormaa e Kalinga não eram bem-vindas na capital do continente, Constantia se tornou um grande expoente e após a guerra construiu um muro em volta de todo seu território, para impedir o contato com outras nações. E a vida continuou assim até hoje, em relativa paz, ninguém ousa mais mencionar a esquecida ilha flutuante e seu cristal, mas muitos ainda se perguntam; será que realmente não há mais nada lá?
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