Dream and Destiny
6 Capítulo 6 - Brilho.
Roma deixou a mochila cair ao seu lado. Seus olhos piscavam rapidamente, tentando compreender o que via. O homem que aparentava ter 40 anos estava de frente para ela, abraçado a Luna, sua irmã mais nova.
–Maninha, é o papai! — Dizia totalmente alegre a pequena menina loira, envolvendo o pai em outro abraço mais forte.
–Eu sei quem é ele, Luna. — Comentou de forma áspera, encarando fixamente o homem a sua frente: — O que você está fazendo aqui, Robbie?
O homem deu um sorriso sadio, mostrando todos os dentes brancos, que fizeram a garota ter repulsa.
–Eu vim ver minhas filhas amadas e minha esposa. E quero que me chame de pai, Roma. — Ele andou até ela e abriu os braços: -Que tal um abraço bem gostoso?
Roma recuou um passo e se esbarrou com a porta, sentindo-se encurralada pelo homem. Não teve outra alternativa, senão abraçá-lo. A morena se soltou rapidamente e pegou sua mochila:
–Preciso subir e tomar um banho, estou coberta de tinta.
–Filha — Gritou sua mãe, vendo-a subir as escadas: -, não vai jantar com a gente?
Roma negou com a cabeça e continuou a subir até seu quarto. Certificou da porta estar trancada e pegou seu celular, digitando rapidamente uma mensagem de texto para Jessica, sua melhor amiga:
"Problemas a vista Jess. Adivinha quem eu encontrei aqui em casa hoje?"
Clicou em enviar e aguardou a mensagem ser enviada. Se ela fosse ligar, correria o risco de alguém escutar a conversa, e isso seria desagradável. Roma tirou a roupa suja de tinta e entrou no banheiro segurando o celular. Seus olhos se focaram no espelho e em seu corpo. Seus seios estavam maiores? Fazia quanto tempo que ela não se preocupava com isso? Nem ela mesma sabia. O seu celular vibrou em cima da pia, e ela checou a resposta de Jess:
"Se eu soubesse adivinhar, eu estaria multibilionária. Fala quem foi."
Roma suspirou e decidiu ignorar o tom da resposta. Seus dedos digitaram rapidamente a resposta:
"Meu pai, que foi embora de casa e nos deixou. Jess, ele não pode saber que a gente teve um caso."
Roma clicou em enviar e entrou no box já nua, tomando um banho quente para tirar a tinta. O celular vibrou de novo, mas Roma estava focada em seus pensamentos. Seu corpo começou a ficar pesado e ela sentiu o sono lhe invadir. Livre da tinta roxa, Roma se secou e vestiu seu pijama, caindo no sono sem e cobrir.
Um aroma doce invadiu suas narinas enquanto dormia. Era cheiro de frutas vermelhas? Desde quando sua mãe fazia algo do tipo? Roma saiu debaixo das cobertas e andou até a cozinha apenas de pijamas, vendo seu pai (o que ela ainda achava que era um enorme pesadelo), sentado na mesa segurando um jornal. A frente dele, panquecas com frutas vermelhas, o que explicava o cheiro. Luna abriu um sorriso largo para a irmã, e Meredith disse calmamente:
–Bom dia filha. Não se atrase pra escola, lembre que hoje tem treino.
Roma abriu a boca para protestar, mas Robbie abaixou o jornal e encarou a filha:
–Treino de que Roma?
–Futebol. — Respondeu seca e rápido, indicando que a conversa terminava ali. Roma virou as costas e saiu andando para o quarto para mudar de roupa.
Quando chegou perto da porta do banheiro, a menina ouviu o celular tocar. Era Jess, ligando pela 10° vez, após a 10° mensagem enviada. Roma suspirou e atendeu:
–Jess...
–AONDE VOCÊ ESTAVA SUA VADIA EGOÍSTA? QUER ME MATAR? — Berrou a menina pelo telefone, fazendo Roma pular de susto: — NUNCA MAIS ME DEIXE FALANDO SOZINHA!
–Foi sem querer Jessica. — Roma comentou rindo, enquanto amarrava seu all star: — Vai me dar carona hoje? Ou vou pro colégio sozinha?
–Já estou aqui, tive que vim mais cedo. Longa história. Bye. — Jess desligou o telefone na cara de Roma. A menina suspirou e pegou sua mochila.
Enquanto descia as escadas, Meredith estava parada na porta da saída, segurando um pano branco. Roma fitou os olhos da mãe e acariciou seus ombros:
–Que foi mãe?
–Filha, sei que é difícil, mas por favor, age normalmente com seu pai? Para a paz reinar nessa casa.
Roma suspirou e ajeitou a mochila nos ombros, dando um sorriso em sinal de sim para a mãe. A maior razão por sorrir sempre de manhã, era ver o sorriso doce de sua mãe. Abrindo a porta, a garota correu até o carro e acelerou em direção a escola.
Nos corredores, Marion corria na direção de Roma, totalmente apressada. A Francesa estava com os cabelos escuros bem curtinhos, e as bochechas avermelhadas pelo esforço:
–Roma, a treinadora está convocando todo o time. Parece que tem algo relacionado a seleção.
Roma ficou estática. A Seleção Norte Americana estava fazendo a lista de convocados? Balançou a cabeça tentando voltar em si, e quando abriu a boca pra perguntar algo, Marion já estava na frente dela, correndo de novo. Roma suspirou e correu para o campo de treinamento, cheia de ansiedade.
Ao chegar no campo, a treinadora Fields estava ao lado de um rapaz loiro de olhos azuis. Roma se sentou ao lado de Marion quando a treinadora deu um passo a frente:
–Garotas, esse é o técnico da Seleção Feminina dos Estados Unidos, Drake Defeo. — O rapaz acenou e Fields voltou a falar: — Ele veio convocar do nosso time 4 jogadoras para a seleção. Dividam-se, pois faremos um jogo treino entre vocês. Roma, escolha seu time que vai usar o colete azul. Alletta, o colete vermelho é do seu time.
Roma suspirou e começou a entregar os coletes. Deu um a Amber, a Elizabeth, Victoria e Marion. Seus pensamentos estavam focados em Dominique, que iria adorar participar daquele jogo. Após a divisão dos times, o jogo deu início com o time vermelho.
Roma jogou a bola para trás e correu para frente, mas para sua surpresa, estava marcada por três jogadoras. Roma encarava a marcação pesada do time azul e ficou surpresa ao ver elas marcarem um gol. Roma passou a mão pelo rosto e encarou Amber:
–Amber, vamos jogar direito. Marion, abre os olhos e Victoria, se movimente mais. Vamos lá meninas, sei que podemos.
Alletta deu risada e o jogo deu início. Roma jogou a bola pra lateral, deixando Victoria livre para avançar correndo. Roma desceu correndo, se livrando da marcação de Charlotte e de Dianne, e saltou, cabeceando a bola no ângulo direito, marcando o gol de empate. Roma foi abraçada pelas companheiras do time e o jogo voltou.
Fields e Drake encaravam como as meninas jogavam e faziam anotações. Roma passeava pelo campo como se fosse o vento. Sua boa forma e velocidade se manteve durante o primeiro tempo de 30 minutos. No segundo tempo, Roma começou a desenvolver um porte mais defensivo, fazendo o time de Alletta cansar. Victoria jogou a bola, invertendo a posição do jogo para Lauren. Charlotte chegou de carrinho em Lauren, mas a garota jogou a bola por cima da adversária e tocou para Roma.
Roma encarou a bola aos seus pés e apenas saiu correndo. Sua velocidade estava incrivelmente impecável. As zagueiras do outro time tentava marcá-la, mas não conseguiam. Roma jogou o corpo para a direita e chutou forte, estufando a bola nas redes.
Fields apitou, finalizando o jogo. Roma foi abraçada pelas garotas do time vermelho, que gritavam seu nome. Em todos os meses jogando, Roma nunca apresentara um brilho no futebol como naquele dia. Drake bateu palmas, e mostrou a lista que ele fez:
–Parabéns a todas. Vocês são incrivelmente talentosas. Bem, mas apenas seis de vocês, sim, eu decidi aumentar a lista porque fiquei maravilhado com vocês, irão vir comigo para Nova York, ficar junto com as outras jogadoras dos outros times. — Drake voltou a olhar pra lista e começou a falar: — Goleira, venha para frente, Amber La Bow.
Amber deu um pulo de felicidade e correu para a frente. Drake sorriu e olhou para a lista de novo:
– Defensora, venha para cá Elizabeth, Alice e Ariane. — As três se aproximaram, e Roma notou o olhar triste de Marion por não ter sido chamada. Drake encarou Roma e disse: — Meio de campo, se aproxime Charlotte. E do ataque...
Todo o local ficou em silêncio. Alletta já estava preparada para dar um passo, quando o homem apontou para a menina ao lado dela:
– Roma Migliori, parabéns.
Roma ficou com os olhos brilhando. Deu um passo a frente e abraçou as outras meninas selecionadas. Drake abaixou a lista e sorriu:
–O jogo dos Estados Unidos será contra a Holanda, daqui a 5 dias. Amanhã vocês irão embarcar comigo, então, descansem.
Roma não aguardou a liberação para ir ao vestiário. Simplesmente pegou sua mochila e saiu correndo pro carro, dirigindo pro hospital.
O Hospital de Los Angeles era enorme e branco. Algo que deixava qualquer um intimidado. Roma desceu do carro e andou até a recepção, usando sua roupa do treino:
–Boa tarde, quero visitar o quarto de Dominique Giacomini, por favor.
A enfermeira de cabelos grisalhos olhou para a menina e apontou pro elevador:
–Andar 18, quarto 437.
Roma agradeceu com um aceno e pegou o elevador. A garota olhou para o indicador e saiu correndo quando o andar 18 chegou. Seus olhos iam procurando o quarto, até que entrou no certo.
–Pensei que ia me esquecer aqui. — Comentou Dominique, com total humor no olhar.
–Nunca abandono meus melhores amigos, Domi. — Roma sorriu, e a abraçou em cima da maca: -Foi grave a lesão?
–Muito. Mas qual a razão dessa felicidade toda?
Roma sorriu largo e acariciou os cabelos da melhor amiga:
–Fui convocada para a Seleção dos Estados Unidos.
Dominique deu risada e bateu palmas, abraçando mais apertado a menina morena:
–Que ótimo! Vai lá e detona todos eles por mim Roms!
Roma sorriu e beijou a testa da amiga sem falar nada. Roma e Dominique se entendiam dentro e fora de campo. A garota olhou para a janela e viu o por do sol.
–Irei sim detonar. Pode deixar.
Fale com o autor