Dreamcatcher
2 Routine
Notas iniciais
Antes de sair, Arthur alimentava seu irmão mais novo, Peter, que tinha apenas três anos de idade. Preparava-lhe um mingau de aveia com mel que o pequenino amava. Eram muito parecidos, exceto pelos olhos do caçula serem azuis, ao contrário das esmeraldas que o mais velho ostentava. As grossas sobrancelhas também caracterizavam os Kirkland, que assim como ambos, o irmão mais velho deles, Scott, também exibia as supercelhas.
Ao contrário do irmão mais velho, Arthur não gostava muito daquele sobrolho exagerado, então deixara a franja crescer, cortando-a sempre rente aos olhos, e quando crescia, atrapalhava a visão, o que não era muito bom visto que cuidava do irmãozinho que exigia praticamente toda a sua atenção.
Arthur aguardava a chegada do irmão mais velho, que trabalhava numa sex shop durante a madrugada. Scott pegava Peter no colo e deitava-o na cama, onde colocava o pequeno para dormir de novo. Arthur observava com carinho as perninhas do irmãozinho jogadas em cima do corpo do mais velho, exausto, que se comprimia no espaço permitido da cama.
O garoto caminhava silenciosamente pelas ruas e avenidas, contemplando aquele céu, com matizes que variavam do amarelo ao laranja. A brisa fresca bagunçava seus cabelos, o sol lhe emprestava novos tons de dourado a seus louros cabelos. O cheiro de orvalho e o perfume das flores enchiam seus pulmões, e o garoto agradecia a cada um dos elementos. Carregava escondido debaixo da blusa o colar de pentagrama, com duas meias-luas em cada lado, banhado a prata, presente de uma senhora wiccana que havia simpatizado com o inglês.
A escola era grande, com janelas de vidro quadriculadas, portas, portões pintados de cinza, enquanto as paredes externas eram de tons pastéis; um jardim bem limitado cercava o prédio. Arthur preferia sinceramente algo que lhe trouxesse a natureza para mais perto.
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Alfred se dispersava de sua irmã e seguia seu curso à sala de aula. A manhã estava realmente bonita, ele constatava ao mirar a paisagem pela janela. O sol morno lhe parecia convida-lo a ter bons sonhos, todos iluminados e felizes. Mas o garoto sabia que fechar os olhos era um teletransporte para o Inferno.
Mascava um chiclete de canela para manter-se alerta. Concentrava-se nos professores, entretanto perdia-se nas aulas, alguns flashes dos pesadelos voltavam. Ele não lembrava o que era, mas as cenas eram terríveis. Não havia uma válvula de escape; e algumas aulas eram horrorosamente monótonas. Seu pescoço estava duro e ele clamava por uma massagem.
A prova de álgebra estava relativamente fácil; Alfred realizara as questões de números complexos tranquilamente, forçando a mente a concentrar-se somente nos i, números reais e imaginários. Em questão de minutos, entregara a prova, sendo liberado para sair. Ficaria no carro, ouvindo música alta e esperando a irmã descer.
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Amelia era daquelas garotas que viviam por status, fazendo de tudo para equilibrar-se nos saltos da popularidade. Vivia arrumada, saía para todas as festas, comprava lindos vestidos invejáveis, usava perfume e maquiagens da mais alta linha que sua mesada conseguisse comprar. Na boate, jogava charme, rebolava, conquistava caras que lhe pagavam bebidas. Postava fotos em suas redes sociais trajando um biquíni navy, pirulitos na boca e os lábios sempre pintados de vermelho. Ganhava curtidas e elogios que massageavam o ego da loura, que cada vez mais postava fotos ainda mais ousadas, apesar dos avisos do irmão.
A mais nova dos Jones era extremamente competitiva. Bastava ver uma garota que estava se tornando popular que corria imediatamente para um perfil seu e postava uma foto, ou aparecia arrumadíssima em algum encontro de amigos alheio de pessoas da sua escola. Vez ou outra sentava ao lado de algum esportista e fazia charme para ele, mordendo os lábios ou contorcendo os fios louros entre as unhas coloridas.
No final das contas, podia-se dizer que ela tinha um perfil invejável, conquistava tudo apenas piscando os olhinhos azuis com cílios cobertos de rímel, mas havia uma garota que a admirava, e tentava ser como ela. A canadense Madeleine a via como heroína. Queria imitá-la, mas não conseguia usar uma saia que fosse mais alta que os joelhos...
Seu irmão do meio tentava tirar a ideia da cabeça da garota, mas não adiantava. Não importava onde Amelia fosse, Madeleine queria estar perto. Esta admiração beirava a quase obsessão, e Matthew se sentia preocupado com a sanidade mental da caçula.
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Da escola a casa, os irmãos Jones voltavam calados. Amelia tamborilava as unhas na coxa enquanto seu irmão se concentrava no trânsito. Essa hora do dia os recordava de uma notícia fatídica que receberam anos atrás.
A mãe servia-lhes comida enquanto enchia-os de perguntas; enquanto a garota não travava a língua, Alfred se limitava a átonos. Comia sem pressa o ensopado de carne, dependendo do assunto, prestava atenção no monólogo da irmã e virava-se pro quarto. Lá, jogava seus games favoritos até as tantas da noite, e exausto física e mentalmente, atirava-se na cama, onde voltava para seu hades.
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Arthur voltava para casa contemplando o sol que se punha. Os tons do céu eram azuis e rosados, as novas dispersas eram como algodão doce. Admirava algumas flores que via pelo caminho, tentando encontrar alguma fadinha sapeca. Passava em alguma loja de produtos naturais e comprava sua janta, geralmente apreciava empadas ou pastei assados, recheados com cogumelos ou ervas finas.
Chegava em casa, deixava a sacola com as compras em cima da mesa e pegava Peter no colo, levando-o para tomar banho na banheira junto consigo. O pequeno amava brincar na água, estourar as bolhinhas de sabão, jogar espuma no cabelo do irmão, brincar com o patinho de borracha. Arthur e Peter passavam um bom tempo no banho, se divertindo, até a hora que Scott os chamava para jantar. Enquanto ficava em casa, o louro wiccano não queria desgrudar daquela pequena criatura que lhe trazia conforto toda vez que o ninava.
Jantavam silenciosamente; Arthur dava comida ao caçula na boca, e ficava feliz quando Peter mastigava sem se sujar. Acabavam a refeição, e enquanto o bruxo lavava a louça, entoando cantos, o mais velho se despedia e seguia rumo a loja. Mais tarde, os irmãos brincava, liam contos de fadas até o mais novo cansar e bocejar. Após ajeitá-lo na cama, Arthur orava aos deuses pedindo bons sonhos para o irmãozinho. Aconchegava-se ao lado dele e observava o filtro dos sonhos que havia em sua janela até adormecer
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