Dream of Mirrors

2 E se tivesse ido?


Notas iniciais
Oi gente! Mais um capitulo e espero que vocês gostem! Boa Leitura!

— Uma tragédia marcada por graves assassinatos. O restaurante Bresno ainda estabelece o clima de terror. Pais das vitimas choraram ao encontrar a situação degradante. O sr. Bresno contou a policia que o restaurante estaria fechado exclusivamente para a comemoração de aniversário da sua filha identificada como Emilia Bresno, que acabara de completar dezessete anos. As outras vitimas foram identificadas: Giovana Prado de quinze anos, Bruno Monte de dezessete anos, Alice Monte de dezesseis anos e Thiago Gomez de dezessete anos. Agora a policia está a procura de uma garota desaparecida que supostamente estaria na festa: Denise Alves. Caso tenha algum conhecimento, por favor ligar 190. De volta pro estúdio... – Informava um jornalista do programa do fim da tarde. Todo canal repetia a mesma coisa, e seria tolisse não o fazer. Qualquer intervalo era a oportunidade perfeita de mostrar mais detalhes do “Massacre de Bresno”.

Lara Alves só assistiu ao jornal porque tinha a esperança de saber que Denise estaria bem, mas foi perda de tempo. Permaneceu sentada no sofá com o olhar vago. O que quebrava seu silêncio era os jingles comerciais que passavam na televisão e sua mãe, Marta, atendendo ao telefone pela vigessima vez só naquela tarde.

— Não. A policia só começa as buscas depois de vinte e quatro horas do desaparecimento. Sim, foi lamentavél... Não, ninguém tem noção de quem seja o monstro por trás de tudo. – Marta babulciava enquanto tragava o maço de cigarro encostada no batente da janela.

A jovem virou a cabeça para olhar melhor o relógio do corredor da cozinha, mais cinco minutos e se completaria vinte e quatro horas desde a tarde anterior. Suspirou aborrecida, estava cansada, rondara a cidade inteira ao lado de dois amigos na busca da irmã nos possivéis cantos que a encontraria. Ninguém sabia e nenhum lugar deixou seus rastros.

— Lara! – Exclamou sua mãe. – Já falei pra ir tomar banho!

Lara demorou pra subir pro seu quarto, que na verdade nunca foi só seu, sempre tinha ela... E ela sumiu... Por tempo ilimitado. A cama da direita arrumada só fazia Lara ter inúmeros nós na garganta, as fotos no mural de alfinete imundam seus olhos e as lembranças...

As lembranças sempre serão nossa maior tortura.

Ela apanhou a toalha de banho e atravessou o corredor pra chegar no banheiro. Sua mãe estava lá em baixo, chorando. Ouvia-se ela clamar o nome de vários santos católicos a pedido de proteção para sua filha desaparecida. Lara cochichava “amém” seguindo as rezas.

Se não houvesse porta no banheiro, grande parte da vizinhança ia saber que Lara solulava no chuveiro. Misturando as lágrimas com as gotas frias do chuveiro. Ela queria saber onde falhou, faltou algum lugar? Alguém? E se Denise deixou pistas? Lara se perturbou por quase uma hora.

Tremendo, revistou as gavetas da irmã e achou muitas coisas, trabalhos e provas escolares. E o convite verde-agua escrito por Emilia Bresno. No convite estava claro para quem isto era dedicado; Denise e Lara. A garota teve seus motivos para não comparecer na festa, motivos que agora não passam de atitudes idiotas e mesquinhas. Se Lara tivesse ido pra festa, ter comparecido... O que teria mudado? Seria ela capaz de mudar? Capaz de saber onde Denise está?

Ô duvida cruel.

***

— Recebi duas ligações hoje. – Disse Marta a Lara, cortando o bife fracamente.

— Algum outro familiar fingindo que se importa com a Dê? – Lara já mandou a resposta ríspida. Foi atingida pelo olhar severo de Marta e abaixou a marra.

— A primeira ligação foi da mãe do Thiago, pedindo para comparecer no velório dele. – Contou entristecida. Lara mastigou lentamente o bife, no mesmo ritimo que processa o fato de ver um amigo prestes a ser fechado num caixão. — A segunda era da pólicia. – O olhos da Lara saltaram de choque, esperando algo de bom ter vindo da ligação. – Informaram um possível interrogatório com você e que já começar as buscas pelo redor da cidade.

A esperança brochou.

— Que super novidade. – Disse Lara ironica. – Carol e o Paulo e eu já vasculhamos todo canto e nem sinal dela. – Disse frustrada. Ah como ela queria a Denise e apertar seu pescoço amorosamente pelo susto que causara.

— Mas a policia irá realizar uma busca mesticulosa, mais precisa do que três adolescentes de bicicleta. – Rebateu. Nenhuma palavra saiu da boca de Lara.

O silêncio chegou para comer o bife e sabia perfeitamente como ser inconveniente, atrapalhando qualquer conversa na realidade, porém ele ajudava nos pensamentos. Só que se o silêncio soubesse o quanto os pensamentos são pertubadores, teria saído de fininho?

— Ligue a Televisão. – Ordenou Marta vendo a hora no relógio do corredor. – Vai começar o jornal da noite. – Lara pegou o controle remoto e com um simples toque a vinheta do jornal já espantava o silêncio.

A primeira noticia, nem preciso escrever qual foi... O mesmo fato, mesmas imagens, mesmas pessoas e algumas imagens de Lara suplicando por achar a irmã. O jornalista fez apelo pela busca de Denise. Na pergunta de informações atualizadas, veio o seguinte:

— Acharam a arma do crime, e os médicos legais acabam de afirmar que os exames deram positivo, ou seja, para matar os jovens foi usada um cutelo de açougueiro. Tentaram vasculhar as cameras de segurança, mas todas estariam desligadas justamente porque o sistema estava em situação instavél, então é impossivel tentar ver algum tipo de imagem do suspeito entrando ou saindo do restaurante. – Relatou o jornalista.

— Que horror! – Marta espantou-se. – Cutelo de açougueiro! Quanta crueldade!

A feição de Lara não era muito diferente da mãe.

Imaginava-se a cena: Aniversário de uma garota que sempre sonhou com sua festa, rodeada de amigos pronta pra assopraras velas e um penetra chega cutelando os convidados e possivelmente a própria Denise. O nó se firmou, torcia por estar morta e torcia por estar viva, pobre Lara.

As informações não cessaram:

— Com o desaparecimento da garota de dezessete anos, Denise Alves, a policia alega que ela seja a possivel autora do Massacre. As provas apesar de não serem válidas, não contrariam afirmação. Se caso encontrarem Denise Alves, ela será levada imediatamente a interrogatório. Por enquanto é só isso. – Complementa sério.

Lara e Marta ficaram paralisadas, o choque foi profundo. Desde as entranhas ao coração pulsante. De tanta revolta, Lara soltou um berro contra a telivisão mesmo ciente de que o jornalista não iria ouvi-la. As palavras de ódio contra o mundo irritou a si própria.

— Eles não podem, mãe! Não... Droga! Ela é inocente! Denise é inocente! Ela nunca faria algo assim! – Pestejeou. – NUNCA! – Berra jogando o controle contra a parede. Marta se levantou subitamente a impedir o surto da filha. No chão, ajoelhadas na frente da televisão. – Acredita nisso né?

— No jornal? Claro que não! Apontarem o dedo pra minha filha! Que ódio. – Respondeu entre dentes.

— A Dê jamais ia fazer uma coisa dessa, sabemos o quanto ela é medrosa... Sabe-se lá Deus onde ela deve estar neste momento. – Disse Lara com as orelhas e bochechas vermelhas.

Marta a embrulhou nos braços a apertando contra o peito. Lara pensou que Marta estaria insegura em relação a Denise, mas se olhasse de perto, veriam as lágrimas contidas para nunca serem usadas como exemplo de fraqueza.

***

A noite de outono estava fresca, com ventos levando as folhas para longe de casa. Lara pairou no parapeito da janela, queria que o vento trouxesse ela de volta pra casa. Mas o vento só leva, nunca traz. Ela fechou a janela e sentou-se na beira da cama. Começou a encarar a cômoda branca e logo acima a foto das gêmeas.

Sorridentes tanto pelos dentes como pelos olhos, lindo de ser ver. E bom de se lembrar do dia da foto, era uma festa da escola e juntas tiraram a foto. Foi um dia inesquecivel, afinal, Denise teve de carregar Lara de volta pra casa e isto lhe rendia boas risadas. Era estranho sentir-se assim, Denise não morreu, só está desaparecida. Suspirou no meio do choro e jogou-se entre as cobertas.

Rezou por mais um dia de vida, pediu a benção das almas e a proteção da irmã.

Rolava e rolava no colchão, inquieta demais para fechar os olhos e simplesmente dormir. Queria entender o que aconteceu de verdade no restaurante, o por que alguém faria tal barbaridade. E achar sua irmã para provar sua inocência logo.

Encarar a cama do lado vazia era uma tortura, sabe-se lá o que Denise faria para atormentar Lara para ficarem acordadas até tarde. A saudade bateu de novo. O celular vibrou três vezes na cômoda, três mensagens de seu amigo, Paulo

“Hey espero q vc esteja bem

Ela vai aparecer, acredite

Bjs”

Um simples emotion e um desejo de boa noite foi a resposta de Lara. Antes de desligar o celular mandou uma mensagem para Carol

“Valeu por me ajudar hj, de vdd”

Digitando...

“Dnd. Conte sempre cmg

Quando a vadia da Dê aparecer vou esganar ela”

Lara abriu um fraco sorriso. Pena que o sorriso não ofuscava sua tremenda tristeza.

“Tamo junto”— Escreveu Lara

“Te encontro no velório?’

“Infelizmente”

Cobriu-se mais uma vez na tentativa direta de adormecer. De olhos fechados, sua mente ficou apurada... Apurada demais.

E de novo, aquela pergunta lhe perturbou: E se Lara tivesse ido para a festa?

***

“Alguma vez você já sentiu? O futuro é o passado, mas você não sabe como...?”

Lara saltou do banco passageiro para a porta do restaurante. Denise também pulou segurando i presente de Emilia. Se despediram da mãe e se dirigiram para a porta de entrada, foram recebidas pela própria aniversariante.

— Ah parabéns! – Exclamaram juntas. Denise jogou-se no pescoço de Emilia. Emilia era alta dos cabelos channel e pintados de rosa nas pontas. – Que venha muitos garotos para você. – Desejou Denise rindo.

Lara foi lentamente, sem muita empolgação, porém feliz pela amiga.

— Parabéns Emi! – Disse abraçando Emilia. – Só não desejo muito sexo pra você porque seria inapropriado. Ops, já desejei.

— Palhaça! – Emilia bateu no ombro de Lara. – Obrigada por ter vindo, não sabe o quanto sua presença é importante demais pra mim.

O estomâgo de Lara embrulhou, o sentimento lhe socou sem dó ou piedade.

Emilia as chamou para dentro e lá já estavam os convidados. Giovana Prado, uma garota de longos cabelos loiros de altura média e cheia de piercings. Bruno Monte, uma rapaz de corpo atlético, cabelos escuros e olhos azuis. Alice Monte, igualzinha ao irmão mais velho, só muda o fato de ter curvas e seios. Thiago Gomez de pele bronzeada e cabelos encaracolados.

— Finalmente hein! Porra que demora cês duas! – Exclamou Bruno cumprimentando as gêmeas.

— Queridinho, já são seis horas, horario de pico. – Denise explicou de forma debochada.

Lara sentia-se longe, não estava de corpo presente, sabia disso, mas queria ficar mais um pouco. E que situação foi a seguinte... Todos se auto zoando como crianças no primário. E que falta fariam...

Se ela fazia parte da cena,, não quis se passar de figurante e foi se divertir um pouco. Pouco importava se eram lembranças alteradas, ela só queria mais um pedaço deste paraíso que se foi noite passada.

— Emi... Cadê os cozinheiros e todos os outros? – Thiago perguntou notando que o vasto restaurante vazio de funcionários.

— Os dispensei mais cedo. Queria fazer algo REALMENTE particular. – Respondeu dando de ombros.

— Bem, já que estamos a sós... Podemos? – Bruno sacou da mochila que trouxera a embalagem lacrada de cerveja barata. Todos olharam com aprovação, inclusive as gêmeas.

— Mas que merda Bruno! – Emilia o repreendeu. – Eu falei que não ia rolar bebidas ou drogas!

— Naninão. – Bruno protestou. – Não sou de drogas e bebida é bom, cacete você não é mais criancinha! Daqui a um ano irá fazer dezoito anos e caso eu saiba, você não é careta. Todos sabem disso. – Disse ele malicioso.

— Ainda me pergunto por que eu te convidei. – Disse Emilia emburrada.

— Porque você me ama e porque sem mim esta festa seria uma droga sem mim. – Gabou-se Bruno abrindo a lata.

— E é por isso que eles não conseguem namorar. – Sussurou Denise para Lara. Bruno e Emilia já namoraram no primeiro ano do colegial, mas as constantes brigas o fizeram terminar no quarto mês de namoro. Mas conhecendo bem a amiga, Lara podia ter a certeza que eles ainda ficavam.

— Caralho! – Thiago bebeu a cerveja. – É uma merda essa daqui!

— Foi o que o Marcelo me arranjou. Ainda somos de menor, não podia pegar uma Skol ou Itaipava. Então da proxima vez você paga o Marcelo, seu merda. – Disse Bruno entredentes. Thiago não se intimidou e apenas tomou outro gole.

— Chega! – Alice interrompeu o irmão. – Mano, chega de brigar, hoje é um dia feliz! Hoje a engomadinha faz aniversário.

— Aff que apelidinho mais bosta. – Retrucou Emilia.

— Sempre foi, por que mudaria? – Giovana perguntou. Emilia protestou dizendo ter dezessete anos. – Faz quatro anos que te conheço e que eu saiba você nunca deixou de ser nariz empinado.

Todos gargalharam. E Emilia emburrou de novo.

Lara começou a se perguntar se tudo isso era coisa de sua cabeça. Claro que era. Existe outra explicação?

Giovana com ajuda de Denise trouxeram o incrivel bolo de merengue que os cozinheiros de Bresno fizeram especialmente para a aniversariante. O brilho nos olhos de Emilia eram inegualaveis, tão limpos quando se vê a felicidade dos outros sendo depositadas a você. As velas no meio do Parabéns escrito à creme de chocolate.

— Aí Lara! Apaga as luzes! – Pediu Emilia. Os amigos se envolveram entre o bolo. – Puta merda cadê o isqueiro? Gi pode pegar lá na cozinha? Deve estar do lado dos fogões.

Giovana saiu atrás da porta solta e foi na procura do isqueiro. Lara foi até a caixa dos fuziveis para apagar as luzes. Foi puxado pro lado oposto e pronto, só as luzes urbanas iluminavam o Bresno.

“Um sonho refletido de uma ocasião capturada . É realmente agora? Está realmente acontecendo?”

Lara voltou lentamente para perto dos amigos que esperavam o retorno de Giovana. Ela não aparecia de jeito de nenhum e isto os preocupou.

— E se aconteceu algo? – Alice transparecia preocupação.

— Espera... – Denise acalmou a amiga. – Giovana? – Chamou uma, duas, três vezes e sem resposta.

Emilia ficou irritada com a demora, Lara sentiu algo no ventre que olhou imediatamente para Denise. Os olhos se encontraram no ápice do desespero, querendo entender a situação atual e esse tal pressentimento horrivel que tornou a ideia de Lara ir acender a luz.

— E o parabéns? – Giovana surgiu de trás da porta com o isqueiro na mão.

— Por que não respondeu? – Perguntou Thiago aliviado.

— Deixa! Ela já apareceu! Apague a luz.

Apesar de Giovana ter aparecido, Lara continuou tendo aquela sensação ruim atravessando o estomâgo, só que ele estava mais forte, tão forte que suas pernas tremiam. Com dificuldade, ele se juntou aos amigos novamente. Parecia que quanto menor a distância, maior a terrivel sensação. Ficou do lado de Denise e discretamente para ninguém ver apertou sua mão. Denise retribuiu o aperto, sem questionar.

— Gente... – Emilia pediu a atenção deles. – Eu... Não consigo expressar minha felicidade. De essa reunião estar acontecendo, depois de tantos anos de amizade... união, brigas...

— O discurso é depois do parabéns, anta. – Interrompeu Alice rindo.

— O aniversario é meu e vai ser na minha ordem. – Rebateu. – Viu só? Estragou o clima. Voltando, eu queria agradecer a cada um de vocês. Meus amigos de verdade que sempre me apoiaram na pior e na melhor das situações. Diferentes de certas pessoas...

— Pamela. – Pigarreou Thiago.

— Pois é... Mas o que importa é que aqui estamos, juntos, unidos e lindos. – Alargou o sorriso de emoção. – Amo vocês. E você Lara, se você não viesse eu ia puxar seu pé.

Pode até ter sido uma frase ironica, mas por algum motivo, Lara se arrepiou. Uma frase insignificante podia ter algum significado lá no fundo. E por isso que ela se arrepiou. Porque temia o suposto significado.

— Hora do parabéns! – Exclama Giovana acendendo o isqueiro e queimando as velas.

As mãos das gêmeas soltaram para poderem cantar a cantiga. Lara relaxou e caiu nas graças de Bruno repetindo o mesmo refrão, pulava junto com Alice e Thiago. E uma coisa que deviam ter feito desde o inicio do dia, abraçou Denise a risos como faziam antigamente.

Porém algo estranho aconteceu. A música foi morrendo aos poucos, lentamente. Um por um. De forma sorrateira e brutal. Antes de se perceberem, a nuca recebia um golpe forte pra cair duro no chão. Depois vários cortes no corpo.

O lance final foi especialmente para a aniversariante confusa.

Lara abriu os olhos tremendo da cabeça aos pés, sussurou por alguém e ficou sem resposta. Tentava entender o que acabara de acontecer, mas ela só se lembrava do parabéns e da escuridão presa a outra escuridão. Só se lembrava da sensação ruim. Só se lembrava do forte aperto de mão que deu na irmã.

Denise...

Denise!

Onde estaria Denise?

Com muita coragem e pouca força, ela cambaleou a levantar-se do chão sujo de algo viscoso. Lara olhou de um lado. Depois o outro e nenhum palmo na sua frente. O farol dos carros passageiros é o que o iluminava o Hall principal e nem isso era o suficiente.

Panelas cairam da cozinha, fazendo Lara saltar de susto. Logo, se dirigiu para lá, tensa. A cozinha também se encontrava nas umbras. Lara de imediato prendeu a respiração e chamou pela irmã com a voz abafada.

Uma porta rangeu indiscretamente. Ela procura a direção de onde veio e a sua pouca aptidão pelo escuro também não colaborava na situação. As pernas formigavam de excitação e medo, nem ia e nem ficava. Lara fez contagem regressiva e em passos leves alcançou a porta barulhenta.

A jovem tateeou tudo e interpretou ser a dispensa. Denise foi chamada de novo e sem resposta. A única resposta que teve foi com o chão ao não sentir a escada. Caiu de mau jeito. Ralou as pernas, bateu as costas nos degraus. Ao tentar se erguer, pegou numa maçaneta redonda, a girou e puxou a porta devagar torcendo pra ela ranger.

A iluminação precária escondia a verdadeira face do local. Mostrou outra face.

Uma face morbida.

Lara levou a mão a boca de choque. Arrepios brincavam com seu corpo. Pensou que ia desmaiar na frente de Denise, mas fora atingida por vários golpes cortantes na costela.

***

O suor frio escorria na testa, as palpebras saltadas, as mãos trêmulas. Assim Lara acordou no seu quarto.

Longe do restaurante

Longe dos amigos

Longe da irmã

Perto do medo.

Denise... Morta?

Lara... Morreria caso fosse?

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Comentem e me digam o que acharam! As citações que usei algumas vezes são da música que inspirou a escrever esta fic "Dream of Mirrors - Iron Maiden" Um beijo e até a próxima