Dream with Mars
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Ah, não, pera.
Essa fic começa muito depois de tudo isso xD
Boa leitura x)
Era uma manhã muito forte. A luz entrava pela cortina quase como se fosse transparente. O sol estava quente demais para tão cedo, a ponto de acordar Sam muito antes de Hunt bater à sua porta como fazia questão quase todo santo dia. Eram seis e meia, ele só chegaria em uma hora, o que era uma ótima notícia, aliás.
“3 de Janeiro de 1974, eu estou vivo!”, pensou, com um sorriso torto por ter acabado de abrir os olhos. Pensou em Annie também. E que esse já seria o primeiro dia de trabalho do ano deles na delegacia. Muito provavelmente ninguém ia estar com o menor pique para ver os arquivos de 73 e organizar tudo, iam enrolá-lo até o maldito último segundo.
Levantou-se e ligou a sua televisão. Uma coisa que, refletiu, realmente não estava muito acostumado a fazer, antes ele sempre ia dormir com ela ligada por causa das mensagens… até que, claro, resolveu que elas não eram mais que um incômodo. Estava passando o jornal da manhã. Jogou o corpo na poltrona, a cabeça para trás, apoiada na parte superior, os olhos fechados de novo, ouvindo as notícias do jornalista para esperar os murros aparecerem na porta. “Sinceramente, nem eu queria ter que ir trabalhar hoje, podia ficar aqui o dia todo”.
Por conta da irredutibilidade dos mineiros a voz de Travis Raymond informava em relação à energia, o Primeiro-ministro Edward Heath tem planos de implementar a Semana de Três Dias no setor industrial do país logo na próxima semana, a fim de limitar o consumo de energia das fábricas. O Ministro declara que, em vista da situação, cortes e limitações do recurso deverão afetar também a área urbana da sociedade Britânica e que, ainda hoje, a energia que mantém Sam Tyler vivo será desligada. Aparentemente sua mãe não tem mais como pagar pelo tratamento médico que o mantém vivo durante o seu segundo estado de coma causado de forma intencional pelo detetive ao pular de um edifício. Portanto, como forma de respeito à decisão inicial de Sam, Ruth Tyler pediu para os médicos fazerem o desligamento dele.
Sam pulou da poltrona e agarrou-se à televisão, incrédulo, com os olhos arregalados, dizendo lentamente:
— Como… o que é que você falou?
Sam, se você está nos ouvindo, ainda há tempo. Dê-nos algum sinal. O televisor desligou sozinho.
Deu pancadas na lateral do aparelho e tentou ligá-lo novamente, estava tão em choque que simplesmente não podia acreditar, talvez tivesse sido algum tipo de pesadelo. Com certeza; aquele ano que passara tinha sido muito tenso e traumático, afinal de contas, estar ainda internamente estressado por conta disso seria mais que natural. Mas ele precisava ter certeza, precisava saber se era verdade. Logo no momento em que ele tinha decidido voltar e ficar com a Annie, o Hunt e todo o pessoal, não, isso não ia acontecer.
— Não agora! — disse com vigor e deu mais dois tapas quando a tela mostrou apenas um monte de chuviscos. — Não. Não faz isso, vamos lá, fala comigo — sua voz estava calma apesar de tudo. — Eu preciso ouvir isso de novo.
Desligou e ligou a televisão mais duas vezes. Pegou a sua antena improvisada e começou a andar com ela por onde o fio lhe permitia para ver se conseguia um sinal de novo. Mas ele sabia, ele sabia o que tinha ouvido. E também que era assim que funcionava, toda vez, a mensagem ia embora tão rápido quanto vinha! Finalmente conseguiu o sinal e, como era óbvio que ia acontecer, lá estava o mesmo jornalista falando sobre a tensão que aumentava na Etiópia por conta dos movimentos de greve de fome contra o governo.
— Maravilhoso.
Ficou de joelhos diante da figura do repórter e olhou para o chão, raciocinando o que de fato estava acontecendo. A sua própria mãe estava desistindo da sua vida? Ruth Tyler ele ouviu… Seria ótimo se ele realmente acreditasse que fora um sonho. Precisava conversar com a Annie, precisava de alguém que lhe desse alguma segurança. Talvez ignorar as mensagens tivesse sido um erro.
Vestiu uma roupa decente e escovou os dentes antes de abrir a porta do dormitório. Deu de cara com Gene Hunt, seu “chefe”, que meteu um resmungo na sua cara antes de mais nada:
— Até que em fim você acordou na hora. Novidade de Ano Novo? — Sam enrijeceu o maxilar, sua paciência não estava primorosa depois daquele recado de “bom dia” pela televisão — Vamos lá, hoje vai ser um dia insuportável, tomara que alguma coisa empolgante aconteça além do Chris jogando o pó dos arquivos no Ray.
— Ah, claro que vai, o Ray vai revidar.
Ambos se olharam com melancolia e deram risadinhas. Dirigiram-se à delegacia a passos lentos, era só mais um dia comum de começo de ano. Deram bom dia à sra. Dobbs logo na entrada e foram até suas respectivas mesas rever os papéis que estavam por ali. Annie chegou minutos depois muito bem animada e deu um contente beijo em Sam, aproveitando a oportunidade de estarem longe da vista de Hunt.
— Bom dia, Sam! Tudo bem?
— Bom dia, tudo. Quanta animação logo cedo. — “E ainda mais hoje”, pensou, apesar de não querer admitir isso. — Ainda com a festa de Ano Novo na cabeça?
— Sim, ainda. Afinal de contas, a gente tem que começar o ano bem por aqui também, né, nada melhor que trazer um pouco de ânimo novo! — Suspirou e deu uma olhada na mesa de Sam — Santa bagunça, você nunca arruma isso? — Ele deu uma risada de canto de boca.
— Olha, eu me faço essa pergunta toda manhã, sabia? Mas depois de hoje, não vou mais poder dizer que não está arrumado, hoje é o dia. Para todo mundo, aliás — apontou com uma pasta para Ray e Chris que estavam entrando. — Como o Guv disse antes de fecharmos a delegacia no ano passado, nosso primeiro dia de trabalho vai ser nos arquivos, limpando os velhos, organizando os novos, juntando o que estiver separado e assim por diante. Eu quero que todo mundo comece vendo o que tem na própria mesa e separando por caso, em ordem crescente de data. Quero tudo em pastas e organizado até as dez horas para começarmos a juntar tudo.
— Bom dia, chefe. — Chris falou, sentando-se na sua cadeira e olhando para as pastas vazias que ele deixara empilhadas do lado esquerdo antes de sair para o Natal.
— Bom dia, senhores — falou olhando para Annie Cartwright, sua namorada. O que mais queria naquele momento era dar um beijo no sorrisinho cúmplice que ela lhe mostrava, mas tudo o que fez foi estender a mão em direção à mesa dela, pedindo que também começasse com suas coisas.
Não demorou muito para Gene Hunt sair do seu escritório, que separava a sua mesa do resto do pessoal apenas por finas paredes, carregando uma pilha de documentos e deixando-os em uma mesa que estava vazia justamente para isso. Voltou e pegou outra pilha, chamando Cartwright para ajudá-lo com aquilo. Sam olhou de lado incrédulo, mas era típico, afinal, tinha direito como DCI deles. Ou pelo menos achava que tinha.
Sam voltou-se novamente para seus papéis e encarou os depoimentos que tinha em mãos. Alguns do caso de Edward Kramer, outros acerca de Dipak Gandhi. Achou um rascunho de acusação contra Toolbox Terry que pretendia fazer e acabou desistindo no meio do processo porque ele mesmo se entregou sozinho ao roubar dinheiro, atirar em policiais e sequestrar a Annie. O caso completo de Colin também estava com ele, por algum motivo, não fora para as gavetas de Hunt que acabavam de ser reviradas. Organizou tudo e foi conferir o que os outros tinham feito até então, porque sabia que só funcionavam se fossem pressionados.
O dia passou bem e, por mais cético que estivesse Sam, todos se mantiveram bem focados na organização, inclusive ele mesmo. Annie e Hunt organizaram aquelas gavetas, Sam organizou os papéis por ela, que não eram muitos, em verdade, e recolheu caso a caso de cada uma das pessoas para colocar junto às duas pilhas. Conseguiram tudo até a hora do almoço e foram famintos ao refeitório, onde conseguiram alguma coisa decente pra comer e, mais que tudo, um descanso. Como Chris declarou, aquilo era “mais cansativo que perseguir um criminoso”.
Sam aproveitou o momento antes de voltarem ao trabalho para falar com Annie.
— Hm, escuta, hoje de manhã, logo depois que eu acordei, eu tive outra daquelas... visões que eu costumava ter antes, sabe? — Ela olhou preocupada para ele, pedindo com um aceno de cabeça que continuasse — Bom, e você sabe que essas visões sempre estiveram relacionadas a Hyde e a minha vontade de voltar pra lá. Só que, desde que eu resolvi ficar aqui, com você, eu vinha meio que ignorando elas.
— Mas elas ainda aconteciam?
— Sim, ainda.
— E o que mudou na de hoje então, não devia simplesmente ignorá-la como às outras?
— Você sabe que... ah, isso é complicado. — Passou a mão pelo rosto dela e seus olhos tremiam um pouco pelo medo. — Escuta, eu sei que sempre tratamos isso como uma loucura, e eu realmente quero que seja agora.
— Mas por que, o que aconteceu, meu Sammy? — No olhar dela refletia a confiança que ele precisava para falar sobre aquilo. Ele precisava ser compreendido, ela era a única que podia fazer isso por ele. E no entanto, Annie não acreditava muito naquilo tudo.
— Escuta, eu preciso que você me entenda. Lembra quando eu disse que estava em coma em outro lugar? — Olhou para a expressão dela tentando encontrar a compreensão que desejava, mas ter essa certeza de que aquela compreensão estava lá era quase impossível no estado em que se encontrava. — No futuro — sussurrou.
Ela acenou com a cabeça outra vez, entrelaçando suas mãos em cima da mesa de madeira do refeitório. Guv estava terminando a comida, Sam podia ver atrás de sua garota, e sabia que não teria mais que uns minutos depois disso para voltarem ao trabalho. Ele continuou:
— Hoje eu tive uma visão que dizia — as palavras deram uma pequena engasgada para saírem — que… — pegou a outra mão de Annie — dizia que eles iam desligar a máquina que me mantém vivo.
A primeira resposta que obteve foi uma leve franzida de testa e uma negação com a cabeça.
— Eles vão parar de cuidar de você?
— É. Pelo menos, é o que a mensagem disse. Que minha mãe não podia mais pagar o hospital e que a melhor opção era me deixar ir.
— Certo, então a sua mãe está pagando o hospital para te manter vivo — ela coçou atrás da orelha — e que decidiu que era melhor te deixar ir?
— Isso.
Annie olhou para Sam como se tentasse entender de onde ele tinha tirado essa ideia. Ele sabia, ah, sabia o tempo todo que era exatamente o que ela ia fazer, que ia duvidar, achar que ele estava ficando louco de verdade dessa vez.
— Por Deus, Annie, me diz logo que eu estou ficando maluco. Você sabe que eu não gosto quando não me acredita nesse assunto, mas tudo o que mais quero hoje é que me diga que não é real.
— Sam... — apertou um pouco as duas mãos dele — meu Sammy, isso realmente está me assustando um pouco. Não só porque não é real, mas porque você realmente achou que isso tudo era verdade por tanto tempo que…
— Eu sei, minha mente pode acabar fazendo o serviço todo mesmo sem existir coisa alguma — olhou para a porta do lugar por onde vinha uma luz alaranjada causada pela reflexão no vidro do lado de fora. — Mas me diz. — Pegou o queixo dela e aproximou seus rostos. — Que não é real.
Ela suspirou e deu um beijo em Sam.
— Não é real. E nem vai ser. Você está aqui comigo. E só aqui, acredite nisso, Sammy.
Ele respirou bem fundo e os dois voltaram a se sentar direito nas cadeiras.
Nessa hora, a sra. Dobbs apareceu na porta chamando todo mundo apressadamente, em especial o DCI Hunt que tinha uma ligação para atender. Era o Detective Chief Inspector Frank Morgan, de Hyde. Ele estava dizendo que um fugitivo se encontrava, naquele exato momento, indo em direção a Manchester com intenção de chegar a Bolton. Estava com uma garota de dez anos no banco de trás do carro, sequestrada, e devia ser parado a todo custo. Tratava-se de um Mercury Comet 71 prata, de placa “T985-CKL”.
Hunt mandou Ray reunir os carros da polícia imediatamente e organizou o resto do grupo de forma que Sam ficasse no carro com ele, Chris em outro com Ray — assim que voltasse — e Annie com Dobbs para fazerem a comunicação central com o rádio da delegacia. O plano era não só rondar pela vizinhança da avenida principal, mas fechar as saídas mais comuns com os outros carros e, claro, a entrada da via que ligava uma cidade à outra. Em menos de uma hora teriam aquele homem em suas mãos. Assim que os demais policiais estavam organizados, informados do plano e nos respectivos veículos, entraram cada um no carro em que deviam e partiram pela cidade.
— Dia ruim, garoto? — Hunt perguntou para Sam quando já estavam entrando na avenida.
— Como assim, Guv? — ele não tinha entendido o que o chefe estava pretendendo dizer.
— Você acordou cedo hoje, ficou de cochicho no refeitório o tempo inteiro e não fez nenhuma objeção pé-no-saco quando eu falei o que a gente ia fazer em relação ao caso; isso se parece alguma coisa com você, por acaso? Eu não estou muito acostumado a acreditar em milagres de Ano Novo e nem acho que você seja um no momento. Alguma coisa ruim está acontecendo?
Sam riu um pouco nervoso, desacreditado do que estava ouvindo. Não porque tivesse ouvido algum disparate ou qualquer coisa assim, o problema era que aquilo tudo era tão verdade que ele mesmo não diria que não eram bons sinais ouvindo aquilo daquela forma. Realmente, no mínimo não era um dia comum. Começou a suar um pouquinho e teve que abrir a camiseta para tomar mais ar.
— Claro que não, Guv, eu só estou entrando em forma de verdade esse ano, quero que tudo esteja na linha a partir de agora. Principalmente depois da bondade do Morgan. — Gene fez uma careta— E, se você quer saber, minha porta não vai aguentar muito mais os seus murros — ambos riram e pararam abruptamente ao mesmo tempo.
— Eu vou fingir que acredito, Sam. Fica tranquilo, vou me lembrar de falar para a Cartwright te animar um pouco hoje à noite. Mas que sorte, deve ser mesmo milagre de Ano Novo! Olha ali, T985!
Ao mesmo tempo em que apontava com o dedo na direção do carro que ia tranquilo pelo lado oposta da avenida, Hunt acelerou e entrou na primeira rua para fazer a volta sem ser percebido. Pegou o rádio e contatou a sra. Dobbs, dizendo a ela que mandasse as viaturas cercarem o local. Terminou de dar a volta e estava logo atrás do outro carro.
Em dois tempos estavam quase no final da avenida, em simultâneo, os demais policiais chegavam para bloquear aquela passagem, deixando seus carros de lado e fazendo sinal para impedir o tráfego. Sam fez um gestou com a mão para Guv assim que notou que o suspeito percebeu o que estava acontecendo e se virou na primeira rua que pôde antes de ser parado junto aos demais carros. Hunt virou atrás dele e, enquanto o Comet entrava à direita, ele seguiu reto para pegar a viela paralela.
— Se esse idiota acha que pode escapar de mim na minha cidade, ele vai precisar se esforçar muito mais — disse enquanto virava à direita duas ruas acima e seguia veloz para uma curva à esquerda que a própria rua fazia numa inclinação para baixo.
Saíram em uma bifurcação e Hunt resolveu não pegar o mesmo caminho que o criminoso mais uma vez. Pegou o reto, da esquerda, enquanto o outro carro continuava descendo pela saída mais próxima, claramente tentando se distanciar o mais possível dos dois policiais.
— Guv, eu tenho que admitir, pra mim a coisa não está boa, mas hoje só pode ser o seu dia de sorte.
— É, garoto, eu tô percebendo. Aquele cara de bunda não se deu ao trabalho nem de comprar um mapa pra perceber a merda que tá fazendo.
Enquanto os dois policiais iam em uma rua reta e basicamente vazia, sabiam que o Comet tinha entrado numa volta que ia dar em uma pequena área residencial e desembocar na mesma pista em que estavam mais tarde.
— Eu vou parar aqui, Sam, daqui ele não tem pra onde ir.
— É, Guv… — chamou — não é bem uma ótima ideia parar assim nessa rua, você sabe disso? — Sam começou a apertar os olhos para focar a vista, possivelmente toda aquela correria e o dia em si o deixaram um pouco tenso demais.
— Claro que é — manobrava o carro de modo que ficasse de lado e tapasse a maior parte da passagem. — O que você acha que aquele imbecil vai fazer, bater no nosso carro e matar ele e todo mundo? — Sam concordou fortemente com a cabeça, mordendo um pouco o lábio inferior.
— Pela primeira vez você está vendo que vai dar em merda tanto quanto eu! — falou rápido e pousou a mão na própria perna, estranhou um pouco a sensação. No entanto, nada era tão importante no momento como garantir que não seriam esmagados pelo carro de um sequestrador. — Não é muito mais fácil simplesmente jogarmos os fura-pneus que estão no porta-malas?
— Não, é só mais chance para esse bundão fazer merda, ele pode capotar o carro se estiver rápido demais.
Sam piscou duas vezes antes de responder, porque não queria acreditar que ele achava se arriscar daquele jeito tão mais lógico. Porém não teve tempo de contradizê-lo, o Mercury Comet já virava na rua em que estavam e vinha a uma boa velocidade em direção a eles. Sam jogou a sua mão na buzina, indicando que o carro devia parar e Hunt gritou pela janela:
— Pare o carro! Agora!
— Guv, desce, ele não vai... — agarrou o braço do seu companheiro, sua pressão tinha caído de um segundo para o outro. Ou pelo menos Sam sentia que tinha sido assim.
Gene se virou para o lado e, assim que o viu, arregalou os olhos, perguntando alguma coisa. Sam apontou em direção à janela e seu chefe não olhou para trás, apenas abriu a porta do lado que não era o seu, pulou a parte do meio do carro, já pondo um pé para fora e, assim que pôs o outro, se virou para pegar DI Tyler que perdia a consciência. Nesse momento, o Mercury Comet 71 voou para dentro do carro de Hunt, fazendo uma grande batida que atirou o veículo e os dois policiais à distância. A última coisa que Sam Tyler sentiu foi o impacto contra o chão, seguida de uma confortável cama de água em baixo de si.
Ele já não sentia mais coisa alguma.
Notas finais
E agradeço muito mesmo por ter lido até aqui ♥
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