Dreamers

1 Capítulo I


Notas iniciais
Dedico este capítulo ao meu amado Lucas, um dos melhores amigos que tenho e sagitariano mais quieto que já conheci. Este é pra você, cabeçudo, te amo ainda mesmo você me esquecendo.

Capítulo I

Era o sonho de novo. A mulher corria pelas ruas de Paris, seu vestido ia até os joelhos e cortava o vento juntamente com o cabelo curtos aos padrões daquela tão famigerada época. Ela virava o rosto para trás enquanto apertava os passos e tudo ao redor da perspectiva daquele homem perdia o brilho, ela era como a luz que o fazia sobreviver, era seu Sol. E aquele sorriso! Era o mais bonito já visto por seus olhos. Ele estava completamente apaixonado por ela, qualquer um com olhos poderia ver. Era digno das grandes histórias de amor lidas por ela, do tipo de cena descritas nestes, onde o homem, cego de amor, só vê a luz que os olhos dela emanavam.

“Hora de acordar.” foi o que ela pensou. Pôs-se de pé, abriu os olhos sem saber exatamente onde estava. Seus sonhos se tornavam cada vez mais reais e frequentes. Mais difíceis de serem abandonados.

Confrontava sua crua realidade, não tinha uma vida nada excitante. Tudo não passava de um amontoado de tédio. A solidão enroscava seu ser como uma cobra, pronta a dar o bote a qualquer momento. Precisava de alguém. Deus, era pedir muito um homem igual a aquele do sonho¿ Tudo era tão livre para ele. Para eles. Era visível a ligação entre os dois. Lembrou-se da última vez que havia sentido algum resquício de tal sentimento. Ainda estava em frangalhos. O amor que sentia por Danilo havia queimado seu coração por 3 anos. No mau sentido da palavra.

O inverno do ano interior fora o pior de todos, lembrou-se da viagem todos os dias até o final daquela estação, a mais longa de todos os 25 anos de sua vida. O anseio do novo, a necessidade de liberdade, até suas fantasias eram atendidas por ele, mas nunca foi de se empenhar a suprir o desejo supremo da mulher: um amor de verdade.

A mesmice de seu trabalho era deprimente. Era professora de português e sentia profunda adoração por todos do colégio. Todos os alunos, na verdade. Seus colegas de química, biologia, história e outras matérias queriam sua morte. Sempre foi de se isolar, desde sua época estudantil por ter aversão aos componentes de sua turma. No final do ensino médio, algumas pessoas nem sabiam o nome dela.

Era tudo tão chato! As mesmas pessoas, os mesmos lugares, os mesmos caminhos. Estava cansada de tudo aquilo.

Deitou-se na cama assim que chegou. Queria dormir de uma vez só, voltar, principalmente, ao sonho de hoje. Esse era o mais comum de todos. Estava feliz, era amada e completa. Não tinha obrigações ou qualquer tipo de tristeza. O amor a encontrara de vez. Correr. Na sua realidade, nunca tinha o feito. Não com a idade que estava agora. Mas nesta era diferente. O frescor da juventude se espalhava por todo seu corpo, ela sentia uma necessidade enorme de viver. E ele a proporcionava isso, fazia-a viver.

Seus olhos estavam fechados, e ela, já pronta para se transportar daquele lugar, adormecia. No quarto, um silêncio mortal instalou-se. Tudo se acalmava, a cidade à sua janela dormia junto com ela, por mais cedo que fosse.

O toque estridente de seu telefone ecoou pelo ambiente, fazendo-a pular da cama. Levantou-se, descobrindo uma força descomunal em seu corpo e atendeu.

- Juno? – A voz do outro lado da linha perguntou.

- Ela mesma, quem deseja?

- Sou eu, Danilo.

Sentiu-se mergulhar no Ártico. Um calafrio correu por todo seu corpo.

- Ah, sim. – Disse, tentando soar o mais indiferente possível. – O que houve?

- Nada. Consegui seu telefone com o Lucas. Eu só queria falar com você mesmo, ouvir sua voz.

Não sabia o que dizer. Milhões de pensamentos tomaram conta de sua mente enquanto um turbilhão de emoções abateu seu coração. “Lembre-se do quanto este homem a fez mal, de todo esse tempo que passou, e, ainda assim, as lembranças referentes a ele só a trazem tristeza. Você prometeu a si mesma nunca falar com ele ou dele, não se esqueça.”, pensava. Quebrando sua promessa, ela respondeu:

- Tudo bem então.

- Posso te ver¿

- Eu não sei, tenho que trabalhar amanhã e ando um pouco cansada. – Mentira.

- Ah, tudo bem.

O silêncio se instalara na linha

- Sinto sua falta. – O homem disse.

O vazio que Danilo nunca soube preencher acabara de se manifestar, um grito de socorro ecoou de lá. Seus olhos já queimavam, tratou de levantar a cabeça para não derramar uma lágrima sequer.

- Eu não posso, desculpe. – Era audível a mudança em seu tom de voz, amolecendo a cada palavra dita por ele.

- Eu te amo, Juno. Por favor. Eu só quero te ver, por favor.

Abaixou a cabeça. Já não era mais possível conter uma só gota do mar se formara em seus olhos.

- Não, você não me ama, nunca amou. Não me ligue de novo, por favor, Danilo. – Ela se entregara ali, sua voz embargada não enganava ninguém.

Desligou, deitando-se de novo. De olhos fechados, não mais se lembrava de como Danilo era. Era loiro, alto, com olhos bem escuros e pesados. Seus olhos condiziam com a personalidade. Era diferente, tinha um quê de libertador, inovador, mas nada sabia sobre relacionamentos ou amar. Deus sabe o quanto sofrera nas mãos dele. Quantas traições perdoadas, era jogada de lado e nem se importava, o amava tanto. E ainda tinha esperanças de que um dia Danilo a amasse, a quisesse e que seriam felizes, finalmente. Mas a cada separação “definitiva”, ele se tornava pior. A espera foi tanta que Juno optou por partir.

Se seu amor e devoção não eram o suficiente, nada seria. Então, um dia, fez suas malas e foi-se. Sem pensar em nada ou ninguém. Egoísta, mas, ainda assim, certo.

Então voltemos à realidade dos sonhos. Era o de Paris novamente. Não sabia o que era, mas havia algo de sombrio naquele dia em específico. Uma tristeza profunda se impregnava no ambiente. E, como de costume, ela corria. O perfume daquele homem estava embebido em suas roupas dessa vez. O cenário mudara.

As árvores do lugar funcionavam como guarda-sóis. Ela parava e se deitava no pano estendido entre as árvores. Procurava-o, seus olhos percorriam todo o lugar e o homem desaparecera. Sua visão escureceu, a noite deitou-se no parque, fazendo-a companhia. Será possível¿ Dormir no próprio sonho¿ Ou era sua realidade¿ Morava em Paris ou Rio de Janeiro¿ Não conseguia diferenciar, mas não se importava. Estava em Paris.

Acordara com o abraço de alguém. Danilo¿ Não. Lembrava-se sempre de trancar seu apartamento antes de dormir. Abriu os olhos e viu-se deitada de baixo das árvores. O mesmo pano, as mesmas roupas, o mesmo cabelo. Ao virar-se para ver quem a acolhia, deu-se de cara com aquele homem.

Ele tinha o rosto sereno. Tinha um ar de encanto. Seus olhos fechados eram tão lindos quanto abertos. Os cílios eram longos e curvados. A cada detalhe reparado, mais bonito o homem ficava. Os cabelos eram compridos, de certa forma. Cobriam as orelhas, mas não chegavam aos ombros. Eram negros como o céu nas noites de verão no campo, brilhavam iguais as estrelas com leves ondas ao final de cada fio. Parecia que noite e mar juntaram-se para abençoá-lo com aquele cabelo. A boca parecia um sonho, não se achava um traço fora de lugar e o vermelho e branco dançavam em seus lábios. Tão rosados que pareciam pintados. Até suas sobrancelhas eram lindas. Contornavam a parte superior de seus olhos com maestria, dando ao seu olhar um complemento indescritível. A barba por fazer desenhava seu rosto e o amadurecia com uma mistura delicada e rústica ao mesmo tempo.

- Pare de me olhar dormindo, sei que você ama fazê-lo e aposto 10 francos que está o fazendo agora. – Disse, ainda de olhos fechados, abrindo um sorriso que quebrou qualquer possibilidade de pedir explicações a ele.

Sua voz. Deus do céu, ele era real¿ Parecia uma música para qualquer gosto. Depois de analisá-lo por inteiro, percebeu: era ela a mulher dos sonhos! Ela tinha o que pediu por tantos anos, mesmo que por algumas horas. Era amada daquela forma que sempre sonhou, literalmente. Nada faria para estragar aquele momento. Seu nome era um enigma, mas isso não importava.

- Desculpe. – Sua voz denunciou a felicidade que sentia no momento, já que falava sorrindo de orelha a orelha.

Ele abriu os olhos e observou-a. As mãos de Juno deitaram-se no rosto do homem, sem nome ainda. Chegou mais perto e o encarou. Os olhos dele enxergavam sua alma. Ele se inclinou e a beijou. Suas mãos brincavam com o cabelo dela. Ele levantou-se e sorriu, iluminando seu lindo rosto.

Acordou, novamente. Abriu os olhos com a esperança de ainda estar em Paris, junto com aquele homem, junto com seus beijos e as árvores, mas não havia nem um resquício da cidade-luz no quarto vazio e quente que se encontrava.

Pôs-se a chorar copiosamente. Sentou-se e derramou as lágrimas de toda a sua vida. Acabou. Suplicava por voltar para ele, ajoelhava-se e pedia aos céus por isso. Dormia, mas não voltava aquele lugar, ia para todos os cantos do mundo, menos para ele

Notas finais
Se erros forem encontrados, por favor, me desculpem, são 0h e eu estou quase morrendo. Obrigada a todos que leram ♥ Coraçãozão pra vocês, seus nindos.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.